por José Carlos

Where I belong

17 de May de 2008, 1:13

E então que, pra mais de 10:30 da noite, meu vôo estava pousando em São Paulo - cidade que eu não via há 12 dias por conta do trabalho semanal em Brasília e do fim-de-semana do dia das mães em Belo Horizonte.

Então olho pela janela do avião e a vista é mais ou menos assim:

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Foto por SlapBcn

Adivinha qual foi a primeira coisa que me veio à cabeça:

“Coruscant… o planeta inteiro é uma cidade”

Foi o que Ric Olié disse à Anakin Skywalker, em Guerra nas Estrelas, Ep. 1, quando Qui Gon Jin leva o garoto para ser avaliado pelo conselho Jedi. Bati meu personal nerdice record de novo…

Outro dia o Inagaki disse que São Paulo “desperta sentimentos ambivalentes”. Já eu não sei dizer se sinto amor ou ódio pela cidade. Mas uma coisa é certa: me sinto integrado a ela de uma forma que nunca senti antes - nem com Belo Horizonte, minha terra natal. Tanto que, míseros sete meses depois da mudança, já me sinto em casa quando o avião toca na pista, e nem me estresso com a fila do táxi no ponto do aeroporto - que hoje, sem brincadeira, tinha umas 200 pessoas fácil, fácil.

Foram duas longas semanas. Voltar ao meu lar paulistano dá uma sensação boa de pertencimento - o tal “where I belong” das músicas em inglês…


Murphy aprendeu a dar combos

15 de May de 2008, 9:49

Ontem, 18:35, fim do expediente. Meu nariz começa a escorrer e eu concluo que estou prestes a gripar, enquanto a temperatura do planalto central cai vertiginosamente. Tudo que eu queria era voltar pro hotel…

…mas não tinha nenhum táxi no ponto.

O táxi só apareceu uns 20 minutos depois. Aí ele se enfiou nos engarrafamentos, chegou até a rodoviária (metade do caminho) e parou no sinal que dá acesso ao Eixo Monumental, movimentadíssimo àquela hora.

E aí Murphy entra no ringue: Round one, FIGHT!

O sinal abre e NINGUÉM anda. Alguns carros buzinam, só que a fila continua parada, parada… até que o sinal volta a fechar.

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FIRST ATTACK!

Vários minutos depois o sinal abre novamente. 2-hit combo: NENHUM carro se mexe. O taxista desce pra dar uma olhada e avisa que tem um guarda fechando o trânsito. “Maldito, deve estar escoando o tráfego pesado do Eixo”, pensei.

20080515_3 Daí o sinal abre de novo, nenhum carro anda, e o Eixo, de repente, esvazia. “Agora vai!”, pensei. Mas ninguém se mexia. 3-hit combo!

Depois de mais duas rodadas do sinal abrindo e fechando, apelei e desci do táxi. Só então, a pé, percebi que quem estava parando o tráfego era um daqueles motoqueiros de escolta presidencial.

“Tá me zoando que esses filhos da puta fecharam a avenida toda só pro Lula passar”, pensei. No mesmo instante os carros pretos da Presidência da República passaram, zunindo, e na sequência o guarda liberou o trânsito.

Meu “ex-táxi” passou por mim enquanto uma voz gritava no subconsciente:

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M-m-m-multiple hit combo!

Furioso, comecei a andar em direção ao hotel. Só que Brasília não é uma cidade feita para pedestres: depois de andar por uns cinco minutos eu percebi que fui parar num lugar de onde não tinha como atravessar para lugar nenhum: o passeio acabava e não havia sinal ou faixa de pedestre, o que me obrigou a voltar exatamente para o lugar de onde desci do táxi. Tech hit!

E assim, depois de uma loooooooonga caminhada (de terno e mochila nas costas, vale lembrar), cansado e suado, dei um longo suspiro quando, finalmente, me vi diante da porta do quarto do hotel. Era o fim do meu calvário. Aí coloquei o cartão na maçaneta e… a porta não abriu. Tentei uma, duas, dez vezes mas não tinha jeito: o cartão-chave havia desmagnetizado.

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MURPHY WINS…FATALITY!


O dia em que comi caviar

13 de May de 2008, 21:31

É que o cliente chamou a gente pra almoçar, meu chefe se empolgou e deu a fatídica sugestão:

- Vamos no restaurante do Ulisses Guimarães?

Na mesma hora o sismógrafo instalado na minha conta bancária registrou um abalo sísmico considerável: “restaurante do Ulisses Guimarães” é o apelido do Piantella, um dos lugares mais caros de Brasília, frequentado por deputados, senadores e o escambau.

Aí nos sentamos e, enquanto eu me preocupava com o rombo financeiro iminente, meus colegas se empolgavam: comeram o couvert, depois umas bolinhas de mussarela de búfala, depois o cliente quis tomar uma taça de vinho… e na hora dos pedidos, prevendo que a conta ia ser dividida por igual e eu ia me lascar, resolvi que pelo menos iria à falência comendo bem e pedi um tal “steak moskovite”.

Algum tempo depois, eis que chega meu “steak”: um bife grande com um molho rosado e aquelas batatas fritas em formato de bolinha, dignas de um Giraffas da vida. “Então ISSO AÍ é meu mega-prato?” - pensava eu, decepcionado, até que o garçom pegou um pote que parecia de geléia e jogou duas colheradas do conteúdo em cima do meu bife. Olhei pro rótulo do vidro e meu mundo ruiu:

“Aimeudeus, isso é… caviar!”

É isso aí, meus amigos. Caviar, a famosa iguaria, composta de ovas de um peixe chamado esturjão. O mais legal é a Wikipedia contando como fazem o caviar:

A produção comercial de caviar normalmente ocorre pela extração dos ovários do peixe desacordado (normalmente com uma paulada)

Sim, você dá porrada no peixe e arranca os ovários com ele ainda vivo. Nojeiras de produção à parte, o gosto do caviar é… estranho. É um sabor forte, um misto de salgado com azedo e, bem “no meio”, vem o gosto de peixe. Não curti.

Do jeito que falam eu achei que caviar seria algo de outro mundo, o que me levou à inevitável conclusão: caviar é hype.

A outra conclusão do dia veio na hora da conta, quando concluí que esse negócio de “ir à falência comendo bem” não é uma boa idéia. Pra vocês terem uma idéia do preço: minha empresa reembolsa despesas com comida até um certo limite diário, suficiente para cobrir um almoço e jantar de preço razoável. E só nesse almoço eu gastei o equivalente ao reembolso de nada menos do que DOIS DIAS INTEIROS.


A bela dublagem do Team Fortress 2

13 de May de 2008, 19:35

Todos os outros first-person shooters focam muito mais em gráficos hiperrealistas, jogabilidade equilibrada e coisas similares; já a Valve pegou a contramão da tendência e, no Team Fortress 2, parece ter se esmerado muito mais no lado artístico do jogo - coisa bem incomum em jogos de computador.

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Além do visual cartunesco dos personagens, o que eu mais curto no TF2 é o cuidado com as dublagens. Pra começar, todos os personagens tem sotaque próprio. O demoman tem sotaque escocês, o heavy tem sotaque russo, o pyro tem… bem, não tem sotaque porque não dá pra entender nada do que ele fala por causa da máscara - uma divertida sacada da Valve.

Até os announcements foram cuidadosamente dublados: ao invés de uns “you win” e “time has been added” pronunciados por uma voz sem sal, a dublagem é feita por uma belo talento vocal feminino que inclui no tom de voz a emoção correspondente ao tipo do announcement sendo feito: o “You Fail!” é dito num tom acusatório, quase decepcionado; o tom do “your control point is being contested!” deixa evidente a urgência do problema, etc.


A ignorância que te faz dormir à noite

8 de May de 2008, 23:41

No Kottke, numa nota sobre Eric Haseltine, um cara que foi da Disney para a NSA (a agência de inteligência mais bam-bam-bam da onda anti-terrorismo norte-americana), o último parágrafo é digno de tradução e postagem aqui:

No fim da sessão, a entrevistadora Jane Mayer perguntou a Haseltine se, porventura, o governo Bush não estava tendo uma reação exagerada ao terrorismo… se essa idéia de que o perigo está em toda parte é apropriada, realista. Ele respondeu dizendo que, desde que se envolveu com inteligência, ele não dorme bem à noite. “Eu sei muito”.


Sutileza

8 de May de 2008, 23:00

Ser enérgico ou autoritário é fácil. Agora, ser sutil - especialmente nas palavras - é uma arte.

Socialmente falando, a sutileza requer uma habilidade mais ou menos parecida com o dos lacônicos - o de colocar conteudo, digamos, intenso em frases ou gestos amistosos. Como meu chefe hoje, ao telefone, explicando que a demora em confirmar se vinha ou não à Brasília semana que vem era por causa da incompetência da agência de viagens:

- É que o cara que marca as passagens de avião está doente, tem uma menina substituindo ele, e ela não é assim muito… versátil.

Sutileza é o que faz música ambient ser boa: outro dia eu comentei no Impop que ambient, normalmente, significa longas faixas de coisa nenhuma acontecendo. Só que no meio da aparente “coisa nenhuma” a música vai, discretamente, se desenvolvendo: novos sons que entram ou saem, notas diferentes, mudanças de cor ou textura do som, etc. A mente tem que se esforçar pra perceber que, sim, existe alguma coisa sendo dita - bem sutilmente.

Ser sutil é roubar a cena de dentro das coxias. Sutileza é daquelas virtudes que eu quero ter quando mais velho…


E hoje eu assisti Homem de Ferro!

7 de May de 2008, 0:16

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Um filme patrocinado por:

  • Dell
  • Burger King
  • Rolling Stone
  • Wired
  • Caesars Palace
  • Audi
  • Hummer

…e mais um monte de marcas que precisam ser um pouquinho mais discretas ao fazer product placement.

(Update: Foi o Davi que avisou que o nome certo é “product placement”. Valeu!)


Momentos belorizontinos

5 de May de 2008, 12:28

Ir à BH significa encontrar conhecidos na rua sempre que você sair pra rua. Aparentemente isso inclui a estrada, porque encontrei uma antiga conhecida no meio da BR-381, perto de Três Corações, na viagem da ida.

Já em Beagá, fomos a um concerto no Palácio das Artes e vi logo três conhecidos de uma vez. No dia seguinte fomos ao shopping e, voilá, encontramos um colega leitor deste blog. Mais tarde, em outro shopping, comentei com Bethania:

- E aí, será que vamos encontrar mais um aqui?

30 segundos depois, adivinha…


Numa visita à uma tia de Bethania, eis que acho em cima da mesa uma cópia autografada de “Fresta por onde olhar”, livro da esposa do Exu Caveira Cover, lançado recentemente. Mundo realmente pequeno, este.


A razão da ida pra Beagá foi o aniversário de Bethania que, por sinal, bateu o personal festas de aniversário record: três comemorações em BH e tem mais alguma coisa prevista aqui pra São Paulo.

Numa delas (a comemoração “família”) meu irmãozinho foi comer um cajuzinho depois dos parabéns e, sem a menor cerimônia, solta um grito memorável:

- ESSE DOCE TÁ UMA PORCARIA!!!


A outra frase memorável do feriado foi do meu cunhado. Dizia ele que estava num ônibus e um gay se sentou atrás dele e começou a sussurrar: “Gostoso…”

A resposta dele foi hilária:

- Escuta aqui, você me respeita, porque eu até respeito essa PORRA DE OPÇÃO SEXUAL sua!!


…e, antes de voltar pra São Paulo, passamos no supermercado e gastamos R$ 25 em queijo. Só pra cumprir com o estereótipo.


Razões para ser lacônico

28 de April de 2008, 19:12

“Uma frase curta contém muita sabedoria” - Sófocles

“Lacônico” é aquela pessoa que fala pouco. É o oposto do prolixo, aquele que fala pelos cotovelos (e, eventualmente, por alguns orifícios corporais pouco dignos).

A origem do termo é a Lacônia, região da Grécia antiga cuja capital era - veja você! - Esparta.

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Leônidas era um cara lacônico: pouco papo, muita ação.

Reza a lenda que Felipe II da Macedônia escreveu a seguinte mensagem aos espartanos: “Vocês devem se render sem demora, pois se eu trouxer meu exército às suas terras, destruirei suas fazendas, escravizarei seu povo e dizimarei sua cidade”. A resposta dos espartanos foi, simplesmente: “Se”.

Em tempos de overdose de informação, ser lacônico é muito importante. Todo mundo tem muito pra falar mas pouco tempo pra ouvir, o que gera conceitos curiosos como o do “discurso do elevador“: aquela situação hipotética onde você tem apenas o tempo de uma viagem de elevador (tipo 30 segundos) pra passar a sua idéia fantástica de negócio para um potencial investidor.

Ser lacônico só traz vantagens. Uma delas é que suas idéias sempre caberão nos 140 caracteres do Twitter. E cabe muita coisa em 140 caracteres…

“O diabo é Deus de férias” - @exucaveiracover

Na música os bons artistas sempre dizem mais com menos. Exemplo: “Definitions”, música do Minutemen, tem apenas 1:13 minutos. A letra tem apenas sete frases. Não precisava de mais nenhuma.

They say I got a gun in my hand.
Six slugs, six points of view.
Materialism.

They say I have a book in my hand.
Fifty thousand words, fifty thousand translations.
Idealism.

Ooh, I got a dictionary!

Até mesmo os artistas ruins se beneficiam quando são lacônicos. Pouca gente sabe a letra inteira dos nove minutos de “Faroeste Caboclo”, mas todo mundo se lembra da infame frase: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.


É tudo uma grande mentira

25 de April de 2008, 9:50

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