Humor negro; timing perfeito

21 de July de 2008, 22:48

No exato momento em que o Jornal Nacional mostrava uma matéria sobre a reconstituição em 3D do assassinato da Isabella Nardoni, vem o @rodrigoprior e manda no Twitter

The Sims: Isabella’s Flight


Tacos, burritos, Batman, Imagem & Ação, hotéis, mar e peixes.

21 de July de 2008, 22:34

O último fim de semana foi o “muito bom” em sua mais completa tradução.

No sábado recebemos amigos em casa, fomos todos para a cozinha e saímos de lá com um jantar mexicano absolutamente delicioso. Comemos, comemos, e aí quando nossos corpos já estavam saciados, fomos ao cinema saciar a alma com um bom filme: “Batman - O Cavaleiro das Trevas”.

Só que o filme do Batman não era um bom filme…

Na verdade, “Batman - O Cavaleiro das Trevas” é um EXCELENTE filme. E um marco histórico pois, finalmente, os super-heróis foram usados no cinema com a nobreza que realmente merecem (lembra do fiasco do último Homem-Aranha? Pois é). Saí do cinema com a impressão de que eu não havia assistido um filme de super-herói, e sim um drama psicológico da melhor qualidade construído sobre os mitos das figuras do Batman e do Coringa. Tanto que ele não é um filme fácil, do tipo “vá ver para se divertir e esquecer da vida”, pois, como bem disse o Vilaça

…como os personagens soam humanos, distanciando-se das figuras unidimensionais presentes em projetos similares, nosso investimento emocional na história cresce exponencialmente, já que passamos a temer por seus destinos.

Só não é o melhor de 2008 por causa de Wall-E.

Destaque para Maggie Gyllenhaal - que, diferentemente da Katie Holmes “Cruise”, tem cara de ser humano normal - e para a trilha sonora, muito mais presente ao longo do filme do que o “normal” e que me deixou satisfeitíssimo ao apostar em texturas diferentes das de “orquestras padrão de filme” para indicar os momentos de suspense. Tanto que, em vários momentos, a música me lembrava as faixas mais assustadoras do “Telegraphs in Negative”, do Set Fire to Flames (que fui obrigado a ouvir novamente, enquanto escrevo estas mal traçadas linhas).

E no domingo casa cheia de novo, dessa vez para macarronada e partidinhas amistosas de Imagem & Ação. Impagável ver amigos de longa data fazendo mímica da “Britney Spears”.

O problema foi que os serviços do Prof. Primo haviam sido evocados para a próxima segunda e terça-feira, então o fim-de-semana perfeito acabou pontualmente às 18:30, quando tive que deixar amigos, esposa e cachorro pra trás, me enfiar num táxi, depois num avião, depois em mais outro para, às duas da manhã, chegar à Fortaleza.

O sono era tanto que não me lembro exatamente como fui parar debaixo das cobertas. Mas me lembro que acordei, abri a janela e dei de cara com ISTO…

Fortaleza (de dia)

…e que, à noite, voltei pro hotel e dei de cara com ISTO…

Fortaleza (de noite)

…e que estou escrevendo este post levemente amolecido após jantar uma moqueca de peixe.

Ah, e durante o treinamento eu fui ajudar um dos grupos a fazer um exercício. Olhei as caras femininas em frente ao computador e quis ser simpático:

- E aí, como está indo o grupo das meninas?

Olhei novamente para o grupo e completei, gaguejando?

- Erm… e do menino também?


Uma senhora tomando sol no pátio do meu prédio

21 de July de 2008, 19:20

20080721

Custava pegar o elevador, subir e pegar um chapéu?


O Primo’s Guided Musical Tour

18 de July de 2008, 16:58

Eu vinha mastigando essa idéia há tempos… aí resolvi executar.

A idéia é usar o YouTube pra “mini-podcasts legendados”: uma mistura de texto e som, tornando-o uma mídia bastante apropriada para, por exemplo, falar sobre música. Você pode ler os comentários no vídeo e, ao mesmo tempo, ouvir a música que estou comentando.

Fiz uma primeira experiência aí embaixo, falando sobre como a música que eu ouço costuma ser feita sobre paradigmas muito diferentes do normal e tentando explicar alguns aspectos deles que acho interessantes. Veja aí então, diga o que achou depois nos comentários…


Como "funciona" este blog?

16 de July de 2008, 16:42

Ontem eu esbarrei com uns posts interessantes: “Você compartilha conhecimento?”, perguntava um deles. “Produzir e distribuir conteúdo, uma opção que expande conceitos”, dizia outro. Foi a deixa que eu precisava pra falar de uma coisa que há muito queria explicar aqui: de como este blog foi desenhado para otimizar o compartilhamento de conhecimento. Pretensioso, não? Bem, era o que eu queria. Continue lendo e veja você mesmo se eu consegui…

Este blog tenta cumprir três propósitos:

1) Entregar ao leitor (e à rede como um todo) conteúdo novo. É isso que, em função da minha crescente insatisfação e desânimo com a internet brasileira, têm norteado todas as postagens que faço aqui, particularmente de julho de 2007 em diante. A idéia sempre é “acrescentar alguma coisa”, seja divulgando alguma idéia boa que possa ser útil pra outras pessoas (como por exemplo minha gambiarra para ligar o iPod no som do carro), dando dicas para o dia-a-dia (como as dicas de segurança online ou macetes para melhorar slides de PowerPoint), etc.

Como é difícil ser inédito o tempo todo, às vezes eu pesquiso e aprofundo algum assunto já pre-existente ou traduzo textos em inglês para que os leitores “monolinguísticos” também possam ter contato com algum conteúdo legal.

2) Disseminar sites e links legais que eu encontro - porque, afinal, não dá pra ignorar o aspecto “viral” da internet - talvez um dos mais importantes. A diferença é que eu parei de fazer, por exemplo, um post inteiro só pra comentar ou divulgar um link legal. Afinal, o leitor não ganha nada lendo comentários meus do tipo “Putz cara, eu rachei de rir desse vídeo do YouTube aqui, saca só”, entende? Não acrescenta, então tirei fora.

Então agora é assim: links legais vão quase todos pro meu del.icio.us, ali do lado, com um breve comentário só pra explicar do que se trata. Quando vou citar mais de um link ou quando o assunto é legal demais e quero comentar com mais destaque, aí sim eu faço um post e coloco na categoria “links”.

Nota: Os links do del.icio.us vão, juntamente com os posts que faço, para o feed RSS deste blog.

3) Servir como um “diário virtual” onde eu possa contar o que ando fazendo ou opinar sobre alguma coisa. Afinal eu não sou problogger e foi pra isso que este site nasceu, em 2001. Mas ainda assim a idéia de “acrescentar algo novo” continua valendo, então eu tento ser o mais interessante possível para dar minha opinião ou falar da minha própria vida. Contar, por exemplo, que “o cachorro comeu meus sapatos” não é nada interessante. Mas contar que ele comeu meus sapatos num texto que fala dele como se fosse um artista plástico construindo “obras de arte” deixa o assunto bem mais divertido e interessante de ler. E com a chegada do Twitter, que funciona como um “Big Brother reverso”, dá pra comentar todo tipo de pequenezas do meu cotidiano sem precisar cansar o leitor com posts desnecessários.

Além do conteúdo, o próprio layout do blog reflete estes três propósitos:

20080716 

O conteúdo novo (A), caseiro e inédito, é o que tem mais destaque. As coisas interessantes mas “não-inéditas”, que sinto vontade de divulgar, vão à parte, no Delicious (B), para não deixar de estimular o lado “viral” da internet. E as pequenezas do cotidiano, quando não viram posts, vão pro Twitter (C), também em separado.

É assim que tento fazer a minha parte para uma internet melhor. Não é muito, mas é de coração :)


Qual o instrumento musical mais difícil de tocar?

14 de July de 2008, 18:57

Taí uma pergunta onde o que é mais interessante não é a resposta, e sim o raciocínio para chegar nela…

Temos muitas coisas pra considerar: pra começar, pense na facilidade (ou não) de fazer o instrumento tocar uma única nota corretamente. Em alguns casos, como num piano, é moleza: você aperta a tecla e o som sai, certinho e sempre afinado. Instrumentos “pré-programados” para tocar sempre as mesmas notas numa afinação fixa são chamados “temperados” e incluem, por exemplo, o violão, a guitarra, a flauta e o saxofone. Richard Clayderman e Kenny G, estão, portanto, fora do nosso páreo.

Tirar o “tempero” dos instrumentos aumenta a dificuldade, já que a afinação passa a depender diretamente do seu bom ouvido e/ou da técnica de tocar: se você achava difícil aprender violão pra poder tocar Legião Urbana nas festinhas e impressionar as garotas, compare-o com o violino

20080714

Note que no “braço” do violão existe um monte de “travas” metálicas (chamadas trastes) que, quando cruzam com as cordas, formam “casas” que indicam o lugar exato onde você deve segurar a corda para tocar uma nota musical. Já o violino não tem isso, então é seu dedo que segura a corda - e se ele estiver um milímetro fora do lugar, a nota sai desafinada.

Ao contrário do piano, que é “tocou, levou”, alguns instrumentos de sopro requerem muito esforço do aprendiz para produzir algum som sequer. Quem estuda flauta, por exemplo, sofre para conseguir acertar a chamada “embocadura” - a posição certa dos lábios e da língua para soprar no instrumento. Normalmente são dias e dias frustrantes soprando assim…

…até que, depois de MUUUUITA prática, você fica ninja como o cara aí embaixo, que toca a música do Mario e, ao mesmo tempo, faz as batidas com a boca:

E alguns instrumentos de sopro ainda tem as tais palhetas, uma espécie de bocal aonde o músico sopra. Quem toca oboé, por exemplo, além de aprender o instrumento e a embocadura, tem também que saber como construir suas próprias palhetas, já que a anatomia da boca de cada um é diferente e, por isso, não dá pra fabricar palhetas em série numa fábrica. Além de músico o cara tem que ter, também, um certo talento para o artesanato…

Agora imagine um instrumento que, além de precisar da embocadura certa, não é “temperado” e requer um cuidado extra com a afinação: eis aí os trombones, trumpetes e a tuba, famosa nos desenhos animados do Pernalonga. E ainda tem os instrumentos aonde o que complica é a coordenação motora para tocá-los, como a bateria. Às vezes o baterista está tocando um ritmo com o pé direito, outro ritmo na mão esquerda, mais um terceiro ritmo com a outra mão e, em alguns casos, cantando num andamento totalmente diferente de todo o resto. É de fundir o cérebro. Não é atoa que os bateristas são conhecidos por fazer aquela cara de “estou prestes a ter um derrame” enquanto tocam…

20080714_2Outro instrumento que parece ter sido construído pra complicar é o bandoneón - essa “sanfona” aí do lado, que os tocadores de tango usam. Sabia que cada botãozinho do bandoneon dá uma nota diferente quando você está abrindo o fole… e outra diferente quando você está fechando o fole?

Moral da história: não dá pra definir um ou outro instrumento como “o mais difícil de todos os tempos”. Cada um é complicado à sua própria maneira, cada um tem um problema diferente. E é bom que seja difícil; a variedade de desafios para ser produzida ajuda a deixar a música ainda mais interessante.


P.s.

10 de July de 2008, 20:29

Em tempo: se você está lendo este blog pelo feed RSS, dê uma visitadinha no site, tem layout novo no ar. Aproveite e diga o que achou nos comentários.


Pra perder a esperança na humanidade

10 de July de 2008, 20:24

O vídeo abaixo mostra Janderval sendo entrevistado por um repórter da RedeTV após ser preso em Ji-Paraná, Rondônia, porque tentou assaltar uma padaria (que só tinha R$ 14 no caixa, por sinal).

Sim, esse é mais um daqueles vídeos estilo Jeremias. Mas esse aí me deixou muito chateado.

A tristeza começou quando reparei na atitude do repórter que, com uma naturalidade de quem estava num boteco com um amigo, ia se divertindo com a situação toda. No vídeo do Jeremias o repórter até tentava manter o formalismo de jornalista, mas agora nem isso: o juiz era citado como “homem da capa preta”, as perguntas eram feitas informalmente e sobre temas informais, como as chances de Janderval ir se sentar ou não no colo do capeta depois de morrer, e por aí vai.

Pra completar meu desalento, Janderval, que não parecia estar bêbado, drogado ou sequer preocupado com sua prisão, ainda deu respostas muito assertivas sobre seus atos. “Sou ladrão, não trabalho mais não. É minha profissão, há 10 anos”, diz ele.

E mais: roubar é a contribuição de Janderval para a sociedade. “Se eu não roubar, ninguém de vocês tem trabalho. (…) Eu gero emprego pra todo mundo: pro repórter, pro escrivão, pro delegado, pro juiz e pro promotor. Então tou aí, contribuindo para o bem de todos”.

Quando questionado sobre as pessoas que prejudica com seus roubos, Janderval, habilmente, recorre à religião: “Se Deus permitiu que eu roubasse deles é porque eles são pecadores. Ele sabe da minha necessidade. (…) Meu relacionamento não é com o Cão, é com o Senhor Jesus (…) depois ele vai lá e passa os pano, véio”.

E eu que, inocentemente, achava que esse povo estava perdido na vida e errava por ignorância ou necessidade…

(O vídeo eu vi no Boteco HardMOB)


Wall-E: no meio da discussão sobre fascismo, uma história fascinante

9 de July de 2008, 12:32

Apesar da avalanche de avaliações positivas para o filme Wall-E, as críticas negativas tocavam em pontos bem contundentes, como esquerdismo radical, fascismo, etc. O pessoal deste tópico do Metacritic estava discutindo exatamente estas coisas quando o usuário AstroZombie entrou no meio do papo político para contar a fantástica história de sua namorada, que resumo a seguir:

Courtney assistiu o primeiro trailer de Wall-E assim que foi lançado - e chorou copiosamente quando o robozinho pronunciou o próprio nome. De fato ela chorava todas as vezes que via o trailer, exatamente no mesmo momento. A coisa era tão curiosa que ela até gravou um vídeo com seu choro e postou no seu blog.

Acontece que o pessoal da Pixar achou o vídeo. Primeiro ela recebeu emails de programadores da Pixar, se sentindo agradecidos pelo “elogio”. Depois chegaram emails dos produtores. Depois, no natal, ela recebeu uma jaqueta da produção de presente, junto com um cartão de agradecimento. E então, em junho, a Pixar convidou Courtney para a mega-festa de encerramento da produção do filme (com passagens aéreas, hospedagem, tour pelos estúdios da Pixar, tudo incluído), aonde foi aplaudida pelas milhares de pessoas que trabalharam no filme após um discurso emocionado do diretor, que disse que soube que “estava no caminho certo” quando viu o choro de Courtney no YouTube.

Segundo o tal AstroZombie, a Pixar não tentou usar essa história com fins promocionais. Foi, de fato, um agradecimento da produção para alguém que ajudou a manter a equipe otimista até o fim.

Fiquei pensando… será que a Globo já fez isso com alguma senhora que chorou durante a novela? :)


Quem não é blogueiro de aluguel é…?

7 de July de 2008, 20:10

Sim, este é mais um post sobre a blogosfera. Mas serei breve, são só umas coisas que fiquei pensando ontem à noite, antes de dormir.

A história foi assim: sexta-feira passada o Blue Bus mencionou uma campanha da Coca Cola dizendo que “está saindo em blogs-de-aluguel na internet uma açao de lançamento de um novo produto…” e tal. E muita gente ficou ofendida com essa história de ser chamado de “blog de aluguel”. MUITO ofendida. Tanto que inventaram um tal manifesto chamado “eu não sou blogueiro de aluguel” falando de transparência, reclamando de censura, dizendo que só quem “rouba no jogo” é que é de aluguel e por aí vai.

Até aí, nada de errado. Mas teve uma pergunta que não me saiu da cabeça ontem: se eles estão reclamando de não serem blogueiros de aluguel, é porque eles são alguma outra coisa. Mas o que diabos eles são? Se vocês não são blogueiros de aluguel, o que diabos vocês SÃO?

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O que eu vi foi a blogosfera sentindo-se lesada em sua reputação… reputação essa que, na minha opinião, sequer existe. Os “destaques” da blogosfera só são destaques entre a própria blogosfera, e não entre o público em geral. Ou você já viu a massa, o grande público - aquele, o brasileiro médio, o “Homer Simpson”, como diz o William Bonner - comentar, elogiar, encaminhar posts por email ou dar algum destaque a algum blog que não fosse, sei lá, o Kibe Loco?

Ou sou eu que ando lendo os blogs errados? Pedradas nos comentários, por favor.

Update: André Dahmer (Malvados) acaba de ganhar todo o meu respeito após publicar um texto chamado “código de conduta para escrever um post pago”. Se der preguiça de ler tudo, leia apenas a última frase.


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