The ChatRoulette Piano Improv Guy (e uma reflexão sobre a infinita criatividade da internet)

15 de março de 2010, 20:51

A modinha do momento na Internet é o ChatRoulette.com, onde você se conecta com sua câmera pra conversar com outro usuário do site, escolhido aleatoriamente em alguma parte do mundo. Quando você se cansa, dá “next” e o site sorteia outro anônimo pro seu prazer voyeurístico.

Então imagine só: você está “zapeando” pelo ChatRoulette e, de repente, aparece um cara sentado ao piano. E de repente o cara começa a cantar e tocar, de improviso. E ele está cantando e tocando sobre VOCÊ.

Este, meus amigos, é o ChatRoulette Piano Improv Guy.

É por coisas assim que eu amo a internet. Não pelo vídeo em si, mas pelo fato de que a rede tá aí há algumas décadas e, enquanto todas as outras mídias caíram num ciclo de repetição de velhas fórmulas para continuar rentáveis, a internet demonstra uma criatividade que aumenta exponencialmente a cada dia e que não parece ter fim.

Também é interessante notar a inversão do ciclo criativo “ideia-ferramenta”. Antes as pessoas tinham ideias de ferramentas e as implementavam. Agora as pessoas implementam ferramentas, depois vem os usuários e têm as ideias. Uma busca no YouTube por “ChatRoulette reactions” mostra inúmeras pegadinhas e brincadeiras engraçadas que já se inventou no ChatRoulette (uma das minhas prediletas é essa). A ferramenta que nasceu para entreter apenas como chat ganhou vários novos usos e teve seu potencial de entretenimento quintuplicado pelos próprios usuários. E tudo espontaneamente, como os improvisos cantados pelo Piano Guy.

P.s.: Enquanto o mundo esbanja criatividade, os brasileiros seguem só na picaretagem, chupinhando todas as ideias gringas que surgem na internet. Já ouviu falar no CataPapo.com.br? Pois é.

Update (20/03): Segundo a jornalista Flávia Durante, o pianista é ninguém menos que Ben Folds.

Update (21/03): Não é o Ben Folds, e sim um tal de Merton. Mas aí – e olha como é a magia da Internet – o próprio Ben Folds fez um vídeo em tributo ao Merton, imitando-o num show.


Dicas para quem não costuma viajar de avião

11 de março de 2010, 22:14

Porque depois de sete anos voando praticamente toda semana e 211.436 milhas acumuladas (só na Tam) a gente aprende algumas coisas. Espero que alguma dica sirva pra você.

Assentos do Airbus A319 da TamUma coisa que melhora ou arruina sua viagem de avião é onde você se senta. Os aviões da Gol e Tam, em voos domésticos, tem umas 30 fileiras numeradas com três cadeiras de cada lado do avião – como o Airbus A319 aí do lado. Assentos com letra A ou F ficam na janela e assentos com letra C ou D, no corredor. Os piores são os assentos B ou E, que ficam espremidos no meio de duas cadeiras: Evite-os.

Os assentos com números menores (1 até 16) te permitem ganhar alguns minutos na hora do desembarque, mas só se você não tiver despachado bagagem, porque nesse caso sair mais rápido do avião significa apenas esperar mais pela sua mala lá na esteira de bagagem. O inconveniente deles é que se esgotam rápido no check-in e, se você não embarcar primeiro, o espaço para bagagem de mão tende a se esgotar rapidinho. Já os assentos de trás do avião (da fileira 16 em diante) te permitem embarcar mais rápido se você estiver voando pela Gol: o embarque neles é prioritário. Só que você desembarca por último, o que pode significar alguns minutos a mais mofando no avião (ou cochilando alguns minutinhos a mais, se você estiver cansado e sentado na janela).

Por sinal, para cochilar no avião os assentos das janelas são mesmo os melhores: feche as persianas para a claridade não incomodar, encoste a cabecinha na lateral do avião e “boa noite”. Eu recomendo nem reclinar a poltrona: ela reclina tão pouco que é melhor deixá-la na posição vertical pra aeromoça não te acordar na hora da decolagem e do pouso. Mas se você gosta de reclinar a poltrona, cuidado: há duas fileiras no avião onde as poltronas NÃO reclinam: a última fileira e a fileira logo em frente à saída de emergência (cujo número varia dependendo do avião, mas é sempre ali entre a 10 e a 15).

O melhor jeito de conseguir bons lugares do avião é reservá-los quando você compra a passagem. Se isso não for possível (seja porque sua empresa é quem compra suas passagens ou qualquer outra razão), a segunda melhor maneira é fazer checkin pela internet. Você pode fazê-lo mesmo que tenha bagagem pra despachar. Os assentos bons se esgotam rápido, então é bom fazer seu check-in o mais cedo possível. Na Gol o check-in pela internet abre 24 horas antes do seu voo. Na Tam são 48 horas.

Em termos de espaço para as pernas os melhores lugares são a primeira fileira e a fileira da própria saída de emergência. Só que não é possível escolher estes lugares pela internet, só ao fazer check-in no balcão mesmo. Outra dica sobre assentos: nunca vi a Tam divulgando, mas alguns dos seus aviões tem tomadas de 110V entre os assentos. Quebra um galho quando seu celular ou MP3 player fica sem bateria.

P.s.: Para assentos em voos internacionais, consulte o excelente SeatGuru.com.

Aeroportos requerem fazer tudo com antecedência, tanto que na passagem as companhias sempre escrevem algo recomendando que você chegue 1 hora antes do voo. Eles NÃO estão mentindo: Se o seu voo é as 16h, não se iluda achando que você vai conseguir embarcar se chegar no aeroporto às 15:45. O horário do voo que você vê na passagem é o horário em que o avião decola. O check-in para o voo se encerra cerca de 40 minutos ANTES desse horário, e o embarque termina uns 15 minutos depois. Se você vai viajar com pouca bagagem, essa é outra razão para fazer check-in pela internet: no caso de algum imprevisto você pode dar o golpe de joão-sem-braço e ir direto pro portão de embarque, mesmo que já tenham encerrado o check-in do seu voo. Se sua mala não for exageradamente grande, os funcionários da companhia aérea não vão reclamar de você não tê-la despachado.

Outra coisa que nem todo mundo sabe que existe: lista de espera. Funciona assim: se seus compromissos do dia acabaram mais cedo e você quer antecipar sua viagem de volta pra casa, ao invés de remarcar seu voo (pagando) você pode ir pro aeroporto e colocar seu nome numa lista de espera para algum voo antes do seu. Se ainda tiver lugares no avião quando forem encerrar o check-in do voo, os passageiros da lista podem ocupar estes lugares. Mas é por ordem de chegada: se sobraram 3 lugares e tem 10 nomes na lista, quem botou o nome primeiro leva. Até onde eu sei nem a Tam nem a Gol estão cobrando por lista de espera.

Os programas de milhagem (Fidelidade Tam e Smiles, na Gol/Varig) costumam desanimar quem voa pouco porque você ganha só 1000 milhas por voo e tem que acumular dez mil pontos pra ganhar passagens grátis. Mas mesmo que você voe muito pouco, vale a pena ter um cartão fidelidade para acumular milhas. Três motivos pra isso:

  • As milhas ganhas demoram a expirar (especialmente na Gol);
  • Para voos em horários esquisitos (tipo domingo de manhã) ou durante promoções, as companias costumam vender trechos por bem menos do que 10 mil pontos.
  • Alguns bancos e cartões de crédito que tem programa de fidelidade deixam transferir pontos do seu cartão de crédito para a Tam ou Gol.

E uma atenção especial para o Smiles da Gol: cerca de 40% das vezes que viajo os pontos dos meus voos NÃO são creditados. Se você vai voar Gol/Varig, guarde o canhoto do cartão de embarque e depois confira no site se suas milhas foram mesmo creditadas. No site mesmo você pode requisitar o crédito das milhas faltantes.

Durante o voo é perfeitamente normal que o avião chacoalhe um pouco. Se você olhar pela janela vai dar até pra ver a asa do avião se dobrando enquanto o avião balança. Isso é perfeitamente normal. Às vezes o piloto dá um alerta de apertar os cintos, as aeromoças interrompem o serviço de bordo e saem correndo com os carrinhos de comida barrinhas de cereal de volta pra cozinha: ainda assim, tá tudo perfeitamente normal. Às vezes o piloto erra a mão na aterissagem e, ao invés de tocar gentilmente com o avião no solo, ele praticamente SOCA o avião no asfalto e dá uma freada que te faz meter a cara no assento à sua frente. E adivinhe? Tudo perfeitamente normal. Aviões foram feitos pra aguentar descargas de raios elétricos enquanto voam no meio de tempestades com ventos assustadores, então não há com o que se preocupar.

Outras dicas sortidas:

  • Quer ler no avião? Compre algo antes de embarcar, porque as revistas de bordo são apenas spam dos destinos para onde a companhia aérea voa, disfarçados de reportagens. Honrosa exceção: o Almanaque Brasil, dos voos da Tam, que já andei elogiando aqui inclusive.
  • Para fones de ouvido, prefira os com algum tipo de isolamento acústico, porque a cabine é bem barulhenta. Por sinal a Anac não permite o uso de eletrônicos durante o pouso e decolagem, mas para fones de ouvido as aeromoças costumam fazer vista grossa.
  • Voar com problemas respiratórios (gripe, sinusite) pode ser perigoso por causa da pressurização da cabine. Essa eu descobri depois de passar um susto voltando de um carnaval em FloripaUpdate: O leitor Paulo Cezar (valeu!) lembra que a cabine pressurizada também tem um outro efeito colateral: potencializa efeitos de bebida alcoólica. Você fica bêbado muito mais rápido.
  • Mas se você, mesmo sem gripe, sofre com dor de ouvido durante o pouso e a decolagem, e os truques manjados (engolir saliva, beber água, bocejar) não funcionam, tampe o nariz com a mão, feche a boca, cole a língua no céu da boca e tente soltar o ar pelo nariz, com cuidado.
  • Em alguns aeroportos (*cof cof Congonhas cof*) onde seu portão de embarque muda toda hora por causa do “reposicionamento de aeronaves no pátio”, uma dica pra economizar caminhada é esperar seu voo aparecer como “confirmado” ou “embarque próximo” nas telinhas da Infraero antes de ir para o portão indicado. Dificilmente o portão muda depois desse ponto. 

E se tiver algo errado ou você quiser completar a lista, os comentários estão aí pra isso :)


O dia em que o resto do meu mundo tecnológico se desfez.

25 de fevereiro de 2010, 17:42

Primeiro foi o iPhone. Agora, sabe meu notebook, o Vostro, que rima com colostro? Morreu também, no começo do mês. Aparentemente a placa-mãe fritou.

Assim, os dois aparelhos eletrônicos que mais uso morreram num período de menos de 45 dias. Estou com fortes suspeitas de que me tornei radioativo ou coisa parecida.

Ao contrário do telefone, o notebook já não está mais na garantia. E sem garantia o atendimento da Dell fica aproximadamente trinta vezes PIOR do que uma operadora de celular quando você tenta entrar em contato com eles pra usar a assistência técnica. E não existem peças da Dell no mercado, er, “alternativo”.

“Grandscoisa, ficar sem computador”, alguns podem estar pensando. Acontece que o notebook é a minha ferramenta para absolutamente tudo. É o alfa e o ômega, é o caminho, a verdade e a vida e o universo e tudo o mais. Para vocês entenderem o impacto disso na minha rotina, vou descrever brevemente como é um dia típico da minha semana:

  • Acordar, guardar o notebook na mochila e ir trabalhar.
  • Ao chegar no trabalho a primeira coisa que faço é tirar o notebook da mochila e usá-lo o dia todo para emails, planilhas, apresentações, documentos, relatórios. Todos os meus arquivos de trabalho ficam nele.
  • No fim do dia, guardar o notebook na mochila e levá-lo pro hotel.
  • Ao entrar no quarto do hotel a primeira coisa que faço é ligar de novo o notebook, dessa vez para feeds, blogs, Twitter, internet, downloads, conversar com a digníssima esposa no Skype, pagar uma ou outra conta no site do banco, estudar coisas sobre gerenciamento de projetos, ouvir/fazer/baixar música, escrever aqui no blog e mais uma infinidade de coisas. Eu normalmente janto em frente ao computador. Eu passo semanas INTEIRAS sem sequer ligar a TV do hotel.
  • Quando o sono bate, eu desligo o notebook e vou dormir.

Agora tente ler o texto acima sem as partes onde eu uso o notebook. Não dá, né? Pois é.

“Então por que você não compra outro?”, você se pergunta. E é aí que reside o único lance de sorte de toda essa história: Desde o final do ano passado eu já estava planejando gastar minhas muitas milhas aéreas e ir visitar as terras de Barack Obama, e minha partida acontecerá daqui a mais ou menos um mês – e o soco financeiro no rim ao comprar eletrônicos no exterior é uns 50% mais ameno do que no Brasil. O chato é aguentar a abstinência computacional até lá…


Das cidades

11 de fevereiro de 2010, 10:54

Eu nasci em uma capital com alma de cidade de interior (Belo Horizonte), moro numa megalópole caótica superlotada (São Paulo) e atualmente trabalho em uma cidade quadradinha e planejada (Brasília). E sempre gostei das cidades, especialmente das grandes, e prefiro passar o meu tempo nelas do que no mato ou numa praia.

Cidades são conjuntos de pessoas e, exatamente por isso, tornam-se também entidades com características pessoais. Cada uma tem forma própria, tem uma beleza ou feiúra peculiar, cada uma tem tamanhos, climas e problemas próprios – assim como pessoas, e assim como as pessoas que as habitam.

A cidade é a mais humana de todas as obras humanas. E, como criatura, sempre reflete seu criador – e é aí que reside a sua beleza. Não me refiro à beleza plástica, ao ser bonito, e sim ao ser autêntico. Em São Paulo, quando você sai do metrô na Sé e fica entre a imponência santificada da Catedral e a imundície da praça em frente, na verdade é como se você estivesse no meio de um ser humano e de todas as suas incoerências. São Paulo tem muitas delas, e é por isso que eu acho São Paulo uma cidade fascinante.

É é também por isso que eu considero cidades planejadas (sim, você mesma, Brasília) um erro por definição. Não se planeja uma cidade, da mesma forma que não se planeja uma pessoa. Ninguém sabe aonde vai estar daqui a 20 ou 30 anos. Muito menos algumas centenas de milhares de pessoas. Muito menos ainda algumas centenas de milhares de pessoas que convivem no mesmo espaço urbano. Cidades precisam poder crescer ao sabor das épocas, precisam poder registrar a passagem do tempo na fachada dos seus prédios e na urbanização dos seus bairros. Cidades precisam poder ser produto de todos que a compõem, e não apenas ser fruto da cabeça de quem a concebeu. As superquadras do Plano Piloto são prisões da mente de Lúcio Costa.

Já a minha terra natal (Belo Horizonte) é a prova de que uma cidade, como um ser humano, tem alma. Beagá corre atrás para espelhar os progressos e os problemas das outras capitais e, de cima, não deixa nada a desejar à outras metrópoles: tem engarrafamento, tem favela, tem shopping de luxo e tudo o mais. Mas tem algo intangível entre um poste e outro, entre uma e outra buzinada do ônibus. É possível entrever uma atmosfera interiorana, quase provinciana, que o vidro, concreto e aço nunca vão tapar.

Cidades são assim, complexas, mas acima de tudo, antropomórficas. Isso é o que me faz gostar de estar nelas. A cidade, além de ser sua cidade, é também um pouco de você.


O Primo’s Data Transformation Saga

23 de janeiro de 2010, 13:19

network Era dezembro do ano passado e, enquanto todos achavam que a década estava acabando, eu me perguntava como iria fazer para ganhar dinheiro em janeiro, já que recebo por dia trabalhado e meu cliente brasiliense e governamental iria, obviamente, trabalhar a 10% de sua capacidade entre o Natal e o carnaval – o que significava “férias forçadas” pra mim.

Daí me toca o telefone. Era o consultor-líder de outro projeto, perguntando se eu podia ajudá-lo, em janeiro, a desdobrar umas metas de venda para o departamento comercial de uma empresa. Era uma semana de trabalho – mas trabalho chato, de micreiro. Só que iam me pagar como consultor-sênior e o trabalho era a exatamente dois quilômetros da minha casa, em São Paulo.

Então lá fui eu topar tudo por dinheiro no palco.

Acontece que esse negócio de “desdobrar meta” não é nada simples: é pegar uma meta de alguns BILHÕES de reais e dividí-la para cada um dos SESSENTA MIL clientes, o que obviamente envolve muitos dados. Tradicionalmente, meus colegas consultores – que raramente são profissionais de TI – sempre deram um jeito de fazer o trabalho com a única ferramenta que conhecem: “programando” com fórmulas de duas, três linhas de comprimento em planilhas de Excel enormes, facilmente propensas a erro e cuja manutenção é um pandemônio. E normalmente eles não conseguem porque esbarram nas limitações “físicas” das planilhas do Excel, que “só” aguentam um milhão e quarenta e oito mil linhas.

Aí você pensa: “Isso é muita gambiarra, é praticamente um data warehouse feito em Excel, vocês deviam arrumar alguém de TI pra construir um sistema pra isso”. Mas meus colegas consultores, ao invés de pensar nisso, dizem: “Não cabe no Excel? Então vamos fazer no Access, que aguenta mais linhas!”. E ao invés de abandonar a gambiarra eles vão para um software aonde cabem ainda mais gambiarras.

AccessError

O Microsoft Access é um enigma pra mim. Ele é marqueteado como um banco de dados para aplicações simples, como um sisteminha de vendas e estoque pra tia Neusa, dona da papelaria da esquina. Ou seja, o Access te entrega toda a funcionalidade complexa de um banco de dados (integridade referencial, consultas em SQL, etc.) para situações onde um caderninho de estoque ou uma planilha de Excel resolveriam. E quando você tenta usar o Access como um banco de dados de verdade, descobre que ele é absurdamente lento e armazena no máximo 2 gigabytes de dados.

E então você lembra dos bilhões de reais da meta divididos entre os milhares de clientes e pensa: “Ah, então é nessa hora que eles arrumam alguém de TI pra construir um sistema decente pra fazer o trabalho, né?”.

Não, meus caros. É nessa hora que eles me ligam.

E o meu trabalho ainda tinha mais alguns agravantes:

  • Eu tinha que entender um desdobramento antigo que havia sido feito por outro consultor pra poder descobrir como desdobrar a meta nova. Felizmente ele tinha deixado um “passo-a-passo” de como atualizar tudo… um passo-a-passo com sessenta e cinco passos do tipo “Execute a consulta X no arquivo Y”, “Importe os dados da tabela Z no banco de dados K”, “Copie os dados da coluna G da planilha XPTO do Excel para a coluna F da planilha Y”, e por aí vai. Era o equivalente digital da foto do começo deste post.
  • O último nível de desdobramento (o dos clientes) estava todo feito usando o CNPJ do cliente, e me pediram pra abandonar os CNPJs e fazer tudo com um tal “código de cliente”. E tem CNPJs que tem dois códigos de cliente vinculados. E tem clientes novos que não tinham meta no desdobramento velho e tinham que receber meta no novo.
  • Eu deveria desdobrar todas as metas para 2010. Os dados para um mês de metas ocupavam 2GB no Access. E o Access tem aquele limite de no máximo 2GB por arquivo, então eu normalmente trabalhava migrando dados de um arquivo Access para outro e esperando esse outro arquivo entupir e o Access dar pau. Aí eu migrava tudo de novo pra um terceiro arquivo, e assim por diante.
  • Eu tinha que trabalhar no Access evitando ao máximo consultas do tipo união (UNION ALL no SQL) e subconsultas (consultas dentro de consultas), porque qualquer um desses dois recursos colocava o Access no modo “velhinha de óculos com uma caneta marca-texto e uma régua comparando os dados de duas folhas de papel linha a linha”. Ou seja, era MUITO lento. E ainda assim, usando as consultas “rápidas” do Access, eu levava mais ou menos uma hora para desdobrar cada mês de dados de metas. Qualquer erro no desdobramento poderia implicar num retrabalho de, no mínimo, mais doze horas. E eu tinha apenas 40 delas disponíveis pra terminar tudo.

E foi assim que passei a semana perdido entre dezenas de Excéis e Acceses, empurrando dados de um arquivo pra outro. Tinha uma planilha que era tão complexa que, depois de qualquer mexidinha nela, o Excel travava por quinze minutos recalculando as fórmulas e referências cruzadas. Minha sequência de trabalho envolvia tantas coisas em paralelo que eu tinha que desenhar fluxogramas numa folha de papel, indicando aonde eu estava e como os dados iam de um arquivo pra outro, senão eu me perdia. Ontem foi o último dia de trabalho. Eu almocei um McDonalds em frente ao computador, sobrevivi o resto do dia à base de café e uma tortinha de maçã (também do McDonalds) e, lá pelas oito da noite, quando minha cabeça já doía e eu já apertava Enter pensando “ok, dê-me logo o próximo pau que vou ter que resolver”, eis que me aparece a tabela final, com as metas novas, certinhas e todas divididas por cliente.

Sabe, é um trabalho tão frustrante e gambiarrado que no fim você não tem exatamente aquela sensação de dever cumprido: é mais um misto de alívio por ter conseguido sair vivo do outro lado do buraco. Mas pelo menos fiquei menos falido nesse começo de ano…


Pra você, que achou o 3D de “Avatar” um espetáculo

9 de janeiro de 2010, 19:35

 

The Third & The Seventh from Alex Roman on Vimeo.

Aí você pensa: “Tá, ok, um vídeo sobre arquitetura e câmeras antigas?”. Sim, meus amigos, um vídeo sobre arquitetura e câmeras antigas.

Totalmente feito por computador.

É simplesmente assustador o nível de fotorrealismo que esse cara conseguiu. Eu só acreditei que era CG depois que vi o vídeo do making of de uma das cenas.

Recomendo que você assista a versão em alta definição e em full screen.

(Link via @seufelipe)


Pare de falar de amor o tempo todo

29 de dezembro de 2009, 0:24

Dia desses a TV estava ligada e começou a passar a abertura daquele velho seriado das bruxas – “Charmed”. A letra do tema de abertura dizia:

I am the sun / I am the heir…

E enquanto os símbolos arcanos vão voando pela tela, a música corta para o refrão:

I am human and I need to be loved…

Todas as vezes que eu vejo isso termino me perguntando: “Por que diabos botaram o amor ali no meio?”. É engraçado porque a intromissão do amor na música de abertura é mais ou menos espelho do que acontece na série: bruxas que, enquanto tentam salvar o mundo de demônios e outras criaturas do mal, ainda tem que lidar com a vida de gente normal – incluindo os romances e namorados.

Não é de hoje que eu me incomodo com inserções românticas no meio de coisas que não tem nada a ver com romance. É meio que uma síndrome do Titanic: não basta ter a melhor história do mundo, ainda assim nêgo enfia uma love story no meio. Acontece nos filmes, nas séries, nos livros… (alguém aí pensou em Crepúsculo e seu amor vampiresco?).

Mas o que eu quero dizer é mais ou menos o seguinte: eu não vejo problema em contar histórias de amor. O problema são as distorções geradas por estas histórias.

Poucos são os filmes que retratam a REAL dificuldade de um relacionamento, a arte que se precisa ter para casar dois egos humanos, opostos por natureza, em uma convivência não somente suportável como também prazeirosa e gratificante. Na telona todo amor é avassalador, intenso, vivido com pouca atenção à razão e deixando os sentimentos fluírem irrestritamente – e ainda assim tudo sai perfeito. O amor de cinema motiva as pessoas muito mais do que seu próprio instinto de sobrevivência e faz com que elas esqueçam seu egoísmo e sua inveja – coisas que praticamente definem a humanidade dos dias de hoje. E as dificuldades entre os amantes só servem de contraste para tornar o final feliz ainda mais feliz ou para pelo menos dar algum mérito ao casal feliz para sempre. Até o “para sempre” é um problema, pois nenhum expectador vê a velhice, o tédio ou a pobreza chegando depois do “The End”.

De fato, o cinema não precisa mostrar a parte chata da coisa – porque, convenhamos, ela é chata e você tá pagando para ser entretido. O problema está no efeito colateral: no fim do filme você tem um monte de pessoas – muitas delas egoístas e de mau caráter – almejando um amor 100% altruísta e desapegado . Um “amor de cinema”, por assim dizer. E aquilo parece tão bom e tão factível que, instantaneamente, todos saem procurando por ele. E começa um ciclo: como todos querem aquilo, o romance passa a ser a prioridade número um de todos os personagens em todas as histórias veiculadas em todas as mídias, o que faz com que mais pessoas queiram aquilo, sem se dar conta de que aquele amor é IRREAL.

O pior é que isso não é Zé Carlos falando, é fato científico, estudado pela Universidade Heriot-Watt, de Edimburgo, inclusive.

Daí o título deste post. Não dá pra ficar vivendo em função de um conjunto irreal de expectativas. Na minha opinião, amor de cinema não deve ser objetivo de vida, e sim consequência. Uma vida de felicidade infinita ao lado de sua alma gêmea é muito menos esforço de procura ou fruto de sorte e muito mais resultado de uma personalidade com um “mix” difícil de se conseguir, que contém integridade, flexibilidade para as atitudes e interpretações e rigidez na hora de manter seus princípios – em ambas as partes do casal. Ou seja, não é fácil e além de tudo é contra-intuitivo.

Ou parece natural que, para conseguir um relacionamento perfeito com outra pessoa, você precise esquecer a procura pelo par perfeito e redobrar seus esforços para dentro de si?


Pedaços de posts que nunca concluí

29 de dezembro de 2009, 0:22

Em nenhuma ordem ou contexto específico (Viva o caos!).


Teorias sobre motivação, existem várias. Apenas duas funcionam: 1) Dinheiro e 2) Café. Tem também o 3) Sexo, mas essa tem uma série de complicações jurídicas quando usada em ambientes corporativos.


  • E esses bonequinhos 3D em overlay no campo, hein Globo? Tá parecendo Age of Empires…
  • Que mau gosto o dessa camisa do Flamengo. A fonte do nome do jogador é a mesma dos filmes do Homem Aranha que é a mesma do Playstation 3.
  • Esses gritos de guerra do Flamengo não rimam não? “Dá-lhe dá-lhe ô / Mengão do meu coração”?
  • (Quando a TV digital dá interferência e a tela se enche de “glitches”): E pensar que meus filhos nunca vão saber o que são chuviscos de uma TV analógica fora do ar…

Então que agora eu virei consultor-líder do maior contrato do ano da minha empresa de consultoria e meu dia de trabalho consiste, basicamente, de um continuum de reuniões.

Ontem uma delas era para acertar o escopo do trabalho com uma das gerentes do cliente. Daí que eu cheguei e me sentei na mesa todo pimpão e todo mundo tava batendo cabeça e eu incorporei o exu de consultor-líder e saí, ao mesmo tempo, colocando ordem na bagaça e tomando cuidado para não desautorizar a mulher (que, pô, era a gerente da coisa). E ela lá, só ouvindo.

Até que, no meio do meu “leadership spree” eu saio falando que…

- …então acho importante seguir as orientações da Miriam.

E ela rebate:

- Meu nome é Luiza.


Brunetto
Comida Italiana – Site: Não tem.
Rua Dr. Renato Paes de Barros, 465 – Itaim Bibi

Sabe, normalmente a comida italiana me motiva… motiva a tirar um cochilo depois. Só que a do Brunetto (onde almocei hoje) estava TÃO boa que me motivou a escrever este post. Diz Bethania que os donos moraram na Itália, então deve ser por isso que as massas são tão gostosas. Ah, não deixe também de comer a bruschetta do Brunetto (por mais transsexual que isso possa parecer).

Kebaberia
Kebabs (comida árabe) – http://www.kebaberia.com.br/
Rua Dr. Renato Paes de Barros, 777 – Itaim Bibi Rua Joaquim Floriano 179 – Itaim Bibi

Quando se pensa em Oriente Médio normalmente o que vem à cabeça é "terrorismo", "petróleo", "Prince of Persia"… e, por último, a comida do Habibs. Então os kebabs – "enrolados" de carne grelhada, originados no Irã – acabam passando despercebidos. Mas são uma delícia, é como se fosse a fast-food das arábias.

No almoço é bem cheio, então dá um ótimo lugar para ataque de homem-bomba chegue cedo.

Bolados
Lanches e sucos – http://www.boladossucos.com.br/
Rua Joaquim Floriano, 373 – Itaim Bibi

Minha mulher odeia o Bolados: “Sanduíche não é almoço”, diz ela. No cardápio tem um de peito de peru com tomate seco que discorda veementemente. Vale lembrar que o Bolados, além de bom, é barato, tornando-se uma ótima sugestão para os dias em que sua carteira teve crises bulímicas e tá magrela.

Pibu’s
Lanches – http://www.pibus.com.br/
Av. Pres. Juscelino Kubitscheck, 819

Opção boa (e razoavelmente barata) quando você quer fugir dos lanches tradicionais do Itaim (New Dog, Joakin’s, Fifties, etc). Mas peça o delivery – o restaurante “físico” é praticamente inexistente.


O dia em que o campo de distorção da realidade se desfez

14 de dezembro de 2009, 22:02

iphone
(by ~turunchuQ)

Em março desse ano, quando resolvi que meu próximo telefone seria um iPhone, toda aquela gozação com o quão fanáticos são os adeptos de produtos da Apple passou a fazer sentido. Porque a maioria dos usuários são, sim, meio fanáticos. E são fanáticos porque, sim, os produtos Apple são absurdamente melhores do que a grande maioria das coisas que existe no mercado.

Não é atoa que o iPhone é um ícone cultural da última década. Ele é, de longe, o melhor gadget que já tive. Meus últimos nove meses com ele foram espetaculares. Durante o dia de trabalho ele mantinha minha agenda de (muitas) reuniões organizada: os convites de reunião do Outlook caíam no meu Gmail, iam parar no Google Agenda e eram automaticamente sincronizados com o telefone. Por várias vezes os mapas e o GPS integrado foram o que me orientou nas ruas ainda desconhecidas de São Paulo – e as informações de trânsito em tempo real me salvaram de vários engarrafamentos. Com o iPhone eu me mantinha permanentemente conectado via email, web e Twitter – mesmo numa rotina de viagens constantes, sem internet no cliente e com a conexão noturna miserável do hotel. O iPhone era o “modem 3G” do meu notebook (via tethering). Era meu passatempo quando o voo atrasava. Era o lugar onde eu sempre achava fotos malucas borradas que meu irmãozinho tirou enquanto brincava com o telefone. Era meu “placar eletrônico instantâneo” quando estávamos no boteco e meus amigos queriam saber se o Galo estava ganhando de quanto o Galo estava perdendo. Era minha lista telefônica, meu music player, minha câmera fotográfica.

Até que na última quarta-feira eu recebi um telefonema do meu pai e, enquanto conversávamos, a ligação caiu, o telefone perdeu o sinal da operadora e ele não voltou mais. Então tentei reiniciar o telefone e recebi a mensagem que anunciava o princípio do fim:

Restauração necessária: o iPhone não pode realizar ou receber ligações. Faça a restauração do iTunes. www.apple.com/support

Até aí tudo bem, não fosse a mensagem que era exibida quando eu ligava o telefone no computador:

O iTunes não pode ativar o seu iPhone porque o cartão SIM não está inserido ou porque um PIN do SIM é requerido

E então veio o golpe final: todas as minhas tentativas de restaurar o software do telefone foram interrompidas com um misterioso “Erro Desconhecido (1013)”.

Minhas pesquisas no Google sobre o erro caíam apenas em casos de usuários que tentaram desbloquear ou fazer jailbreak no telefone (coisa que eu nunca tentei fazer justamente porque não queria passar por esse tipo de problema). Mas ainda assim tentei de tudo: atualizei o iTunes, baixei novamente a atualização do firmware direto da Apple, tentei restaurar o telefone em outros computadores, tentei restaurar em modo DFU (que também falhou, com “Erro Desconhecido 23”) até que fiquei sem mais opções e resolvi aceitar a realidade:

Meu iPhone havia morrido.

brickediphone
(Foto by Firefish45)

E com ele morreu minha agenda de compromissos, meu modem 3G, minha lista telefônica, meu music player, meu GPS, meu mapa de São Paulo, meu defletor de taxistas que querem puxar papo e, acima de tudo, meu principal elo com o mundo online.

E só não fiquei absolutamente arrasado porque o iPhone ainda estava na garantia. No sábado fui à loja da Vivo do Shopping Iguatemi pra fazer a troca. Enquanto a mocinha dizia que a troca ia levar uns 30 dias – porque a Vivo não vende mais o iPhone 3G – eu ficava olhando uma madame cheia de sacolas da Louis Vuitton e com roupa de estampa de oncinha abrindo a caixa de um iPhone 3GS branco, novinho – para, após alguns segundos de perplexidade com o aparelho na mão, perguntar a atendente: “Onde é que liga?”.

Enquanto o iPhone não volta, o chip da Vivo que eu usava nele agora repousa dentro de um celular LG que nem sei que modelo é MG 160, mas que é usadíssimo, provavelmente é roubado, tá todo arranhado, manchado e que foi comprado hoje, a R$ 50, num quiosque assustador da rodoviária de Brasília. Eu até postaria uma foto dele aqui, mas não tenho como já que a única câmera que eu carregava sempre comigo era – sim! – a do iPhone.

Agora é a parte onde vocês deixam doces mensagens de condolências à minha pessoa nos comentários…


(sem título)

9 de dezembro de 2009, 0:24

“Apenas alguns instantes”, ele pensava. “Resistir por apenas mais alguns instantes”. Mas no fundo o que ele queria era que aquilo durasse para sempre, para que ele continuasse exatamente como estava – fascinado pela beleza daquela mulher, a mulher da sua vida, a mulher que estava de pé à sua frente, a centímetros de distância. Nunca tão próxima.

Anos atrás, ainda muito jovem, ela ia descendo as escadarias daquele mesmo lugar aonde estavam, junto com as tias, para ir pra casa. Ela o viu e sorriu, simpática, sem perceber que com isso escrevia permanentemente na alma daquele homem. Escrevia os termos do conflito que lentamente foi se instaurando, o conflito onde ele tentava, em vão, se convencer de que aquilo que sentia era bobagem, era indevido, até pueril; ou, algum tempo depois, de se convencer de que aquilo era terrível, era uma tentação da qual ele deveria se desvencilhar a qualquer custo. Os anos de esforço foram inúteis: ela estava ali, de vestido branco, e ele só pensava nas formas escondidas debaixo da cor imaculada e em como nunca em toda sua vida havia desejado tanto alguma coisa quanto o corpo dentro daquele vestido – e esse pensamento era quase grande demais para disfarçar, mas ainda assim ele (a duríssimas penas) disfarçava para não estragar aquele momento, o momento mais importante da vida dela.

Aquele lugar, o mesmo aonde se conheceram, o local aonde tudo começou – aquele seria o mesmo local onde tudo seria concluído. Concluído em apenas alguns instantes.

E ela ali, com seus olhos negros marejados e fixos nos seus, atenta a cada um dos seus mínimos movimentos. Nunca ela havia olhado para ele com tamanha intensidade. E foi com intensidade que ele passou os anos dedicado ao seu trabalho, à sua missão, tentando esquecê-la e ganhar a guerra contra si mesmo. Mas ninguém vence uma guerra que não quer vencer, e por isso os grandes, os infinitos olhos dela lhe tiravam as últimas forças com facilidade. Mas ele resistia, era preciso resistir por mais alguns instantes – e ainda restava fazer os votos e trocar as alianças.

E era preciso manter a compostura, pois quem estava na igreja e não olhava a noiva estava, com certeza, olhando pra ele. A hora dos votos foi a hora mais difícil: ao dizer o “amando-te e respeitando-te” ela, com a voz trêmula, deixou correr uma lágrima. Ao vê-la tão feliz, tão frágil, foi por um triz que ele não abandonou a compostura e a conteve num abraço e confessou, sussurrando, tudo o que sentiu e não lhe disse por todos aqueles anos. Feito tão difícil quanto conter as palavras no dia em que ela, também emocionada, lhe revelou que o queria naquele altar. Mas, assim como outrora, também se calou. E o instante final desses anos seguiu, escorrendo entre seus dedos, até se esgotar.

A cerimônia chegou ao fim. A “Ave Maria” começou a tocar e ela, a mulher da sua vida, lhe deu as costas e começou a sair da igreja. Para viajar com o marido em lua-de-mel, depois ir morar na capital e, depois, nunca mais voltar. Discretamente, ele debruçou-se sobre o altar, segurando trêmulo as beiradas do mármore branco enquanto assistia os passos do casal que se afastava, eternamente unido, em uma só carne. Pensou que se sentiria aliviado por ter resistido à maior provação de sua vida – mas só pensava no quanto era um fracassado. Sua devoção à Deus não chegava nem perto do que ele sentiu por aquela mulher. Pois só um amor grande desses lhe faria entregá-la, ele mesmo, a outro homem em sagrados laços matrimoniais.

A batina lhe pesaria severamente nos ombros daquele momento em diante. A comunidade paroquial não perceberá o vazio no peito do padre, mas o padre jamais deixará de notar o vazio que ela deixou, no banco da igreja e em sua memória.


(É que no sábado passado eu fui padrinho de um casamento e a historinha acima – fictícia, obviamente – me ocorreu enquanto o padre celebrava a coisa toda).

(Em tempo: Sabe qual foi a música que tocou quando eu e os outros padrinhos entraram? “Nothing Else Matters”, do Metallica).

(Sim, amigos. Metallica. Numa igreja católica. Mandou bem demais, Gabriel.)


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