Síndrome da Península Ibérica

11 de agosto de 2010, 23:42

Daí que em tempos de demanda absurda na minha empresa de consultoria entra trabalho em qualquer buraco que sobra na agenda. Tanto que ontem e hoje passei dois dias fazendo um diagnóstico numa empresa.

E lá estava eu, com a cabeça cheia de café, revirando dados com o Excel, quando uma colega da equipe resolve tirar uma dúvida com um dos diretores. Só que a empresa foi comprada recentemente por um grupo de investidores portugueses (as in “de Portugal” mesmo) e o diretor em questão era português.

Daí o cara me entra na sala, senta-se do meu lado e, naturalmente, começa a falar com o velho e bom sotaque lusitano:

- Pois que o mercado há de subire no próximo semestre e…

Em questão de SEGUNDOS meu cérebro deu pau e todo e qualquer pensamento foi substituído por nada menos do que isso aí debaixo:

Eu não sei se foi fruto do hábito da minha cabeça de viver fazendo associações absurdas – coisa que geralmente resulta em boas ideias mas que às vezes dispara pela culatra – mas deu pau GERAL nos neurônios e tudo que eles faziam era resgatar referências linguísticas portuguesas obscuras do YouTube com as quais eu já tinha tido algum contato. Travou tudo. O cara ia falando de financiamento de governo pra lá e custo de operação pra cá e eu só conseguia pensar em “eu quero dois p’cutinhos de cacauetes em vez d’um!”.

Mas não, eu não ia ser passado pra trás pelo meu próprio subconsciente. Me endireitei na cadeira e pensei: “Vamo lá. É só um sotaque. Concentre-se”.

Alguns segundos depois e eu já havia reconquistado a compostura. Até que, de repente, me vem à cabeça duas palavras.

BRUNO ALEIXO.

Aí danou-se tudo. O cara falava e na minha cabeça eu só via a cara peluda de Bruno Aleixo dizendo “quero ser imigrante cá em Coimbra, pra poder dormir em minha própria cama”.

A sorte é que o cara se explicou rapidamente (e sim, consegui prestar atenção na explicação, apesar de tudo) e saiu.


Dos acidentes genéricos e demais ferimentos infantis

22 de julho de 2010, 21:13

Eu confesso ter um certo trauma de ver crianças se machucando.

Com certeza você já viu a cena. A criança está correndo/pulando/girando ou qualquer outro verbo de movimento. E sempre risonha, naquela alegria incrivelmente convincente – porque é de fato genuína e porque nós, quando adultos, normalmente estamos desacostumados com ela.

image E aí, de repente, o inesperado: um tombo, a trombada na árvore, o escorregão. O corpinho desajeitado se estatela no chão. Às vezes o crânio até emite um som seco, enquanto repica no asfalto. E aí tudo pausa pra mim. É por um instante, mas é um instante tétrico aonde não se sabe a extensão do dano (usualmente nenhum, porque há vasta prova empírica que bêbado e criança REALMENTE tem anjo da guarda). É como um gato de schrödinger instantâneo, aonde, por uma fração de segundo, a criança está morta e viva ao mesmo tempo.

Mas o pior é quando a criança não começa a chorar de imediato e, ao invés disso, se levanta, olhinhos cerrados, rosto todo contorcido, respiração presa porque a dor é intensa demais, e fica completamente imóvel nesta posição porque o cérebro está absolutamente inundado por sofrimento. Isto é especialmente ruim por causa da expectativa de que, em alguns instantes, com absoluta certeza, ela vai respirar fundo e emitir o pior de todos os sons que existem em todo o mundo: o primeiro berro do choro de dor. O berro da mais autêntica, da mais intensa dor. Dor que, de fato, alguns minutos depois já vai ter sido esquecida pela criança que vai voltar a correr/pular/girar como se nada tivesse acontecido, mas que nos instantes em que existir no sistema nervoso daquela criança, será vivida como a mais lancinante de todas, será expressa com eloquência que adulto algum é capaz de reproduzir.

(P.s.: Peço desculpas pela imagem que ilustra este post: é a mais velha e manjada que existe, é daquelas que aparecem em PowerPoint de auto-ajuda e tudo. Mas é que é difícil achar fotos relacionadas ao tema – por razões óbvias. A que usei, inclusive, é parte de uma exposição temática chamada “End Times”, de uma fotógrafa chamada Jill Greenberg, que gerou uma polêmica absurda na época. Jill, deliberadamente, fazia as crianças chorarem dando a elas um pirulito e, de repente, retirando-o das mãos delas)


Living the Paulistano dream

12 de julho de 2010, 12:22

Oito da manhã de qualquer dia da semana e São Paulo está gelada, coisa de uns treze graus. Na garagem do prédio eu me despeço de Bethania, ela vai em direção ao carro, eu vou em direção ao ponto de ônibus.

As ruas estão cheias do barulho de cidade enquanto eu coloco meus fones de ouvido, que são recobertos por uma espuma semi-rígida, parecida com aquelas que operários usam em minas de carvão, altos-fornos e outros lugares barulhentos. Você espreme a espuma para que ela entre no seu canal auditivo e depois, lentamente, ela vai voltando ao tamanho normal e vedando seu ouvido de todos os ruídos externos. Este é um dos momentos mais divertidos do meu dia: conforme os fones vão tapando o ouvido, o volume do som do mundo vai lentamente abaixando até o ponto onde não se ouve mais nada.

E então eu posso escolher a trilha sonora da minha manhã.

Isto é meticulosamente planejado desde o dia anterior. Como agora eu não divido táxis com colegas de trabalho nem sou limitado pela internet horrivelmente lenta dos hotéis, eu posso entupir meu telefone de discos novos e lançamentos que eu passei o último ano inteiro sem tempo para ouvir. E é uma delícia quando se acerta na escolha do playlist da manhã. Outro dia ouvi Further, o novo dos Chemical Brothers, um disco claramente megalomaníaco com uma faixa épica atrás de outra, e desci do meu ônibus na Av. Paulista me sentindo praticamente um deus.

Aí eu entro na estação Brigadeiro para pegar o metrô e completar o trecho final da minha viagem. São só duas estações, mas este é o segundo momento mais divertido do dia, porque – e eis aí uma das minhas bizarrices mais úteis -  eu simplesmente adoro metrô. Tubos gigantes transportando multidões pelos subterrâneos, passando invisíveis pela bagunça do trânsito na superfície. O metrô é uma das obras-primas da engenharia.

Diferentemente de Brasília, aonde estou encerrando um projeto de 12 meses(*), em São Paulo eu lidero não apenas um, mas dois projetos diferentes. Como os clientes não são do governo, o ritmo e a pressão são pesados. Mas algo me faz responder a eles com uma obstinação que eu nem sabia que tinha. Claro que em Brasília eu não ficava moleirando, mas é como se o espírito da capital federal, com sua arquitetura fria e todos aqueles espaços vazios despertasse uma sensação de paradeza, então eu tinha que fazer força pra ir levando os dias. Porque a sensação é nefasta, contagiosa. Já em São Paulo eu saio do metrô me acotovelando com rios de gente na Avenida Paulista, todos querendo andar mais rápido, chegar à algum lugar, fazer, resolver. Aí eu subo pro trabalho e tá todo mundo querendo chegar a algum lugar, fazer resolver. O espírito é contagiante, e como ainda tem a minha vontade de fazer parte da turba apressada, eis aí a razão de eu entrar e sair de ônibus e engarrafamento com um sorriso no rosto.

Muita gente não entende meu amor por São Paulo, mas ele é simples de explicar. São Paulo não é a cidade onde estou porque nasci ou porque meus pais se mudaram pra ela e eu tive que ir junto. Não é a cidade que me foi colocada nas fuças para que eu vivesse – foi a cidade que eu escolhi. E escolhi do jeito que ela é hoje: suja, com trânsito, com violência, com clima cinzento, com preços altos, tudo incluído. Isto faz toda a diferença. Eu não espero que São Paulo se adapte aos meus sonhos ou anseios – e, sem expectativa, não há desapontamento.

(*) – Pois é, nem falei do fim do projeto de Brasília, meu maior até hoje (e o segundo maior da minha empresa em 2009). Nove pessoas sob minha responsabilidade, alguns milhões de reais em jogo. No fim está tudo entregue no prazo, a meta foi batida, o cliente não pára de elogiar a equipe, e pelo que minha equipe andou escrevendo no LinkedIn (“líder versátil”, “controle consistente do projeto a todo momento”, “mantém a equipe unida e focada nos objetivos do projeto”…) acho que mandei bem. Valeu cada noite mal dormida.

Por sinal nunca tive insônia em São Paulo. Não me surpreende.


Bang on the putty pad all day

16 de junho de 2010, 21:47

Nas minhas muitas aulas de bateria (leia-se: Google + YouTube) uma lição ficou bem evidente: estudar rudimentos. Sem parar. Mas como diabos poderia eu praticar quando se trabalha a mais de 1000 km de seu instrumento?

Felizmente você não precisa da bateria inteira pra estudar: basta um practice pad, ou “praticável”, ou “trequinho redondo que te dá o feeling de um tambor mas que não faz som”. Então no último sábado saí para procurar algo que eu pudesse usar e que não ocupasse muito espaço na mala. E tive uma grata surpresa.

Meu amigo, minha amiga, apresento-lhes o Remo Putty Pad.

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“Pô, mas é muito pequenininho esse tambor, não?”. Calma, vai vendo…

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O Putty Pad é uma massa plástica, semi-rígida. Você tira do potinho, “desenrola” na mesa como se fosse massa de pão e, quando toca em cima, as baquetas repicam exatamente como num tambor.

Isso é a tecnologia a serviço da AWESOMENESS MUSICAL.


O Primo recomenda: God of War 3

15 de junho de 2010, 22:43

Outro dia eu e Bethania estávamos na cozinha fazendo comida e pensando no que poderíamos ver na TV enquanto almoçávamos. Nossa opção normalmente são as séries que eu “obtenho” via internet, mas Lost tinha acabado, 24 horas também, Fringe também, então não restavam muitas opções. Daí eu tive uma ideia:

- Bom, eu posso ir jogar God of War 3.

Bethania pensou por alguns instantes. Depois disse:

- Mas comer e jogar ao mesmo tempo não vai te atrapalhar?

Pois é, meu amigo. God of War 3 é um jogo tão bom, mas TÃO BOM, que minha esposa para pra ASSISTIR o jogo. Normalmente ela brigaria comigo porque estou jogando videogame na hora do almoço. Em GoW3 ela briga comigo é quando eu faço alguma idiotice no jogo e acabo morrendo.

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O bom do GoW3 é que não há limite nenhum para exageros nas cenas de ação. Afinal, como é um videogame ambientado num universo mitológico de deuses e titãs, vale tudo. Coisas que forçariam a barra em qualquer filme ficam perfeitamente factíveis – e absolutamente embasbacantes – no jogo. Como no fim da batalha contra Poseidon, aonde Gaia, a mãe-terra, desfere o golpe final (leia-se “SOCO DA ROÇA”) no monstro de água criado pelo deus dos mares, e impulsiona Kratos para que atravesse o “coração” da criatura e arranque Poseidon de lá. Essa foi uma das raras vezes que, em duas décadas de vivência com videogames, eu larguei o joystick, levei as duas mãos à cabeça e gritei “putaquepariu” em frente à TV.

É aos 3m50s do vídeo abaixo:

Detalhe: tudo isso acontece nos primeiros 20 minutos de jogo.

E sobram momentos embasbacantes em God of War 3: eviscerações de centauros, cavalgadas sobre cérberos cuspidores de fogo, olho de troll sendo arrancado e por aí vai.

Acho que o grande trunfo de God of War 3 é que ele, apesar de ser basicamente um “joguinho de porrada”, ele contém uma série de elementos de gameplay e detalhes visuais que não somente mantém o seu interesse no jogo como fazem com que ele fique cada vez melhor conforme você vai jogando.

É importante destacar também que GoW3 não é só bonito. A história da trilogia está no seu ápice – o que, no caso do God of War, significa que Kratos está matando todo mundo que ainda não morreu nos dois últimos jogos da série. E como Kratos está matando deuses, e estes deuses governam a Terra, Kratos está, efetivamente, acabando com o mundo. E não dá a mínima…


Alesis DM6 Electronic Drum Set… SUA LINDA.

30 de maio de 2010, 13:46

Eu comentei bem rapidamente no post da viagem de férias pra NY que acabei trazendo uma bateria eletrônica na mala. Na época achei que foi uma compra não planejada, mas hoje vi que me enganei.

Não foi uma compra por impulso. Foi amor à primeira vista.

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Já tive “casos” com vários instrumentos musicais ao longo da vida: quando adolescente, tímido e socialmente inadequado, me eduquei em teoria musical tocando um tecladinho Yamaha (quase um casiotone for the painfully alone). Depois, achando que era preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, tive uma breve incursão pelas (gasp!) rodinhas de violão. Mas meu conhecimento musical em tais instrumentos nunca passou do nível “engana bem”.

Bastaram apenas alguns segundos em frente à bateria e eu tive certeza que ali estava minha alma-gêmea.

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Meu primeiro contato com a bateria foi também meu segundo contato com uma bateria de verdade – a última (e única) vez em que havia tocado uma delas foi há mais de uma década, em Sete Lagoas, interior de Minas, quando o Postal Oitenta (extinta banda de uns amigos) ia fazer um show e a bateria que as bandas da noite usariam ficou algumas horas montada no palco – e eu, intrometido, fui lá brincar um pouco. Não me lembro quanto tempo toquei, mas de uma coisa eu não esqueço: do tanto que me dei bem com o instrumento.

Mas na época acabei cismando que ter uma bateria era um luxo inalcançável – basicamente porque é um troço muito grande, caro e que eu só poderia ter se não morasse em apartamento, por causa do barulho. O tempo, os milagres da microeletrônica e o casamento com uma esposa bastante compreensiva foram reacendendo a vontade.

O que mais me fascina na bateria é que eu me sento no banquinho, pego nas baquetas e é tudo natural, é como se eu tivesse apenas que ensinar aos meus músculos o que o cérebro já quer fazer – possivelmente porque passou centenas de milhares de horas com os ouvidos enfiados em fones ouvindo absolutamente tudo que é tipo de ritmo maluco que existe no mundo. Passei anos ouvindo “aulas” de gênios da bateria (como John McIntyre do Tortoise), aprendi sobre ritmos fisicamente impossíveis com os mais “esquizofrênicos” da música eletrônica (Squarepusher, Aphex Twin)… e, como contra-exemplo, estudei também a ausência de ritmo e a dilatação temporal que a acompanha, ao ouvir os grandes nomes da ambient music. Ou seja, tenho bastante “embasamento teórico”.

O modelo de bateria que comprei permite conectar um MP3 player nela e tocar junto com as músicas. Vocês não tem ideia do quanto isso é divertido: se não fosse a fome, sono ou cansaço eu poderia passar DIAS nessas “jam sessions particulares”. Este exercício tem também outro efeito colateral: os bons bateristas que você já ouviu tornam-se ainda melhores quando você tenta tocar o que eles tocam. “Não é possível, esse cara tem uns quatro braços. Ou uns dois cérebros”, você fica pensando.

Tem pouco mais de um mês que eu trouxe a bateria, e só tenho chance de usá-la aos fins-de-semana, e ainda assim por algumas horas, então tou longe de tocar algo que preste. Mas já dá pra brincar de avacalhar músicas dos amigos e pagar mico no YouTube… :)


E se eu clicar em “novo post” e sair escrevendo?

30 de abril de 2010, 0:17

Deixar o caos trabalhar um pouquinho?

O que eu mais odeio no nosso hotel brasiliense (Nobile Suites) é o elevador, que é bugado. “Bugado” as in “com bugs”, “bugs” as in “defeitos de software de computador”. Você aperta o botão para o seu andar, ou o botão de chamá-lo, e de repente o botão apaga, como se o elevador esquecesse que você apertou o bendito.

Isso sem contar que outro dia ele caiu com metade da minha equipe dentro. Cheguei no hotel para fazer o check-in e o alarme do elevador tava soando, e os funcionários com a maior cara de paisagem. Aí eu perguntei: “Ei, tem gente presa no elevador ou é impressão minha?”, e a funcionária do hotel nem precisou responder porque deu pra ouvir os caras gritando SOCORRO de lá de dentro. E aí passava o carinha do restaurante e depois o mensageiro e depois a recepcionista, todos com a maior cara de que não havia nada acontecendo. “Ah, já chamamos o pessoal da manutenção”, dizia ela.

Por sinal eu nunca:

  • Fiquei preso em elevador
  • Quebrei braço ou perna ou qualquer outro osso do corpo
  • Fumei maconha

E até essa última viagem que fiz eu nunca havia comprado uma garrafa de whisky. Na verdade eu nunca havia bebido whisky até bem pouco tempo. Essa é uma daquelas coisas que requerem uma certa maturidade para serem devidamente apreciadas. Dez anos atrás e eu me lembro de ter provado do copo de algum amigo em alguma festa de formatura e achado aquilo sem graça. Hoje entendo perfeitamente porque chamam um bom whisky de “o melhor amigo do homem, o cão engarrafado”, etc.

Mas esse negócio de “conseguir realmente apreciar certas coisas só após adquirir uma certa maturidade” é o que eu mais tenho curtido dessa história de ter mais de 30 anos de idade. Isso é especialmente verdadeiro no campo da música. Às vezes eu boto aquela música que tem dez anos que ouço e que antes apenas tocava e agora ela está lá, conversando com você, e você entendendo de uma maneira que nunca entendeu antes. É fascinante.

Outra coisa divertida é ouvir trabalhos novos de bandas tão velhas como você e, usando seu novo superpoder chamado “maturidade”, enxergar as faixas não como músicas mas sim como produto das décadas de história vividas pela banda, como um registro histórico sonoro de tudo que a banda passou. Dia desses o random botou uma música do último disco do Kraftwerk pra tocar. Durante toda a sua carreira o Kraftwerk fez discos em homenagem à máquinas e tecnologias. “Tour de France”, o último disco, de 2003, substituiu o mensch-maschine (homem-máquina) pelo “mensch, der Maschine” (a máquina humana): o foco é o corpo humano, a máquina que impulsiona as bicicletas da famosa corrida francesa. E aí, graças aos ouvidos calejados com milhares de horas de música ao longo de trinta anos, agora dá pra perceber que o Kraftwerk mudou também a fundação sonora-criativa do disco: a expressividade não é mais dada pelas melodias, e sim pelos timbres e pelos filter-sweeps. Antes quem conversava com você eram as notas e seus tons, agora são os sons e suas cores.

São novos tempos.

Claro que ajuda usar bons fones de ouvido. Ainda estou em lua-de-mel com meu novo par de fones Shure SE-210 que, sim, custaram caro, mas valeram cada centavo. Na última sexta-feira eu estava no avião, maravilhado por conseguir ouvir coisas nas minhas músicas que eu nunca tinha percebido. Aí eu olhei para a esquerda e, pela janelinha do avião, vi que a turbina daquele monstrengo enorme estava rugindo a quase duzentos decibéis, logo ali a uns cinco metros de mim, e eu não ouvia ABSOLUTAMENTE NADA.

Todo mundo devia usar um bom fone de ouvido pelo menos uma vez na vida. É tipo um outro mundo.


Alguns momentos da minha viagem de dez dias pelos EUA

19 de abril de 2010, 22:23

Sim, dez dias! Três em Orlando e o resto em Nova Iorque.

(Fotos by Bethania. Ou eu. Ou algum dos amigos que foram conosco. Pô, tiramos mil novecentas e trinta e uma fotos, eu sei lá de quem é qual)

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Sexta-feira da paixão, eu e Bethania estamos arrumando as malas quando ela me faz uma proposta indecente: queimar umas milhas a mais e fazer upgrade pra classe executiva.

Algumas horas depois a gente entra no avião. Eu, que esmerilho as minhas juntas em cadeira apertada de avião toda semana, olho pra poltrona aonde vou passar a noite e tenho vontade de chorar. De alegria.

Poltrona da classe executiva da AA

Daí eu aperto um botão e dezenas de motorzinhos ocultos transformam a poltrona em uma cama. Pela primeira vez, em anos, eu ia dormir de verdade num avião. E na horizontal.

Daí vem jantar, vinho, petiscos e quando eu acho que a coisa não poderia ficar melhor, a aeromoça me entrega um par de fones Bose QuietConfort. Do lado deles tem um botão escrito “noise reduction”. Apertei o botão e… gozei.

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Daí de madrugada eu quis ir ao banheiro. Ele era tão grande que eu abri os braços e fiquei rodando dentro dele, rindo como um idiota, por uns 30 segundos.

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A primeira parada da viagem é Orlando, na Flórida, para compras. Percebi rápido minha inocência quando reclamava de Brasília não ter sido feita pra pedestres: Orlando é ainda pior, é basicamente um enorme estacionamento com umas lojas no meio. Não tem metrô e ficamos uma hora no ponto pra conseguir pegar um ônibus.

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No último dia em Orlando fomos ao parque da Universal Studios, que Bethania queria conhecer. Os parques deixam bem claro porque os americanos são líderes mundiais em entretenimento. Andei numa montanha-russa com trilha sonora personalizável: você escolhe uma música e ela toca na sua cadeira durante as piruetas. Felizmente a seleção era vasta e incluía “Sabotage”, dos Beastie Boys – que foi a escolha perfeita.

Tinha também uma outra atração chamada “Disaster!”, que começava com um teatrinho simulando o casting de um filme-catástrofe onde, de repente, me entra ninguém menos do que Christopher Walken no palco do lugar. Claro que era só uma projeção em alta definição, mas era tão convincente que eu e Bethania demoramos tipo uns cinco minutos pra acreditar que ele não estava mesmo lá.

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Mas ficamos só três dias na Flórida e, na terça de madrugada, embarcamos pra Nova Iorque num voo da Delta. E aí um pequeno nerdgasm, porque o voo tinha Wi-Fi. Vale lembrar que no Brasil não me deixam nem usar o telefone em “modo avião” quando viajo. Mas o Wi-Fi era caro pra diabo, e enquanto eu me mordia de inveja ao ver uma vizinha de cadeira lendo emails no seu Macbook durante o voo, peguei uma revista de bordo e tentei fazer uma palavra-cruzada em inglês. Falhei miseravelmente.

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image Graças aos deuses do Google e as incríveis habilidades de localização hoteleira de Bethania, nosso hotel de Nova Iorque era a uns 200m da Times Square – um dos lugares mais fantásticos do mundo ocidental e o meu preferido em NY.

Nas nossas idas e vindas sempre estávamos passando por lá. Tem de tudo: caricaturistas, cowboy de sunga tocando violão e pedindo esmola, profeta do apocalipse com plaquinha “o fim está próximo”, flauta peruana, turistas russas recém-enriquecidas desfilando de minissaia (apesar do frio) e bancando a periguete, MUITA polícia (ecos do 11 de setembro, ainda fortes), e se você ergue os olhos do nível da rua, dá de cara com os luminosos das lojas, vários enormes e todos em alta definição. O mais embasbacante deles era o da American Eagle Outfitters. Era imenso e cobria a fachada da loja inteirinha num arranjo meio cubista. A propaganda de lingerie da loja era uma mocinha de 45 metros de altura saltitando no telão, de lingerie e segurando um girassol – e em uma impecável very high definition, de dia ou de noite. Era hipnótico. Bethania é que pareceu não gostar muito da minha admiração pelas belezas da, er, publicidade.

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Momento artsy-fartsy 1: no (belíssimo, saca a foto) Guggenheim, projetores exibiam vários vídeos que mostravam apenas uma velha senhora numa cadeira, praticamente imóvel e em silêncio. Fui ler a plaquinha que explicava a obra e a velha senhora era Merce Cunningham, renomada dançarina e coreógrafa, e os vídeos eram performances de dança para a lendária música de John Cage intitulada “4"33′”.

Pra entender a genialidade da obra você precisa conhecer “4"33′”, então clique aqui.

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Momento artsy-fartsy 2: começo da noite e estávamos de passagem pela Times Square (sempre ela), com pressa porque, salvo engano, era o dia de ver O Fantasma da Ópera na Broadway e estávamos atrasados. Daí eu olho pra um dos inúmeros telões e nele há uma mulher ajoelhada de costas para a câmera, nua da cintura pra cima e com um chicote na mão. E aí a mulher começa a se autoflagelar com o chicote. E meus amigos a passo apertado e alguém me pedindo pra olhar não sei o quê no mapa do metrô e eu não conseguia tirar os olhos do telão. A mulher se chicoteava sem parar e o vídeo não dava indicação nenhuma do que diabos era aquilo. E as pessoas passando apressadas e eu me perguntando se alguém além de mim tinha se tocado de que aquilo ali era a Times Square e que entre a propaganda da Budweiser e da AT&T havia uma mulher se enchendo de chicotadas. Até que me deu um estalo:

“Só pode ser Marina Abramovic”.

…que é uma performance artist sérvia-iugoslava, naturalizada novaiorquina, famosa por performances muitas vezes agressivas fisicamente (mas vastas e profundas do ponto de vista artístico), e que estava no MoMA com sua obra intitulada “The Artist Is Present”, descrita assim pelo BigThink.com:

Durante todo o tempo da exposição, até 31 de Maio, Abramovic vai se sentar em uma mesa e convidar pessoas do público a se sentar em frente a ela, para “trocar energias”.

Detalhe: Adivinha qual foi o museu que NÃO deu tempo de eu visitar? :(

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Claro que Nova Iorque não podia passar sem alguma coisa de jazz. Então, na última noite, fomos ver um set do The Bad Plus.

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Este que está aqui escrevendo no blog não sou eu, é uma duocentésima reencarnação de mim mesmo, porque eu morri umas duzentas vezes durante o show. O Bad Plus é como um Satanique Samba Trio “do bem”: correndo pra longe da música convencional, os caras navegam com uma maestria incomensurável entre modulações, dissonâncias e mudanças rítmicas de dois em dois compassos que são difíceis até de explicar. É como se as músicas deles fossem a ficção científica do jazz.

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Sobre a língua, achei que nos EUA eu ia dominar a parada com meu inglês de altíssimo nível. Só não contava com a quantidade enorme de imigrantes nos táxis, hotéis e restaurantes, e com o fato da grande maioria deles não entender inglês (é sério). Em vários momentos, como num incidente envolvendo ingressos errados comprados com uns mexicanos no hotel de Orlando, foi o espanhol de Bethania que salvou o dia.

Andamos de táxi com indiano, árabe “de raiz” com turbante e tudo, grego fanático pelo Panathinaikos, haitiano, marroquino, jamaicano…

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E andamos um bocado de metrô. Já disse que adoro metrô? Tubos de levar gente, escavados sob o chão, um dos transportes urbanos mais eficientes que existem. Não fosse por ele e não daria tempo de fazer nem metade da programação.

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Encontros randômicos com celebridades: em NY jantamos num restaurante onde estava Al Pacino. E logo que chegamos, na esteira de bagagem do aeroporto de LaGuardia, lá estava Viggo Mortensen. Bethania virou pra ele e perguntou:

“…are you Aragorn?”

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Empire State: fila enorme e segurança tipo aeroporto, com raio X e detector de metal (mais ecos do 11 de setembro). Mas a vista…

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Depois teve o momento PIMP MY RIDE da viagem: Na saída do prédio tinha um jamaicano motorista de limusine (sabe aquelas “stretch limo”, compridonas?) que se ofereceu pra nos levar até o hotel cobrando só cinco dólares por cabeça. Porque a gente tira onda, sim, mas só quando é baratinho.

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(a foto da limusine é em “modo artístico” porque não sei se meus amigos curtem mostrar a cara na internetcha)

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Estátua da Liberdade: fila enorme, segurança chata… e daí a gente tromba com outro grupo de turistas brasileiros. Papo vai, papo vem, e um dos caras reclama comigo:

“Pô, cara, mas cê é brasileiro e tá usando camisa da Argentina?”

Eu usando minha camiseta do Quarteto Fantást... digo, da Argentina.

Acho que foi meu primeiro facepalm no hemisfério norte.

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Chinatown foi o bairro do spam ao vivo: você anda dois passos na rua e alguém te aborda dizendo: “rolex watches? purses?”. Mas almocei um lo mein (macarrão) delicioso por lá.

E se você quiser cortar seu cabelo no bairro, indico a barbearia aí debaixo.

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Perto do Rockefeller Plaza tem uma loja chamada Nintendo World aonde estão expostas algumas curiosidades da empresa, como um Game Boy que sobreviveu a um incêndio na Guerra do Golfo e ainda funciona. E tem também o FAMICOM, o Nintendinho japonês. Hardcore old gamers vão se lembrar dele e talvez até deixar escorrer uma lagriminha.

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Quinta-feira à noite e lá estávamos nós na porta do Majestic para ver “O Fantasma da Ópera”, o espetáculo que mais tempo esteve em exibição na Broadway e que Bethania estava maluca de vontade de ver. Aí tá nossa turma toda na fila do teatro e eu vou no will-call da bilheteria buscar os ingressos (que compramos MESES antes pela internet, tamanha a expectativa). Entreguei o papelzinho com o comprovante da compra e o cara me responde, com aquela grosseria novaiorquina básica:

- Você pode passar aqui amanhã a partir das cinco pra pegar os ingressos.

Só então eu vi que os ingressos eram para o dia seguinte… mas, datas erradas à parte, foi um belo dum espetáculo.

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O novo papel de parede do meu computador (abaixo) foi obtido no cruzamento da Lafayette com Prince, no SoHo. Foi o bairro mais bonito que visitamos. Hipsters “classe mundial” por toda parte.

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Frase mais usada por mim em Nova Iorque: “Caralho, no GTA IV é IGUALZINHO”. Porque, caralho, no GTA IV é TUDO REALMENTE IGUALZINHO. Ter jogado o GTA IV foi, ao mesmo tempo, um grande spoiler da cidade e uma mão na roda, porque te ajuda a entender um pouco de como a cidade está organizada.

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Breve lista de muamba trazida dos EUA:

Gastei bem mais do que o planejado. Na hora do “Visa: porque a vida é agora” é tudo uma beleza, mas o duro vai ser pagar tudo isso quando vier a fatura do cartão…


Brasília: Como não amar esta cidade?

30 de março de 2010, 0:05

A segunda-feira acabou às 18:35. Eu e mais dois colegas estávamos dentro do táxi, prestes a voltar pro hotel. Como um deles quis fazer uma parada na comercial da 203 pra comprar umas frutas, o táxi desviou pra L1, na parte de dentro das quadras – que é a parte mais engarrafada de todo o trânsito local. Mas tudo bem, a frutaria fica a apenas duas quadras de distância, a 1,5km de onde estávamos, então não tinha como demorar. Mesmo porque Brasília é uma cidade planejada, e o trânsito foi especialmente desenhado para evitar semáforos e cruzamentos.

UMA HORA DEPOIS, chegamos na comercial. Fica até fácil fazer as contas e determinar nossa velocidade média: 1,5 quilômetros por hora. Se fôssemos a pé chegaríamos TRÊS VEZES mais rápido. Na verdade daria pra ir a pé fazendo paradas a cada cinco metros para fazer um moonwalk, dar uma pirueta, gritar WOOOOO! e continuar andando.

Depois de comprar as frutas, quando estávamos de saída tentando descobrir como diabos faríamos para conseguir voltar pro hotel, meu telefone toca. É o André, velho amigo e também hóspede, dizendo que acabou a luz no Setor Hoteleiro Norte todinho.

Nota: É a segunda vez em menos de duas semanas que temos três ou quatro horas de blecaute na região do hotel. A foto abaixa mostra o Eixo Monumental no dia do primeiro blecaute. Tive que subir seis andares de escada e tomar banho à luz dos faróis de carro…

Então começou o plano “B”: ir jantar em algum lugar pra esperar o trânsito melhorar e a luz do hotel voltar. O consenso foi para comermos uma boa carne, então, como estávamos parcialmente abençoados pelos deuses do reembolso de despesas, sugeriu-se o ótimo Corrientes 348, lááá na outra ponta da asa sul.

E que estava fechado.

O plano “C” era o BSB Grill, que não era muito longe. E que também estava fechado. Talvez o comércio esteja adotando uma escala de trabalho parecida com a do Congresso, sei lá.

Então tínhamos que arrumar um plano “D”, e alguém sugeriu o Fogo de Chão – este, já muito acima das nossas capacidades de reembolso e perigosamente próximo da região afetada pelo blecaute. Uma rápida pesquisa no Google e liguei pra lá:

- Restaurante Fogo de Chão, boa noite.
- Boa noite. Vocês tem… er… energia elétrica?

Já eram quase 20h quando entramos na churrascaria. O jantar foi sem pressa, já que da janela dava pra ver o setor hoteleiro todo apagado. Só lá pelas 22h a luz voltou e, finalmente, voltamos ao hotel. E aqui cabe um pequeno interlúdio hoteleiro:

Antes a equipe toda ficava hospedada no hotel Sonesta, que é tão ruim que foi extensivamente “avaliado” neste meu post. Depois de MESES de reclamações e nenhuma solução, nossa empresa finalmente cedeu à pressão e mudou todo mundo pro Nobile Suites – recém-inaugurado, situado logo em frente ao Sonesta. Aí você pensa: “Que bom, pelo menos com hotel você não está sofrendo mais!”. Bem, parafraseando um dos meus colegas da saga desta noite, o Nobile Suites tem que melhorar muito pra ficar ruim igual o Sonesta. Ele é limpo, tem água quente e internet boa, mas o serviço é TÃO RUIM que na semana passada a gerente deixou, no quarto de todo mundo da equipe, um pratinho de frutas e uma carta com um pedido de desculpas:

Temos ciência de que falhamos nos serviços oferecidos nas semanas anteriores, e estamos fortemente empenhados a mudar a imagem que a equipe da sua empresa tem de nosso hotel. (…)

Sim, claro. Depois de esperar MEIA HORA pra fazer checkin, entrei no quarto e dei de cara com essa PILHA de “empenho” aí da foto em cima da cama.

Ah, Brasília. Como não amar essa cidade?


Twitter pelo celular: como usar, opções e custos

23 de março de 2010, 22:56

Updating Twitter (by Balleyne on Flickr)

A combinação Twitter e celular é simplesmente perfeita. As mensagens curtas do Twitter parecem ter sido feitas para serem lidas nas telas pequenas dos aparelhos. O conteúdo, ágil e direto, é ideal para aquela leitura ocasional no ponto de ônibus ou na fila do banco. No entanto, o uso do serviço via celular, aqui no Brasil, parece que nunca decolou.

Acho que as pessoas pensam que você precisa de um smartphone ou Blackberry ou iPhone pra usar internet – e consequentemente o Twitter -  no celular, quando, na verdade, a maioria dos celulares fabricados após 2001  pode acessar a internet. Se seu telefone, por mais tosco que seja, tiver MMS ou Java, aí então é garantido.

E se seu celular tem Java, uma dica muito quente: baixe e instale o Opera Mini no seu telefone. É gratuito, funciona mesmo nos telefones mais toscos do universo, é super rápido e ainda reformata as páginas para ficarem legíveis no displayzinho do seu aparelho. Com o Opera Mini você acessa qualquer página da internet, mesmo que ela não tenha versão acessível para celular. Eu me lembro de, em 2008, conseguir acompanhar vários debates da primeira Campus Party no banco de trás de um carro que viajava pelo interior de Santa Catarina só acompanhando o Twitter na telinha minúscula de um Sony Ericsson W200i.

Superadas as dificuldades técnicas, vem o segundo mito: o custo. Acontece que com a chegada do 3G a internet móvel barateou muito, e mesmo que você não tenha um plano de dados vai pagar apenas algo em torno de R$ 1 para cada megabyte avulso que gastar. Veja a tabelinha abaixo (valores para o DDD 11):

custos internet móvel

Mas quanto de Twitter eu posso usar gastando apenas um megabyte? Se você acessar a versão mobile do Twitter (m.twitter.com), que só tem texto, vai gastar apenas uns 6 kb em cada acesso – ou seja, dá pra cento e setenta acessos. É muito barato.

O Twitter Mobile é bem limitado em termos de funcionalidades. Para usar todas as funções do serviço no celular, o melhor é usar os sites de terceiros, como o dabr.co.uk (minha sugestão) ou o twittme.mobi. Veja aí embaixo a cara e as funcionalidades dos três:

Sites para Twitter Mobile

Da esquerda para a direita: Twitter Mobile, dabr.co.uk e TwittMeComparativo de sites para Twitter mobile

Além destes três tem o Slandr.net (que já usei muito, mas que atualmente anda instável e tem menos funcionalidades que todos os outros) e o mobile.twitter.com – também oficial do Twitter e com bem mais funcionalidades, mas que só funciona em celulares com navegadores mais robustos.

Outras dicas:

  • Se você quiser usar um aplicativo Java ao invés de sites de terceiros, o pessoal do Twitcast dá algumas opções neste post.
  • Se seu celular for realmente tosco e não tiver internet, ainda assim dá pra usar o Twitter via mensagens de texto simples, usando o Sms2Blog. Você só paga o custo da mensagem (normalmente R$ 0,39). Mas cuidado: o serviço te obriga a seguir o usuário @sms2blog (e o faz sem te perguntar antes), o que pode ser meio chato.
  • A Vivo lançou um tal Vivo Twittando, serviço pra usar o Twitter com SMS e que é mais barato (R$ 0,15 por tweet). Nunca usei, então não sei se presta.

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