Game Over

Estou tomando meu último café da manhã aqui no Banco.

Depois, vou enviar meu email de despedida, dar uma volta pela empresa e dizer tchau pessoalmente pra todo mundo.

Foi um ano de estágio, dois como efetivo. Dois crashes de disco que na verdade foram problemas lógicos. Milhares de vezes em que me sentei, abri o Query Analyzer e digitei:

select * from …

Pra me manter acordado, foram aproximadamente 1440 cafés. Tiveram uns 290 pães doces e 440 de sal. Três madrugadas passadas em frente a esse mesmo monitor, no qual digito hoje essas palavras. Quase 80 horas extras, das quais 50 correm o risco de ficar de “brinde” para meus empregadores. Mais de 100 solicitações de serviço e umas 700 demandas para solução de problema, todas atendidas.

Cinco mesas de trabalho diferentes, em lugares diferentes, apelidados de nomes curiosos, como o “aquário”, a “Tinocolândia”…

Muitos e muitos colegas diferentes. Uns se tornaram amigos, e continuam assim mesmo depois de sair do Banco. Outros são aqueles colegas que te vêem no corredor e fazem aquela piada “inédita”:

– Ô Tinoco! Cadê o Tunico!

É, foi bom enquanto durou. Tchau, Banco Mercantil do Brasil.

Conto de Carnaval

Essa festa, que adoro, está chegando! Acabei escrevendo um contozinho sobre ela, aí vai:

Marcelo aperta o botão de desligar do seu computador. São seis horas da sexta-feira, véspera de carnaval. As passagens do ônibus são guardadas com cuidado na carteira, como se fossem passaportes da alegria, e Marcelo deixa o prédio com o andar altivo de quem caminha rumo à felicidade. Logo, o celular começa a tocar. São várias as ligações dos amigos, acertando os últimos detalhes da viagem.

Esse é o único período do ano em que Marcelo sente-se realmente livre e solto. O único período do ano onde a “ralação” diária é substituída por quatro dias de curtição total, sem nenhum limite. Afinal, “uma vez por ano é lícito enlouquecer”, como todo mundo diz na época do carnaval. E, algumas horas depois, a loucura deliberada de Marcelo começa animada, na batucada de samba improvisado, no ônibus que corta a noite rumo ao lugar escolhido.

Após algum tempo de viagem, Marcelo já está acomodado com os amigos na casa alugada. E a diversão não pode esperar, todos já estão a caminho do trio elétrico. Do alto do morro era possível ver toda aquela gente uniformizada para a diversão, a música alta, as muitas mulheres e a alegria geral. “É hoje!”, pensava Marcelo, enquanto ia penetrando a multidão.

A partir dali, tudo foi êxtase na maior festa do ano. Todo mundo estava enlouquecido com a música e a bebida. Os foliões mais desejosos também relaxavam a mente no lança-perfume, na maconha e outras maravilhas prazeirosas. A banda, sobre o trio elétrico, comandava a multidão: a cantora gritava “Beija, beija…” e num instante formavam-se casais que enrolavam as línguas umas nas outras e depois saíam como se nada tivesse acontecido.

Mas Marcelo queria mais. E nessa época as mentes sintonizam-se com extrema facilidade e, logo, ele e seus amigos se juntaram a um grupo de mulheres no mesmo idealismo. A festinha foi transferida para a casa dos amigos e, a partir dali, a muita bebida fez com que as lembranças fossem apenas um borrão na mente de Marcelo. Eram três da tarde quando ele acordou, deitado na sala da casa com uma das mulheres. Vários dos seus amigos em situação semelhante, escornados pela casa. Marcelo levantou-se, meio zonzo, pegou uma cerveja na geladeira e foi até a varanda.

– Êta festa boa… – Disse ele, depois de encher os pulmões daquele ar vespertino.

Mal sabia Marcelo que tinha tirado a sorte grande: as mulheres da última noite, simpatizando-se com os rapazes, deram a dica de um “esquema” para as outras noites. Uma festa fechada, só com “gente bonita” e “tudo liberado”. Marcelo pensava consigo que aquele seria o melhor carnaval de todos os tempos. Mas nada podia prepará-lo para o que iria acontecer.

Naquela noite, ao chegar no lugar do “esquema”, Marcelo mal podia acreditar no que via: mulheres maravilhosas, quase todas seminuas, “open bar” e segurança “amistosa”, o que significava drogas à vontade. Marcelo e seus amigos se entreolharam como quem descobre um pote de ouro no fim do arco-íris. E correram para a multidão.

O resto do carnaval foi passado ali, naquele paraíso que tiveram a sorte de encontrar. Na quarta-feira, já viajando de volta, Marcelo deitava o olhar cansado na paisagem vista da janela do ônibus, e relembrava dos parcos momentos dos quais ainda tinha memória. Os amigos faziam a contagem das mulheres: os beijos estavam nas centenas e os “serviços completos”, como diziam eles, não eram poucos. Marcelo foi apelidado de “mestre”, por ter batido , de longe, todos os recordes da turma.

Marcelo sorriu. Foi o melhor carnaval de sua vida.

O problema é que sua vida não iria muito longe depois daquilo.

Alguns meses depois, uma pneumonia insistente levou Marcelo ao médico. O diagnóstico caiu como uma bomba: era AIDS. Em estado já avançado, provavelmente contraída “em outros carnavais”. Quando o médico pediu a Marcelo que avisasse a todas as pessoas com as quais havia tido relações sexuais nos últimos dois anos, a consciência de Marcelo pesou: no meio das amnésias alcoólicas, ele mal sabia quantas haviam sido, nem sequer nomes ou telefones.

Marcelo se tornou, desavisadamente, portador da morte para dezenas de pessoas.

Ironicamente, na quarta-feira de cinzas do outro ano, o corpo de Marcelo era cremado no cemitério da cidade…

Poodles & Flan

Esse é um nome de um projeto “paramusical” da web (está em http://poodlesandflan.com/)

máquina- música {[de]composta | desconstruída}
ou
se ela não te leva a sério, isso faz com que seja pós-moderna?

Você baixa um programa, ajusta uns parâmetros e ele gera a melodia. É uma “meta-música”.

Seria genial se não fosse maluco. Ou seria maluco se não fosse genial. Você escolhe.

Os vencedores

Tou vendo os ganhadores do Grammy aqui… apesar das tosqueiras usuais, Coldplay ganhou um prêmio merecido por “In My Place”, além de “melhor disco alternativo”. Legal, alternativos que tocam na MTV (Money Television).

Ah, The Flaming Lips levou o prêmio de performance rock instrumental. Uau!

A Qualidade Está Chegando

E hoje depois do almoço tinha um treinamento sobre “Qualidade no Atendimento” aqui no Banco. Em dois anos de emprego aqui, nunca vi nada assim, então fui logo na primeira turma pra conferir qual era a do negócio.

Quem deu o treinamento foi uma tal de Valéria, funcionária nova do RH. As minhas lembranças do RH do Banco são duas, as duas toscas:

Quando fui contratado, estava à mesa com o cara que estava vendo minha papelada quando, de repente, o cara começou a desabotoar a camisa. Levei um susto e fiquei sem entender, até que ele pegou um desodorante na gaveta e borrifou em ambos os sovacos.

A outra lembrança foi no meu tempo de estágio, fui procurar o diretor para tirar uma dúvida do meu contrato e o cara me xingou, apontou um dedo na minha cara e gritou “você não sabe nada!!”.

Mas, voltando ao treinamento, a tal Valéria era um poço de clichês:

– Gente, vamos que está na hora. Pontualidade é sinônimo de qualidade!
– Ix, o computador estragou. Mas a vida é assim, temos que criar nossas soluções…
– Vamos começando que caminhada longa começa no primeiro passo!

E a primeira coisa que fizemos foi jogar escravos de jó. Sério. Quinze neguinhos passando caixas de fósforo entre si. E durante o jogo, conforme o pessoal ia errando, a Valéria destilava mais clichês. Num determinado momento, um dos caras falou:

– Eu errei porque a minha caixinha de fósforo caiu…

E eu fiz um comentário idiota só pra testar se ela ia empolgar, funcionou direitinho.

– Isso serve também pra exemplificar qualidade né? Afinal se a caixinha caiu é porque faltou qualidade na entrega da caixinha para seu colega…
– Oooh! Muito bem, Tinoco! Ouviram, gente?! – Disse ela.

Depois, teve um vídeo, altamente produzido, cheio dos efeitos visuais e atores… que, em termos gerais, dizia assim: “Não seja um tosco ao atender seu cliente! E quem precisa de você dentro do Banco é seu cliente interno e a mesma regra vale pra ele!”

Enquanto isso, eu fiquei lembrando das milhares de vezes em que fui mal atendido por gente do Banco. Gente interna, externa, das agências, da tecnologia… Acho que vou copiar uns trechos desse blog e mandar pro povo do RH.

Crime

Deu na Folha:

Os voluntários para servir de “escudos humanos” no Iraque estão participando de “um crime contra a humanidade”, algo passível de pena grave, afirmou nesta quarta-feira o secretário norte-americano de Defesa, Donald Rumsfeld.

Crime contra a humanidade? Ah, é, só os americanos são humanos, o resto não é não.

Bad (luck) to the bone

É incrível meu azar automobilístico. Até nas coisas mais simples. Eu levei o carro pra revisão outro dia e ele foi o único a voltar sem ter sido lavado. Acabei deixando pra lá.

Aí acabei de descobrir que o recurso que fiz pra uma multa do carro, recurso que 90% das pessoas ganham (já que não fui notificado da multa), foi indeferido e vou ter que pagar a maldita. CENTO E NOVENTA E UM reais.

Bit Cousins – O feedback

Santo Deus!! O dono desse blog aqui (o link morreu, sorry!) ouve Bit Cousins e gosta!! Ele mandou um email pra Luiz comentando das músicas…

Putz, é interessantíssimo ter feedback sobre suas próprias músicas. Por exemplo, eu nunca tinha pensado em “No Trabalho” como “dance paranóico, tipo trilha de perseguição” ou em “Capaz de Tanto” como “Arnaldo Antunes gótico lo-fi. Bauhaus com vocal distorcido…”