Street Blogging

Não estou trabalhando hoje e fui resolver umas coisas, consertar o carro, ir ao banco e tal. O bom desses períodos é ter contato com certos tipos curiosos de pessoas…

Por exemplo, ir ao banco é uma piada: é só eu entrar na fila e eu tenho certeza que vai ter alguém reclamando. Hoje foi uma gorda que custou a passar pelo detector de metais e começou a choramingar:

– É um absurdo isso, quase que eu tenho que tirar a roupa pra entrar… e outro dia eu passei sabe com o quê na bolsa? Um canivetinho!

Eu estou imaginando até agora o assaltante entrando no banco, tirando o canivetinho e gritando: “ISSO É UM ASSALTO!”. Acho que eu ia rir.

Mas o pior foi agorinha mesmo, na sala de espera da oficina mecânica onde estou. Um cara pegou um copo d’água no bebedouro e falou com outro cara:

– Rapaz, um cientista aí falou outro dia que por mais que a água seja limpa, você acaba bebendo um quilo de bosta por ano!
– Queisso! – disse o outro cara
– Sério! Foi um cientista americano que fez a pesquisa, coletou água de várias partes do mundo…

Eu podia fazer um post inteiro só pela parte do “cientista americano”, mas deixa quieto. Aí, pra fechar com chave de ouro, o cara arrematou:

– É, aqui no Brasil a gente deve beber de bosta é um quilo e meio…

Feedback

Acabou de cair no meu ICQ…

“seu blog era divertido, pq vc trabalhava num lugar q rendia ótimas situaçoes tragi-cômicas, mas qnd vc saiu de la, começou a subir na vida… começou a ficar sem graça pra caramba. ficou parecendo novela da globo”

O que eu tenho a dizer sobre isso é: Ai.

Podia até ter xingado a minha mãe, mas falar que a minha vida parece novela da Globo… foi foda. Eu podia ter ido dormir sem essa.

Talentos

Cheguei em casa, tava a TV ligada numa propaganda. Passava uma sequência de stills de uma mulher com a filha. E o narrador:

“Existem coisas que passam de mãe pra filha… como o talento de encontrar preços baixos!! Conjunto de sofá por apenas…”

E subitamente, publicidade passou para a lista de carreiras que eu jamais seguiria.

Música para a Morte

A música perfeita pra quando eu morrer é Trans AM – Motr.

Se eu morrer com dores, tipo de câncer, aí eu fico com Air – Dead Bodies

E você, qual é sua música para a hora de morrer? Ah, já sei, você evita pensar nisso…

To do:

Tipo que o mês de Outubro tem 23 dias úteis.

Eu tenho 10 dias alocados em um projeto, e 6 em outro. Isso significa que eu não terei o que fazer por 7 dias do mês de Outubro.

Ah, lembrando que eu também não trabalharei nos dois últimos dias desse mês (segunda e terça).

Agora pergunte-me: eu receberei por esses dias? A resposta é sim. Pelo menos até Março do ano que vem (enquanto ainda serei um trainee).

Enemy Territory, me aguarde. Fotos do site da GE, me aguardem.

Escuta essa!

Nossa colega de trabalho predileta, Kelly, está papagaiando sobre alguma coisa comigo. Sei disso porque os lábios dela estão se movendo e ela está olhando pra mim.

Mas só consigo ouvir D. Boon cantando:

“If, if Reagan played disco
he’d shoot it to shit
you can’t disco in jackboots.
Or, or on a white horse
he’d sing lame lyrics
and try to reach the working man!”

Deus abençoe Minutemen e os fones de ouvido.

A Ferrari dos PCs

Tipo, os caras ficam babando em Ferraris, Lamborghinis… e eu nunca liguei. É porque não gosto de carros.

Agora eu entendo como eles se sentem, porque acabo de ver a Ferrari dos PCs: um computador chamado MachL 3.8

Uaaaaaau…

O disco rígido não é disco, é de memória Flash (PuRom), 8 GB/seg com 0% de utilização da CPU. O sistema de resfriamento é a vapor e mantém a CPU (Intel, de 3.8 GHz) a -35 graus (sim, MENOS 35 graus). Meu Athlon 900 tá beirando os 53 graus positivos aqui…

E nem me peça pra falar da placa de vídeo (Radeon 9800), do monitor panorâmico, do display que botaram no gabinete…

Trim… surpresa!

Logo que pedi demissão do Banco eu recebia uma ou outra ligação de alguém de lá, perguntando algo sobre o sistema que eu mexia. Já faz alguns meses que as ligações pararam, o que é natural.

Aí hoje toca o telefone, alguém quer falar com “Tinoco”… e era uma mulher cujo pseudônimo será “Tânia”.

Tânia trabalha no Banco… pensei comigo: “Putz! A coisa lá deve estar preta pra me ligarem depois de tanto tempo”. Peguei o telefone:
– Alô, Tânia? Tudo bem?
– Tudo, Tinoco! E por aí?
– Por aqui tudo ótimo… e aí, o que manda?
– É o seguinte… como é que foi que você pediu demissão?

Por essa eu não esperava!!

– Er… como assim?
– É, como foi o processo? Você chegou e falou com o chefe, fez carta de demissão, o que foi? É que eu acho que vou sair também…

Pra minha surpresa, Tânia está arrumando um emprego melhor em outro lugar e quis me perguntar como foi o processo de demissão, já que eu tenho “experiência” no assunto. Pelo que ela me contou, a coisa lá não mudou muito e não está com perspectivas de mudança. Como pintou uma oportunidade, ela resolveu dar uma chance pra sorte.

Cool-tura

Tava vendo aqui, proibiram menores nas LAN Houses do Rio. A alegação é que o CounterStrike estimula a violência e aquela papagaiada toda.

Aí eu pensei uma coisa… o problema disso é cultural.

A violência, como também o consumismo, são coisas moralmente questionáveis, mas que acabaram se entranhando na cultura de tal forma que não dá pra simplesmente culpar um jogo. A culpa é do sistema, que permitiu que a violência virasse coisa normal. Afinal, preocupar-se com ladrão e botar alarme no carro virou coisa normal, em vez de ser percebida como o absurdo que é.

E tem outra: Imagine um moleque de 16 anos. Sua educação foi muito boa, seu senso moral é bom. Este moleque tem uma série de frustrações e medos, naturais devido a sua idade. O alívio psicológico que ele encontrou para suas frustrações é a agradável sensação de vitória que ele tem quando enfia uma bala no crânio de um terrorista do CounterStrike. Mas o que dá esse prazer a ele não é o fato de ele ter “virtualmente” matado alguém, é o fato dele ter tido a habilidade de mirar corretamente e atirar no momento certo.

Resumindo, acho que em vários casos o que atrai gente para jogos violentos não é a violência, e sim o desafio do jogo. Nesse caso, matar alguém no CS pode ser tão atraente quando ganhar uma corrida de Formula 1 em rede…