Zé’s Working Saga – The Consulting Files

07:00 – Estou dormindo desde 1:40 da manhã (é…)

07:01 – Um alarme de carro dispara, a buzina é igual a do meu carro. Acordo sobressaltado e fico uns 20 segundos tentando descobrir se eu saio pro terraço pela janela ou pela porta do meu quarto. Aí o alarme parou e eu vi que era num vizinho. OK, vamos dormir de novo. Meu horário de acordar estava marcado pras 7:50, já que pego serviço só as 9.

07:03 – Eu ainda estava taquicárdico quando, do nada, cai um pensamento dentro da minha cabeça:

“Daqui a alguns dias você vai botar o som na festa de Halloween e nem começou o playlist. Pior, você não ouve rádio há meses. Pior ainda, o rádio do seu carro foi roubado e você nem tem como se atualizar. E agora?”

07:35 – Passei os últimos 32 minutos tentando resolver esta questão enquanto rolava na cama, AINDA taquicárdico. Ah, o vizinho ligou o som dele, tocando pagode, nesse meio tempo, o que contribuiu ainda mais para meu bom humor. Desisti de dormir de novo e resolvi ligar o rádio do meu quarto. Tocou uns 2 Rythm & Blues manjados e depois aquela música da Shania Twain – “Man! I feel like a woman!”

Ufa, se isso AINDA toca no rádio eu não estou muito desatualizado. Aí, mais calmo, começo a pegar no sono quando…

07:50 – O celular desperta…

09:00 – Estou no serviço, aqui no Ed. “Washington”. Às 11 eu tenho uma reunião com um superintendente. A razão da reunião é ótima: eu estou fazendo um site…

“Como assim um site, você não é consultor agora?”, você deve estar se perguntando. Se não estava se perguntando, pergunte-se agora, ô vacilão. Mas é que nesse novo projeto onde fui alocado, a razão de terem me trazido pra cá é pelos meus conhecimentos de informática, e NÃO pela parte “consultortiva” da coisa. “Ah, mas que injustiça” e tal. Pois é. Mas voltemos ao assunto.

Eu estou fazendo um site para os projetos que estamos acompanhando. Tudo ia bem até que ontem o superintendente (chamemo-lo de Xisto) virou pra mim enquanto eu ia embora e disse:

– Pois é Tinoco, eu não sei se esse site vai agregar algum valor pro nosso trabalho, vamo conversar sobre isso amanhã…

E TCHAM, agora eu ia lá convencê-lo de que o bendito site é bom pra ele mesmo. E então fui preparando um exemplo do conteúdo com um dos projetos, o mais rápido que pude.

Digo o mais rápido que pude porque o consultor-líder do projeto me orientou sobre o que ele queria ver no site. Isso incluia, por exemplo, um cronograma feito no Excel (sim, a gente tem o MS Project, mas ele queria porque queria que fizesse no Excel) que me deu trabalho por mais de uma hora.

10:21 – Toca o meu celular. Era o consultor sênior do meu outro projeto (o que tem a Kelly). Chamemo-lo de “Ubiratan”. O “Bira” diz:

– Fala, meu jovem! Tou precisando de um favor. Estamos sem impressora e sem rede aqui, e tem reunião às cinco, precisamos entregar o relatório final do processo que você trabalhou…
– Ué, vou dar um jeito de levar pra você na hora do almoço então…

O Bira fica em outro prédio, o “Ed. Roosevelt”, na Praça da Liberdade. Maaaas, tudo bem, vamos nos encher de boa vontade e gastar nosso horário de almoço.

11:02 – Fomos para a reunião com o Xisto. Peguei o notebook e fui mostrar pra ele o que tínhamos planejado para o site. Abri o arquivo e meu “cronograma-excel”, fruto de mais de uma hora de raiv… digo, trabalho, não estava lá. Eu havia copiado o arquivo errado da rede, o atualizado ficou no servidor… é bom ver Murphy colaborar conosco.

Depois de uma hora de bate-papo, conseguimos convencê-lo de que o site seria útil. Mas por outro lado ele disse com bastante clareza o que ele queria ver no site. E era beeem diferente do que estava pronto. Resultado da reunião: Xisto convencido e Tinoco na estaca zero do maldito serviço de web-designer que eu não estava gostando nem um pouco.

12:15 – Bom, paciência, então vamos atender ao pedido do Bira. Conferi todos os arquivos que compoem o relatório (quase 100 páginas). Agora só faltava descobrir onde imprimir.

Podia imprimir aqui mesmo, mas a impressora é uma laser P&B, e o relatório é cheio de figurinhas coloridas. E como ele ia parar nas mãos do Secretário, a apresentação contava… resolvi ir direto me encontrar com o Bira e imprimir o relatório numa gráfica rápida que fica quase ao lado do prédio dele. Ah, se eu soubesse…

12:18 – Na pressa toda, lembrei de Bethania! Ela queria almoçar comigo e eu estava lá correndo como louco. Liguei pra ela, ofegante, e ela atendeu toda sorridente:

– Oie!
– Oi… não vai dar pra almoçar com você…
– Ah, tudo bem, eu tou indo remar com o Uriel na Lagoa dos Ingleses mesmo…
– AHHHH!! Eu todo preocupado porque você queria almoçar comigo e cê vai é passear? E com um HOMEM? VÁ TOMAR BANHO!!!
– Hihihi!!

E no final das contas eu ainda vou me casar com essa mulher sádica.

12:23 – Copiei as coisas num disquete, mas a lembrança de Murphy me assolava… “aposto que esse disquete vai dar pau lá na gráfica”… aí, catei meu notebook e saí com ele rumo ao Ed. Roosevelt.

Obviamente, nem precisei dele. Se eu NÃO tivesse levado, com certeza ia precisar. Mas, para “cancelar” os efeitos maléficos da Lei de Murphy, tive que sair com aquele trambolho de 64MB de RAM a tiracolo.

12:44 – Cheguei na gráfica.

– Oi, preciso imprimir um arquivo do Word aqui, quanto você cobra?
– R$ 0,25 a folha.
(Pausa)
– Quanto?!
– R$ 0,25 a folha. Quer falar com o gerente?

Ótimo. Na pressa toda nem cogitei a possibilidade da impressão sair a esse preço. Se cada relatório tivesse 100 páginas (eu precisava de 2 cópias), eu gastaria R$ 50 em impressão.

– E aí, vai querer? – Disse a moça da gráfica
– Não, eu prefiro meus dois olhos na cara mesmo.

Saí da gráfica. Perdi a viagem, ia ter que voltar ao Ed. Washington e imprimir na laser de lá mesmo.

O problema é que todas as ruas convergem para o Ed. Roosevelt, mas quase tudo é contramão para chegar no Ed. Washington. Resultado: passei uns 30 minutos no trânsito para dirigir apenas 10 quarteirões.

13:20 – Deus abençoe as impressoras laser! Rapidinho o trabalho estava pronto. Depois de bater a cabeça na mesa umas 120 vezes pra eu aprender a não ser tão burro, peguei o carro e fui, de novo, pro Ed. Roosevelt, entregar o relatório pro Bira.

13:30 – Cheguei e já ia deixando o relatório na mesa quando Bira e Kelly chegam. Cada um com um picolé de uva na mão. Eu nem tinha almoçado.

Depois dos cumprimentos habituais eu ia tentar falar com o Bira sobre o que estava impresso, mas Kelly já começou a falação habitual e eu não consegui dizer nada.

INTERLÚDIO:
Falando em falação, na outra semana estávamos eu, Bira e Kelly esperando uma reunião começar. Kelly, pra variar, falava sem parar sobre a vida dela mesma. Numa dessas, ela soltou:

– Pois é, meu irmão aprendeu a falar só com um ano e 8 meses, eu com 9 meses já falava…

“Começou cedo né, nojenta”, pensei eu… aí, pra minha surpresa, o Bira começa a rir e fala, sarcasticamente:
– Começou cedo pra falar mais, hein!!!

Eu tenho que aprender a ser menos bonzinho…

FIM DO INTERLÚDIO

Mas enquanto a Kelly papagaiava, eu notei que ela não abaixava os braços. Parecia uma galinha querendo voar.

– Queisso, Kelly, seu sovaco tá ardendo?
– Não, é calor…

E continuou falando, naquela posição ridícula. Ela estava encostada na mesa, os relatórios impressos com tanto sofrimento tavam ali, na frente dela. Aí a Kelly se empolga (isso “quase nunca” acontece) e começa a falar ainda MAIS desembestadamente, e a gesticular com o picolé na mão.

Quando eu olho para a mesa, as gotinhas azuis de uva começavam a cair… AO LADO dos relatórios… arregalei o olho:

– MEDO!! MEEEDO!!! – Gritei, enquanto tirava os relatórios de perto dela. Ninguém entendeu nada, até que eu expliquei que o picolé estava pingando.

Só faltava essa, depois de tudo a Kelly cair na minha tela arruinar os relatórios com picolé de uva.

14:10 – Voltei ao Ed. Washington… e agora estava tudo bem. Almocei (afinal, pão de queijo e pastel assado de padaria são um ótimo almoço) e estou aqui, com calor, sono, e medo de voltar ao trabalho.

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