TRIPLE!

Post triplo? De novo?

Dejá Vú

Quando eu trabalhava no banco, todo mundo fazia piada com meu sobrenome. Ganhei apelidos de Tinocoso, Tinoquento, Tinocovsky…

Aí, depois de me demitir, imaginei: “Putz! Finalmente, estou livre daquelas piadinhas ridículas com meu nome”.

Ontem eu cheguei no serviço. Um colega olhou pra mim e falou, rindo:

– E aí… Tinóquio!

O Primo NÃO recomenda – Desafio Radical

Antes que perguntem o que eu estava fazendo assistindo um filme desses: eu e Bethania queríamos ver um filme de entretenimento, hollywoodiano, só pra passar o tempo. Aí, alugamos o filme com a certeza de que seria um filme ruim. E para a minha surpresa, o filme superou em muito as minhas expectativas e conseguiu chegar perto da posição de pior filme que já vi.

O roteiro, por natureza, já é estúpido: bando de jovens “radicais” vão esquiar fugindo de uma avalanche, de propósito, para fazer um comercial de uma câmera de vídeo. Só que, nas montanhas, eles encontram um criminoso de guerra sérvio, que estava escondido, e confunde os moleques com agentes da CIA.

É bobagem descrever mais sobre o quanto o filme é ruim, então vou falar só dos “highlights” de ruindade:

– O sotaque dos terroristas sérvios: “Must go back! Gas low!” (piloto do helicóptero avisando que a gasolina tá pra acabar). Detalhe que os terroristas falam inglês entre si, mas mal conseguem se comunicar com os moleques americanos.
– A edição das cenas a partir da segunda metade do filme. O filme foi TÃO mal editado que eu não conseguia entender a sequência dos fatos!
– A insistência do diretor em cumprir todos os clichês possíveis: o casal com tensão sexual, o diretor de cinema ambicioso e metido a artista, o vilão que diz: “Não… eu quero eles vivos…” e dá chance deles fugirem… a cena dos heróis quase despencando de uma beirada de penhasco (com direito a segurar o outro no último momento e falar “I got you!” e tudo), a lanterna que acaba a pilha (com direito àqueles soquinhos pra ver se ela volta a funcionar)…
– O menu do DVD. Para o título do filme, usaram uma fonte estilo “família Adams”, jogaram uma nevezinha por cima e botaram lá.

Ah, para diversão adicional, não deixe de ler as mensagens da message board do IMDB….

Cueca!

Nunca achei que eu fosse escrever um post atendendo a pedidos. Mas vou.

Sábado passado foi aniversário de um dos leitores desse blog. Como tem uma tabela de basquete na casa dele, rola o obrigatório “basquete semestral”: a gente joga uma vez no dia do aniversário dele e depois, só no outro semestre, no aniversário da irmã dele.

Aí eu fui jogar. Eu estava usando um bermudão, que vai até abaixo do joelho e que tem a cintura baixa. Mas isso não foi intencional: eu só havia descoberto o lance da cintura baixa depois de comprar a bendita bermuda.

Só aí entendi que era uma daquelas bermudas “boyzadas” que os skatistas usam pra deixar aparecer a cueca. Assim, já que a cueca ia aparecer de qualquer jeito, usei uma que combinasse com a bermuda.

Durante o jogo, chega uma amiga e fala mais ou menos assim:

– Nó Zé, essa cuequinha sua tá tudo de bom
– Ã???
– Tá super fashion, altamente sexy!
– ALÁÁÁ O ZÉ DE CUEQUINHA SEXY!! – Começaram os meus amigos
– Não liga não Zé! Você é um cara antenado, tá ligado nas tendências da moda!

Eu pensei em alguma coisa pra dizer depois desse momento vergonhoso, mas a única coisa que vinha na minha cabeça era: “Fala séééério!!!”

Consultores são seres estranhos

Situação 1: Eu, pegando café na garrafa térmica errada. Um gole depois:

– ARGH! Sem açúcar! ECA! Café sem açúcar parece água barrenta, é impossível beber isso…

Algumas horas depois, durante uma reunião, dois colegas meus indicam, para o garçom, como querem seu café:

– Quero o meu “purinho”. Só café.
– O meu sem açúcar nem adoçante. Só o café mesmo.

Situação 2: Eu e os colegas, saindo da reunião, onde um deles acabou salvando o dia porque preparou-se para uma coisa e a tal coisa aconteceu e a gente acabou saindo com facilidade de uma situação complicada. Este colega ia se gabando, no elevador:

– É né! Vocês viram que percepção a minha, não viram? Se não fosse a minha percepção… – dizia, enquanto saía do elevador.
– Pois é, mas a gente não desce nesse andar não – disse eu.

Só uma dica

Você consegue baixar um MP3 com os seis primeiros minutos do disco Lift your skinny fists like antennas to heaven, dos canadenses do Godspeed You Black Emperor!, totalmente de grátis, no maravilhoso Epitonic.com.

Foram os seis minutos mais deliciosamente prazeirosos que tive neste ano.

Eu estou ensaiando escrever um post sobre o GYBE há um tempão, mas eu não ouso fazê-lo, porque não tem como definir o tanto que a música deles é boa. Mas eu assino embaixo do texto do pessoal do Epitonic.

Post minimalista

Item 1: Meu emprego novo é uma beleza. Nele, eu tenho que aprender a trabalhar em equipe, contar com as pessoas e tal. A primeira coisa que aprendi relativamente à isso é que não dá pra contar com as pessoas.

Item 2: Hoje eu estou me sentindo um useless. Um useless é um inútil que fala inglês.

Item 3: Vocês vão ter que aguentar a autopiedade e o stress que vão povoar este blog até o mês de março, que é quando deve ter a temida banca examinadora. É o pessoal que vai decidir se eu, depois de um ano como trainee, mereço ficar no meu emprego ou se serei chutado sem muita cerimônia.

Item 4: Por que é que menstruação de propaganda de absorvente é azul?

Item 5: Norton leu meus pensamentos. Vou me lembrar dessa foto quando rever Mumm-Ra numa reunião dessas por aí.

Item 6: Quem reclamou uma vez que este blog parecia novela da Globo… bom, e agora, melhorou? Tá bom assim ou quer que mexe a antena?

Mea Culpa (a.k.a. mini post duplo)

Quando o dono de um blog não atualiza o dito cujo, de duas uma (que na verdade são três):

1) Ele não se interessa mais pelo blog
2) Ele não tem nada de interessante pra botar no blog
3) Ele até tem algo interessante para botar no blog mas não tem tempo

Eu me encaixo na opção 3. Então vou ser rápido:

Manhã de hoje

Reunião para detalhar um cronograma de um projeto de construção. Entra mulher randômica na sala de reunião, interrompendo tudo, sutil como um rinoceronte.

A mulher, que será carinhosamente chamada de Mumm-Ra, fala sem parar. Eu odeio quem fala sem parar. Aí eu me esforço pra detalhar o cronograma:

– Bom, mas essa obra aqui, como está indo?
– Ah, tem mais de ano que tá atrasada – Responde outro ser randômico da reunião.
– Ok… então, me fale em qual etapa houve o atraso, pra eu atualizar aqui…
– Não, não, esse é um projeto atípico, muda a data de início que aí fica tudo certo – diz Mumm-Ra
– Mas… mas se eu deixar como está e indicar onde houve o atraso…
– Mas esse é um projeto atípico! Não serve de referência. Vai, muda a data inicial… depois, vai que o chefe vê isso aí, vai dar problema…

E eu penso: “Oh, já entendi. Essa mulher quer que eu, na cara dura, camufle o atraso… mas isso não vai ficar assim não, vou usar toda a minha destreza social e vou fazer essa mulher aceitar o atraso no cronograma nem que seja a última coisa que…”

Aí, nesse momento, um colega de trabalho, que estava na reunião para, teoricamente, me ajudar, diz:

– Não, muda a data inicial mesmo…

E nesse momento a expressão “deu vontade de cuspir e sair nadando” fez todo o sentido do mundo.

Tarde de hoje

Reunião num centro sócio-educativo para menores (ex-FEBEM). Como Mumm-Ra não estava, a reunião foi um sucesso fulminante e deu pra detalhar tudo. E no final ainda pudemos ficar de bate-papo com a pedagoga do lugar, responsavel pelos “meninos”.

As histórias do lugar eram bem peculiares. Uma vez houve uma rebelião, os meninos estavam com facões e espetos artesanais (os chamados “chuchos”), e na negociação queriam trocar os chuchos por… sanduíches e refrigerante. Tem também a história da “visita íntima”. Isso é permitido num centro do Rio Grande do Sul, conforme contaram. Dizem que lá, com a permissão da visita íntima, a redução na agitação e ansiedade dos meninos foi drástica. E a pedagoga contou que, volta e meia, alguém tentava assaltá-la na rua. Ela reconhecia o ex-interno e falava: “Ei moleque, não me reconhece mais?”. O menino ficava sem graça, dizia “desculpa, tia”, e saía sem roubar nada.

Mas também há a dimensão triste da coisa: numa assembléia onde os meninos foram consultados sobre o que queriam num novo centro, que ia ser construído, o principal pedido deles foi… janelas. Janelas. Eu não vou me esquecer disso tão cedo.