Mendigando um iOrkut

Caiu na minha caixa postal:

Olá,
vc não me conhece…
mas eh que gostaria mto de entrar no Orkut e naum conheço ninguem que possa me indicar… tem como vc fazer isso pra mim?
Muito obrigado pela atenção,
Alexandre

Vejam só, um modismo de internet fazendo pessoas esmolarem contas no Orkut. Eu fiquei tão apiedado do menino que indiquei ele.

Se melhorar estraga

Nunca vi uma segunda feira começar tão bem.

Fui para uma reunião “consultores-only” (sem funcionários da empresa-cliente). A primeira notícia é que nossa agenda neste projeto foi renovada por um ano.

Pra vocês verem o que isso significa: a grande maioria dos consultores passa 15 dias fora da sua cidade-natal, vivendo em quartos de hotel e longe de tudo. Além disso há casos escabrosos de consultores que estão atoa, sem previsão de serem alocados em projetos e, portanto, sem previsão de receber salário. Eu vou trabalhar “em casa” e tenho trabalho (e salário) garantido até o ano que vem.

Mas voltando ao assunto, a reunião desta manhã foi ótima, nosso consultor-líder está bastante satisfeito com o trabalho e tudo corre bem.

Na hora do almoço me encontrei com o consultor-líder de um projeto que estive no ano passado. Ele me cumprimentou e disse:

– Pôxa cara, tentei trazer você pro meu novo projeto que está começando agora, mas você já tava alocado…

Ou seja: meu filme está tão bom profissionalmente que, enquanto há consultores esquecidos e sem trabalho, tem gente que lembra de mim e quer que eu trabalhe com eles.

Neste ponto eu, descuidado, pensei: “Putz! Do jeito que as coisas estão, se melhorar, estraga!”

Mal sabia eu que estas são as palavras mágicas para invocar os espíritos demoníacos responsáveis pelo cumprimento da Lei de Murphy… e, desta vez, eles trouxeram com eles um espírito esquecido nos confins das trevas.

Ela ressuscitou

É claro que vocês se lembram da Kelly, e lembram que ela tinha sido reprovada na temida Banca Examinadora. Ficamos sabendo disso porque o email de “parabéns, você foi aprovado”, foi enviado com todos os destinatários constando no email, e Kelly não estava lá.

Outro dia eu conversei com um amigo, também consultor, que colocou em xeque a informação que eu tinha relativamente à reprovação de Kelly na banca. Dizia ele que conversou com um sobrevivente ex-companheiro de equipe dela, cujo pseudônimo é Cody, que foi reprovado, mas que ele achava que ela tinha passado…

Aí hoje, outro colega, que faz pós-graduação com ela, me contou os fatos reais: Kelly e Cody estavam no mesmo projeto. Cody foi reprovado na banca, mas Kelly não.

Para não criar um clima ruim entre Cody e Kelly, o pessoal não enviou o email de “parabéns, você foi aprovado” nem para Kelly, mas depois deram a notícia para ela por telefone.

Em suma: Kelly ainda vive. Fiéis leitores, tremei.

Neste fim de semana eu fui num seminário e…

– Estreei minha nova câmera digital, uma Olympus C-740 Ultra Zoom. Depois vou reviewzar direito esta câmera pra vocês, mas até agora eu recomendo. Quanto à minha fiel câmera antiga, ela agora está nas mãos de terceiros, como mercadoria roubada. Detalhes no post de baixo.

– Nesta estréia da câmera, descobri que não sei fotografar pessoas. Eu tirei quase 180 fotos de pessoas nesses 2 dias. Bethania tirou umas 10, e as dela ficaram muito melhores que as minhas.

– Descobri um uso muito divertido para irmãs gêmeas – Teatro!

– Fiz uma “ronda noturna”, pra vigiar o lugar onde eu e mais umas 140 pessoas estava dormindo. Eu estava escalado pro “turno” de 4:00 às 5:30. E vi uma coruja voando de madrugada.

– Descobri que eu sou louco com supermercados. Eu adoro supermercados. Eu sei que são antros de consumismo, que toca Roxette e Capital Inicial como música ambiente, mas, mesmo assim, eu adoro ir a um supermercado. Principalmente os 24 horas.

– Vi uma pichação numa carteira de colégio. Seria normal… se não fosse um número de ICQ.

O Adeus da Powershot

Sábado passado Bethania pediu minha câmera (uma ótima Canon PowerShot S330) emprestada, porque no domingo ela ia correr uma tal maratona do câncer de mama, na Lagoa da Pampulha. Deixei a máquina com ela.

No domingo seguinte, 10 da manhã, eu estava dormindo quando o telefone tocou. Era Bethania, e ela estava chorando descontroladamente.

– Zé… aconteceu uma coisa horrível…

Eu gelei. No meu cérebro começaram a correr as prováveis desgraças que tinham acontecido:

* Ela tinha caído e quebrado alguma coisa.
* Ela tinha abusado na corrida e teve um acidente cardio-vascular.
* Ela foi vítima de um sequestro-relâmpago e passou horas de terror.
* Ela resolveu me trair com o chefe dela e vai mudar-se para uma ilha no Caribe.

– Meu Deus, o que aconteceu, Bethania?!???
– Roubaram sua câmera digital!!…
– GRAÇAS A DEUS!! – Disse eu, aliviado.
– Mas e a câmera, Zé?!
– Ah, eu tava querendo dar um upgrade nela mesmo… o importante é que você esta bem.

O que aconteceu foi que ela e as amigas que foram correr e deixaram as bolsas no porta-malas do carro. Os “meliantes” perceberam e arrombaram-o. Bethania perdeu carteira, bolsa (que foram encontrados mais tarde) dinheiro e o celular. E ficou ultra-culpada pela câmera digital que, naquela altura, depois do susto, eu nem ligava mais.

– Mas… você ia poder vender ela oras… – repetia Bethania
– Ah, ela já tava meio judiada mesmo, não ia ter muito valor de revenda. Era mais provável que eu desse ela pra você e comprasse uma nova…
– Então eu perdi uma câmera?! BUÁÁÁ!!!!

Cidade fantasma

Elena é uma mulher com uma câmera digital, uma moto Kawasaki Ninja e papéis militares, que o pai dela lhe deu e lhe permitem entrar em Chernobyl, a cidade-fantasma, evacuada depois do acidente nuclear.

O site é imperdível, recheado de fotos comentadas. Putz, como eu adoraria fazer esse passeio.

O Primo recomenda – Dolls

Hoje à noite eu entrei na locadora para pegar um filme. Na prateleira eu já ia me decidindo por um dos filmes do Kubrick que eu ainda não tinha assistido quando, na TV da locadora, começa a tocar J-Pop:

“Ma-me-mi-mo-ma-ru, ma-me-mi-mo-ma-ru, Ma-me-mi-mo-magikaru…”

Na TV, uma japanese idol cantava para as câmeras de um auditório vazio.

– Que filme é esse?
– É Dolls, um filme japonês – respondeu a moça da locadora
– Ei, eu vi esse filme em cartaz mas não consegui assistir… tem ele pra alugar?
– Tem essa cópia aí que a gente tá vendo.
– Ah, então vou deixar vocês terminarem de ver, vou alugar outra coisa.
– Que nada! Pega esse filme mesmo, afinal ele está passando aí por marketing mesmo…
– Hmm… ok, então vou sucumbir ao marketing de vocês.

Eu não sei por que diabos eu quis assistir Dolls quando vi o cartaz no cinema. Mas sei que, depois daquela sessão de J-Pop, eu precisava ver aquele filme.

Agora que assisti posso emitir minha opinião, que é a seguinte: se todos os filmes de amor fossem como Dolls, o mundo seria um lugar melhor. Porque Dolls é um filme MUITO intenso e MUITO, mas MUITO bonito. Acho que este é o primeiro filme de amor que eu gosto.

Bom, na verdade é um filme sobre os excessos do amor.

Dolls é uma história excelente, magistralmente contada e com atuações perfeitas. E que mistura amores muito intensos com Yakusa, J-Pop e teatro de bonecos. Recomendo muito.

Coisas de destaque:

– Alguns argumentam que o diretor, Takeshi Kitano, fica tentando vender uma visão barata do Japão para o público ocidental. Na minha opinião ele filtrou o bom da cultura oriental que, naturalmente, fica muito interessante quando a confrontamos com a nossa.
– Dolls é um filme lento. Mas não se engane, porque a lentidão é proposital. É pra realçar a intensidade da repressão emocional dos personagens (putz). E pra envolver quem assiste. Funciona perfeitamente.
– O trabalho de direção e screenplay ficou excelente. Cada detalhe da história é contado na hora certa. O roteiro é genial, embora, paradoxalmente, as horas onde tudo é dito são as horas onde ninguém diz nada.
– Destaque para a cena de Nukui, o super-fã da cantora de J-Pop, dançando sozinho no seu quarto, com fones de ouvido. Aquilo sim que é cena de amor.
– Destaque mais do que especial para os grandes heróis do filme: os símbolos. A corda, as folhas vermelhas…

Curiosidades bestas:

– Quem canta a musiquinha J-Pop (uuuuuuultra-grudenta) que eu citei é uma japanese idol de verdade, chamada Kyoko Fukada.
– No Japão existem mesmo aqueles caminhões horrorosamente “tunados”!
– Toda vez que alguém entrava num carro eu pensava: “Ué, mas por que ele entrou do lado do passageiro?”. Dois segundos depois eu me sentia um idiota.

Prutugês

Meu pai recebeu um email do advogado que está olhando umas coisas do apartamento. O email tinha como subject: “Voce ja sabe”, um documento Word anexado e dizia:

Tinôco esviando o óbvio
atensamente
Marco advogado

Lacônicos, prolixos e saquinhos plásticos

Uma das coisas que eu mais gosto de ser é lacônico.

Segundo o dicionário, lacônico é “breve, conciso; dito ou escrito em poucas palavras, segundo o estilo dos habitantes da Lacônia“.

Lacônico é o inverso de prolixo, ou seja, “Demasiadamente longo. Demasiadamente extenso ou demorado. Excessivo, superabundante. Enfadonho, fastidioso”. Como você pode ver, até a descrição de prolixo é prolixa. E eu detesto gente prolixa.

Hoje, no serviço, estavam à mesa eu, meu notebook, o consultor-líder da nossa equipe (o “Obi-Wan”) e um colega (o “Anakin”). Anakin tentava explicar para Obi-Wan como é que funcionava o fluxo orçamentário-financeiro dos projetos, que possuía um problema grave. Foram horas de palavras difíceis: “descentralização da cota”, “funcional programática”, “saldo quadrimestral” e Obi-Wan não havia entendido ainda qual era o problema. Eu apenas digitava.

Algumas horas e três Anakins diferentes depois, Obi-Wan ainda não sacou o problema. Eu dei uma pausa na minha digitação e falei:

– É assim: o dinheiro é todo separado e etiquetado. As etiquetas falam pra qual pagamento é aquele dinheiro. Aí quando vão passar o dinheiro pra quem vai gastar, eles tiram as etiquetas do dinheiro, colocam tudo numa sacolinha plástica, daquelas de supermercado, e entregam pra pessoa. Depois a pessoa pega as notas fiscais de onde ela gastou o dinheiro e prega as etiquetas nelas, do jeito que quiser, pra justificar os pagamentos.

E voltei a digitar.

Obi-Wan adorou a minha sacolinha plástica, e a partir dali se referia à ela toda hora, pra explicar o problema…