Shut up, Butthead…

Lembram que tinha um cara denominado Toscão na dinâmica de grupo do processo de seleção pro meu emprego atual de consultoria?

Pois é, ele veio trabalhar aqui na nossa equipe. Acho que vou renomear o pseudônimo dele, de Toscão pra Butthead

Primeiro porque ele não consegue nem conversar direito: é estranho, ele gagueja, embola as palavras, e normalmente ele tem o papo equivalente ao de uma adolescente de 14 anos.

Pra completar, hoje estávamos todos almoçando, todo mundo sério e compenetrado, uma colega estava contando uma história de um tio dela que encheu a cara numa festa de família, abaixou as calças e fez um “bunda-lelê” para os parentes… e Butthead caiu freneticamente na gargalhada, como se aquilo fosse a história mais engraçada do mundo. E a risada dele… bem, eu cheguei a achar que ele estava imitando o Butthead original.

Quando ele ia parando de rir, eu fiz um comentário en passant, só pra morrer o assunto:

– Pois é, foi um bunda-lelê familiar…

E Butthead riu o dobro e ficou exclamando “Uhuhuhuh… bunda-lelê familiar… uhuhuhuhuh….”

O Telefone Húngaro

Lembram que há algum tempo atrás eu estava querendo comprar um telefone antigo, daqueles vermelhos, de disco? Pois é…

Hoje de noite, eu e Bethania estávamos voltando pra casa, passando de carro pela Rua Padre Eustáquio. Numa esquina, eu olho de relance para a vitrine de uma loja e…

– MEU TELEFONE VERMELHO!!!!!!

Parei o carro de qualquer jeito no meio da rua, fiz uma ou duas barbeiragens e voltei. Era uma loja antiga de consertos de telefone que depois vou falar o nome.

Eu e Bethania entramos e o simpático vendedor pegou o telefone para nos mostrar. Trata-se de um modelo húngaro, todo original, bem conservado (salvo um ou outro arranhão). A campainha do telefone é bastante estridente e linda, nada do “biiip” dos telefones modernos, e sim o velho e autêntico “trrrrrim”, aquele som mecânico da sineta de metal. De fato, todos os barulhos do telefone são ótimos, desde o “tec tec” do disco rodando até o som oco que o fone faz quando é colocado no gancho.

Só que o telefone está errando alguns números na hora de discar, coisa que não percebi nos testes que fiz com ele na loja. Mas é só levar de volta e usar a garantia de 6 meses que me foi dada.

O preço combinado foi de R$ 50. Podem rir à vontade, mas pra mim foram os R$ 50 mais bem gastos da semana. Eu e Bethania compramos, como a primeira (e simbólica) aquisição para a nossa futura casa. Na verdade, Bethania gostou tanto do telefone que queria até levá-lo pra casa dela…

Agora, o mais engraçado de toda a história… o nome da loja onde eu comprei o telefone é um velho conhecido aqui do blog…

Dia bão 2

Bom, depois do episódio da reunião perdida e do skatista eu fui num… almoço beneficente de igreja.

Lá, havia uma dupla cantando (desafinadamente) músicas sertanejas. Era um cara com um jaleco de açougueiro e outro de óculos escuros, tocando teclado no melhor estilo Wesley Willis.

Num determinado momento eu estava comendo meu Tropeirão e vendo os casais de velhos dançando em frente ao mini-palco. No microfone, o “açougueiro” alternava entre Elvis com inglês macarrônico…

It’s now or never…
I world you bright…
She’s Ronald Reagan…
Fly light so fine…

… e músicas com letra inacreditável:

Aquela menina e a sua cadeira de roooodas…
Daria tudo pra vê-la sorrir outra veeeeez…

Passei a tarde com Bethania, depois fui pra minha casa, que estava lotada pela família da minha madrasta. No fogão, canjica.

Comi um bocado, depois passei quase uma hora tentando fazer meu computador funcionar. O motivo? Jogar um pouco de Enemy Territory.

Depois dei uma fuçada no Orkut e estou escrevendo este post. Devo ler um pouco (embora devesse ler outras coisas) e ir dormir.

O Primo na ópera

Pois é, meu programa de sábado à noite foi… a ópera Turandot, de Giacomo Puccini.

Eu nunca tive muito saco pra ópera, e Turandot tem três horas de duração. Eu fui esperando o pior e acabei adorando a montagem que fizeram. A música é excelente, a história é instigante, não é simplesmente um romance bobinho, como na maioria das óperas. E, além do mais, Turandot se passa na China! No final foi um programão e eu me diverti á beça.

Detalhes engraçados da noite:

Antônio Roberto, o pop star da auto-ajuda (bom, pelo menos aqui em Minas), estava bem pertinho da minha cadeira.

– O cenário, a luz e os figurinos estavam muuuito bem feitos. E era tudo grandioso e espalhafatoso: tinha um dragão que cuspia fogo, faíscas, painéis chineses estilizados, plataformas e uma escadaria giratória no meio do palco. A coisa estava tão megalomaníaca e cintilante que eu aposto que o diretor cenográfico é gay.

– Durante um dois dois intervalos de 15 minutos da ópera, adivinhem quem eu vejo, de sobretudo preto, cercado de gente esquisita gótica, no meio do saguão do teatro? O Excêntrico, em pessoa! Segundo ele mesmo, além de gostar de metal ele curte uma música clássica.

– Toda música de ópera que se preze tem um “tema” manjado, daqueles que você conhece porque já ouviu numa propaganda de Vinólia por aí. Turandot não foi diferente.

O problema foi que, na hora que tocou o “tema”, a mulher que estava sentada na cadeira ao lado da minha começou a cantarolar junto… deu vontade de perguntar se ela fazia parte do coro. Caso a resposta fosse negativa eu ia mandar ela fazer uma bola de pano com a echarpe dela e enfiar na boca.

– Quando os cantores e cantoras davam aqueles looooongos agudos, eu ficava incomodado, porque com certeza no final todo mundo iria aplaudir e interromper a orquestra. Coisa que, obviamente, aconteceu. Não sei de onde tiraram esse conceito de que, quanto mais alto e mais agudo, mais bonito é o canto. Coisa mais ridícula.

– Meu lado musical freak continua se manifestando: por mais que eu ouça as mais belas melodias, eu continuo me amarrando no som que a orquestra faz quando está se afinando. Cara, aquilo é tão bonito!!

– Numa das cenas, três personagens chineses de nomes Ping, Pang e Pong, tentam dissuadir um estrangeiro de disputar o amor da princesa. Para isso, oferecem-lhe três esposas de diferentes raças, que entram no palco com os seios de fora. Uma delas, uma bela negra, vai se insinuar para o estrangeiro. Ela pára na frente dele e começa a rebolar… igualzinho as dançarinas do É o Tchan. Eu quis morrer.

– Depois das três horas de ópera, durante o aplauso final, Bethania me deu uma engraçada sugestão: Ei, vamos começar a pedir bis! ‘Mais um! Mais um!’…

Presença é isso

Como muitos de vocês já sabem, minha “inteligência emocional” é bem embotada.

Talvez seja pelos anos da minha adolescência, quando eu era ridicularizado no colégio e trocava a convivência com pessoas de carne e osso pelas telas de um computador. Mas fato é que hoje eu colho os frutos disso: Conceitos simples de convivência social, como “mostrar que se importa” ou “estar presente” custam a entrar na minha cabeça.

Hoje à noite rolou um papo-família bastante sério, envolvendo a iminente mudança (sim, vamos mudar de apartamento de novo). No meio do assunto surgiu o assunto de sempre: a minha falta de envolvimento nas coisas da casa. Meu pai sempre reclama que eu nunca estou presente, minha madrasta reclama que eu só “olho pro meu umbigo”.

Eu não me importo quando as pessoas dizem isso, porque concordo com elas e sei que preciso mudar. Mas me preocupa o fato de eu achar esses conceitos, simples, tão difíceis de entender e praticar.

Foi pensando nisso que eu entrei no quarto do meu irmãozinho, Gabriel. Bethania estava lá, sentada no chão ao lado do berço, contando uma história pra ele dormir. Ele pedia:

– Bê, conta ixtória do Buzz…

E lá ia Bethania inventar uma história com o Buzz Lightyear, do filme Toy Story. E contava, contava… às vezes Bethania parava de falar, achando que ele já tinha dormido, e ele repetia:

– Bê.. Bê… cadê voxê… conta ixtória do Buzz…

E ela recomeçava… até que uma hora ela parou de falar, Gabriel pediu, mas ela não continuou. Estranhamente, Gabriel não chorou ou pediu de novo pra continuar a história. Continuou deitado, tranquilamente.

Depois de alguns segundos, Bethania, cochichando, me disse:

– Entendeu? Estar presente é isso: eu não preciso ficar falando, só o fato dele saber que estamos aqui já é suficiente.

Eu não precisei dizer uma palavra e Bethania, com uma frase, me ensinou exatamente o que eu precisava aprender. É por isso que eu amo essa mulher.

Um email dela

Tem um amigo meu que vai casar e está procurando gente que possa vender milhas, desses programas de milhagem, porque aí a viagem de lua-de-mel dele fica mais barata.

Encaminhei um email pros meus colegas consultores e vieram algumas respostas. Hoje veio mais uma.

Quando li o remetente do email, quase morri de susto:

From: Kelly [kelly@….]
Subject: Milhas para vender

Oi Ze!!! Mocinho, como vai vc??? q vc ta fazendo aih, qual projeto?? eu to aqui na empresa XXXX, e ta tudo joia!! to adorando o projeto, e soh tenho uma coisa a dizer: eh fogo!! rapaz, como eh dificil!!! mas eh super legal!…

Meu Deus!! Esta foi a prova cabal que ela ainda está viva e operante.

Mas a notícia boa é que a empresa XXXX onde ela está trabalhando fica a exatos 4.687 km de onde eu estou. Yay!