Saúde pra dar e vender

Há alguns dias era sexta-feira e comi um agradável almoço num restaurante próximo daqui do serviço. Quando voltei ao trabalho, sentia um ardor estranho na pele e alguma coceira.

Uma leve consulta ao espelho do banheiro mostrou que o ardor e a coceira eram devidos às pequenas bolinhas avermelhadas que surgiam em minha pele. Recolhi minhas coisas e fui visitar um hospital.

Chegando lá, a médica me atendeu, toda gentil.

– Olá, boa tarde, meu nome é Carolina. O que você está sentindo?

– Bom, eu tive um almoço muito agradável e agora estou empolando todo.

Ela riu e administrou corticóides em minha corrente sangüínea. Passei algumas horas trabalhando no notebook em plena enfermaria do hospital, enquanto esperava o “repeteco” da medicação, prometido pela médica mas que os enfermeiros esqueceram. Mesmo assim fui liberado porque as bolinhas vermelhas já não eram mais.

Cheguei em casa e, que estranho, a coceira ainda está coçando. O espelho do banheiro, muito francamente, me disse que a urticária continuava.

Os enfermeiros do hospital diziam: “Ué, voltou por quê?”. Eu respondia acenando com o braço para eles. Eles viam as bolinhas vermelhas e diziam pra eu me deitar na enfermaria.

Devido à ausência de lugares virgens para agulhadas, na segunda dose de corticóides (que era a terceira do dia) a enfermeira, gentil, me disse:

– Essa vai ter que ser no bumbum…

– Aff… ok, tente não se apaixonar então – respondi, enquanto me virava de costas.

Mais tarde, em casa e dessa vez curado, meu pai dizia:

– Por isso que eu te falo pra ir fazer um check-up, meu filho!….

– Ah nem, pai… eu tenho 25 anos e estou perfeitamente bem, só tive uma reação alérgica a alguma coisa qualquer aí…

– Mas tem que ir fazer um check-up, meu filho! Não custa nada!

Depois da vigésima sétima repetição eu fiquei de saco cheio e resolvi fazer o bendito check-up. Perdi uma manhã inteira esperando o médico me atender e quando ela me recebeu, eu disse:

– Olha, meu pai é um hipocondríaco e deu chilique por causa de uma urticária. Me dá um pedido de exame de sangue aí e tudo ficará bem.

Na última sexta-feira recebi o resultado dos exames. Tocava The Postal Service no meu carro quando abri o envelope e li:

COLESTEROL – 269 mg/dl
Valores de referência: Acima de 270 mg/dl – ELEVADO

“Mas… que… merda…”, disse eu, lentamente. “Meu pai vai me tratar como um cardíaco daqui pra frente”…

Minha gentil irmã, que é nutricionista, já me prescreveu uma dieta. Devo evitar carnes gordurosas, doces, queijos, frituras, embutidos e demais prazeres gastronômicos. Ah, e devo fazer exercícios físicos. O cooper recomeça amanhã. Vou precisar de muita música eletrônica pra sobreviver nos próximos meses.

E agora eu estou com medo até de ir ao dentista.

O Primo recomenda: dois filmes “pipocão” que tinham tudo pra ser ruins

Primeiro: Eu, Robô

A primeira coisa que deve ser dita é que o Eu, Robô não tem nada a ver com o livro homônimo, do Isaac Asimov. As semelhanças são, basicamente, as famosas três leis da robótica e o empréstimo de alguns personagens-robôs e de alguns humanos, como a Dra. Susan Calvin, personagem marcante no livro mas fraca e abobada na película.

Além do mais, o filme conta com Will Smith no papel principal. Grande parte do seu roteiro dedica-se a fazer merchandising descarado do seu tênis All Star, “vintage model 2004” (já que o filme se passa algumas décadas à frente). As piadas de Smith são fracas e insossas e sua atuação, mediana.

Mas então porque diabos eu estou recomendando este filme? Primeiro porque é um filme de ficção científica e os fãs do gênero, como eu, gostam de um roteiro coeso e de efeitos bonitos. E o filme possui ambos. A história não é lá um primor de redação mas cumpre seu papel e desvia-se habilmente de becos sem-saída, como o de explicar o por que dos robôs estarem agredindo humanos, coisa que é proibida pela primeira lei da robótica. As cenas de ação envolvendo Sonny e os outros robôs NS-5 são de tirar o fôlego, já que os efeitos especiais dos robôs são perfeitamente realistas. Tem até uns momentos Matrix, com pontos de vista alternativos para a ação (exemplo: no carro de Will Smith quando ele capota) e belas cenas em câmera-muito-lenta.

Em resumo, Eu, Robô não é nenhuma obra de arte cinematográfica, mas diverte e vale o ingresso.

Segundo: Colateral

E o Tom Cruise tem se dado bem nas minhas recomendações cinematográficas. A última foi em O Último Samurai. Entretanto, neste filme, Cruise não se dá lá tão bem com o seu papel de assassino profissional. Como action man, ele parecia estar melhor em Missão Impossível.

Pra piorar, Colateral não tem a força roteirística dos samurais (desculpem o trocadilho). Na verdade, minha expectativa era alguma coisa como aquele filme, o Por Um Fio, já que a maior parte da trama se passaria também num lugar pequeno e fechado: o táxi de Max (Jamie Foxx).

No desenrolar das coisas temos clichês, como o do policial que acredita na hipótese mais bizarra para um caso e ninguém acredita nele, embora ele tenha razão. A trama é resolvida, no fim do filme, de um jeito fraco e sem impacto. Alguns personagens importantes são “chutados” para fora da história sem muita explicação. E com todas estas fraquezas, eu ainda recomendo esse filme…

Porque o que me fez gostar de Colateral foi o seu ambiente, causado primordialmente pelo conjunto urbano de Los Angeles e sua fotografia maravilhosa. As tomadas noturnas da cidade são tocantes. Todo o trabalho cenográfico, desde a luz até a composição das cenas, já faz valer o ingresso. A primeira cena, onde Max leva como passageira a advogada Annie (Jada Pinkett Smith), justifica novamente o ingresso pela ótima atuação de ambos em circunstâncias tão complicadas: afinal, que expressão corporal se usa quando é preciso atuar sentado em um carro?

Quando tudo é colocado na balança, Colateral acaba saindo com um saldo positivo e, portanto, eu recomendo. Claro que você que é esperto vai dar preferência para os filmes realmente bons, como o Fahrenheit 9/11, antes de ver estes… mas Eu, Robô e Colateral também quebram um bom galho.

O tópico mais engraçado do Orkut

Piores apelidos de golpes, na comunidade “Tiger Robocop”. Alguns highlights:

– “E o camarada Zangief? Tinha vários! O mais famoso era o “cheira cueca”

– Sinistro era chamar o tatsumaky do Ryu de “Ataque das corujas”. Era direto… ATAQUE DAS CORUUUUUUUUUUUUUUUUUJAS!!!!!!!!!!

-O pessoal do Starfox ao completar uma fase no SNES:
*Falcon: “Roupas de inverno!”
*Fox: “blerblerblergh!”
*O sapo: “desce daí, desce daí!”

– Isso tudo me lembrou uma piadinha da época bem infame:
-Ryu, qual a piroca que vc mais gosta?
e vc fazia o golpe
ryu: – A du Keeen

– O melhor era o da chun-li: “Vou dar pro dalsin!”