Maratona Call-Center

Estou batendo um recorde hoje. Desde as 9 da manhã estou ao telefone duelando com os serviços de atendimento telefônico do Unibanco e da Oi.

Primeiro, liguei para o Unibanco para desbloquear o cartão múltiplo (débito + crédito) da minha conta, mas acabei caindo no truque deles e desbloqueando a função crédito do cartão. Liguei pra lá para tentar cancelar só a função crédito. Veio o atendente:

– Mas não precisa, porque este cartão é uma cortesia Unibanco e não tem custos…
– Tudo bem, mas mesmo assim eu queria cancelar.
– Mas este cartão pode ser usado para pagar contas de luz, água…
– Tá, mas…
– … telefone, esgoto, além das inúmeras facilidades…
– Ei, ei, deixa eu falar…
– … exclusivas que os correntistas Unibanco…

Me irritei, desliguei e liguei de novo. Veio o segundo atendente:

– Mas você não paga anuidade para este cartão, não precisa cancelar…
– Claro, claro. Quanto tempo eu fico sem pagar anuidade? Aposto que não é pra sempre.
– Um ano, mas um ano é muito temp…
– OK, cancele a função crédito do meu cartão pelo amor de Deus.
– Mas um ano é muito tempo, senhor…
– PARE!! Cancele a função crédito do cartão e não me canse…
– Senhor, se eu cancelar o cartão inteiro fica cancelado, não posso cancelar só a função crédito dele.
– Hein?!
– Depois de um ano o senhor cancela…

Bati boca por uns 10 minutos, até que tive uma idéia.

– Vem cá, se você cancelar meu cartão todo, eu posso pedir outro?
– Sim…
– Aff, por que não pensei nisso antes? Por favor, faça isso.

Depois, troquei o telefone de orelha e liguei para a Oi. É que o cartão de crédito (outro, não o do Unibanco) que dei para pagar o aparelho novo que estou comprando foi recusado. Aí precisava ligar pra lá e ver se a coisa tinha sido resolvida. Este problema do limite do meu cartão é insolúvel, primeiro porque o Banco do Brasil (de onde peguei o cartão) está de greve, e o 0800 da Visa para o meu cartão é inalcançável: na segunda eu fiquei 1 hora esperando atendimento, e nada. Mas liguei pra Oi assim mesmo.

Acabei descobrindo uma dica: para pular aquelas propagandas inúteis do Oi Atende, tecle “asterisco” no telefone.

Ao ser atendido, pediram meu telefone com DDD e mais um tanto de dados, pra depois transferirem para o setor de qualidade. Lá, pediram meu telefone com DDD de novo e mais os mesmos dados. A atendente, depois de uns 10 minutos, finalmente me disse:

– Olha, você precisa ligar para a Central de Vendas, no telefone 0800-285…

Criei coragem, liguei para a tal Central. Tive que dar (adivinhe!) meu telefone com DDD e mais uma penca de dados, tudo de novo. Aí, a atendente de sotaque baiano me rebateu:

– Olha, você precisa ligar para o Oi Atende…

Desta vez, peguei o número do pedido com a menina baiana das vendas. Lacrimejando de desespero, liguei, de novo, para o Oi Atende. Dei, de novo, meu telefone com DDD e mais mil dados pessoais. Meus colegas de trabalho já devem ter decorado meu CPF, pelo tanto de vezes que tive que dizê-lo em voz alta. Aí, finalmente, a menina me falou que o cartão tinha sido recusado de novo.

– Ok, eu dou um outro número de cartão…
– Sim, mas… mas o aparelho acabou do nosso estoque.

Temendo a resposta, perguntei:

– E… e c-como eu f-faço pra saber s-se ele está no estoque?
– É só ligar pra gente…

Olhei para cima e gritei. A câmera que filmava meu rosto em close foi se afastando, com velocidade, até mostrar o prédio todo, a cidade, o país e terminar numa bela imagem do planeta Terra e meu grito ecoando ao fundo.

Ato falho

Hoje o super-consultor-líder do nosso projeto (que chamarei de Akuma) esteve aqui. Ele sentou-se comigo para resolvermos algumas coisas do projeto.

De repente, um celular que alguém havia esquecido aqui na sala começa a tocar o hino do Cruzeiro. E eu comecei com a piadinha:

– Putz, depois perguntam por que os projetos aqui nunca dão certo, é por causa dessas músicas horríveis desses times medonhos que o pessoal coloca no celular…

Aí um colega, do outro lado da sala, me deixa ciente de um fato:

– Tinoco… você sabe que o Akuma é cruzeirense, né?

E minha piadinha se tornou uma catástrofe esperando para acontecer. Eu precisava agir rápido e dizer alguma coisa. E alguma coisa convincente…

– C-claro que eu sei, só tou provocando, hehehe…

Crianças… não tentem isso em casa.

Nem luxo nem lixo

Hoje meus colegas de trabalho cismaram de ir no Itália Grill, um restaurante de ricos aqui de Belo Horizonte.

Depois de pedirem seus sofisticados “filés ao molho madeira com arroz piamontese” (R$ 14 cada), uma colega comentou:

– Nossa, tou precisando ir ao Shopping Oi comprar umas coisas…
– Pois é, eu fui lá ontem…

“Quer que eu desenhe? Eu desenho!”

Deu na Folha que a Internet é o meio de comunicação preferido dos americanos entre 18 e 54 anos. Dentre os pesquisados, 70% usam a net para entretenimento.

Eu acho que a Internet vai ultrapassar a TV em termos de entretenimento. Na TV, poucos são os programas interessantes, e eles não passam nos canais abertos. O próprio Gugu tem um quadro do seu Domingo Legal onde um cara lá fica mostrando as últimas da Internet, com os vídeos e fotos engraçadas que se espalham pelas caixas de e-mail do mundo. E se você quiser dar risada, suas únicas opções são o batido Casseta e Planeta, as tentativas de inovação humorística (como A Diarista ou Sexo Frágil) ou os asilos de artistas, como A Turma do Didi, A Praça é Nossa ou Zorra Total.

Em compensação, eu racho de rir nas comunidades do Orkut (como a de Discussões Infundamentadas).

Perdoe-me, Pai, porque pequei

Ontem eram umas 18:30 e eu fui na casa de Luiz para scanear umas fotos. Aí ele, logo que cheguei, já foi falando:

– E aí, quer dar uma olhada no Doom 3?

A tentação foi grande demais. Joguei o jogo desde o começo até a hora em que aparece o primeiro Pinky Demon (aquele “boi” semi-mecânico). Por sinal, quando ele apareceu, levei três porradas seguidas dele e gastei preciosos segundos para reorientar a vista e localizar o bicho. Aí tentei atirar… mas minha lanterna não parecia muito adequada para um inimigo daqueles. Só depois consegui apertar a tecla certa, sacar a metralhadora e resolver o problema.

Vale lembrar que joguei nas configurações gráficas mínimas, o jogo desligou vários efeitos e as texturas todas eram “comprimidas”. E, meu Deus, se aquilo é o jogo no seu mínimo, nem quero imaginar como ele deve ser numa máquina adequada… às vezes eu parava e ficava admirando a sombra que a minha lanterna fazia na parede, ou o bump-mapping de uma mangueira jogada pelo chão…

A Id teve uma idéia curiosa para apresentar o jogo: primeiro eles bolaram um engine gráfico todo novo, texturas maravilhosas e fases estupendas. Aí esconderam quase tudo no escuro! O que a princípio parece uma contradição mostra-se uma bela estratégia: quanto menos se mostra, mais se induz a querer ver. Por isso eu joguei cinco horas seguidas e nem percebi.

Destaques que percebi até agora:

– Os secrets do jogo parecem estar mais inteligentes. Pegar a metralhadora pela primeira vez foi meio dedutivo: bastou fuçar o mesmo computador que o marine usou para me dar a pistolinha padrão com a qual o jogo começa. E há também algumas coisas divertidas, como o armário que só abre com um código que você encontra no site do fornecedor. Mas é no site mesmo: www.martianbuddy.com

– O jogo de fliperama no hall de entrada da cidade marciana: Super Turbo Turkey Puncher 3! Usa texturas do primeiro DOOM e ainda faz piada com a Capcom.

– Ah, os zumbis marines… agora eles realmente ficaram espertos. É divertidíssimo vê-los procurar cobertura atrás da pilastra ou de uma caixa.

– Os emails e as mensagens de áudio que você vê nos PDAs dos pobres e finados cientistas e engenheiros dão um toque “maduro” para a história. E, enquanto eu passeava pelo corredor, ouvi a voz computadorizada da base dizendo algo como: “O seu dever, segurança da Cidade Marciana, é ajudar a todos. Consultas psicológicas são gratuitas e anônimas”.

Como Luiz bem o disse, “agora a gente olha o mundo real e fala: que texturas mais paiosas essas”. Realmente, Doom 3, de tão bonito, tornou o mundo real um pouco mais feio. Agora só tenho que esperar meu casamento passar pra que sobre algum dinheiro e eu possa upgradear meu micro para jogar esta obra de arte…

Nesta noite, sonhei

Sonhei que me alinhava na beirada de uma piscina com outros competidores. Eram os instantes que antecedem o ‘tiro inicial’ das competições.

A piscina era a maravilha de 50 metros do Colégio Santo Agostinho, onde estudei durante o primeiro grau. 8 anos tenebrosos. Mas a piscina é ótima, foi lá que aprendi a nadar.

O competidor ao meu lado se afobou e queimou a largada, como nas competições típicas de natação. Depois, todo mundo se alinhou novamente. Me abaixei e esperei atentamente o tiro de largada. Os instantes de silêncio pareciam eternos.

De repente, todos os competidores saltam na água e começam a nadar freneticamente. Eu olho em volta confuso: “O que diabos é isso??!?”. Concluí que, de alguma forma bizarra, eu simplesmente não ouvi o tiro de largada.

A próxima cena que vem na minha cabeça é aquela da TV com a classificação final da prova. Na frente do meu nome, as letras: “DNR”. Isso é um jargão médico americano que quer dizer “do not ressuscitate”, mas no meu sonho indicava que eu havia desistido da prova.

Indignado, lá estava eu no dia seguinte, com Bethania e um cronômetro. Queria saber se o tempo que eu levo para completar a prova me faria ganhar a competição. Se fosse o caso, ia requerer meu título no “tapetão” mesmo. Mas tudo dava errado: o cronômetro não funcionava direito ou Bethania se embolava toda para usá-lo. E quando eu ia pular na água, o zelador da piscina ia removendo as raias, ou aparecia gente nadando na minha frente.

Eu já estava ficando irritado quando o despertador tocou e eu acordei.