Levando ferro

Inglês, Excel, Access… dentre todas as habilidades que vou precisar usar no Canadá, uma delas eu só comecei a desenvolver hoje:

E hoje também instalaram o Velox aqui no apartamento novo. Só precisei ligar umas dez vezes pra Telemar. Esses malditos primeiro queriam me empurrar uma linha analógica, depois cismaram que mesmo com a digital havia “restrição técnica” pra instalar o Velox. E me atenderam muito mal durante todo o processo.

Natal tá aí

Semana maluca, essa. Ontem tive um treinamento específico sobre o trabalho que vou realizar no Canadá. A descrição ideal para o que vou fazer lá é: muito.

Além disso estive resolvendo coisas para a viagem, comprando os presentes de natal e, ao mesmo tempo, mudando de casa. Hoje passei a tarde carregando meu carro com o resto da mudança, e só agora (1:27 da manhã) terminei de achar lugar pra tudo no meu novo quarto. Depois coloco umas fotos aqui pra mostrar.

Mas apesar de tudo sempre arrumo um tempinho pra passar com Bethania, de quem vou sentir bastante falta quando estiver lá no hemisfério norte. Por isso hoje estávamos juntos, passando de carro pela Praça da Liberdade, quando ouvimos um coral cantando e acabamos parando pra ver.

Era o coral jovem de uma emissora local de TV, que cantava no coreto da praça, cercado por um bando de gente e seus guarda-chuvas (tá chovendo horrores desde semana passada). Eu, Bethania e meu guarda-chuva nos juntamos à platéia.

Foi a primeira vez que vi um coral usando playback (informação confirmada com um amigo que estava apresentando o evento). Na frente do coral haviam duas meninas fazendo “improvisos artísticos corporais”, ou seja, dançando aquelas danças de abertura do Fantástico de 1985. E, antes de cantar “Noite Feliz”, o regente parou o show e fez 15 minutos de pregação evangélica.

Tirando isso, tudo corria bem até que, de repente, um senhor que estava na nossa frente vira pra mim e começa a gritar, visivelmente irritado:

– Porra!! Cê bem que podia tirar esse guarda-chuva daqui que toda hora você esbarra essa porcaria em mim e tá enchendo o saco!!

Depois de olhar o véio por alguns segundos, ainda sem acreditar que ele estava gritando aquilo comigo, comecei a fechar calmamente o guarda-chuva. Eu não ia responder nada, mas Bethania tomou a iniciativa e disse, séria:

– O senhor nos desculpe. E feliz natal pra você.
– PRA VOCÊS TAMBÉM!!! – Gritou o véio, franzindo a testa de raiva.

Eu nunca havia visto tanta gente enlouquecida como nesse natal. O trânsito então, está um absurdo. Só na tarde de hoje eu vi:

– Taxistas enfiando seus táxis na frente de outros carros e xingando quem eles mesmos fechavam;
– Gente parando em fila dupla e descendo do carro pra entrar nas lojas, no meio do engarrafamento;
– Uma mulher que parou exatamente no meio da avenida, desceu do carro e, calmamente, começou a tentar arrumar o seu limpador de pára-brisa;
– Um outro taxista louco que, do nada, colou na minha traseira (e eu nem tava na pista da esquerda), piscou farol ensandecidamente e me ultrapassou depois, xingando.

Diversas

Este post vai do jeito mais “old school” possível… conectado via dial-up, diretamente do apartamento novo. É que pra variar a Telemar está dando canseira pra mudar o Velox de endereço.

Mas vamos ao que interessa:

Business Ingrish Training

Hoje foi dia de treinamento para meu projeto no Canadá. Era um treinamento sobre inglês para negócios, que durou o dia todo.

O instrutor do treinamento chamava-se Cassius. Cassius era, obviamente, muito bom de inglês e entrou na sala, logo de cara, falando fluentemente e com uma pronúncia de dar inveja, o que foi muito intimidador para o nosso pobre nível “intermediário” de alunos camponeses. Aí ele saiu pedindo ao pessoal que se apresentasse, começando por uma mulher que estava do meu lado. Ela não se fez de rogada:

– Hi, my name is Belle and yadda yadda yadda…

Aí eu tive muito mais medo, porque Belle não falava um inglês fluente: Belle era impecavelmente fluente, se não me dissessem eu custaria a acreditar que ela era brasileira. Eu nunca havia visto um inglês tão bem falado.

Logo depois, Cassius pediu que eu me apresentasse. Eu estava, literalmente, tremendo. Disse algumas coisas em inglês “macarrônico” e deixei por isso mesmo. Felizmente, o nível do resto da sala não era muito diferente do meu; até vi gente que também tremia durante as apresentações, como eu tremi.

Mas a tensão inicial passou rápido. Cassius era um professor bastante didático e o curso correu bem tranquilo. No final da manhã meu cérebro já havia pegado no tranco e o inglês saía bem mais fácil. No almoço, inclusive, não podíamos conversar em português.

À tarde tivemos um exercício de listening, onde Cassius usou um audiobook: Era o famoso “Quem Mexeu no meu Queijo“. Ouvimos, por mais ou menos uma hora, a história inteira. Depois de ouvir a palavra “cheese” por centenas de vezes, tirei duas conclusões:

Ratos são muito melhores que seres humanos;
Não dê atenção às suas emoções, elas só atrapalham.

Acabei descobrindo também por que o “Quem mexeu…” fez tanto sucesso: ele ilustra tantas situações durante sua história que pelo menos uma delas vai cair como uma luva na vida de quem o lê. Aí este leitor diz “uau, esse livro tem tudo a ver comigo” e sai recomendando pros amigos, tornando-se um best seller, a despeito do conteúdo chinfrim.

Depois teve um exercício onde deveríamos sentar em duplas e improvisar um diálogo usando um conjunto de palavras do novo vocabulário. Sentei-me com Belle e combinei que ela faria o papel de consultora e eu, o papel do cliente que não quer aceitar uma proposta de aumento de vendas.

Como já estava todo mundo mais ou menos entrosado e relaxado durante o diálogo, eu não resisti…

– You see, Belle, this is not going to work. Just the other day you said it was a good idea to use that marketing strategy called “bonecão do posto” and it didn’t work!*

Todo mundo caiu na gargalhada.

* – Sabe, Belle, isso não vai funcionar. Outro dia você disse que era uma boa idéia usar aquela estratégia de marketing chamada “bonecão do posto” e não funcionou!

Oi, olha só meu gorro!

Hoje eu dormi mal, acordei cedo e passei a manhã carregando coisas para o novo apartamento. É, é que eu tou de mudança, de novo. Minha sorte é que o prédio novo tem elevador. Este, onde estou atualmente, tem nove lances de escada entre meu quarto e a garagem.

Uma dica: se você tem um monitor de computador com 17 polegadas, considere deixá-lo para o pessoal da mudança transportar pra você. Suas costas vão agradecer.

Aí, na hora do almoço encontrei com Bethania porque tínhamos duas coisas pra fazer:

1. Renovar a matrícula do curso de inglês dela
2. Comprar o único item faltante do meu vestuário para o inverno canadense – Um gorro.

Só deu tempo dela comprar um almoço em qualquer lugar e ir trabalhar, e sobrou pra mim a resolução destes dois itens.

Quando cheguei no curso de inglês, o simpático atendente me disse:

– Ué, mas o contrato de Bethania está vigente até julho do ano que vem…

Com a minha incrível perspicácia, logo percebi que eu não precisava estar ali e fui procurar o gorro. A moça da loja onde comprei os casacos, na semana passada, me deu dois cartões de visita, de lojas onde eu ia encontrar bons gorros e boas luvas. Mas as luvas eu deixei pra comprar no Canadá, se precisasse, porque já tinha um par aqui.

O combinado com Bethania era que iríamos na loja do cartão de visita, chamada Hippus, pra comprar o gorro. Entrei no Shopping 5a. Avenida e dei de cara com a Hippus.

Era uma bela loja… de produtos para hipismo.

É, isso mesmo, pra andar a cavalo. Liguei pra Bethania e concluímos que essa loja era a loja indicada pra comprar as luvas de couro, que eu não ia precisar. Minha super perspicácia me fez ver que eu estava novamente perdendo tempo e resolvi ir embora.

Até tentei procurar o gorro em outras lojas, mas só encontrei um gorro da Hawaian Dreams, com um desenho bizarro e as duas letras da marca, bem grandes: HD. Mas o “D” estava parecendo um “O”. Aí me veio a cena: eu, no Canadá, andando com um gorro escrito “HO” na cabeça, e os canadenses rolando de rir de mim por uma razão muito simples. Então resolvi me encaminhar até a saída.

Quando pulei fora da escada rolante, havia uma multidão na porta do shopping: estava caindo uma tempestade lá fora. Meu carro estava parado na rua, a uns 3 quarteirões. Saí pulando de marquise em marquise pra não me molhar (muito).

Uma destas marquises era da loja da Telemig Celular.

Enquanto eu me abrigava e procurava um novo lugar pra correr, percebi que na vitrine haviam alguns produtos de vestuário à venda… inclusive um gorro vermelho.

Me lembrei de toda a minha saga com a Oi e não tive dúvidas: virei garoto-propaganda da concorrência.

B.G. Virus

Eu e Bethania no caixa do supermercado, há menos de meia hora.

A música ambiente era Bee Gees, How Deep Is Your Love. Bethania automaticamente começa a cantar.

Olho para a fila e tem mais três pessoas cantarolando a música.

‘Cause we’re living in a world of fools…
Breaking us down…
When they all should let us be…

O pensamento que me vem à cabeça:

– Corra. É uma epidemia. RÁPIDO! SALVE-SE!!!

Genial

Cartão para preencher e entregar praquelas pessoas que gritam no celular…

Traduzindo:

Querido usuário de celular:

Nós estamos cientes de que sua conversa sobre __________ é muito importante para você, mas achamos que você gostaria de saber que nós não damos a mínima. Na verdade, sua indiferença quanto aos outros é um tanto quanto incômoda.

Feito pelos caras deste site e disponível para download em PDF. Vi o link aqui.

O Primo recomenda – Os Incríveis

Anteontem, depois de almoçar com Bethania, acabei me sentindo obrigado a fazer o que mais gosto: procrastinar. Aí fui ao cinema. E Os Incríveis me saltou aos olhos por duas razões:

1. Computação gráfica, yay!
2. Falaram bem dele em vários lugares.

Peguei uma versão dublada e na primeira sessão do dia (14h). Já estava esperando a meninada fazendo guerra de pipoca e aqueles típicos acidentes de dublagem. Não aconteceu nenhuma das duas coisas. Por sinal, não tema as versões dubladas porque achei o trabalho dos dubladores muito bom.

Saí do cinema profundamente impressionado, por vários motivos. O primeiro é o seguinte: computação gráfica tem um “lado negro” em filmes, porque acaba tirando o foco de coisas também importantes, como roteiro e personagens. Isso não aconteceu, talvez pelo fato de toda a tecnologia para produzir o visual já existir. Obviamente houve melhorias: quando o palmtop que Bob recebe dá uma “escaneada” no seu escritório para ver se o ambiente era seguro para reproduzir sua mensagem, o belíssimo efeito do brilho do laser scaneador passeando pelos móveis fez todas as minhas fibras nerds se contorcerem.

Mas me pareceu que os produtores gastaram uma parcela de tempo considerável trabalhando com o screenplay e os personagens principais, e o resultado disso é o que mais sobressai. Cada um deles parece ter sido milimetricamente planejado para refletir a família americana típica. Tem o garoto hiperativo, a filha tímida com jeitão gótico, a supermãe com quilinhos a mais na bunda e o pai que se arrasta num emprego chatérrimo por um salário ínfimo. O visual contribui: cada um dos personagens é uma caricatura ambulante, a personalidade de cada um é amplificada pelo jeitão cartunesco de cada rosto. Todas as emoções são facilmente percebidas, até melhor do que quando se usa atores de verdade. O resultado: empatia instantânea com o público.

Esse é o maior superpoder dos personagens do filme: o carisma.

Já o roteiro é bem dividido e funciona que é uma beleza: primeiro tem a clássica familiarização com os personagens, depois dá-lhe aventura, com a resolução de todos os conflitos pessoais no final de tudo. E o screenplay dá a dose certa de humor e ação no meio do caminho, além de ser recheado de referências a outros filmes, como a clássica perseguição na floresta, com veículos em altíssima velocidade, que se vê em Guerra nas Estrelas. Os próprios Incríveis são meio que uma homenagem descarada ao Quarteto Fantástico.

Mas Os Incríveis tem que ter um ponto fraco (afinal, o que seria do Super-Homem sem a kriptonita…). O único problema que vi no filme foi que ele é muito mais para adultos do que para crianças. Durante uma das cenas, lembro-me de ouví-las comentando, confusas: “Aquele ali que é o vilão”?

E o padrão Disney de filmes com moral no fim foi pras cucuias. A Pixar até tentou consertar: antes do filme eles passam um “curta metragem” sobre uma ovelhinha que é tosquiada e se sente mal por ser diferente. Aí vem um coelho e lhe instrui a não estranhar a diferença: “Não importa se sua pele é branca, negra, amarela ou rosada”, dizia ele, claramente entregando pra que o filminho se propõe. E as crianças perto de mim comentavam:

– Que coisa mais chata, passa logo o filme aê!

Em resumo: Os Incríveis é visualmente bonito, bem escrito e tem personagens supercativantes. É diversão garantida, mesmo se você for adulto e assistir uma versão dublada. Pode levar seu filho, sobrinho ou afilhado que eu recomendo, pra você e pra ele.

P.s.: Eu sempre acho umas preciosidades nos comentários dos usuários do IMDB… olha esse extremista religioso aqui, por exemplo…

P.p.s.: O Vilaça me explicou uma cena no fim do filme que eu não tinha entendido. Aparecem dois velhinhos conversando sobre a vitória dos heróis e falando: “Como nos velhos tempos”, “Assim é que era bom!” e coisas assim. Na verdade, são caricaturas de dois animadores da “velha guarda” da Disney, Ollie Johnston e Frank Thomas, e sua fala é uma homenagem bem explícita aos pioneiros da animação. Mais um ponto para a Pixar!

Playstation Police!

Tava lá a velhinha e seus três netinhos em casa. Chegam quatro ladrões apontando armas para todos.

No meio do assalto ouvem-se sirenes e gritos: “PARADOS! Vocês estão cercados! É a polícia!”.

Os ladrões entram em pânico e fogem.

Tudo normal, se o som das sirenes e a voz de prisão não tivessem vindo do Playstation dos netos, que jogavam GTA – San Andreas…

Deu até no Slashdot essa.