Posts de dezembro de 2004


Listinhas de final de ano

14 de dezembro de 2004, 9:19

Estamos em dezembro e é hora das famosas retrospectivas e listas de “melhores do ano”.

A Newsweek publicou os dez melhores (e os dez piores) filmes de 2004. Eu não assisti a nenhum dos filmes indicados como melhores. Por outro lado, eu vi quatro dos dez piores e adorei um deles, o Dogville.

Olha ele na minha lista dos melhores de 2004…

1. Encontros e Desencontros
2. Fahrenheit 11 de Setembro
3. Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças
4. Dogville
5. Kill Bill

E os meus cinco piores são esses…

1. Hellboy
2. Van Helsing
3. Garfield
4. Taxi
5. Olga

Já no ramo musical, meus TOP 5 discos de 2004 já vai muito errado. Ouvi muitas coisas novas esse ano, mas a maioria delas foi lançada anteriormente. E perdi vários lançamentos (como o Beastie Boys e o !!! (chk-chk-chk) novo).

O bom disso é que descobri várias bandas excelentes. Olha meu TOP 5 bandas descobertas este ano. Tem seis bandas mas você pode fingir que não viu:

Godspeed You! Black Emperor
The Books
Migala
The Rip Off Artist
Elefant
The Postal Service

Mas voltando ao que foi lançado só esse ano, meu TOP 5 discos de 2004 fica mais ou menos assim:

1. Misery is a Butterfly, Blonde Redhead
2. It’s all around you, Tortoise
3. Sonic Nurse, Sonic Youth
4. Together we’re heavy, The Polyphonic Spree
5. Venice, Fennesz

O mais estranho é que vários discos que estão em todos os TOPs 2004 eu ouvi e não gostei. Exemplos:

Antics, Interpol
A Grand Don’t Come For A Free, The Streets
Bows + Arrows, The Walkmen


Oi(tenta dias pra comprar um celular) – Parte final

11 de dezembro de 2004, 19:14

(Partes anteriores: Zero Um Dois Três Quatro)

No dia 21 de setembro de 2004 eu contava aqui neste blog que tinha encomendado um celular novo:

“E o escolhido foi o Nokia 6100, que me será entregue em aproximadamente 15 dias”

Não foram bem 15 dias.

Hoje, exatamente oitenta e um dias depois, eu recebi o telefone.

Oitenta e um dias… eu tinha começado a batizar esses posts de “Oitenta dias para comprar um celular” de gozação, fazendo trocadilho com o nome da Oi. Quase acertei.

Nestes oitenta e um dias eu contei, numa página do meu caderno, cada ligação que fiz para o Oi Atende…

Foram cinquenta e duas ligações.

Na semana que vem eles vão receber uma longa carta de reclamação…


The Damned Sitio Of Doom

11 de dezembro de 2004, 14:20

É o seguinte. Para o reveillon deste ano, a idéia da turma era ir para um sítio. Os sítios que a gente conhecia já estavam reservados. Aí um amigo indicou outro sítio, desconhecido, chamado Cantinho Verde, e me escalaram pra ir vê-lo.

Contactei o dono do sítio que me explicou como fazia para chegar lá. Saí hoje de manhã, apesar da chuva, e atravessei a cidade para começar o caminho que ele havia me indicado:

- Você passa o Zoológico e vira a primeira à esquerda. Aí vai seguindo as placas para a Chácara do Segismundo…

Beleza, virei depois do zoológico e dei de cara com isso:

Eu podia ir pra QUATRO direções diferentes e não havia NENHUMA placa indicando onde diabos ficava o Segismundo. Resolvi experimentar alguma das ruas. Duas acabaram em lugar nenhum, outra me levou para o meio de um bairro esquisito e, só na última, depois de muito errar, alguém me indicou um caminho onde eu encontrei as tão sonhadas plaquinhas para o Segismundo.

Isso só uns dois quilômetros depois de onde me falaram que ia ter placa.

Depois de muuuuuito rodar seguindo as plaquinhas, achei o Segismundo e continuei a seguir a indicação do dono do sítio:

- Você passa num “S” na rua Girassóis, depois vira três vezes para a direita e vai chegar na Fazenda São José…

Fiz exatamente o que ele mandou e tudo que consegui foi contornar o quarteirão e chegar ao mesmo lugar. Saí percorrendo o bairro e perguntando onde diabos ficava a Fazenda São José: ninguém conhecia.

Passei por lugares inacreditavelmente lamacentos procurando o sítio e quase atolei várias vezes. Desisti e tentei ligar para o cara novamente. Aí sim eu entendi o problema…

Isso aí em cima é o “S”da rua Girassóis, segundo ele. Na verdade, eu tinha que virar ali à esquerda e depois à direita, onde tem uma outra rua com outro nome. Depois que estava novamente no caminho certo, ele continuou falando no telefone:

- Essa rua aí, vai acabar o asfalto já já, aí você continua seguindo…

Aí o asfalto acabou e a rua dividiu em duas.

- M-mas a rua bifurcou aqui. Pra onde eu vou, esquerda ou direita?
- Não, não, segue reto.
- Mas não dá pra seguir reto.
- Mas é reto…

Depois da terceira vez tentando explicar pra ele o que tinha acontecido, eu apelei e fui pela esquerda, no chute mesmo. Dirigi uns três quilômetros na lama até chegar na parte de “virar três vezes pra direita”. A tal “Fazenda São José” que ele mencionou eu nem vi passar.

Só então consegui encontrar o sítio, depois de três horas dirigindo a esmo. Dei uma olhada, tirei umas fotos e, quando eu estava indo embora, o caseiro me perguntou:

- Vocês tão querendo o sítio pro Natal né?
- Não, pro reveillon.
- Ué… mas o reveillon já tá alugado…
- Hein?!
- É, veio um cara aí, já reservou o sítio. Achei que vocês queriam pro natal…

Liguei pro dono do sítio e ele confirmou que o sítio já estava reservado pro reveillon. Me enfiei novamente na lama, para voltar pra casa.


Chocolândia, OpenGL e POV-Ray numa mesma conversa

11 de dezembro de 2004, 9:27

Ontem, na festinha de formatura de Luiz. Ele e Maíra, uma amiga, discutiam.

Eu: Que que cês tão discutindo aí?

Maíra: É Luiz que tá achando ruim por causa dum curso que eu vou fazer na faculdade…

Luiz: É, mané fazer curso de língua indígena, maior bobagem…

Eu: Hein? Que curso?

Maíra: É um minicurso da minha disciplina de linguística (Nota: Maíra estuda Letras). A gente vai estudar “chocolândia”.

Eu: Heeeein?

Maíra: É uma língua indígena, eu não sei como pronuncia, mas sei que escreve mais ou menos assim, “chocolândia”…

Eu: Pô Luiz, mas Maíra tá certa oras. O negócio não é aprender a língua em si, mas estudar fonética, estrutura, essas coisas

Luiz: Não, isso é uma porcaria, tem dessa não.

Eu: É igual se você fosse fazer um curso de… digamos, OpenGL… Maíra, o que você tem a dizer sobre o curso de OpenGL de Luiz?

Maíra: Foda-se o OpenGL!

(risos)

Luiz: Ah, mas OpenGL você usa, pô!

Wdeson chega e faz um gesto de quem vai falar. Todos param e olham pra ele.

Wdeson: Esse OpenGL é uma bosta!

(mais risos)

Eu: Como assim Wdeson!!?

Wdeson: Outro dia eu tava lá na faculdade, fiz altas coisas lá em 3D no computador, naquele programa POV-Ray, aí na hora que eu fui renderizar deu um erro lá que precisava do OpenGL…

Eu: Ah… então foda-se o POV-Ray também.


O Primo NÃO recomenda – Irreversível

9 de dezembro de 2004, 23:48

Irreversível é “aquele com a cena do estupro da Monica Belucci”. Bom, pelo menos é o que todo mundo, inclusive a sinopse atrás do DVD, diz sobre o filme. Eu já aluguei sabendo que ia ficar ou enojado ou inalterado com a cena do estupro, conforme ela fosse bem ou mal feita.

O resultado: fiquei inalterado pela cena. Mas só porque, antes dela, teve uma outra MUITO, mas MUITO mais chocante. Não vou falar como ela é nem onde aparece. Pra não estragar a história, vou contar só uma coisa: tem um extintor de incêndio.

Depois dessa cena eu precisei parar o DVD e dar uma circulada pela casa, porque eu não estava me sentindo bem. O mal-estar foi tão grande que qualquer coisa que viesse depois ia ser fichinha – ou seja, ver o estupro não me despertou nenhum efeito. Eu já estava nauseado demais.

Teve um usuário do IMDB que resumiu o que eu achei do filme em uma frase: Irreversível não é bom nem mau mas é diferente. Mas mesmo assim eu o des-recomendo veementemente, com todas as forças. Pelas seguintes razões:

É um filme que não traz NADA de bom. Pelo contrário, ele rompe a barreira do “entretenimento” e da “representação” e consegue provocar mal-estar físico. E já bastam as agruras da vida pra nos fazerem sentir mal. Você quer pagar pra se sentir mal? Vá a um necrotério que dá no mesmo e sai de graça.
O roteiro é fraco e previsível. Os “créditos iniciais” tem TANTAS dicas pra fazer você perceber que a história vai ser contada de trás pra frente que cansa. E depois de um certo ponto do filme dá pra sacar praticamente tudo que vai acontecer. Isso sem falar nas “falas proféticas” que os personagens começam a ter. Muito bobas.

Mas sem avaliar Irreversível de uma perspectiva moral, dá pra ver certas qualidades técnicas:

Grande parte do mal estar provocado vem da música, composta por ninguém menos que Thomas Bangalter, metade do duo francês de música eletrônica Daft Punk. O último álbum da dupla, Discovery, é uma bela porcaria, mas o Sr. Bangalter fez um excelente trabalho no filme.
Ficou magnífico o trabalho de iluminação, que vai ficando diferente a medida que o filme, hã, regride.
Os efeitos especiais ficaram tão bons, mas TÃO BONS que eu caí feito um patinho. Depois da fatídica “cena do extintor” eu podia jurar que aquilo era um snuff film. Fiquei desesperado, só sosseguei depois que vi, nos extras do DVD, o making of da cena. Só aí eu, ironicamente, acreditei que não era real.

Mas, sabe o que é? Existem tantos filmes por aí que vão lhe dar uma experiência de sonoplastia excelente, iluminação perfeita e efeitos super-realistas, com um roteiro muito melhor e sem o sofrimento que Irreversível propicia. Passe longe desse filme.

P.s.: Vale uma visita na crítica do Cinema em Cena. O Pablo Vilaça deu cinco estrelas e disse que chorou no final do filme. Os leitores do site saíram comentando: “5 estrelas? Tá louco?”, “Nota 0″, “Filme horroroso”, “Dessa vez o Pablo acertou” e demais opiniões divergentes.


Um Gay Estranho no Ninho

9 de dezembro de 2004, 17:56

Apesar das férias eu tenho visto poucos filmes no meu tempo livre. Hoje aproveitei e aluguei um mais “crássico”: Um Estranho no Ninho, com Jack Nicholson, vencedor de num-sei-quantos Oscars na década de setenta.

Realmente o filme é excelente, muito bom mesmo! Só estranhei o final, mas tudo bem.

Como não podia deixar de ser, o filme teve outros destaques pra mim:

Virei fã do Scatman Crothers… cara, esse negão é muito legal. Desde O Iluminado eu já tinha adorado o jeito esquisito dele. E esse nome, “Scatman Crothers”, que que isso… acho que vou fundar um fã-clube dele no Orkut.

Tinha uma coisa me incomodando no Chief, o grande índio representado por Will Sampson. Ele parecia meio gay…

Eu até achei ele meio parecido com o Carson, o “gay da moda” de Queer Eye for the Straight Guy


Sampson Vs. Carson – Não parece muito mas eu achei que era.

O que houve com o Jack Nicholson? Nesse filme e n’O Iluminado ele esteve tão inacreditavelmente bem… não é nem a sombra da sua atuação “Rede Globo” no “Alguém tem que CD”


O Primo e o Governador

8 de dezembro de 2004, 13:37

Pois é, pra fechar o ano estive, ontem, na minha terceira reunião com o Governador (as duas anteriores podem ser lidas aqui e aqui). Dessa vez foi um super evento para mil e tantas pessoas no Palácio das Artes.

A reunião foi boa, passaram um vídeo com um monte de resultados do governo e no final o Governador fez um discurso bastante empolgado. E a imprensa lá, cobrindo tudo.

O legal disso é que eu saí na capa do Estado de Minas! Olha aí.

Err, bem, na verdade tem que ampliar um pouquinho aquela área do quadrado vermelho. Olha eu lá. Eu sou aquele monte de pixels dentro da marca amarela.

Claro que em eventos desse porte sempre rola alguma bizarrice. No final da reunião estávamos na porta do Palácio, preparando para ir embora, quando eu ouço alguém gritando atrás de nós:

- Jesus era gay!!! Madalena chegou nele e ele não fez nada!!!

Era um louco, de terno e gravata, que saia gritando e apontando pra quem saía do Palácio:

- E é tudo uma sem-vergonhice!! Culpa dessa burguesia!!! – E apontava pra nós. Depois, virava-se para a câmera da TV Assembléia, montada perto da saída, e gritava:

- Filma isso aí Rede Globo!!!

Aí fomos todos para o velho “almoço comemorativo”. Pra variar, tinha que ser um lugar grã-fino e ultracaro, tipo o Graciliano. Mas o bom foi que dessa vez eu comi mais do que nunca e, para minha surpresa, o consultor-sênior da equipe pagou a conta pra todo mundo.


Google – Debaixo do capô

7 de dezembro de 2004, 18:07

O Uêba linkou uma ótima reportagem do site ZDNet australiano. É sobre “a mágica que faz o Google funcionar“.

É uma longa leitura, mas cheia de entretenimento para os mais nerds como eu. Deu pra descobrir, por exemplo, que:

Os computadores do Google usam um sistema de arquivos próprio, chamado Google File System, ou GFS;
O Google tem mais de 30 clusters com até 2000 PCs cada que guardam quatro bilhões de páginas indexadas;
Todo o hardware por trás do Google é composto de peças “genéricas”, baratas e que falham o tempo todo. Todas estas falhas são previstas e contornadas com soluções internas de software (como espelhamento triplo de dados, por exemplo);
Desde fevereiro do ano 2000 não houve nenhuma falha total de sistema. E, pelo que eu li, nunca vai haver…


Typo

7 de dezembro de 2004, 17:27

Ah, se eu ganhasse uma moeda para cada vez que digito “hotmial” em vez de “hotmail”…


Que bela Bunda!

6 de dezembro de 2004, 22:48

Sábado passado foi o tradicional amigo oculto dos meus amigos. Tudo beleza, churrasco, piscina…

Mais tarde estávamos batendo papo na sala quando eu vejo um livrinho em cima da mesa. Seria um livreto como outro qualquer, se não fosse a palavra escrita na capa:

Fazendo minha melhor cara de WTF, abri o livro e veio o susto número 2: era um catálogo de jóias finas…

E o treco é de verdade mesmo, saca só o site da Bunda. Ah, tantas piadas possíveis com esse nome… tipo, “uau, bonita a Bunda da sua mulher”, ou “nunca paguei tanto por uma Bunda”…


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