Tudo acaba em pagode

Hoje o dia de trabalho foi uma bela duma porcaria. Nada deu certo.

Pra piorar, enquanto eu dirigia de volta pra casa, meus colegas de trabalho cismaram de relembrar os sucessos de pagode da década de 90.

Cola seu rosto no meeeeeeeeeeu…
Chega mais perto de miiiiiiiiiiiiiiim…

Melodias

Hoje ouvi Time Bomb, do Rancid, no rádio…

Falando nisso, desenvolvi uma habilidade ninja para mudar de rádio, em apenas uma fração de segundo, assim que começa a tocar alguma música do U2. Depois que meus colegas de casa tocaram e repetiram exaustivamente o CD novo do U2 no carro, fiquei com ódio mortal dessa maldita banda irlandesa.

Mais rádio: os artistas canadenses, por serem canadenses, toda hora estão tocando: Rush, Alanis Morrissette, Avril Lavigne

Já o Queens of the Stone Age não é canadense, mas a boa Little Sister também toca direto. Está no topo da parada semanal da The Edge.

Sabe o CD novo dos Chemical Brothers, o Push The Button, aquele que eu detestava, depois ouvi e comecei a gostar? Agora eu ouço todo dia.

É uma vergonha, mas o máximo de música brasileira que tenho ouvido são os sets mixados pelo casal de DJs paulistanos, o Pet Duo, quando estou fazendo cooper. Bom, tecnicamente não é música brasileira porque eles estão é tocando hard techno de produtores gringos…

Na saída da academia o som ambiente tocava Ramones, Rock’n Roll High School. Fiquei sem saber se ficava feliz ou triste.

Só agora eu descobri que o líquido azul que eu estava jogando na máquina de lavar não era amaciante, e sim detergente. Bem que eu notei que minhas roupas andavam muito amarrotadas…

Ah, e o que isso tem a ver com música? Nada.

This is static

Com o passar dos meses desenvolvi um trauma aqui. Agora tenho medo de… maçanetas.

É que quando eu vou entrar em algum lugar eu SEMPRE levo um choque na maçaneta por causa do ar seco e da eletricidade estática. Sempre.

Orgulho ferido: ontem tentei usar meu cartão de débito no supermercado e… não consegui. E não era problema no cartão.

Em compensação, comprei uma caixa de Cheerios tamanho família: 1,3 kg. Eu adoro esse país…

Hoje estávamos eu, meu notebook e uma mexerica em cima da mesa. A mexerica eu peguei lá em casa pra comer aqui no trabalho.

Um colega canadense, chamado Moe, entrou na minha sala e, sem dizer uma palavra, pegou a mexerica, esfregou no seu saco e colocou de volta na mesa. Depois, saiu rindo.

O que diabos há de errado com esse país?!?

Easter Sunday

Ontem o domingo de páscoa não foi nada mais do que um domingo normal. Sem ovos de chocolate, sem nada.

Acordei e fiquei vendo TV de manhã. Depois saí com o pessoal, almoçamos no Applebee’s e fomos ao cinema assistir Hitch. Não achei o filme tão ruim quanto o Vilaça achou, mas obviamente não é um filme, assim, bom. Deu pra dar umas risadas, apenas.

No fim do dia os colegas que estavam viajando começaram a chegar. Conversamos um pouquinho, depois fui dormir.

Fim.

Hallelujah Saturday

Meu sábado de aleluia começou com um passeio de bicicleta. Fiquei umas 2 horas pedalando e tirando fotos do Lago Ontario, das árvores, das gaivotas e do gerador eólico que tem aqui perto. No final, acabei dando de cara com uma parada na rua, com escoceses e gaitas de fole, bandinhas de escola e pessoas vestidas de coelhinho da páscoa. Não entendi nada.

Além disso, levei um susto: da beirada do Lago Ontario eu conseguia ver a CN Tower, em Toronto… a 40 quilômetros de onde eu estava.


Minha vista da CN Tower

Eu estava na setinha azul

Depois, voltei pra casa e almocei assistindo as quartas de final do mundial feminino de… curling. O pior foi que eu dei uma olhada na internet e aprendi as regras desse esporte bizarro. O time canadense perdeu feio para a Noruega e está fora do campeonato.

Mais tarde peguei o trem para Toronto. Descobri que a avenida Kensington é o point bizarro/underground/alternativo da cidade, com brechós e livrarias alternativas cheias de zines. E achei também, na chinatown canadense, o lugar perfeito pra quem quer se dar mal cortando o cabelo…

The Passion of the Waterloo

Sexta-feira da paixão, feriadão à vista.

Alguns dos meus colegas acordaram cedo, pegaram um dos carros e foram para Nova Iorque. Eu acordei, bati a cabeça na parede trinta vezes, repetindo “eu vou obter um visto americano assim que voltar ao Brasil”, depois saí com o pessoal para uma cidadezinha próxima chamada Kitchener, para passear na… Universidade de Waterloo.

Acabou que foi divertido. O campus é enorme e muuuito bem equipado, como tudo aqui no Canadá. No prédio de ciências naturais, por exemplo, o saguão que levava até as salas de aula parecia um museu, com minerais, fósseis e até a cabeça de um tiranossauro rex.

Também vimos uns bichos na parte da agronomia. Concluí que eu realmente sou um nerd; vi uma lhama e a primeira coisa que me veio na cabeça foi: Winamp.

Depois fomos almoçar no Mongolian Grill. O lugar é excelente: você enche uma tigela com carnes e massas ainda crus, tempera à gosto e entrega para o pessoal da grelha, que fazem sua comida na hora. É como se você escolhesse os ingredientes da sua própria comida chinesa. Comi três tigelas…

Mudando de assunto: recebi notícias do Brasil e confirmei que o meu Gambiarra Sound System funciona mesmo. Entraram no meu prédio e roubaram dois sons de dois carros. O meu ficou, obviamente, ileso.

The Birthday Party

Ontem de noite fomos parar numa festa de aniversário de uma colega de trabalho de uma de nossas colegas de trabalho.

Depois de chegar e cumprimentar a aniversariante, fomos até o balcão onde estavam servindo as bebidas. No balcão havia um senhor que, logo que nos viu, já foi logo se animando:

– Brasileiros! Adoro brasileiros! Tem uma coisa pra vocês aqui…

E, para nosso espanto, sacou do meio das bebidas uma garrafa de cachaça, separou alguns daqueles copos descartáveis vermelhos típicos de festa norte-americana e começou a preparar… caipirinhas.

A cultura canadense para eventos sociais é curiosa. A festa esteve bem animada, mas as pessoas comportam-se de forma mais polida. Apesar das bebidas ninguém sai dando uma de bebum, conversando alto e fazendo zona.

Também confirmei o que eu temia: os canadenses realmente não sabem dançar. Eu sentia pena das “tias” rebolando assincronamente e mexendo os braços sem a menor correspondência com a música que tocava. E tinha horas que o DJ (sim, tinha um DJ na festa) colocava música lenta, e sempre tinha um casal que, em vez de ficar só agarradinho, saía como se estivesse dançando uma valsa…

O parabéns é como se vê nos filmes: ninguém bate palmas enquanto não termina o “happy birthday to you”, e o aniversariante faz o clássico pedido e depois sopra as velinhas. No entanto, como no Brasil, sempre tem aquela onda de gente que vai embora logo depois do parabéns. Além do bolo, as comidas eram bem chiques: foram servidos frios, pães e frutas. Tinha até um arroz temperado.

O pessoal era muito amistoso e várias vezes vinha gente para puxar papo conosco. Dois desses momentos foram muito engraçados: num deles, o tio da caipirinha, já meio de pileque, sentou na nossa mesa e jurava de pé junto que ele era russo:

– Mas isso é impossível! – retrucava uma colega nossa – Onde você nasceu na Rússia?
– Em Leningrado!
– Não pode ser, aposto que você tá mentindo!
– Não tou não, pode acreditar.
– Ah é? Então me fale alguma palavra em russo…

O cara pensou por dois segundos e, de repente, gritou:

– VODKA!!!!

Depois de muita risada, ele saiu e um outro sentou-se conosco. Papo vai, papo vem, um colega perguntou pra ele onde ele trabalhava…

– Eu trabalho na usina nuclear… igual o Homer Simpson!

A primavera está atrasada

Fui enganado com esse papo de “a primavera chegou”…

Ontem fez frio e nevou de novo. Hoje de manhã, nos “talk shows” da TV, os apresentadores tentavam animar o público: “Tá quase! O inverno tá quase acabando! Já já essa neve some…”

Sozinho no trabalho de novo. Hoje é dia de headphones…

Blonde Redhead – Melody of Certain Damaged Lemons: Muito bom esse disco, bonito e bem arranjado, como todos do Blonde Redhead.

The Books – Thought for Food: Geniais esses caras. Esse é o disco mais criativo dos últimos tempos.

The Chemical Brothers – Push the button: Eu tava meio chateado com a performance dos Brothers até esse disco. Tirando as partes realmente chatas (tipo a faixa “left right”), estou, lentamente, começando a gostar dele.

Air – Talkie Walkie: Bom disco, perfeito pra ouvir no trabalho. Destaque para aqueles momentos do refrão da faixa “Run”, onde o vocal repete “run run run run” indefinidamente, com um vocal etéreo ao fundo. É lindo.

Do Make Say Think – & Yet & Yet : Outro instrumental ótimo pra ouvir no trabalho.

Akufen – Fabric 17: Na verdade “Fabric” é o nome de um club que lançou o álbum, que é (muito bem) mixado pelo Akufen. Por sinal, prefiro Akufen como DJ do que como produtor…

Springtime

E a primavera chegou aqui nesse país gelado. A neve está quase toda derretida, os gansos estão todos voltando de viagem da Flórida e os passarinhos, do nada, voltaram a cantar pela manhã.

Além do mais, já posso iniciar um personal calor record: ontem, meio-dia, fez cinco graus positivos.

Descobri que há algo pior do que trabalhar com macros de Excel: trabalhar com macros de Excel feitas por pessoas que batizam suas variáveis de aux1, aux2, aux3, count1, count2

A morte de Tony Hawk

Pensamento de ontem na hora do almoço: “Love handles… love handles… putz, isso dá um belo nome de música…”

Logo que cheguei em casa, liguei a TV e assisti os 10 minutos finais de “Streetcar”, um curta-metragem de dança com um artista chamado Peter Chin. É basicamente um número de dança dentro de um streetcar. Maravilhoso. Fiquei hipnotizado. Pena não ter informação nenhuma sobre esse curta na internet.

Mais TV: mudei o canal e levei um susto ao dar de cara com uma foto do supercampeão de skate, Tony Hawk… morto!

Era um episódio de C.S.I. Miami sobre o assassinato de um skatista que fazia motion capture numa software house.