Shutter Bug

E dá-lhe foto. Acho que minha Olympus C740-UZ nunca trabalhou tanto, coitada.

Esplanade Bier Market, o lugar com cervejas de todas as partes do mundo (menos do Brasil)
Na lateral do prédio dos estúdios da CityTV tem uma surpresa
Passei na porta do Hockey Hall of Fame, provável lugar de inspiração para Hannibal Lecter.
Música do Kraftwerk: Neon lights… shimmering neon lights…
A entrada do Royal Ontario Museum
Voltando do Pacific Mall outro dia, e o céu me fica assim.
Show de luzes da Guvernment. Ah, se o DJ fosse tão legal quanto os lasers…

Não quente

Ontem à noite, eu e Bethania passávamos de carro na DVP.

Olhei pro lado. No carro à minha esquerda havia uma mulher no banco do passageiro. Ela estava olhando pra mim, rindo e segurando um bloco de notas aberto contra o vidro. No papel, estava escrito:

U R NOT HOT

Que significa “you are not hot” que significa “você não é gostoso”.

Abri o vidro e gritei:

– Well, but I got a girlfriend anyway! (Mas mesmo assim eu tenho namorada!)

Chalé Suíço

Tem uma rede de restaurantes aqui no Canadá chamada Swiss Chalet. Dois acontecimentos em dois deles:

Toronto, Bloor Street. Eu e Bethania entramos no restaurante e uma garçonete veio falar conosco:

– Good night, table for two?
– Yes, pl…
– Follow me please…

Uma senhora, provavelmente latina (percebi pelo sotaque) nos atendeu. Trouxe o pedido todo errado. Virei pra ela pra explicar o problema:

– Excuse me, but this meal here…
– Oh, do you want the rrrrrrice? – cortou ela, sarcástica e arranhando os “erres”.
– Yes, but I…
– I can brrrring you the rrrrrrice…

Whitby, Consumers Drive. Aniversário de um colega de trabalho.

No finalzinho do almoço, todas as garçonetes vieram em grupo até a nossa mesa, batendo palmas e segurando uma fatia de torta com uma vela em cima. De repente, todas elas começam a cantar em estilo militar: sabe quando o pelotão está fazendo cooper, o sargento diz uma frase, depois todo mundo repete?

E a letra era essa:

I don’t know but I’ve been told!
Someone here is getting old!
It is someone’s special day!
Greetings from the Swiss Chalet!

Sobre o clima

Tou aqui ouvindo o pessoal chegar no escritório:

– Olá fulano, como foi o fim de semana?
– Foi molhado…

Sai a neve, vem a chuva: começou sexta à noite e a previsão é que ela vá até terça. Que beleza viu…

Sábado

Durante o dia fomos tomar chuva em Toronto: deixamos o carro num estacionamento e compramos um passe do metrô para perambular pela cidade. Passamos a tarde no Royal Ontario Museum. O museu é enorme, são três andares de exposições variadas: dinossauros, coisas egípcias (incluindo uma múmia de verdade), artefatos greco-romanos, história natural e mais uma pá de coisa.

À noite fomos ao Esplanade Bier Market, um lugar especializado em cervejas. O menu tinha cerveja de dezenas de países… mas nenhuma brasileira. O garçom passou e perguntamos o porquê. A resposta dele:

– É porque não existe cerveja brasileira boa.

Depois disso eu teria me levantado e ido embora na mesma hora. Mas éramos muitos e o pessoal acabou ficando.

Tinha música ao vivo: uma bandinha-padrão tocava um pop-padrão para uma platéia animada que se espremia em frente ao palco. Acabei sendo arrastado pra lá e fiquei tempo suficiente pra ver algumas bizarrices:

Tinha um cara peidando no meio do público. Volta e meia formava-se uma rodinha vazia em meio à multidão por causa das bufas que o cara soltava.

Um outro mané estava dançando com um óculos estilo Elvis… com costeletas postiças penduradas nas hastes do óculos.

Quase no fim do show fiquei surpreso ao ver uma cena genuinamente brasileira: uma senhora, gorducha, vendendo rosas no meio da multidão. Fiquei ainda mais surpreso quando a véia foi para a frente do palco e começou a tirar a roupa. Bem, na verdade ela só tirou as duas blusas de frio que usava e depois ficou levantando uma das duas saias para a vocalista. Medo.

Quando o show acabou, a vontade de dançar do pessoal ainda não tinha passado, então acabamos indo mais uma vez (a anterior tá aqui) na Guvernment. Bethania entrou e ficou uns 10 minutos embasbacada com o lugar, as luzes e as drog… digo, a animação do pessoal.

Dessa vez o som estava mais pro lado do trance, o que automaticamente significa que de cinco em cinco minutos vai ter um break no meio da música. Só que o DJ da noite se empolgou demais e a cada break ele cismava de fazer alguma coisa: fazia uns scratches estranhos, parava a música por completo pro público ficar gritando… até que ele entrou numa egotrip e ficou DEZ MINUTOS com o som parado, fazendo apenas uns barulhos medonhos com o sampler. DEZ MINUTOS de “Bzzzz!! Bzzzzzzzzzzzzz! Bzzz! Bzz!”.

Ficamos pouco mais de uma hora lá dentro e fomos embora.

Domingo

A programação original do domingo incluía um passeio em Toronto Island e, depois, um joguinho de baseball no Rogers Centre, com os ingressos gratuitos que eu havia ganhado.

Deu tudo errado: a chuva não deixou irmos em Toronto Island. E quanto ao jogo de baseball… bem, eu confundi o horário: achei que era às seis e descobri às três que o jogo era uma da tarde.

Só deu pra almoçar e ir no Pacific Mall para um momento muamba. Meu pai havia pedido uma câmera digital e acabei comprando uma uma Fuji A345. É uma câmera point-and-shoot, sem firulas avançadas pra confundir os usuários mais básicos, mas com qualidade de gente grande: 4.1 megapixels, zoom ótico de 3x, etc. Perfeita.

Duas línguas

A coisa mais comum entre nós, consultores, longe do Brasil e morando juntos, é que depois de um tempo a gente passa a misturar as línguas.

Não, não estou me referindo a nenhuma safadeza. Estou falando de misturar inglês com português…

Por exemplo: No carro, voltando da academia, os papos são mais ou menos assim:

– Mas e aí, cê fez os gráficos ontem lá no serviço?
– Pois é, fiz tudo e mandei pro Stephen, logo depois ele me ligou falando: “You cannot put it like this”, and I was like: Who does he think he is to talk to me like that?
– Oh, he’s such a jerk…
– Pois é…

Algumas palavras do inglês já viraram até verbo aportuguesado: “Sharear”, por exemplo, é o ato de “share” (compartilhar) alguma coisa: “Ei, depois você shareia essas fotos na rede pra nós?”

E pra completar, acabo de receber a seguinte frase no meu email:

Ok, apenas let me know quando updatar…

Polvos malucos e estúdios de TV

Hoje foi dia de passear com Bethania em Toronto, de novo. Passamos na parte chinesa da cidade pra olhar um pacote turístico.

Aproveitei pra fotografar esse bicho estranho, que é servido num restaurante vietnamita. Da primeira vez que vi, achei que aquilo ali era um dos bichos do Half-Life…

Depois ficamos zanzando pela cidade e achamos o prédio do canal CityTV, que transmite o Breakfast Television. É aquele programa matinal que eu citei no post passado. Bastou um pouquinho de cara-de-pau e deu até pra entrar no estúdio e tirar fotos.


Cena de um dos programas


…e nós no estúdio!

Spam is the new art

Ai meu saquinho… estou recebendo SPAM-ART agora…

Alguém processa esses caras, por favor…

Outro dia me chamaram aqui no serviço:

– Hey, brother from other mother!

Nossa casa aqui no Canadá já tem uma certa rotina televisiva. Entre nossos programas de TV favoritos estão:

Pimp My Ride, que passa no Much Music, a MTV canadense. O rapper XZibit pega um carro véio de um moleque qualquer aí, leva numa oficina e reforma o carro todinho de uma forma, hã, boyzada. Afinal, não sei de tradução melhor para pimp do que boyzar.

CSI, o primeirão mesmo, em Las Vegas. Por sinal, foi com o closed caption da TV que descobrimos que o tema de abertura tem até letra: “Whoooooooo are you…”

– Breakfast Television, programinha matinal de notícias e variedades apresentado por um casal de jornalistas. Esse é de lei: toda manhã, na hora do café, mesmo que ninguém esteja vendo, a TV tem que estar ligada no BT. A diversão mesmo é ficar vendo os sem-teto zoando o programa, já que o estúdio tem uma janela enorme que dá pra rua.

Hoje de manhã tinha um doidão com gorro de papai-noel pulando pela calçada…

Em tempos de papa alemão, nada como uma igreja feita de lego. Amém.

Curtinhas

Yippie!! Tem show do Autechre em Toronto no dia 11 de maio! É numa quarta-feira, mas eu vou de qualquer jeito.

Hoje é terça, dia de Feedback Monitor na CIUT. Hoje teve participação especial da cantora Laurel MacDonald. Ouvi Nenia Sirenes, primeira faixa do disco dela intitulado Luscinia’s Lullaby.

Nenia Sirenes foi escrita originalmente por Philip Strong usando restos de gravação da voz de Laurel, originalmente destinadas a outros projetos. Basicamente ele picotou a voz dela e montou a faixa. Laurel gostou tanto do resultado que regravou, com vocais reais, o que Philip montou com vocais sintéticos. O resultado é um ambient vocal belíssimo. Você consegue ouvir um trecho da música aqui.

Hoje eu e Bethania fomos no Harbourfront Centre, meio que o Palácio das Artes de Toronto.

Gostei de ver a exposição chamada Average Pictures, de Scott Conarroe. O cara leva sua máquina pra um lugar e deixa o filme exposto por um amanhecer (ou um anoitecer) inteirinho. O resultado são paisagens urbanas desertas e bonitas.

Falando em paisagens urbanas, há tempos eu queria tirar esta foto em Toronto

Começa aqui

Mais um comentário sobre a competência do marketing canadense.

Tem uma cerveja chamada Molson Canadian. O anúncio na TV (sem link para download, sorry) é todo filmado em “primeira pessoa”, e é basicamente uma sequência de cenas curtinhas: um amigo bate na porta da sua casa e te fala todo animado: “Vambora! Pega seu casaco!”, depois aparece outro na porta da sua casa, porta-malas do carro aberto, gritando “Vai fazendo as malas ae!”, depois um outro amigo com um par de ingressos na mão, dizendo “nem pergunte como, nem por quê!”, e por aí vai.

Depois vem várias cenas curtinhas de mulheres bonitas, uma esquiando, outra no avião, outra num restaurante, todas apresentando-se: “Eu sou a Beth”, corta a cena, “Me chamo Daisy”, corta a cena. A música de fundo é o crescendo dos primeiros minutos de “Right here, Right now”, do Fatboy Slim, tudo para favorecer o clima de “vem algo bom por aí”.

Depois vem o slogan: It starts here (começa aqui). E a música entra na sua parte mais agitada.

Basicamente, os caras vincularam a cerveja como o ponto de partida pra a diversão, e ainda alimentaram as fantasias amorosas dos zilhões de canadenses que acabaram tendo a impressão de que as mulheres estavam falando diretamente com eles, graças à câmera em primeira pessoa. Tudo isso sem ofender a inteligência de quem vê, coisa que infelizmente acontece nas propagandas brasileiras.

Hoje no trabalho eu fui pegar um café e vi, no jornal sobre a mesa, uma reportagem sobre esta nova campanha da Molson. Fiquei surpreso ao ver que o tom da reportagem era de incerteza quanto ao sucesso dela frente à campanha anterior, que havia sido um arraso, ficado famosíssima, gerado fãs por todo o país. O texto do comercial anterior havia sido impresso em camisetas, recitado em coro por torcedores antes dos jogos de hóquei, etc.

A campanha era intitulada “I am canadian”. Vi o vídeo e tive que concordar. Se eu fosse canadense, sairia de casa pra comprar cerveja na mesma hora.

E tome foto

Porque aqui no primo é assim: numa semana não tem foto nenhuma. Na outra tem milhares.

Certifique-se de ter clicado em cada um dos links deste post. Modéstia à parte, as fotos estão boas…

Sexta

À noite, eu e Bethania começamos o fim de semana enrolando brigadeiro para a festa-surpresa de aniversário para um de nossos housemates. Fizemos uma bagunça no carpete do quarto, já que, pela surpresa, não dava pra usar a cozinha.

Depois era hora de sair. O plano era tentar, novamente, achar um bar de jazz. Mas não foi dessa vez…

Acabamos indo parar num restaurante vizinho, chamado Red Violin, especializado em coisas latinas, inclusive rodízio à brasileira. Na entrada, a funcionária perguntou:

– Oh, are you brazilians?
– Yes – dissemos nós.
– I know some words… bom dia, boa tarde, obrigado, calaboca…

O lugar estava fechando e só deu tempo de ver um pouquinho da banda que tocava salsa e de rir de um cara, de terno e gravata, que insistia em dançar como um epilético.

Sábado

O sábado marcou o início oficial da maratona pelas atrações turísticas oficiais de Toronto. A primeira delas foi a Casa Loma, um castelo que pertenceu a um tal Henry Pellatt, comerciante ricaço do início do século. O coitado do Henry acabou falindo e a casa foi vendida a preço de banana.

O que eu gostei mesmo na Casa Loma foram duas coisas:

O órgão Wurlitzer. O diabo do órgão é a vapor, mas tem timbres de piano, xilofone, celesta, um kit completo de percussão e efeitos sonoros, totalizando 18 instrumentos diferentes.

O guia turístico eletrônico. Você entra num dos quartos e vê uma plaquinha com um número. Aí é só discar o número no aparelho que uma simpática voz de guia turística lhe fala alguma coisa sobre o local.

Ah, e a piada da vez era que o Sir Henry Pellatt construiu a casa naquele local só pra ter uma boa vista da CN Tower

Falando em CN Tower, foi pra lá que nós fomos depois. Trocadilhos à parte, foi o maior passeio que fizemos até agora aqui no Canadá. A vista lá de cima é simplesmente espetacular.

Ainda fomos ver o famoso “chão de vidro”, a 342 metros de altura. Era muito engraçado ver as pessoas andando pelo chão, medrosas, ou ver todo mundo sair correndo quando alguém resolvia começar a pular…

Pra tornar tudo ainda mais bonito, subimos até o SkyPod, o ponto “habitável” mais alto da torre, a 447 metros do chão. E, de lá, ficamos vendo o pôr-do-sol e a cidade anoitecendo (mais fotos aqui, aqui, aqui, aqui e aqui)

E na saída da CN Tower eu vi esta propaganda, simplesmente genial, do Royal Ontario Museum. É sobre uma exposição chamada “dinossauros com penas e a origem do vôo”. Volta e meia eu levo um susto com a competência do marketing aqui no Canadá.

Depois voltamos pra casa para a festa de aniversário-surpresa, com direito a velinhas, balões, brigadeiro e conversa fiada até de madrugada.

Domingo

Continuando a maratona de atrações turísticas, fomos ao Toronto Zoo, pra matar a vontade que Bethania tinha de conhecer um urso polar. O zoológico é enorme: não deu pra andar nem metade dele porque também queríamos ir no Ontario Science Centre.

O passeio no OSC também foi bastante divertido, porque as experiências são bastante interativas: muitos botões pra apertar, coisas pra ler, vídeos pra ver. Até entramos na fila do gerador de Van Der Graaf pra tirar uma foto com o cabelo arrepiado. Mico total: além de nós, só tinha criança na fila…

Depois de passar pelo zoológico e pelo OSC, deu pra perceber que os canadenses tem uma preocupação crescente com o futuro: a preocupação evidente da administração do OSC é que as crianças que visitam o lugar tenham uma experiência divertidíssima com a ciência, pra que possam vir a se tornar os cientistas de amanhã.