Posts de abril de 2005


Gerais

15 de abril de 2005, 18:57

Ultimamente estou com abundância de falta de tempo. Vamos a um resumo dos últimos dias…

Meu pique deu uma mudada drástica na última semana: estou acordando cansado e ficando com sono o dia todo. Estou desconfiado da minha alimentação diária, bem pouco nutritiva. Comprei umas pílulas daquelas de suplemento vitaminico e comecei a tomar. Vamos ver…

Me dei bem, já tenho data marcada para ir ao antigo SkyDome, hoje Rogers Centre, famoso estádio de baseball da cidade de Toronto. Ganhei dois pares de ingressos para uns jogos do Blue Jays, que valem CDN$ 200 no total. Presente do nosso cliente…

Na quinta comi pita no almoço. Pita é um “enrolado indiano”: basicamente, alface, tomate, temperos e uma carne, tudo enrolado em um pão sírio. Assim.

Notei que o cara que estava na chapa, preparando os pitas, não usava luvas. O cara jogou os ingredientes na chapa, salpicou uma cebolinha por cima e depois tossiu, cobrindo educadamente a sua boca com a mesma mão que usou pra mexer nos ingredientes.

Fazer o quê, tive que comer o pita todo depois. Tudo pelas vitaminas.

Depois o pessoal daqui quis passar no supermercado pra comprar bombons importados do… Brasil. Confesso que fiquei até orgulhoso de ver a prateleira cheia de Serenata de Amor

Aí hoje eu estava almoçando com o pessoal daqui, sossegadamente, quando um deles quase me mata de susto:

- Mas e o seu BLOG hein?

Depois tive que ficar ouvindo todo tipo de piada gay só porque eu tenho um blog. Aparentemente, ter um blog é mais uma daquelas coisas comuns que as cabeças maliciosas acabam considerando viadagem, como por exemplo fazer ginástica olímpica ou cantar num coral…

Sabe aquelas fotos todas que eu estava devendo? TOMA!

- Neve na estrada. Bethania que bateu essa foto, ficou excelente.

- Mini-estúdio da rádio Q107 transmitindo de dentro do Hard Rock Cafe de Toronto.

- A Universidade de Toronto é tão fotogênica

- Menino no balanço, aproveitando o clima ótimo de ultimamente.

- Eu, usando a máquina do estacionamento rotativo daqui. Funciona assim: a máquina, que é alimentada por energia solar, recebe o pagamento via moedas, notas ou até cartão de crédito. Você paga apenas o tempo que vai usar o estacionamento, de cinco minutos a algumas horas, e imprime um tíquete para colocar no painel do carro.

- Foto-padrão das Cataratas do Niágara. Fico pensando quantas centenas de milhares de fotos exatamente iguais à minha existem por aí.

- Torre externa do Niagara Casino. Como expliquei, fotos lá dentro, nem pensar.

- Dundas Square, na rua Dundas com Yonge, em Toronto. Lembra a Times Square.

- Eu com cara de bobo olhando o “binóculo 3D / Menu de sobremesa” do East Side Mario’s.


The kind of lyrics that goes boom

13 de abril de 2005, 10:35

Meu inglês tem melhorado bastante por aqui. Ontem descobri o lado ruim disso…

Tava ouvindo rádio e começou a tocar um desses tech-house de boate. Era um tuntistum básico mas muito bem produzido. Aí veio um vocal feminino. Comecei a prestar atenção na letra e…

I like fast cars…
The kind of car that goes “boom”…
I want to ride a fast car…
Do ya have a fast car?
I like fast cars…
The kind of car that goes “boom”…

Tradução básica: “Eu gosto de carros velozes, aqueles carros que fazem ‘bum’. Eu quero dirigir um carro veloz. Você tem um carro veloz? Eu gosto de carros velozes…”

E a diaba da mulher repetiu isso até a música acabar…

Hoje de manhã meus colegas estavam ouvindo uma Shania Twain da vida e a letra também me deixou impressionado:

She’s a geologist–a romance novelist
(…)
She’s not just a pretty face
She’s got everything it takes

“Ela é geóloga, escritora de romances/ela não é só um rostinho bonito/ela tem tudo que é preciso”. Uau. É bom o Charlie Brown Jr. ficar esperto porque está prestes a perder o trono das piores letras de música do mundo…


Radio Activity

13 de abril de 2005, 0:23

Parece que minha terça-feira começou a ficar interessante só no fim do dia…

Depois do trabalho encontrei com Bethania em Toronto. Ficamos andando de bobeira lá pelos lados da Victoria University e tirando fotos.

Na volta pra casa, sintonizei no melhor programa de rádio do mundo: Feedback Monitor, que toca na CIUT das 11 à meia noite (horário brasileiro), toda terça.

O Feedback Monitor toca o que há de mais fino (e obscuro) em termos de música eletrônica e experimental; justamente o que eu mais amo. Você pode ouvir pela internet no site da rádio.

Razões pelas quais o Feedback Monitor é o melhor programa de rádio do mundo:

Ele toca na CIUT, que é a rádio comunitária da Universidade de Toronto…
… o que significa que NÃO TEM COMERCIAIS durante o programa.
O apresentador, Greg Clow, sempre faz uma introduçãozinha sobre cada faixa antes de tocar, então você tem a chance de saber direito o que está ouvindo.
Mesmo assim, se tudo o mais falhar, no site do programa tem o playlist de TODOS os programas já transmitidos…
… coisa que é altamente necessária, já que na maior parte das vezes vai estar tocando uma coisa tão bizarra e desconhecida que você provavelmente nunca mais vai ouvir em lugar nenhum. E é por isso que o Feedback Monitor é um programa único.

Aí veio o susto na estrada: todas as placas eletrônicas, que normalmente dão informações sobre o tráfego, diziam:

AMBER ALERT – PLEASE TUNE INTO LOCAL RADIO STATION

Apertando a tecla SAP: “Alerta âmbar – Por favor, sintonize uma estação de rádio local”. Fiquei sem entender, mas a primeira coisa que pensei foi na usina nuclear que fica a 1 quilômetro da minha casa…

Assustado, dei uma percorrida no rádio e, ironicamente, todas as estações estavam tocando música. Digo “ironicamente” porque, normalmente, tem muito mais conversa fiada do que música no rádio. Como o trânsito fluía normal e as luzes dos postes pareciam inalteradas, resolvi despreocupar e continuar ouvindo o Feedback Monitor.

Só agora, chegando em casa, que descobri o que é o “Amber Alert”. Pelo que entendi no site da CBC, o Amber Alert é “uma estratégia de resposta rápida onde a descrição de vítimas e suspeitos de rapto de crianças são transmitidos pelo rádio, TV e sinalização eletrônica das auto-estradas, minutos depois do crime acontecer”.

Amber, na verdade, é o nome de uma menina de nove anos, raptada e morta no Texas em 1996.

E a cada dia que passa eu me impressiono um pouco mais com o Canadá.


Relatório

12 de abril de 2005, 0:50

Prezados leitores,

Segue anexo o relatório do fim de semana.

P.s.: Continuo devendo as fotos, pois ficaram na câmera e a câmera ficou com Bethania, em Toronto…

Sábado

Depois de acordar meio tarde, fomos todos dar um passeio pela Swan’s Bay, aquela que eu vivo indo de bicicleta.

Agora que a primavera realmente chegou, parece que estamos em outro país: as pessoas voltaram a sair na rua. Como o dia era de sol e de agradáveis 10 graus positivos, não precisamos nem de jaqueta pra ficar ao ar livre.

O almoço foi no East Side Mario’s. Comemos uma massa e, quando eu ia ver as sobremesas, um dos meus colegas disse:

- Peraí. Deixa eu pegar o menu de sobremesas pra você.
- Mas tem sobremesa aqui nesse menu, ó…
- Sim, mas espera só um pouco…

Pouco depois a garçonete nos trouxe o menu 3D de sobremesas… era um brinquedinho como esse aqui, onde você via as opções de sobremesa, em 3D, enquanto seus colegas fazem piada com a sua cara de bobo.

Acabei escolhendo uma taça enorme de sorvete com brownies. É engraçado, aqui no Canadá as sobremesas são pequenas no menu e enormes na realidade. No Brasil é o contrário: as coisas parecem enormes no menu e, quando você pede…

Depois demos uma voltinha pelo Pickering Mall, depois no Best Buy (um colega queria comprar um cartão de memória para o palmtop) e voltamos pra casa. O plano era sair à noite, ir novamente no Madison, mas acabei indo dormir.

Domingo

Eu e Bethania acordamos mais cedo e fomos ao supermercado, comprar coisinhas pra fazer um café-da-manhã reforçado. O menu da manhã foi:

Suco de uva verde (muito bom isso!)
Morangos
Canapés quentinhos, dourados no forno
The Damned Cookies of Doom: Biscoitos com gotas de chocolate (tipo esses) que são tão gostosos que ganharam esse apelido.

Depois, pegamos o carro e fomos para Niagara Falls, o lugar onde ficam aquelas cataratas que o Pica-Pau desceu num barril. Muito bonitas, elas. Eu e Bethania passamos a tarde tirando fotos e procurando o resto do pessoal: é que, logo que chegamos, nós dois nos separamos do grupo por 10 minutos pra tirar umas fotos e, quando voltamos, eles tinham sumido. Não foi nada agradável ficar perambulando por horas atrás deles…

Depois de encontrar todo mundo almoçamos e fomos ao Niagara Casino, que acabou sendo tão interessante quanto as cataratas…

É engraçado ver cassinos em filmes e, depois, na vida real. Logo que entramos, Bethania até falou comigo:

- Olha Zé… isso existe mesmo!

Realmente, o cassino é um lugar que faz tudo pra parecer meio mágico: o sonho do dinheiro fácil, as luzes e os jackpots piscando e o barulho das máquinas, é tudo meio que uma lavagem cerebral.

Eu e Bethania compramos cinco dólares de fichas e jogamos um pouco nos caça-níqueis. Deu pra entender facilmente porque existe tanta gente viciada em jogo: o tempo entre cada vez que você ganha é exatamente o tempo que leva pra você começar a cansar de perder dinheiro. Mesmo que seja um prêmio pequeno, tipo, duas moedas, é o suficiente pra te dar vontade de tentar ganhar mais.

O público dominante no cassino era, de longe, o de aposentados. Inúmeras velhinhas sentavam-se, hipnotizadas, repetindo o movimento de inserir a moeda e pressionar o botão para o caça-níqueis rodar. Outra coisa que tinha em excesso no cassino eram câmeras: No teto haviam CENTENAS delas. Só não tenho nenhuma foto porque era expressamente proibido usar, hã, câmeras dentro do cassino. Segundo me informaram, se eu tirasse alguma foto eu iria ser abordado por dois seguranças gigantes que iriam me tomar a câmera e apagar a foto.

No entanto continua valendo a velha regra dos jogos de azar: the house always wins, ou seja, a casa sempre ganha. Fizemos uma conta rápida na hora de ir embora e constatamos que nós, oito pessoas, que passaram não mais que 40 minutos dentro do cassino, deixaram por lá a quantia de 80 dólares.

Depois, em Toronto, hora de ir ao cinema ver…

O Primo recomenda: Sin City

Eu tinha uma certa familiaridade com o trabalho de Frank Miller: havia lido a minissérie Demolidor: Homem sem Medo, mas nunca havia lido nenhuma edição da série Sin City.

Quando Hartigan, o personagem de Bruce Willis, avançava cambaleante pela tela, repetindo frases para si mesmo em pensamento, eu enxergava claramente aqueles diálogos em caixinhas no canto do quadrinho. Ou quando Marv (Mickey Rourke) fumava um cigarro em frente à persiana semi-aberta, e o brilho da rua desenhava o perfil do seu nariz largo, eu enxergava perfeitamente o traço reto da caneta de Frank Miller.

A estética dos quadrinhos foi copiada para a telona numa perfeição assustadora. Sin City é altamente recomendado. Agora, vá avisado de que ele é violento: cabeças cortadas, por exemplo, tem toda hora.

Um detalhe: fui ao banheiro antes da sessão começar. Quando terminei, estava quase na hora do filme e saí andando distraído… até ver que havia errado de corredor e entrado no banheiro feminino.


Regra é regra e vice-versa

8 de abril de 2005, 18:38

Ontem à noite eu e Bethania fomos no Hard Rock Cafe de Toronto.

Logo na entrada, Bethania pisou em falso e deu uma torcida no pé. Nada grave, só dolorido. O pessoal do restaurante foi bastante solícito, trouxeram uma cadeira, perguntaram se ela queria gelo e tal.

Mais tarde a gerente do restaurante veio nos perguntar se estava tudo bem. Depois, disse, meio sem graça:

- Se o senhor não se importa nós precisamos dos seus dados, telefone, endereço e tal, porque a gente tem que reportar todos os acidentes que acontecem dentro do recinto e, como se tratou de um acidente…

Eu já sabia da fama dos canadenses de seguirem regras e leis todas à risca, mas isso é ridículo…

Kottke tá legal hoje. Olha uns links que saíram lá:

Pessoas altas e bonitas ganham mais: Diz que, entre outras coisas, mulheres obesas ganham salários 17% menores do que as magrinhas. Engraçado que nessa vida de consultoria eu tenho passado por muitas empresas e, realmente, da diretoria pra cima, as pessoas feias vão ficando cada vez mais escassas.

James Kunstler escreve sobre um futuro mundo sem energia barata e acessível: A previsão dele é que o mundo vai encolher a um status quase feudal, num período chamado “long emergency”. Deu medo de ler, principalmente porque é muito, muito possível de virar verdade.

Vou falar de novo: A saga do iPod no Help Desk continua.


Rápidas

7 de abril de 2005, 19:20

Doze horas de escritório. Não sei por quê, mas hoje eu queria muito ver o mar.

Lá vem as piadas com a morte do Papa. Recebi um email hoje com a frase: “O papa era pop, agora ele é underground…”

Bolsa falsa da Louis Vuitton com a palavra “FAKE” costurada em letras garrafais sobre ela. Coisa de gênio mesmo.


Problemas domésticos

6 de abril de 2005, 12:20

Claro que nossa mudança de casa não poderia passar sem problemas…

Na segunda já tivemos o primeiro arranca-rabo doméstico, quando um colega reclamou que não tinha um armário pra guardar suas coisas. Teve gente apontando o dedo pra mim e tudo.

Na manhã de terça acordei morrendo de frio: o aquecimento da casa não tava funcionando. De noite descobrimos que faltava ligar um botão no aquecedor e tudo voltou ao normal.

Aí hoje de manhã a geladeira parou de funcionar e perdemos um monte de comida. Até as caixinhas de leite longa-vida, fechadas, viraram iogurte azedo. É duro perder comida aqui: o câmbio real/dólar canadense, somado com o custo de vida alto daqui, triplicam o prejuízo.

Além disso, o controle remoto da TV também não funciona. Nem nossa internet. Provisoriamente estamos pegando “carona” na rede wireless dos nossos vizinhos.

Continuando com nossa programação normal…

Tá dominado. O Orkut agora é em português. O “Bad, bad server. No donut for you” continua na sua língua original…

Essa foi a melhor da semana: meu primo Luiz está sendo evangelizado pela sujeira do pára-brisa do carro!

Paris Hilton tem um PSP (via Gizmodo).

O fodasso Google Maps agora tem imagem de satélite. Façam como eu: achem um endereço e, no canto superior direito, cliquem em “Satellite”. Depois repitam lentamente: “Putaquepariu”…

As fotos abaixo mostram o “antes” e “depois”. O pontinho vermelho é onde eu moro aqui no Canadá. Dá pra ver a 401, a auto-estrada que eu pego todo dia pra ir trabalhar, e a Frenchman’s Bay.


Newsflash Update Catch-Up

5 de abril de 2005, 0:06

Muitas, muuuuitas novidades desde sexta-feira… vamos em ordem cronológica.

Sexta à noite

Dia de despejo. Recebemos a chave pra mudar pra Unit 2, a casa vizinha.

Quando abrimos a porta… o paraíso surgiu. A casa nova é muito melhor do que a velha. Levei só 10 minutos pra fazer a minha parte da mudança, tamanha a empolgação.

Depois faço um “antes/depois” com fotos, pra vocês sentirem o nível.

Sábado

Dia de buscar Bethania no aeroporto. Acordei às 5:45, o avião pousou às 6:35 da manhã e ela saiu da sala de embarque só pelas 9:00…

Nesse tempo todo de espera deu tempo de me abordarem achando que eu era chileno (de novo) e de ver a Sue Johanson passeando pelo saguão.

Bethania queria muito ver neve e frio, mas a primavera tinha começado e as temperaturas estavam lá nos 10 graus. A partir do momento que ela pisou no Canadá a temperatura caiu para 0 graus e nevou o fim de semana todinho…

Além desse frio todo ela trouxe boa sorte: foi com ela que encontrei, no Best Buy da cidade de Ajax, o último CD do Godspeed You Black Emperor que faltava pra minha coleção: o maravilhoso lift your skinny fists like antennas to heaven.

O jantar da noite foi em Toronto, no Marché, o mercadinho-restaurante que eu já havia ido uma vez. Na viagem de volta, surpresa no rádio: o vocal que acompanhava uma dance music qualquer estava em bom português…

Essa boca linda… sua boca linda…
Essa boca linda… sua boca linda…
Rio de Janeiro!

E seguia o tuntistum.

Domingo – Dia

Acordar cedo de novo para ir até… sim, você acertou. Blue Mountain! Bethania estava louca pra esquiar.

O tempo trouxe ainda mais neve e deixou a montanha perfeita… e a estrada, horrível. Eu contei uns dez ou doze carros acidentados por causa da neve, e passei grande parte do tempo rezando pra que o meu não se juntasse a eles. Mas no fim deu tudo certo.

Dessa vez voltei aos esquis. O snowboard é legal, mas é uma experiência muito dolorosa. Bethania também esquiou, por sinal muito bem… aprendeu os fundamentos ainda mais rápido do que eu. Depois levei ela pra uma pista mais difícil (a graduate) e ela me matou de susto: sem que eu dissesse nada ela fez, naturalmente, as curvas que eu levei uma tarde inteira pra aprender.


Até na neve! Fomos realmente feitos um pro outro…

Na foto não dá pra ver mas ambos estávamos com camisas verde-amarelas. Na hora do almoço um canadense bebum nos abordou:

- Brazilians! Brazilians!

E chamou um amigo brasileiro. Era um cara que estava morando em Cambridge, a trabalho. Mas o destaque mesmo foi o amigo bebum, que falou: He is my homeboy! (ele é meu chapa!)

Depois ele ficou preocupado e fez uma correção:

- But I’m not gay!

E na sequência se levantou e gritou, no meio da cafeteria:

- Listen everybody, I’M NOT GAY!

Domingo – Noite

Hora de levar Bethania ao homestay onde ela ia ficar. Ela veio no mesmo esquema de intercâmbio, com hospedagem em casa de família e tal.

Parei em frente ao prédio e, assim que descemos do carro, um cara mal-encarado que estava no ponto de ônibus ficou olhando meio torto pra gente. Entramos no prédio rapidinho e estava tudo muito estranho: era um lugar meio velho, e só havia indianos mal-encarados passando pelo hall de entrada. Uns com cara de mendigo, outros com cara de traficante…

O porteiro ligou pro apartamento e a dona da casa falou que estava descendo. Ficamos esperando uns 15 minutos, ela não aparecia e o número de mal-encarados só ia aumentando, assim como o nosso medo daquele lugar. Bethania me olhava com uma cara de “eu não fico aqui nem morta”, e eu rezava pra sairmos vivos dali.

De repente eu tive um estalo e perguntei ao porteiro:

- Vem cá, é esse mesmo o prédio?

Ele viu o endereço e confirmou meu engano. Depois, me orientou a ir ao prédio da frente, a uns 100 metros de onde eu estava. Logo na porta fomos abordados por uma simpática senhora que logo viu nossa cara de assustados e se apresentou:

- Você deve ser a Bethania, não é?..

Era ela mesma, a “Sra. C”, nossa anfitriã. Ela nos levou ao apartamento, simples mas de muito bom gosto, e finalmente respiramos aliviados. A Sra. C também é imigrante, mas não é indiana ou chinesa: nasceu em Tobago

Deixei Bethania e voltei pra casa, debaixo de chuva, ouvindo a primeira faixa do meu CD novo do Godspeed… a música chamava-se, coincidentemente, storm


Dead or alive, he dies today

1 de abril de 2005, 12:53

Dia da mentira no Brasil, April Fool’s day no Canadá, sexta-feira no mundo todo.

O Gmail já começou a tirar onda que vai dar “infinito + 1″ de espaço de armazenamento….

E se o papa morrer hoje, a imprensa vai dar a notícia e todo mundo vai achar que é piada de primeiro de abril. Se ele NÃO morrer, vão dar a notícia assim mesmo, como piada de primeiro de abril. Legal né?

A previsão do tempo pra amanhã é… neve. Será que é coisa do April fool’s?

Mr. Brightside, dos The Killers, é outra música que toca todo santo dia no rádio. Muito boa ela.