Newsflash

Eu fico subestimando a Lei de Murphy. Foi só instalar o Half-Life 2 no computador que saiu minha alocação para um novo projeto, aqui em BH mesmo.
Ontem, no supermercado, o promotor de vendas anunciava pelos alto-falantes:

– Atenção clientes, promoção da hora! Uma dúzia de ovos, éé, com doze ovos, somente R$ 1,45…

Hoje de manhã a babá atrasou e meu pai pediu que eu olhasse meu irmãozinho até ela chegar. Como ele havia terminado de acordar, ele estava contando dos sonhos da noite.

– Zézé, hoje eu sonhei que tava tocando aquela música do apê…
– Qual música, Gabriel? – perguntei, temendo o pior…
– Aquela assim: “Hooje é festa, lá no meu apê, pode aparecer…”

Ontem eu e Bethania fomos assistir 9 canções, filme de Michael Winterbottom. Na entrada do cinema tinha um cartaz do The Brown Bunny.

– Brown bunny… coelhinho marrom? – perguntou Bethania
– É… eu ouvi falar desse filme. Diz que é polêmico, porque tem uma cena da mulher pagando um boquete pro cara.

Aí entramos na sala pra ver o 9 canções e vimos boquete, cunnilingus, masturbação (inclusive com pés), sadomasoquismo, sexo em tudo quanto é lugar e posição. Tudo isso explícito como num filme pornô. E, entre as cenas, aparecia Dandy Warhols, Franz Ferdinand, The Von Bondies e outras bandinhas tocando músicas inteiras (as nove canções do título) em shows. Ah, e também paisagens geladas da… Antártida. E eu não estou brincando.

O filme é um fracasso total. O roteiro pode ser resumido assim: “Matt conheceu Lisa num show. Os dois viram nove shows enquanto trepavam como loucos. Depois, Lisa foi para os EUA e Matt foi pra Antártida”. E acabou. Destaque para a frase ultraclichê que Matt fala quando vai (sem a namorada) a um dos shows: “É engraçado como, no meio de cinco mil pessoas, você ainda se sente sozinho”.

Assino embaixo do que disseram no site do IMDB: “Quem diria que sexo poderia ser tão chato”…

Diversas

E essas são as últimas novidades. Segure-se na cadeira porque está suuuuper emocionante.

Ironia? Que nada, impressão sua.

Recomecei, mais uma vez, novamente (notou o pleonasmo?) a rotina de correr todo dia. Aí pedi aos meus amigos que me ajudassem no fator “motivação”: quando eles encontrassem comigo, era pra dizer que eu estava gordo.

O resultado foi além das expectativas. Outro dia recebi um email que dizia: “Zé, não te vi ainda mas também acho que você está gordo e suíno”.

Um dos dentes caninos de Bethania é meio torto e deixa o sorriso dela bastante charmoso. Outro dia ela foi ao dentista e o cara não viu charme nenhum: na verdade ele tocou o terror, falando que ela estava perdendo gengiva e que os dentes dela iriam todos cair se ela não colocasse aparelho. E como eu tenho uns três ou quatro dentes bem mais tortinhos que os dela, acabei indo ao mesmo ortodontista.

Normalmente eu não desconfio das pessoas, mas fico com os dois pés atrás com ortodontistas e a “indústria” do aparelho dentário. Eu acho muito bizarro o fato de um tratamento desses, que não é nada bonito ou simples, virar moda. Já os ortodontistas nem ligam, afinal, arrumam clientes que ficam três, quatro anos pagando centenas de reais por mês.

Mas acabou sendo engraçado ir ao ortodontista: volta e meia passava alguém da clínica por mim e perguntava:

– E aí, empolgado pra usar aparelho, é?
– Não.

Aí a pessoa fica com aquela cara de “mas hein?” e eu continuo:

– Eu só vou colocar aparelho se for estritamente necessário, e é isso que eu quero saber aqui.
– Mas nem por estética?

Curiosamente, todo mundo me fez exatamente esta mesma pergunta, inclusive o ortodontista, que não soube dizer se meus dentes tortos comprometem minha arcada dentária a longo prazo. Mas que, ainda assim, indicou que eu corrigisse o problema.

Agora que tá sobrando tempo e eu tenho acesso ao meu micro de casa, voltei a jogar os velhos e bons first-person shooters. Infelizmente, o único que eu tinha por aqui era o Halo.

Halo, como todo produto Microsoft, tem que ter alguma coisa irritante. Eu me irritei com um dos monstros, que parece um anão fantasiado, mal atira em você e fica o tempo todo correndo e gritando como uma mulherzinha assustada.

TOP 5 coisas que eu achei que ia começar a gostar quando ficasse mais velho

Jazz
Vinho
Mato
Programa de entrevista na TV
Esportes na TV

Quanto ao Jazz, o Giant Steps (Deluxe Edition), do John Coltrane, foi o primeiro disco que realmente gostei e satisfaz todas as minhas necessidades até o momento. Achei que ele ia provocar vontade de ouvir mais jazz, mas eu acho o CD tão bom que não dá vontade de ouvir mais nada. Foi um tiro que saiu pela culatra.

Também desisti do vinho. As pessoas colocam o vinho no trono supremo da elite das bebidas alcoólicas, mas eu continuo gostando mais do “proletariado”. E bebo Guaraná Antarctica (de garrafa de vidro de 290ml) como se fosse um Concha Y Toro.

Mato, sim, é bom. Mas acaba sendo mais um “meio” do que um “fim” – meio de tirar boas fotos, de fazer zona com os amigos. Talvez isso seja resquício dos meus traumas de infância, dos fins-de-semana na fazenda do meu tio, onde os pernilongos me carregavam pra cima durante a noite e eu sempre voltava pra casa com o nariz escorrendo por causa da poeira.

Já os programas de entrevista, nada. Minha irmã até teve uma época de vício no David Letterman, enquanto eu e meu pai apelidamos o Jay Leno de “queixada”. Na época que o Jô Soares era menos ruim (leia-se SBT), eu trocava a TV pelo CRT e passava as madrugadas empunhando meu lança-foguetes e explodindo a cara de alguém no Quake. Por sinal, parece loucura, mas aprecio um bom jogo de PC como alguém apreciaria um… vinho.

E a minha tolerância para esportes televisionados aumentou de zero para 50%. O primeiro tempo de um jogo de futebol desce bem. As vinte primeiras voltas de um GP de Fórmula Um são boas. Depois disso, acho que queimei uma etapa de envelhecimento e fui direto pra terceira idade, porque dá um sono…

P.s.: Atualizei as fotos, caso queira um pouco de eye candy.

Life is random

Eu e Bethania no carro hoje. MP3 player no modo “random”.

Now playing: Mombojó – Merda

– Nossa, Zé, que música legal essa…
– Pois é, né…
– Gostei. Grava esse CD pra mim depois?
– Claro, claro.

Next track *click*
Now playing: !!! – There’s no fucking rules, dude

– Ei, porque você trocou de faixa?? – pergunta Bethania.
– Ah, tenho saco pra ouvir a música inteira não.
– Por quê?
– Sei lá, acho que &;eacute; porque quando começa a tocar, o resto da música vem todo na minha cabeça, aí eu já sei o que vai acontecer e não tem mais graça.

Moral da história: eu devia rezar todo dia de manhã pelo fato da psiquiatria ainda não ter como diagnosticar essas minhas esquisitices. Caso contrário eu ia estar numa camisa de força.

‘sup nigga!

No internet banking do Banco do Brasil, dá pra você escolher a forma e nome de tratamento que quiser, tipo, “Prezado Fulano de Tal”. Outro dia fui lá e configurei a minha…

Se eles me mandarem correspondência com esse nome, vai ser divertido…

Dez dicas para fotos melhores

Domingo passado eu e meu pai levamos meu irmãozinho, Gabriel, pra brincar num parque. Gabriel adora ficar no balanço, e meu pai estava com a câmera na mão, tentando tirar uma foto no momento mais alto da balançada:

– Mas essa câmera num funciona direito, eu aperto o botão na hora em que quero a foto mas ela demora pra bater…
– Faz o seguinte, aperta o botão só até a metade: aí a máquina vai focalizar e ficar pronta pra bater. Na hora que você quiser a foto, só termina de apertar o botão que ela bate rapidinho.

Só aí ele conseguiu.

Três anos e três câmeras digitais já passaram por mim, e nesse tempo todo eu acabei aprendendo um ou dois macetes que às vezes salvam o dia, como esse da historinha aí em cima. Então, num gesto de altruísmo (com só um pouquinho de egocentrismo), resolvi selecionar dez dicas simples pra quem quer tirar fotos um pouco melhores…

Tire muitas fotos. Muitas. A prática leva à perfeição. Quanto mais você usa sua câmera, melhor você fica.

Fotógrafos profissionais gastam rolos inteiros de filme e tiram centenas de fotos para, no final, selecionarem oito ou dez que realmente ficaram boas. Esse é o maior trunfo das câmeras digitais: “torrar filme” a custo zero. Abuse disso.

Uma vez eu li um conselho no Flickr: Leve sempre sua câmera com você. Eles tem razão: afinal, você pode sair pra andar de bicicleta e dar de cara com um desfile de rua com escoceses e gaitas de fole. Isso aconteceu comigo…

Chegue um pouquinho pro lado. Deslocar o objeto principal da sua foto pode dar bons resultados.


Eu no meio da foto. Sem graça e comum.


Eu, levemente deslocado para a esquerda. Percebe a diferença?

Evite fundos complexos. No exemplo abaixo, o destaque da foto (Gabriel no balanço) não tem destaque nenhum por causa das árvores ao fundo.

Dia ensolarado? Use o flash. Parece estranho, mas o sol nem sempre está no lugar onde a gente quer, e isso provoca sombras indesejáveis nas fotos. É fácil evitá-las, basta forçar a máquina a disparar o flash. Os fotógrafos chiques chamam isso de flash de preenchimento.


A foto da esquerda não tem flash. Note a cara sombreada e o tom escurecido, coisa que não aparece na foto da direita (com flash)

De noite, sem luz nenhuma? Desligue o flash.

Lembra quando passa na TV a cerimônia de abertura dos jogos olímpicos, e na arquibancada dá pra ver os flashes das câmeras das pessoas, pipocando igual num céu estrelado? Pois é. Tá todo mundo gastando pilha atoa, porque o flash só ilumina corretamente os objetos que estejam numa distância entre três a cinco metros da máquina.

A maioria das câmeras modernas permitem alterar o tempo de abertura do obturador para valores absurdos, como 15 segundos. À noite, esta exposição prolongada pode dar belas fotos. O exemplo abaixo foi feito com 13 segundos de exposição e com a máquina imóvel, num tripé (isso é importante para não borrar a foto).

Esqueça o passarinho. Sempre que possível, fuja da foto padrão “todos olham para a câmera e sorriem”. A foto abaixo parece muito mais “real” do que se eu e Bethania estivéssemos com nossos sorrisos estilo “ei, olha! estamos num restaurante!”

Bata o branco. Foi Bethania que me disse essa frase sem sentido pela primeira vez. “Bater o branco” é ajustar a máquina para a iluminação do ambiente onde você está. Em inglês isso chama-se “white balance”, e a maioria das máquinas possui ajustes pré-definidos pra isso.


A foto da esquerda foi tirada sem nenhum ajuste, e as lâmpadas incandescentes da sala deixaram tudo alaranjado. Na foto da direita, a máquina está com o White Balance ajustado para iluminação incandescente, e as cores estão corretas.

Leia o manual! É muito provável que sua câmera saiba fazer coisas que você nem imaginava, porque não leu o manual. Uma delas, que eu gosto muito, é o modo macro, que ajusta a câmera para tirar fotos de objetos pequenos a apenas alguns centímetros da lente, como por exemplo essa formiga.

Cuidado com reflexos do flash. Se você usá-lo em frente a alguma superfície reflexiva (uma vitrine de loja, por exemplo), ele vai aparecer como uma bola luminosa na foto. Evitar isso é muito fácil: é só não ficar exatamente em frente à superfície reflexiva. Desloque-se para que ela fique na diagonal e seja feliz.

Como eu não tenho nenhuma foto com este problema (ahem!), roubei essa aí embaixo do Kodak Guide to Better Pictures:

Agache, levante, deite e role. Tirar fotos sempre de pé e com a câmera na altura dos olhos vai render fotos sempre… iguais.


Esta foto foi tirada de baixo pra cima, alterando a proporção do triângulo em relação ao resto.

O brilho eterno de uma mente sem serviço

Momento “cadê minha câmera quando eu preciso dela”: uma cabra na caçamba de uma camionete, no meio da Av. Amazonas. Aí o cara na Brasília, ao lado da camionete, se interessa e pergunta se a cabra estava à venda. Só aqui em Minas mesmo…

Chris Martin, vocalista do Coldplay, canta, com a voz melosa de sempre, na canção chamada Talk:

Well I feel like their talking in a language I don’t speak.
And they’re talking it to me.

E aí segue se questionando sobre o futuro e pá. Normal, se não fosse o fato da guitarra que abre Talk tocar, exatamente, as nove notas da melodia-tema de Computer Love, do Kraftwerk. Na verdade, Talk é feita sobre a mesma melodia que Ralf Hutter e Karl Bartos compuseram lá em 1981.

Era pra eu odiar Talk, mas por alguma estranha razão eu achei o máximo ouvir guitarras tocando Kraftwerk.


Os CDs mais valiosos da minha coleção

Estou com saudades da internet canadense, onde eu baixava filmes inteiros em duas, três horas. Aqui, faz dois dias que tento baixar Arular, disco da guerilla-singer chamada M.I.A.

Até agora só consegui baixar as três primeiras faixas: é um hip-hop bem cru mas estranhamente muito bom. O triste é chegar na terceira faixa, chamada Bucky Done Gone, ouvir algo perigosamente parecido com funk carioca e… gostar.

m:robe – O monolito

Acabou que eu trouxe do Canadá um brinquedinho que há muito tempo eu queria – um MP3 player. Acabei optando pelo Olympus m:robe MR-100.

Qualquer semelhança com o monolito do filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço não é mera coincidência…


Este é o m:robe, desligado. Tooodo preto.

Especificações técnicas, para os nerds como eu:

5 GB de capacidade de armazenamento
Bateria interna de lítio-íon com autonomia de umas cinco horas
Suporta MP3 e WMA, funciona como hard-drive externo (USB mass-storage device) em qualquer micro com Windows XP
Funções básicas (repeat, random), equalizador (uns 20 presets)
Interface touch-screen e sistema de menus estilo iPod


m:robe ligado, botões touch sensitive acesos

Como você pode ver é, simplesmente, um player. Sem mais firulas, nada de suporte a WAV ou OGG, rádio FM ou gravação de voz. A interface é boa e ele é prático de usar. O maior destaque positivo é que, fisicamente, o m:robe é muito elegante e durável, com corpo metálico e painel frontal de vidro.

No entanto o m:robe tem uns problemas. O principal é o software, chamado m:trip, que você usa no PC para carregar as músicas. Só dá pra colocar músicas no m:robe usando o m:trip, e ele é muito ruim: nada intuitivo, com bugs sobrando e features faltando.

Exemplo de bug? Ao tentar ordenar a lista de músicas por artista ou álbum, a ordem que vem é tudo, menos alfabética. Exemplo de feature faltante? Se eu alterar (renomear, por exemplo) algum arquivo de fora do programa, ele não vai perceber a mudança a não ser que eu re-insira manualmente os arquivos alterados no programa. Não tem um “refresh library” nem nada.

Além disso, no meu caso o m:robe tem um problema adicional quando eu o uso no carro. Antes eu operava meu antigo discman pelo método braille, sem tirar os olhos da estrada. Agora eu preciso pegar o m:robe na mão, clicar em algum lugar pra que ele se acenda e eu veja onde estão os botões, e só depois trocar a faixa ou mexer no volume, ao mesmo tempo em que tento não bater no carro da frente.

Aí você se pergunta porque diabos eu comprei este MP3 player. Na verdade foi por duas coisas: iPod Mini esgotado em TODAS as lojas onde procurei, e preço mais salgado no Creative Zen Micro (minha segunda opção).

Voltei


Pista do Pearson International Airport, em Toronto

14 horas de viagem e muito chá-de-sala-de-embarque depois, chegava eu, no sábado, em Belo Horizonte. O post aqui só veio dias depois: tinha muita saudade pra matar, gente pra ver, coisas pra arrumar…

A viagem transcorreu tranquila. Tive apenas meus dois últimos micos internacionais:

Ainda em Toronto, ao passar pelo raio-x do aeroporto, tirei a chave do cadeado da minha mala do bolso e… esqueci por lá.

Estavam servindo o jantar no avião. A aeromoça que servia as bebidas tinha um crachá escrito “ANA LUIZA”, tinha a pele bem morena, olhos negros e cabelo encaracolado. Assim que ela chegou no meu assento, soltei meu pedido em bom português:

– Eu queria um suco de maçã, por favor.

Lentamente, Ana Luiza se debruçou sobre minha cadeira e, com um ar confuso, perguntou: “What?”…

No domingo minha primeira providência ao chegar em casa foi fazer as malas e… sair de novo. Passei o dia dos namorados (e os dois seguintes) com Bethania na Estalagem do Mirante, na Serra da Moeda.


Encosta da Serra da Moeda, com os chalés da Estalagem

Um pouco da vista da pousada…

Pôr-do-sol visto de dentro dos quartos

Essa pousada recebe o “selo Primo” de recomendação: excelente, desde as instalações até o atendimento. Vale cada centavo.

Agora, prosseguindo com nossa programação normal (de viagens da minha cabeça)…

Filmes para ver (ou não)

Curiosamente, uma coisa que eu fiz todos os dias desde que cheguei aqui no Brasil foi assistir algum filme. Até no sábado (dia em que cheguei), de noite eu já estava no cinema pra ver o tal filme da Angelina Jolie e do Brad Pitt…

Sr. e Sra. Smith

Até agora eu não descobri se o Sr. e Sra Smith era pra ser comédia, ação ou romance. Mesmo porque o filme fracassa em todos estes aspectos. A ação, bem executada mas ainda assim no lugar-comum, acaba sendo algo colocado no roteiro como “cenário” para o romance, que é insosso devido à falta de profundidade dos personagens, que tentam parecer engraçados ao mesmo tempo que precisam manter a cara de “agente misterioso e durão”. Enfim, misturaram tudo e no final não deu nada. Dá pra se divertir um pouco com as forçadas de barra hi-tech estilo “Missão Impossível”, mas nada além disso.

O Vilaça deu duas estrelas, xingou o roteirista e viu méritos na direção e na “química” entre Pitt e Jolie…

Magnólia

Só agora consegui assistir o famoso filme de Paul Thomas Anderson. Assim que as três horas do longa terminaram, eu não conseguia pensar no filme como nada além de esquisito. Mas era um esquisito bom, bem filmado, com atuações consistentes e uma trama eficiente, que se estende por mais de três horas sem cansar o expectador.

O esquisito é por causa do roteiro. Você fica duas horas se perguntando onde diabos vai dar aquilo tudo, quando de repente tem a famosa cena da chuva e complica tudo um pouco mais. Diferentemente de Cidade dos Sonhos, eu não cheguei ao final do filme entendendo tudo o que aconteceu e completamente fascinado com a perspicácia do diretor. Já o Vilaça conseguiu…

O Informante

Eu já havia visto esse filme, mas acabei alugando de novo sem querer. É uma história muito bem contada, com Russell Crowe como ex-executivo da indústria do tabaco, prestes a dar revelações bombásticas no famoso programa 60 minutes, produzido pelo personagem de Al Pacino. Aí segue-se a trama de furações de olho, traições, chantagem emocional, corrupção e o escambau.

Um belo filme, despretensioso e eficiente, com destaque pras atuações de Pacino (sempre ótimo) e Crowe (surpreendendo). O roteiro é muito bem escrito, algumas frases do personagem de Pacino são simplesmente geniais. Só não gostei da trilha sonora, repetitiva em alguns trechos. O Vilaça deu cinco estrelas pra ele.

Kinsey – Vamos falar de sexo

Kinsey é aquele cientista que publicou, em 1948, o famoso livro intitulado “o comportamento sexual do homem”. Na época, o cara chocou a sociedade e provocou um belo avanço no estudo da sexualidade humana.

O filme é a história de Kinsey, e . Mais parecia um documentário, e o roteiro é um insulto: algumas cenas eram, claramente, a posição do roteirista sobre as idéias e ações de Kinsey. A atuação de Liam Neeson e de todo mundo é OK, o figurino, cenografia e etceteras foram todos OK, mas a história, na minha humilde opinião, poderia ter sido mais “bem contada”.

Discordo das quatro estrelas do Vilaça. Daria no máximo duas…

Curiosidade: o filme é escrito e dirigido por Bill Condon

O último post no Canadá


Frenchmen’s Bay, janeiro

Eu não sei se você sabe, mas os canadenses reclamam o tempo todo do clima. Se você mencionar que é brasileiro, aí eles ficam malucos: “Mas o que diabos você veio fazer aqui com essa neve toda?!?”.

Se você pensar bem, eles tem toda razão pra reclamar. O número mágico pra mim é 34. Em janeiro eu vi trinta e quatro graus negativos. Em junho, trinta e quatro graus positivos.


Frenchmen’s Bay, maio

Aí você sai dos extremos do clima e vai para os extremos culturais: educação extrema, disciplina extrema… a maioria dos brasileiros acha um saco essa devoção canadense às regras e leis. Eu gosto. Parece extremismo, mas eu prefiro pensar nisso como zelo por um país que eles querem manter como está: estável, seguro e funcionando. E funciona que é uma beleza.


Highway 401 – Exemplo da boa infraestrutura canadense

E isso até justifica um pouco o comportamento normal do canadense: um pouco individualista, até meio retraído, se você comparar com o padrão brasileiro de ser. Bom, se eu tivesse um país desenvolvido como o deles, eu realmente não faria como os americanos, que ficam se achando os melhorzinhos e fazendo pouco caso do resto do mundo: eu simplesmente aproveitaria, quietinho, o ótimo lugar onde eu moro. É mais ou menos isso que o canadense faz.

E é por isso que ele reclama do clima. Porque o resto é excelente, não tem mais nada pra reclamar…


Fim de tarde no parquinho “mais ou menos” que tem perto de casa

A minha estadia aqui não foi fácil ou difícil, ruim ou boa. A única coisa que eu afirmo é que aprendi muito, principalmente sobre a diferença. Viver uma outra cultura é bom justamente por isso: ver gente fazendo tudo ao contrário do que você conhece, e sendo feliz do mesmo jeito. E me senti bem por poder experimentar um mundo onde você pode deixar a porta de casa destrancada, onde os bancos não tem detector de metal na porta, e onde o guarda-volumes do parque de diversões não precisa de cadeado. Eu queria muito que meus filhos vissem um Brasil assim um dia.

Resumindo: o Canadá é um país e tanto. Vou sentir saudades daqui. Mas o inverno, aff…