Santos Dumont, pai da aviação?

*PÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ* Resposta errada!

Dependendo do critério, o primeiro a voar pode ter sido Alexander Feodorovich Mozhaiski, russo, em 1884. Vale lembrar que Dumont voou em 1906…

Segundo a Wikipedia ainda tem uma pá de gente que alega ter voado antes de Santos Dumont, inclusive os famosos Irmãos Wright, em 1903.

Quem levantou a bola foi um post do No Mínimo sobre o assunto. Engraçado que várias vezes eu me peguei com essa mesma dúvida, imaginando por que diabos o mundo nunca deu crédito a Santos Dumont pela invenção.

Firewalls – Uma relação de amor e ódio

A minha entrada para o mundo corporativo das camisas de botão e crachás pendurados no bolso deu-se lá por volta do ano de 2001, no setor de tecnologia de um banco.

Foi lá que iniciei meu aprendizado sobre o ambiente de trabalho corporativo. A primeira lição chamou-se restrição: de horário, de vestuário, de comportamento… mas, para mim, o pior dos itens restritivos era o firewall.

“Mas o que é um firewall”, alguém poderia perguntar. Pensei em dar uma explicação técnica rebuscada, mas achei que isso fosse espantar você, leitor. Por isso, resolvi pedir a ajuda da maior expert em tecnologia do mundo moderno: Britney Spears.

Minha cara Britney, explique aos nossos leitores o que é um Firewall, por favor…

Obrigado, Britney.

Voltando ao assunto: o objetivo básico do firewall nas empresas é evitar que os empregados naveguem em sites “não relacionados com o trabalho” (cof cof, mulher pelada, cof cof). Só que eles ignoram algumas verdades simples. Por exemplo:

Quem quer enrolar no trabalho tem inúmeras outras formas de fazê-lo. Na minha época de banco, por exemplo, um dos meus colegas passava dias inteiros jogando num emulador de Atari…

Existem inúmeras formas de burlar firewalls.

Filtrar sites baseando-se numa lista de palavras “proibidas” é uma estratégia, no mínimo, imbecil. O taradão da Contabilidade pode até estar impedido de acessar “RaunchySex.com”, mas consegue ver mulher pelada até no site do Terra

Mas o firewall, como Dr. Jekyll e Mr. Hyde, tem um lado bom. Com ele a empresa também fica protegida dos Terríveis Hackers de 13 Anos E Espinhas No Rosto que tentam invadir a rede da NASA e, nas horas vagas, os sites das empresas brasileiras. Eu até tenho um firewall instalado no meu computador, veja você.

Outra vantagem dos firewalls é aperfeiçoar o processo criativo e estimular o lado político das pessoas. Ora, eu não teria escrito este post se o firewall de uma das empresas onde trabalho não estivesse bloqueando blogs. Simples e inofensivos blogs. A situação está num ponto tão revoltante que as pessoas protestam silenciosamente nas ruas, a todo momento, usando suas camisetas do Che Guevara.


“Che Guevara? Quem é esse?… Hein, a camiseta? Ah, eu comprei porque tá na moda…”

Nothing but a dreamer

E aí eu estava andando de bicicleta pelas ruas da cidade de Sete Lagoas. Só que as ruas não chegavam em lugar nenhum e ficavam sem saída de repente, e eu tinha que ficar desviando de tudo.

Até que uma hora ouvi uma freada brusca e uma batida: haviam atropelado uma menina numa bicicleta. Atravessei a rodinha de curiosos para socorrer a menina: estava bem, consciente, mas havia quebrado o braço. Uma passada rápida pelo hospital e estava tudo consertado, e pudemos subir na lancha dela para passear com alguns amigos. Renato Aragão estava entre eles.

A noite caiu e a lancha parou para que as pessoas pudessem dar um mergulho. Me lembro de ter exclamado: “Putz, que cena linda”. E era mesmo. A lua cheia, ao fundo, mostrava apenas a lancha parada, uma das pessoas estava na água e conversava com as que ficaram no barco. Uma criança, sentada na proa, brincava de esguichar água pela boca, como um chafariz.

E era uma cena mesmo, porque eu não estava lá: na verdade estava assistindo tudo pela TV, sentado na sala da casa daquele negão da novela, que eu esqueci o nome. Esse aqui, ó.

Aí eu acordei e vim pra cá trabalhar.

O Primo no zouk erótico (não, você não leu errado)

Ontem à noite estávamos eu e Bethania papeando com uns amigos e amigas. Uma delas, a “Morena”, é fanática por dança e estava comentando de um dos seus estilos favoritos: o zouk, ou “lambada francesa”.

Em resumo, o zouk parece lambada, mas que se dança devagar. Até aí, nada de mais. O problema foi que, segundo a Morena, os cariocas trouxeram para Belo Horizonte o chamado “zouk erótico”, que é um zouk “muito mais sensual”, “tuuuuudo de bom” e outros superlativos.

A Morena, empolgadíssima, mal se continha na cadeira enquanto explicava. Acabou se levantando para mostrar um ou dois passinhos. Pegou o “Samuel”, outro amigo, pra usar de exemplo:

– Mas aí tem um passo assim que o homem pega a mulher e coloca assim, ó…

E, instantes depois, Morena deu um “chegapracá” com os braços no Samuel e ficou completamente agarrada, com a testa colada na dele, e a ponta dos narizes se tocando. Como naquelas cenas de sexo da novela das oito. O Samuel ficou vermelho por uns 10 minutos, enquanto as outras meninas iam, imediatamente, à loucura…

– Aiiiii nossa!! Eu quero dançar isso! Onde tem, Morena? – Perguntou Bethania
– Ora, tem hoje mesmo, agora à noite… vamos?
– Aiiiii Zé, vamo? Vamo? Vamo? Vamo? Vamo?

Como de costume eu fiz minha avaliação racional da situação e cheguei à duas conclusões:

Se tudo o mais der errado, vai ter uma mulher, suada, se esfregando em mim.

E, dando certo ou errado, eu vou acabar tendo uma boa história aqui pro blog.

Aí, fui.


A Morena, dançando com um colega. Não, eles não estão ficando.

Eu sempre tive um problema para entender a dança, por vários motivos. Coordenar o meu próprio corpo, se movendo sozinho, nunca foi tarefa fácil. Adicione mais uma pessoa a alguns centímetros do meu pé tamanho 42 e você tem a receita para um desastre. Além do mais, eu nunca entendi a graça de ficar ali rodopiando e encaixando as pernas com alguém (mesmo sendo mulher. Que burro eu era)…

No entanto, a Morena passou alguns minutos me ensinando o básico da dança. Ao invés de dar as instruções técnicas que eu esperava (coloque seu pé aqui, mexa seu braço assim), ela dizia coisas do tipo: “Tem que fazer cara de quem tem a manha, de que tem certeza do que está fazendo. Tem que ter atitude, se soltar, entrar no teatro mesmo”… e aí eu finalmente entendi que a coisa não é fazer certo ou errado. É algo mais mental do que físico, por assim dizer. “Free your mind”, como diria o Morpheus no filme Matrix…

O que justifica o “erótico” do zouk erótico é que, além do rebolado típico da lambada, há muito contato visual, mãos correndo o corpo e tal. A mulher costuma girar a cabeça de forma lânguida, jogar o cabelo para tudo que é lado, descer até o chão e voltar “relando” no corpo do homem como se fosse uma cobra, entre muitas outras coisas no limiar entre o “sensual” e o “sexo sem tirar a roupa”. Mas tudo com todo o respeito, é claro: tinham meninas bonitas, nos seus vinte-e-poucos, que dançavam com tiozinhos barrigudos que pareciam ter saído de trás do balcão da padaria da esquina, e ambos davam um belo show de entrosamento.

Normalmente eu gosto de aprender coisas novas. Como naquela noite eu estava livre de preconceitos, acabei me esforçando de boa vontade, como se estivesse aprendendo cascading style sheets ou outra coisa nerd. E já que esfregar-se com uma mulher é um ótimo recurso didático, meu rendimento foi bastante satisfatório…

(Update: É claro que esta última frase foi uma piada)

Ok, agora podem rir e fazer piada com a minha cara nos comentários.

Conto


Fazia dez minutos que ela olhava aquela mancha molhada no travesseiro. Era saliva: ela tinha babado a noite toda sobre o cetim daquela fronha rosada. Sempre acontecia isso quando ela bebia whisky. “Da próxima vez eu só bebo vinho”, dizia ela para si mesma, sem fazer esforço algum para tentar se enganar.

A mão direita tateou o criado-mudo, desviou-se do maço de cigarros, da estatueta de Shiva e alcançou o relógio. Era um relógio antigo, de bolso, com uma inscrição em japonês no verso que dizia “harmonia”. Ela ficou exatos vinte e três segundos observando o movimento dos ponteiros, e se levantou quando eram exatamente duas e trinta e quatro da tarde. Deitar-se ou levantar da cama em horários ímpares trazia má sorte. Pisar no chão com o pé esquerdo também.

Na verdade ela entrou e saiu por todas as portas usando só o pé direito. Foi ao banheiro, entrou no closet, voltou ao banheiro, abriu o chuveiro. Usou o resto do sabonete indiano para se lavar, sempre de cima para baixo, porque as energias negativas são atraídas pelo solo. Enxugou-se assim também.

O ar puro da varanda fazia bem a ela. Riscou um fósforo e acendeu um incenso e um cigarro, meio que por hábito mesmo. Deixou ambos no chão, o incenso inclinado sobre o cinzeiro, pra que as cinzas de ambos fossem parar no mesmo lugar. E, no tapete de palha trançada, tentou fazer um pouco de yoga para a ressaca melhorar. “É o sol da tarde, droga. Não tem mais vitalidade quanto o da manhã”, reclamou.

Desceu as escadas para a grande sala de paredes ora brancas, ora arroxeadas. Muitos espelhos, pirâmides de cristal e estatuetas de Buda, sempre colocadas de costas para a porta de entrada. Sobre a mesa, sua criada havia deixado um rápido desjejum e um dos cadernos do jornal. Como de costume, porque não era ela mulher de descumprir hábitos, foi logo ler o horóscopo.

Júpiter no terceiro quadrante vai deixar você especialmente produtivo hoje. Aproveite para dar o melhor de si no trabalho. Quem sabe aquela tão sonhada promoção aparece…

Desapontada, ela chamou a criada. Estava torcendo pra que o horóscopo fosse igual o de ontem, “separe este dia para renovar suas energias”, porque aí ela teria uma desculpa para não ir ao estúdio.

– O Bill da produtora já telefonou duas vezes hoje, senhora – disse a criada assim que chegou.
– Pode mandar ele vir aqui me buscar – resmungou ela de volta. Tem daquele biscoito integral aí?
– Vou trazer.

Se alguma palavra pudesse descrever o desjejum daquela tarde, seria “eclético”: duas torradas, ricota, húmus, geléia de kiwi, pão integral, chá de jasmim, leite de cabra, um copo d’água e um comprimido para dor de cabeça. Ela uniu as mãos, rezou mecanicamente a sidarhamana, prece dos celtas para dar graças ao alimento, e tentou comer. Pensou em ir fazer uma massagem, talvez uma sessão de cromoterapia antes do trabalho, mas Bill já devia estar a caminho.

Depois de comer, foi cuidar da voz. Gargarejou com uma solução de água e gengibre, entoou um mantra por alguns minutos e cumpriu a rotina de alongamentos. A sensação de estômago embrulhando começou a deixá-la irritada: “Pela Deusa… estou até vendo, a sessão de hoje com o Bill não vai render nada. Ele vai vir com aquele papo de que eu não estou em harmonia com a mãe-terra, que assim eu não produzo, vai ser um suplício. Juro que da próxima vez eu só bebo vinho. Só vinho”. E gritou pra que a empregada trouxesse mais um comprimido para dor de cabeça.

Algum tempo depois, Bill chegou e sentou-se numa das ante-salas da casa. A cortina semitransparente balançava com o vento e roçava uma estátua dourada de Anubis, o deus egípcio. Bill olhou para as orelhas pontudas da estátua e lembrou-se do Batman. Depois lembrou-se do chilique que ela havia dado quando ele contou aquela piada com os xamãs incas. Ficou horas ouvindo as reclamações dela sobre como ele não tinha o menor respeito com os ancestrais do nosso planeta. “É louca mesmo. Não fossem os milhões de discos, eu já devia ter cancelado o contrato com essa mulher”, pensava ele.

No corredor entre o salão principal e a ante-sala onde Bill estava havia um espelho, octogonal por causa do I Ching. Ela aproveitou para conferir o visual antes de ir trabalhar. Vestia um vestido indiano, bege, longo e minuciosamente bordado, desde as mangas compridas até a orla. Cobrindo a cabeça e os ombros, usava um xale, também bege, todo bordado. Estaria linda, não fosse o rosto horrível: os lábios secos, olheiras profundas, e um resto de maquiagem que não saiu direito no banho. Ajeitou os cabelos com pressa e ia apagando o cigarro e o incenso quando Bill apareceu do outro lado do corredor.

– Porra, Enya, cê tá de ressaca de novo?

Relationship Upgrade

Estes aí da foto somos eu e Bethania. Na última quarta completamos seis anos de namoro.

Só que eu devo informar que, a partir deste dia, nós dois não somos mais namorados…

…porque ficamos noivos.


My preciousssssss…

No ahhhhrrr…

– Senhores passageiros, este é o vôo 1730 com destino à Belo Horizonte. Queiram por gentileza observar o número do seu assento marcado em seu cartão de embarque. Para a decolagem, pedimos que mantenha sua poltrona na posição vertical e sua mesinha fechada e travada…

(…)

– Senhores passageiros, em instantes iniciaremos o serviço de bordo. Será servida barrinha de cereal e biscoito salgado, acompanhado de refrigerante e sucos…

(…)

– Senhores passageiros, Listerine é um refrescante bucal que deixa uma sensação de frescor e um hálito fresco e puro por muito mais tempo. Nós vamos agora sortear alguns brindes Listerine… assento 18F?

Eu juro por Deus que isso aconteceu de verdade.

Venturas pela TV aberta

Noite de segunda, quarto de hotel, TV, a gente pensa um bocado:

Na Globo tem novela. Um monte de atrizes se esfregam no meio de um baile funk. A letra é assim:

É som de preto
De favelado
Mas quando toca ninguém fica parado

Eu não acredito que vou digitar isso, mas… a cada dia que passa eu respeito mais o funk carioca pela sua expressividade.

Não, não é sarcasmo. O funk é o que sai da favela quando você oprime o favelado com uma cultura de massa “bundalizada” e composta de podridão estilo “É o Tchan” e “Rouge”. O MC que canta coisas do tipo “sessenta e nove, frango assado, de ladinho a gente gosta”, o funkeiro que vai pro baile pra dar porrada na gangue rival, isso tudo é a catarse coletiva de um povo que não tem muito mais para se entreter além de sexo e violência.

Aí vem a reviravolta fantástica: esse “re-produto” cultural é tão vibrante e contagiante que agora é idolatrado pela elite, toca na novela das oito e tudo o mais. A letra que reproduzi ali em cima não poderia ser mais perfeita. “Vocês nos ensinaram a não pensar e mexer a bunda, então é isso que fazemos, e é tão bom que você fará também”, diria a massa…

A Record passava “Guiness – O Mundo Dos Recordes”. Tava mais para o “lado B” dos recordes: teve um indiano que bateu o recorde para descascar um coco com a boca e um vendedor de carros que engoliu (sem mastigar) sete salsichas em menos de um minuto. Antes da propaganda, anunciaram o recorde do bloco seguinte: um cara que catapultava geladeiras na maior altura possível. Não deu pra continuar vendo…

Na MTV tinha Beastie Boys com Root Down e eu fui obrigado a parar pra ver. Demais.

Na sequência, Wander Wildner, andando de moto por uma paisagem lisérgica-retrô e cantando uma letra simplesmente medonha. Nunca tinha ouvido Wander Wildner, e a minha primeira impressão não foi muito boa.

Depois, Shirley Manson, do Garbage. Pelo teor da música, o Garbage continua competente. Agora, essa Shirley Manson, é uma coisa…

Mais MTV, dessa vez nos comerciais:

Exibiram três propagandas, seguidas, de celular. A da Claro exibe textos “ixkritus axxim” e alardeia uma “revolução dos dedos”, estimulando o uso das mensagens SMS. Consumir e escrever errado é algo assim, tão revolucionário…

A da Oi, teoricamente uma empresa jovem e moderna, investe no “retrô”: as pessoas que duvidam das promoções modernas que aparecem no comercial são “regredidas” visualmente aos anos 60, cabelo “black power”, roupas estampadas “tie dye” e tudo. Uma droga. A modernidade que eu esperava veio foi na sequência…

Era um quadro de animação, com um belo desenho de uma menina, andando em silêncio, pela rua. A cena era linda, artística. A menina seguiu por mais alguns segundos, cabelos ao vento, e eu achava que aquela era uma bela vinheta da MTV. Até que, no vento, vieram uns celulares e na sequência a logomarca do anunciante: era uma propaganda das… Casas Bahia.

Diversas

Da série “Piores Cantadas do Mundo”: Uau, isso aí não é um decote, é um silicon valley!!!

Quarta-feira, no vôo, a aeromoça exibia o crachá com o seu nome: “Vanessa Loose”.

Eu me contorcia na cadeira pra não morrer de rir toda vez que ela passava pelo corredor. Mente imunda é isso aí…

Falando no vôo, momento “cadê minha câmera quando eu preciso dela”: Decolar de São Paulo à noite com tempo nublado, ganhar altitude e depois ver aquela camada de nuvens, iluminada por baixo, pelas luzes da cidade. Muito bonito.

Na quinta, saí do trabalho e vi um anúncio da “Ótica Va-Lente”. O anúncio estava pregado numa lata de lixo. Não acho que foi coincidência.

Diálogos que a gente ouve no trabalho:

(Sussurando) – Pst… ei, cara… olha o nome dessa mulher que me mandou email aqui…
(Em voz alta) – Hein? O nome dela é XANA?!???

Este fim de semana teve festa de casamento…

Linka eu, linka você

Isso é magníííífico, mãe!

Debug kit: Ctrl+Alt+Del, incenso e CD da Enya.

Se mexendo

Curta-metragem feito com uma câmera. De tirar fotos, não de filmar. Lindo. [via Fazed]