O Primo no zouk erótico (não, você não leu errado)

Ontem à noite estávamos eu e Bethania papeando com uns amigos e amigas. Uma delas, a “Morena”, é fanática por dança e estava comentando de um dos seus estilos favoritos: o zouk, ou “lambada francesa”.

Em resumo, o zouk parece lambada, mas que se dança devagar. Até aí, nada de mais. O problema foi que, segundo a Morena, os cariocas trouxeram para Belo Horizonte o chamado “zouk erótico”, que é um zouk “muito mais sensual”, “tuuuuudo de bom” e outros superlativos.

A Morena, empolgadíssima, mal se continha na cadeira enquanto explicava. Acabou se levantando para mostrar um ou dois passinhos. Pegou o “Samuel”, outro amigo, pra usar de exemplo:

– Mas aí tem um passo assim que o homem pega a mulher e coloca assim, ó…

E, instantes depois, Morena deu um “chegapracá” com os braços no Samuel e ficou completamente agarrada, com a testa colada na dele, e a ponta dos narizes se tocando. Como naquelas cenas de sexo da novela das oito. O Samuel ficou vermelho por uns 10 minutos, enquanto as outras meninas iam, imediatamente, à loucura…

– Aiiiii nossa!! Eu quero dançar isso! Onde tem, Morena? – Perguntou Bethania
– Ora, tem hoje mesmo, agora à noite… vamos?
– Aiiiii Zé, vamo? Vamo? Vamo? Vamo? Vamo?

Como de costume eu fiz minha avaliação racional da situação e cheguei à duas conclusões:

Se tudo o mais der errado, vai ter uma mulher, suada, se esfregando em mim.

E, dando certo ou errado, eu vou acabar tendo uma boa história aqui pro blog.

Aí, fui.


A Morena, dançando com um colega. Não, eles não estão ficando.

Eu sempre tive um problema para entender a dança, por vários motivos. Coordenar o meu próprio corpo, se movendo sozinho, nunca foi tarefa fácil. Adicione mais uma pessoa a alguns centímetros do meu pé tamanho 42 e você tem a receita para um desastre. Além do mais, eu nunca entendi a graça de ficar ali rodopiando e encaixando as pernas com alguém (mesmo sendo mulher. Que burro eu era)…

No entanto, a Morena passou alguns minutos me ensinando o básico da dança. Ao invés de dar as instruções técnicas que eu esperava (coloque seu pé aqui, mexa seu braço assim), ela dizia coisas do tipo: “Tem que fazer cara de quem tem a manha, de que tem certeza do que está fazendo. Tem que ter atitude, se soltar, entrar no teatro mesmo”… e aí eu finalmente entendi que a coisa não é fazer certo ou errado. É algo mais mental do que físico, por assim dizer. “Free your mind”, como diria o Morpheus no filme Matrix…

O que justifica o “erótico” do zouk erótico é que, além do rebolado típico da lambada, há muito contato visual, mãos correndo o corpo e tal. A mulher costuma girar a cabeça de forma lânguida, jogar o cabelo para tudo que é lado, descer até o chão e voltar “relando” no corpo do homem como se fosse uma cobra, entre muitas outras coisas no limiar entre o “sensual” e o “sexo sem tirar a roupa”. Mas tudo com todo o respeito, é claro: tinham meninas bonitas, nos seus vinte-e-poucos, que dançavam com tiozinhos barrigudos que pareciam ter saído de trás do balcão da padaria da esquina, e ambos davam um belo show de entrosamento.

Normalmente eu gosto de aprender coisas novas. Como naquela noite eu estava livre de preconceitos, acabei me esforçando de boa vontade, como se estivesse aprendendo cascading style sheets ou outra coisa nerd. E já que esfregar-se com uma mulher é um ótimo recurso didático, meu rendimento foi bastante satisfatório…

(Update: É claro que esta última frase foi uma piada)

Ok, agora podem rir e fazer piada com a minha cara nos comentários.

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