Posts de setembro de 2005


Citações

7 de setembro de 2005, 11:14

Na pista rolava uns lasers muito doidos cruzando o ar e a música que tocava era coisa que nem o Hermeto Pascoal conseguiria reproduzir. Um negócio dance que ficava batendo, batendo, batendo e batendo, infinitamente, até que, de repente, tudo parava e começava então uns 17 minutos de chiados, batucadas e ruídos estranhos, até que tudo explode e o batidão dance voltava com tudo. E assim ficava num looping interminável, a noite toda: Batidão, batidão, batidão, para tudo, ruídos por 17 minutos, batidão, batidão…

E Moskito achou a descrição perfeita para o Trance.


Infamous Jokes all around

6 de setembro de 2005, 0:23

A cena: Eu, Bethania e mais três meninas, todos sentados num café. As meninas todas, do curso de inglês de Bethania, incluindo uma professora. Todas falando inglês, pra praticar.

Uma delas contava sobre suas férias e se embolou pra falar da piscina do hotel. “Swimming pool”, ou “apenas pool”, disse a professora, e emendou:

- You know, now they are saying just “ool”, because they don’t want “pee” in it!

E o babaca aqui riu sozinho na mesa enquanto todo mundo fazia cara de interrogação.

O babaca aqui riu também depois de almoçar. Na prateleira de sobremesas do restaurante eles serviam “mouse”.

E no caminho de volta pra casa eu sempre passo em frente a uma ótica chamada “VA-LENTE”.

Aí fiquei triste porque entendi a piada abaixo e vi novamente o quanto sou nerd.

Q – Why do computer geeks celebrate Halloween on Christmas?
A – Because OCT 31 equals DEC 25.


Uma vida, um parágrafo

2 de setembro de 2005, 0:24

Celso nasceu em Roraima. Fez curso técnico de contabilidade e queria fazer Direito na faculdade. Tentou quatro vezes, desistiu e virou caixa de banco. Tocava violão porque sonhava ter uma banda e ficar famoso. Escrevia músicas na hora do almoço, fantasiava que as meninas bonitas que vinham à sua agência eram suas fãs. Celso nem tinha amigos suficientes para formar a tal banda, mas não desistiu do sonho nem depois de se aposentar. Morreu num asilo. Deixou de herança, pra quem quisesse, apenas cadernos com letras cuidadosamente passadas a limpo.

Joaquim era órfão e paulista, da capital. Aos quinze anos tinha uma meta: se tornar professor. Acabou engravidando Silvana, com 14 anos na época. Fez bicos aqui e ali para sustentar a família. Quando finalmente se estabilizou como trocador de ônibus, Silvana saiu de casa pra ir morar com um professor. De inglês. Bebia todo dia, o Joaquim, depois desse dia. Virou mendigo. Morreu no hospital aos 25 anos, depois de comer comida podre de um marmitex que achou no lixo.

Varinha era mineira, nascida em Barbacena. Cresceu tímida por causa do nome. Nunca fez amigos na escola e se fechava nos livros. Formou-se em Medicina, com méritos. Queria ser a melhor médica de todos os hospitais onde passou, para curar o orgulho ferido da infância. Quando concluiu a especialização, viajou para o nordeste, de férias. Durante um passeio de buggy nas dunas, ficou conhecendo a família do bugueiro, que morava numa favela. A filha do bugueiro estava mal de pneumonia. Varinha tratou a menina que, curada, agradeceu-a com lágrimas nos olhos. Varinha jamais se esqueceria daquelas lágrimas. Passou três dias sem sair do hotel, depois nunca mais voltou para Minas Gerais. Largou tudo e virou chefe do posto de saúde que havia no pé da favela. Atendeu centenas de milhares de pobres, de graça. Morreu de câncer aos 67 anos. Mudaram o nome do posto para “Posto de Saúde Dona Varinha”.

Maurício herdou o táxi do pai. Sonhava com dinheiro fácil, adulterava o taxímetro, dava voltas para arrancar mais dinheiro dos passageiros mais “trouxas”. Uma vez um “trouxa” deixou cair a identidade no chão ao descer do táxi. Maurício usou o documento para tomar empréstimos e dar calotes. O “trouxa” da identidade era juiz federal, e Maurício foi preso. A pena máxima do estelionato é de oito anos, mas Maurício, inexplicavelmente, passou a vida toda na cadeia.

A pequena Josiane nasceu com uma má formação no pulmão direito. Depois do parto, viveu apenas quatro horas.

Vadão só brincava de boneca quando era criança, para desespero dos pais. Depois de concluir o segundo grau, passou num concurso da Polícia Civil. Ganhou o apelido de “super-homem”: quando foi promovido a delegado, já havia levado quatro tiros, nenhum fatal. Mais três tiros depois, foi promovido à Capitão. Vadão, o invulnerável, o homem das sete balas, diziam os colegas. Jogava na Mega Sena todo santo dia. Nunca ganhou. Casou e teve três filhas. Brincou de boneca com todas. Aposentou-se, comprou uma casa com um jardim enorme, e lá passou o resto dos seus dias.


Opera de graça, ReBirth de graça

1 de setembro de 2005, 20:46

Depois do Opera dar licenças de uso gratuitamente, agora a Propellerheads liberou o download gratuito do ReBirth, sua primeira obra de arte em forma de software, a que deu origem ao magnífico Reason.

Sem brincadeira: eu estou emocionado.


Sobre música

1 de setembro de 2005, 0:35

Foi por volta dos anos 80 que Rita Lee gravou a música pega rapaz.

Sei que foi por volta dos anos 80, porque passou o videoclipe desta música no meu último vôo. A senhora Rita, pululante numa calça de estampa assustadora, cantava docemente uma letra que versava sobre seu assunto predileto: sexo.

De frente,
de trás,
eu te amo cada vez mais…

Rita Lee é um exemplo clássico daquela pessoa que exagerou nas drogas durante os anos 70. Essa é a explicação para versos como este ou outros ainda mais medonhos, como:

Tem tudo a ver o seu xaxim
com a minha trepadeira

A Dona Rita seguiu em sua cama voadora, fazedora de amor até os anos 90, onde aparentemente ficou criando os filhos no ostracismo. Antes do século acabar ela até ensaiou uma volta ao show biz. Gravou acústico (o melhor desfibrilador de bandas que existe), lançou disco, e gravou canções como a intitulada “amor e sexo”.

Aparentemente ela não esgotou o assunto…

Dezenas de meninas de quatorze anos aglomeravam-se, histéricas, na porta do meu serviço, hoje de manhã. O KLB estava chegando para uma gravação.

Nota mental: Carregar sempre uma granada no bolso para oportunidades como essa.