Posts de dezembro de 2005


O Primo’s Working Saga – The Forgotten Names

14 de dezembro de 2005, 7:25

07:12 – Estou no corredor da emissora de tevê, aqui em São Paulo. Ando até o banheiro, vou até o mictório, abro o zíper da calça mas penso: “Ei, não posso fazer isso, estou na cama”. Aí eu acordo na cama do hotel.

Levanto, vou ao banheiro, volto pra cama sonolento e penso: “Ahhh, tou aliviado… quantas horas de sono eu ainda devo ter?”

O despertador toca.

10:10 – O trabalho da manhã já está a todo vapor.

Isto é, o meu trabalho está a todo vapor. Por cima do meu ombro, o meu chefe, o consultor-sênior chamado Temístocles (nome fictício – sorte dele!) vai dizendo onde eu devo ou não clicar na minha planilha de excel.

Temístocles é um sênior bem legal. Ele só tem um lado ruim: ele costuma cortar minhas frases no meio, o que é irritante. Temístocles também é bastante eficiente, portanto ele deve cortar uns 95% das minhas frases.

10:45 – Recebo um email intitulado “Avaliação Nutricional”.

É que algumas semanas atrás havia um time de nutricionistas no refeitório da emissora. Elas pesavam você, colhiam alguns dados, depois o seu email e lhe enviavam o resultado.

Altura: 1,76 m
Peso: 90 kg

Você está com SOBREPESO

Podem levantar as plaquinhas de “eu já sabia”.

14:45 – Hora de fazer uma reunião com a editora executiva do telejornal.

Lucinéia (putz, adoro pseudônimos) estava debruçada sobre o computador, os dedos comendo o teclado freneticamente. Ela olhava para esquerda e lia um pedaço da Folha de São Paulo. Ela olhava para o outro e xingava um de seus repórteres:

- MAS É UM ABSURDO MESMO! EU TE MANDO LÁ PRO INTERIOR PRA VOCÊ FAZER A MATÉRIA E VOCÊ NÃO SABE NEM ME DIZER O QUE É QUE ESSE ENTREVISTADO AQUI FAZ?!?

Aí ela olha pro meio: lá estou eu, laptop debaixo do braço, com minha melhor cara de “não me mate”…

Um detalhe: por alguma estranha razão, o cantor Lobão estava em reunião na sala ao lado.

15:12 – E lá vou eu passando apressado pelo longo corredor da controladoria. Aí, um barulho:

aaaaaaaaa…

E eu andava e o barulho aumentava.

aaaaaaAAAAAAAAAAA…

E aí eu notei que aquilo era uma mulher gritando!

Parei assustado e olhei em volta. Estava em frente a uma porta fechada. Nela, um cartaz:

“Reservado para a fonoaudiologia”

15:40 – Na sala, meus outros colegas consultores estão debruçados sobre os computadores quando um deles pergunta para mim:

- Ei, foi você que deu os nossos nomes para a lista de entrada da festa de hoje à noite né?

E num canto obscuro dos meus neurônios estava a memória de algumas semanas atrás, quando uma mulher desconhecida me ligou, perguntando o nome de todo mundo da consultoria. Era para uns brindes de fim de ano, segundo ela.

Só aí eu percebi que na verdade os nomes eram para a super-festa de fim de ano da emissora, a ser realizada no Jóquei Clube e tudo o mais…

- Você falou o nome de todo mundo né? Senão a gente vai ser barrado na porta…

Eu não lembrava nem o nome da menina que me pediu os nomes. Pelo visto, as emoções da minha noite estavam garantidas.

17:10 – Abri meu programa de email para mais um trabalho.

Amanhã os diretores de sete programas diferentes fariam uma apresentação. Eu tinha sete “pedaços” de apresentação e precisava enviá-los para cada um.

Abri o bloco de notas do Windows e digitei o email padrão:

“Prezado XXXX, anexo apresentação para a reunião blábláblá…”

Aí eu só copiava o texto para o programa de email, mudava o XXXX para o nome da pessoa, anexava o arquivo e clicava em “Enviar”.

Tudo correu bem. O último email foi o da Lucinéia, a editora do telejornal. Anexei o arquivo, suspirei e dei o último clique em “enviar”.

Na fração de segundo entre o clique e o envio do email eu pude ver o cabeçalho da mensagem: “Prezado XXXX…”

19:01 – Todos os outros consultores já estavam com os notebooks devidamente “enmochilados”, e estavam indo, sorridentes, para a super-festa no Jóquei Clube.

Eu e Temístocles estávamos esperando ser chamados para uma reunião importante, com o vice-presidente e mais uma pá de gente.

20:12 – Temístocles resolveu ligar para a secretária do vice-presidente:

- Por favor, queria falar com o vice-presidente, pra saber quando é que começa a nossa reunião…

Pausa.

- Como assim ele já foi embora?

20:45 – Alguns engarrafamentos depois e estávamos no Jóquei Clube.

A recepcionista perguntou nossos nomes e foi verificar a lista de convidados. O meu nome e os nomes de todos os meus colegas consultores estavam lá…

…exceto o do Temístocles.

A coisa só não ficou pior porque a recepcionista acabou deixando que nós dois entrássemos. Mas tive que ficar meia hora ouvindo a sequência já esperada de gozações com a minha cara:

- Queisso cara! Cê foi esquecer logo o nome do seu chefe?!? Putz… nessa você realmente cagou fora do penico hein!

Se eu tivesse um penico, eu juro que pulava nele e fugia boiando pelo Rio Pinheiros.

21:20 – A música parou. O diretor comercial pegou o microfone e anunciou o início do sorteio dos brindes da noite. DVDs, TVs tela plana, aparelhos de som e outras “lembrancinhas”.

Eu tinha certeza que eu ia ganhar alguma coisa. Pelas seguintes razões:

O sorteio provavalmente seria com base na lista de convidados
O nome de Temístocles não estava na lista de convidados – por minha causa
Existe uma lei chamada “Lei de Murphy”…

Por sorte, o próprio Temístocles sinalizou que queria ir embora. “Vai que a gente ganha alguma coisa, vai pegar mal, a festa é deles e tal”…

22:01 – O táxi parou na porta do hotel. Eu só pensava no meu “habitáculo”, quentinho e solitário, pra eu poder dormir e esquecer esse dia.

Abri a porta e fui recebido com uma “frente fria” batendo direto na minha cara: a maldita da camareira deixou o ar condicionado ligado, no máximo.

Tive que me lembrar de não mexer muito a bunda enquanto escrevo este post: é que a cadeira ainda estava gelada…


Frases

12 de dezembro de 2005, 13:37

“Nossa, mas como São Paulo é frio…”
- Senhora de aproximadamente 50 anos, após descer do avião e entrar no ônibus que leva ao terminal (cujo ar condicionado estava ligado no máximo)


Leites and gemas…

11 de dezembro de 2005, 22:22

…meia révioratênxion plis fláite nâmba tú doboutrí fái to Uberlândia, dutudenupaqueipositio de plêin debórdi guêite chênge guêite nái…*

Isso aí é o pessoal anunciando os vôos no alto-falante aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no inglês mais macarrônico que eu já vi. Eu sempre me perguntei se os estrangeiros que estavam ali conseguiam entender alguma coisa do que esse povo fala.

Aí outro dia eu estava panguando em frente ao telão com os horários dos vôos quando alguém me perguntou:

- Hey, do you speak english?

Era um novaiorquino. Ia embarcar para Florianópolis a trabalho. Papo vai, papo vem, e eu finalmente tive a chance de matar minha curiosidade.

A resposta dele sobre o inglês macarrônico foi exatamente o que eu esperava:

- Ih, não dá pra entender nada. Só a cidade e os números. Eu entendo melhor o português – com o pouco de espanhol que eu sei – do que o inglês que esse povo fala…

* – Ladies and gentlemen may I have your attention please, flight number two double-three five to Uberlândia, due to the new parkway position of the plane the boarding gate changed to gate nine…


O passarinho olha

10 de dezembro de 2005, 0:21

Nessa sexta eu fiz uma coisa que estava ensaiando de fazer há um tempão: tirar fotos do avião.

Clique aí embaixo pra ver as que eu botei no Flickr.


É barra

8 de dezembro de 2005, 19:40






Zilhoes delas aqui. Tutorial de como fazer aqui.


O Habitáculo

7 de dezembro de 2005, 8:24

Caros leitores, apresento a vocês…

O Habitáculo

Este é o quarto do hotel Formule 1, onde fico quando estou em São Paulo.

Note que é só isso. A porta “iluminada” à esquerda é o box do chuveiro. E tem uma pequena “casinha” onde fica a privada, ali à esquerda da porta de entrada.

A foto foi tirada desta parede oposta, a da janela.

As coisas que não aparecem na foto, como telefone ou frigobar, é porque não tem no quarto mesmo.

São onze metros quadrados no total. Daí é que veio o apelido de “habitáculo”. O hotel Formule One é da rede Accor, mas é de classe “super-econômica”: não tem restaurante nem serviço de quarto, a TV só pega os canais abertos e uns três do cabo (bônus?), o café da manhã é “simplinho” e cobrado à parte… internet wireless até que tem, mas é só no primeiro andar, é Speedy e é carésima.

Parece ruim mas eu adoro. É limpo, o chuveiro e a cama – os itens realmente importantes de qualquer hotel – são excelentes, e pra completar eu não preciso dividir o quarto com ninguém.

E a vista da janela é do jeito que eu gosto.


Djavan, Daniela Mercury e outras esquisitices

2 de dezembro de 2005, 13:06

Daniela Mercury entrou para a lista das celebridades que eu já vi aqui na emissora de tevê.

Ela estava ontem no saguão da produtora. Acreditem ou não, fumando um cigarro…

Hoje na hora do almoço uma funcionária entrou no refeitório usando uma camiseta que tinha alguma coisa escrita.

Aí ela passou perto da minha mesa e eu consegui ler o que era:

“Detesto camiseta com alguma coisa escrita”

Uma vez um amigo meu inventou de chamar o Djavan de DJ Avan. Isso mesmo, “Didjêi Avân”. Toda vez que ele falava isso a gente rachava de rir.

E agora o cara está lançando um novo CD. Ao que parece, o destino tem um ótimo senso de humor.


Frases

1 de dezembro de 2005, 10:11

“The more you look at the same exact thing, the more the meaning goes away, and the better and emptier you feel”

(Andy Warhol)