Nonsense é isso aí

A seleção feminina de curling da Suécia participou dum vídeo da banda de death heavy metal chamada Hammerfall, com patrocínio das lentes de contato Acuvue.

As cenas das meninas do time, escorregando pela pista com suas vassourinhas e cantando “hearts on fire, hearts on fire, burning burning with desire” é uma das coisas mais incríveis que já vi.

Post de Carnaval

É hora do trocadilho infame: escrevo este post enquanto a Mangueira entra…

Este blog ficou um bom tempo em silêncio. Na semana anterior, da segunda até a quinta eu fiz maratona de “hora besta” e trabalhei até a meia-noite todos os dias. Eu basicamente dormi, acordei, trabalhei 14 horas e dormi, por quatro dias seguidos, sob uma quantidade absurda de stress e pressão.

Aí, finalmente, veio o feriado: todo mundo se mandou de Belo Horizonte para curtir a folia em outros lugares. A cidade está um deserto, perfeita para o que eu mais quero fazer nestes quatro dias: descansar.

Já sinto os efeitos colaterais: estou cabeludo, barbudo e ardido de sol de beirada de piscina.

Também comecei a tirar meu atraso cinematográfico: assisti Syriana e Orgulho e Preconceito. Syriana é bom, mas muito confuso e politizado. E Orgulho e Preconceito transformou um velho clichê romântico – o do ódio que na verdade é amor escondido – em um filme maravilhosamente bom e imperdível. Altamente recomendado.

O Primo’s Airport Saga

Eram 16:30 quando o notebook deslizou suavemente para dentro da minha mochila e comecei a me despedir dos meus colegas de trabalho. Hora de entrar no táxi e ir para o aeroporto.

De trás pra frente, meus horários eram os seguintes: o vôo decolava às 17:57, o check-in encerraria umas 17:20. Eu queria chegar no aeroporto às 17:10, o táxi iria levar uns 20 minutos até o aeroporto – bom, pelo menos na minha mente inocente – então eu deveria estar dentro dele às 16:50.

Só que o pessoal da empresa ficou puxando papo e só consegui entrar no táxi às 17:00, e já tinha trânsito, então cheguei no aeroporto às 17:30.

Desci apressado do táxi. A porta automática do aeroporto deslizou para as laterais e me deu a primeira visão do balcão de check-in da TAM. Era um contraste fabuloso: os funcionários em seus uniformes impecáveis, os passageiros em seus ternos bem cortados e seus tailleurs sofisticados… e todos urrando e se acotovelando como bichos.

É assim mesmo. Pra eu conseguir cruzar os céus tenho que passar pelo inferno primeiro.

Catei a primeira funcionária que passou:

– Já encerrou o check-in do vôo para Belo Horizonte?
– Já encerrou, senhor…
– Olha, falta meia hora pro vôo sair, por favor, vai lá e vê se ainda dá tempo, eu nem tenho bagagem para despachar nem nada…

Ela foi até o balcão e eu fiquei esperançoso, afinal a probabilidade do vôo estar atrasado era de no mínimo 90%.

Minha esperança durou exatamente trinta segundos:

– Já encerrou mesmo, senhor. O próximo vôo é as 19:30 mas está lotado. O balcão para lista de espera é o de número dezenove.

O resto da comunicação entre eu e a funcionária durou dois segundos e foi não-verbal. Minha cara de desespero dizia: Mas como assim não dá pra embarcar? Me bota nesse vôo minha filha!!!.

A cara dela dizia: Olha, eu vou ficar aqui com essa cara de paisagem até você entender que eu não vou resolver o seu problema.

Então fui ao guichê 19, que era o pior deles. Os passageiros urravam diretamente na cara dos funcionários, que pareciam à beira de um ataque de nervos. Atrás do balcão os atendentes subiam nas cadeiras para berrar os nomes. Parecia a ONU distribuindo comida na África.

Fiquei na fila do guichê 19 por uns cinco minutos. Aí percebi que a ação de verdade acontecia era na muvuca que se aglomerava no balcão, e que não respeitava fila nenhuma. Me senti um idiota e catei outro funcionário:

– Com quem é que está a lista de espera para Belo Horizonte?
– Aquele cara ali já está chamando a lista.

Era um cara no guichê 23, segurando a lista na mão, e cercado dos primatas engravatados, prestes a atacar. Concluí que boa educação não ia me colocar em nenhum avião, avancei no meio da massa humana, me esqueci de todos os “com licenças” e “obrigados”, me debrucei sobre o balcão e assoviei como se estivesse num estádio de futebol:

– FFFIIIUUU!!! Ô CARA! Me ajuda aqui!

E veio um funcionário baixinho e franzino. Dei a ele minha carteira de identidade e falei:

– Me bota na lista de espera pra BH pelo amor de Deus!
– Tá certo.

E saiu com meus documentos. Um minuto depois ele voltou, passou direto por mim e começou a digitar alguma coisa no seu computador.

– Ei!! Mas e meu nome na lista?
– Não vou colocar não, senhor, vou fazer o seu check-in aqui. Ainda dá tempo de pegar o seu vôo.

Lembrei da funcionária que me disse que o check-in havia encerrado. Eu queria bater nela. Eu queria vê-la sangrar. A única coisa que interrompeu meu instinto sanguinário foi a visão do cara me entregando o cartão de embarque.

A minha carta de alforria…

– Como você se chama? – Perguntei.
– Rodrigo.
– Rodrigo, meu caro… eu vou ligar para a TAM e vou falar bem de você. Muito obrigado!!

Agora só faltava a parte dois da saga: embarcar a tempo. Nos dias normais, quando eu chego cedo, costumo ficar de papo com algum colega, ou lendo um livro ou fuçando na internet enquanto o embarque não começa. E costumo rir daqueles tipos apressados que ficam correndo, ofegantes e cheios de malas, pelos longos corredores da sala de embarque porque estão prestes a perder o avião.

Naquela tarde eu era um deles.

Meu portão era o portão 11, o último do andar de cima do aeroporto. Eu tinha uns 100 metros para percorrer (com mala e mochila nas costas) e um vôo que deveria estar saindo em cinco minutos. Eu corria e olhava através das paredes envidraçadas. Via os logotipos das companhias aéreas, enfileirados, estampados no leme dos aviões, e torcia para que o último deles fosse o da TAM. E que não estivesse em movimento…

Quando eu estava quase chegando no portão, eis que surge no corredor a funcionária que me disse que o check-in estava encerrado. Aquela mesma que eu queria matar…

Parei minha corrida na hora:

– Qual o seu nome mesmo?
– Alexa…

Sacudi meu cartão de embarque bem na cara dela:

– Um colega seu fez meu check-in. Eu vou ligar para a TAM e vou reclamar de você.

E recomecei a corrida maluca. Nem olhei pra trás. Só deu tempo de ouvir um “conseguiu embarcar, senhor?”

Faltavam apenas alguns metros e eu já podia ver a fila do portão 11. Pra aumentar meu desespero, ela já estava terminando de embarcar. A plaquinha eletrônica sobre o portão indicava que o vôo ia para… Vitória?!?

Vitória significava minha derrota. Entrei no meu modo selvagem novamente, atravessei a fila como louco e perguntei outro funcionário:

– Mas cadê o vôo para Belo Horizonte?!??
– Portão 10, senhor – disse ele, olhando para a tela do computador.

Não entendi, nem perguntei. Recomecei a corrida. O portão 10 estava mais pertinho, mas em compensação estava completamente vazio. Não havia ninguém. Nem avião.

E lá estava eu, ofegante e em pânico, em frente ao portão vazio. Só um milagre pra me salvar.

Ele veio pelo alto-falante:

“Senhores passageiros do vôo com destino à Belo Horizonte, informamos que devido ao reposicionamento de aeronave no pátio o seu embarque mudou para o portão de número dez, e o embarque será iniciado após a chegada da aeronave…”

No fim das contas, com a mudança, eu estava no portão certo, antes do avião e de TODOS os outros passageiros.

Quinze minutos atrás e eu estava perdendo o vôo. Agora eu era o primeiro a chegar…

Finalmente estava tudo certo. Só me restava esperar. E isso eu fiz bastante. O embarque atrasou ainda mais meia hora. Depois, a decolagem atrasou mais uns vinte minutos. “Muito tráfego aéreo”, disse o piloto. Pousei em Belo Horizonte com uma hora e meia de atraso.

O dia de amanhã

We need to talk
Step into my office, baby
Wanna give you the job
A chance of overtime…

Agora há pouco eu comecei a fazer as malas para mais uma semana em São Paulo.

Coloquei um CD do Belle and Sebastian para tocar. Esse aí é o refrão da primeira faixa.

Nada poderia ser mais apropriado.

Dá-lhe insônia!

Ontem foi dureza. Saí do trabalho as 22:30, cheguei no flat e haviam sumido com a minha reserva. Aí tive que dividir apartamento com mais dois colegas, dormindo numa cama extra, na sala do apartamento.

E aí veio a cereja em cima do sorvete: a insônia. Fui dormir às 00:30, acordei às 3:30, voltei a dormir as 6:00 e o despertador tocou 7:30…

Pelo menos a madrugada serviu pra ler mais da metade do meu livro novo: Blink – A decisão num piscar de olhos. Trata da habilidade absurda do cérebro de tomar decisões muito acertadas no nível do inconsciente.

Um exemplo do livro é o de um técnico de tênis que descobriu que ele conseguia prever, instintivamente, quando um jogador iria cometer dupla falta (errar o saque duas vezes). Ele dizia que o cara errava a primeira e, no momento em que ele jogava a bola pro ar no segundo saque, ele pensava: “Ihhh, dupla falta”. E era mesmo. Num jogo com dois tenistas que ele nunca havia visto, ele resolveu anotar quantas duplas faltas ele previa corretamente. Acertou 16 das 17 vezes.

O técnico não soube explicar o porquê disso. O autor do livro está explicando muito bem pra mim até agora…

Links: Garfield, Popices, papéis de parede, nomes de jogos, mashups e NINJAS DO ARROCHA!

Finalmente alguém descobriu como fazer as tirinhas do Garfield ficarem engraçadas: é só tirar os balõezinhos de pensamento.

Pop Experiment. Ilustrações diversas. Lindo.

Até virou papel de parede aqui.


LUXE DELUXE, by Ekud (detalhe)

Os 10 piores nomes de jogos de todos os tempos. Obviamente a maioria deles é japonesa. E o título Jesus: Deadly Bio Monster pra mim foi o melhor, disparado.

The Beastles – Dois álbuns para baixar, com mashups de Beatles com Beastie Boys.

(Luiz e Norton, este é download obrigatório pra vocês)

Misture Hanson com Falcão, Banda Calypso e… ninjas. O resultado? Os Ninjas do Arrocha! (link via CrisDias)

(CUIDADO!!! É MUITO TOSCO!!! Não me responsabilizo por danos cerebrais ou crises de riso que durarão dias inteiros)

Funk como le world gusta

A cada dia que passa eu recebo mais confirmação de que o funk vai dominar o mundo.

Quando eu vou ao médicô
Sinto uma dor
Quer me dar injeção
Olha o papo do doutor!

Volta e meia eu baixo um mix de algum DJ aleatório da gringolândia e de repente… ele me lasca um funkão brasileiríssimo no meio. Dessa vez foi um mix intitulado Catchdubs ‘Bounce Le Gros vol.4’, que eu vi na minha edição quinzenal do informativo Earplug.

Injeção dói quando fura
Arranha quando entra
Doutor, assim não dá, minha poupança não aguenta!

O DJ é o jornalista da revista Fader chamado King Catchdubs, e Bounce Le Gros é o nome de uma festa em Montreal, no Canadá. É. Montreal. Lá no hemisfério norte, mais de dez mil quilômetros pra cima.

Tá ardendo mas eu tou aguentando!
Arranhando mas tou aguentando!
Tá ardendo, eu tou aguentando!
Arranhando e eu tou aguentando!

E o funk da vez foi “Injeção”, da funkeira Deize Tigrona, música que a cantora M.I.A. usou como base para montar sua Bucky Done Gun. A letra é essa que estou usando para “ilustrar” este post.

Ai! Doutor, que dor! Ai! Médicô, que dor!

Mais sobre a aliança Deize + Mia aqui (com link para o MP3 de “Injeção”, inclusive). E eu me pergunto em que mundo será que meus filhos vão nascer.

Eu, o consultor sem nome

São Paulo se derretia em chuva do lado de fora da sala de reunião. Do lado de dentro, um colega consultor me entregava um daqueles famigerados laser pointers: eu ia começar uma apresentação.

Era o projeto da indústria química. E era a reunião comercial, com a presença de todos os figurões, incluindo o Superintendente, com quem eu já havia me reunido há algumas semanas.

Peguei o laser pointer, me levantei e andei tranquilamente até o telão. A apresentação estava perfeita, o conteúdo era matador, e eu estava 100% confiante… até que o Superintendente abriu a boca:

– Peraí, mas quem é você?!

E nesta segunda-feira eu vim direto do aeroporto para a indústria química, e de lá direto para a sala de reunião. Novamente, todos os figurões presentes. O Superintendente participava à distância, via teleconferência, e distribuía puxões de orelha para todo mundo.

Quando ele cobrou um dos trabalhos da consultoria, eu pedi a palavra, expliquei que o que ele havia pedido já estava em andamento e dei outros detalhes. No final, o Superintendente disse:

– Tá certo, obrigado pelo seu comentário, Tonico.

Um detalhe: meu nome não é Tonico