Posts de fevereiro de 2006


Fantasmas Banda Larga

14 de fevereiro de 2006, 8:22

Quinta-feira passada, à noite, eu estava sozinho num dos quartos do flat, esperando um colega chegar de viagem para dividir o quarto comigo. Aí resolvi tomar um banho.

Alguns minutos depois desliguei o chuveiro e ouvi o barulho da TV ligada. “Ele já deve ter chegado”, pensei. Terminei de me enxugar e abri a porta.

E o barulho da TV parou de repente.

“Tem alguém aí?”, disse eu. A resposta foi o silêncio. Examinei o quarto: estava mesmo vazio. O controle remoto da TV estava na estante, no mesmo lugar em que eu havia deixado.

Achei aquilo tudo muito estranho. Pensei por alguns minutos: seria interferência da rede elétrica na TV? Mas o chuveiro nem era elétrico?

E com esse pensamento andei de volta até o banheiro. No exato momento em que abri a porta, a TV ligou por um segundo e desligou novamente. E eu me assustei.

Voltei devagarzinho até a sala, com o olho arregalado, já pensando em que tipo de macumba tinham feito nesse maldito quarto, quando lembrei que o notebook estava ligado em cima da mesa…

No final das contas o barulho intermitente da “TV” era um vídeo que estava baixando no notebook. Como a internet tava lenta, o vídeo ficava “engasgando”, e começava e parava sozinho exatamente nos momentos mais assustadores da noite.


Ramones? kkk!!11

10 de fevereiro de 2006, 11:33

versão em miguxês para Ramones: Uma Risada Levou Minha Garota (kkk took my baby away).

É por essas e por outras que eu leio o blog do Tiagón todo dia.


Incrível! Genial! Bizarro!

7 de fevereiro de 2006, 16:30

… é o tipo de coisa que se acha na internet:

Comecemos pelo “genial”:

O mapa da música

Dorian Lynskey é um jornalista inglês com muito tempo sobrando, ou com o melhor emprego do mundo. Ou as duas coisas.

O cara usou o mapa do metrô de Londres para plotar estilos musicais, suas bandas importantes e suas interseções com outros estilos (mapa completo em PDF aqui). Obviamente tem lá suas falhas mas no geral ficou tão lindo que eu quero imprimir isso em formato grande e pregar na sala da minha casa.

E, como eu vou me casar em agosto, é bem provável que eu faça mesmo isso.

Agora, vamos ao “incrível”:

Quake em 3D de verdade

A tela da direita é o Quake 2 normal. A da esquerda é o Quake 2 renderizado como estereograma – sabe aquelas figuras estilo “olho mágico”, que você “cruza” o olhar e consegue enxergá-las em 3D? É isso. Não parece, mas naquele monte de pontinhos dá pra ver a mesma sala mostrada na figura do lado em toda a sua glória tridimensional.

Tudo culpa de um doido chamado Lewey Geselowitz. No site dele tem as instruções para testar com o demo do Quake 2. Funciona mesmo.

E para encerrar, o “bizarro”:

A festa do “montinho”!

Meus caros… apesar de não parecer, isso aí em cima é uma FESTA, minuciosamente organizada, chamada cuddle party.

Em português, “cuddle” significa algo como “ficar abraçadinho”. E é nisso que se baseia a festa – basicamente, fazer um “montinho” com mais um monte de gente e se perder no oceano de pernas e braços.

Para você que pensou que isso é só um nome diferente para “orgia”, está enganado. As cuddle parties não envolvem nenhum tipo de contato sexual e contam, inclusive, com um “salva-vidas do montinho”- um cara especificamente convidado para tomar conta da farra e se assegurar que ninguém está desrespeitando alguma das regras. As regras básicas são duas: Todo mundo deve estar vestido o tempo todo, e “dry humping”* é terminantemente proibido.

Eu queria muito que isso fosse só uma lenda de internet. Mas é tão real que já foi até tema de matéria da revista Nerve.

* – “Dry Humping”? É difícil de traduzir. Sabe quando o cachorro tá no cio, pula na sua perna e fica relando na sua roupa? É mais ou menos isso. Mas troque a perna e o cachorro por dois seres humanos. Totalmente vestidos.


Gérson e a criminalidade

3 de fevereiro de 2006, 8:57

Demorou, mas aconteceu. Fui roubado em São Paulo pela primeira vez.

Aconteceu hoje de manhã, no restaurante do hotel. Fui até o buffet, peguei dois pães de forma, coloquei na torradeira e voltei para a minha mesa.

Alguns minutos depois, voltei ao buffet para buscar meus pães já torradinhos e crocantes, mas encontrei apenas a torradeira… vazia. Algum hóspede larápio viu minhas torradas quentinhas e, na maior cara-de-pau, surrupiou-as para si mesmo…

Falando sério agora. Eu tenho visto muito mais destes “pequenos delitos” e espertezas nessa minha rotina de terno, gravata, aeroporto e hotel. Exemplos:

No Aeroporto de Congonhas, os atendentes da TAM dizem no alto-falante, de cinco em cinco minutos: “Com sua atenção senhores clientes, informamos que os guichês número “xis” e “ipsilon” são apenas para atendimento dos clientes fidelidade na categoria vermelho. Pela atenção, obrigado”.

Isso é necessário porque cliente da TAM com cartão fidelidade vermelho (ou seja, muitas milhas) vira VIP e tem guichê exclusivo, quase sem fila, para fazer o seu check-in. E muita gente que não tem cartão vermelho dá uma de joão-sem-braço e vai nesse guichê assim mesmo, fingindo que não viu as plaquinhas avisando.

Além da fila do check-in, fura-se muitas outras filas em aeroporto. Em Congonhas, no ponto de táxi, normalmente eu sou passado pra trás por uns três executivozinhos que andam “distraídos” em direção aos táxis que vão parando. Como sempre tem um guardinha de trânsito xingando e mandando agilizar a fila, o taxista acaba pegando as malas do executivozinho que está ali mais perto, porque aí consegue sair mais rápido e evitar uma multa.

Mas nada disso supera a fila pra embarcar no avião. Normalmente formam-se umas três filas paralelas em frente ao portão de embarque, além de um “bolinho” de pessoas supostamente “distraídas” que furam a fila na cara dura e se amontoam na frente.

Aí o pessoal, para agilizar o embarque, chama primeiro o pessoal que vai se sentar nas fileiras do fundo do avião. Normalmente o pessoal ignora isso, se amontoa no “bolinho” e embarca de qualquer jeito.

As fileiras de assentos no avião possuem três lugares: a janela (boa), o corredor (bom) e o assento no meio desses dois, que é bem ruim porque você viaja espremido entre duas pessoas.

Eu já perdi a conta das vezes em que meu assento era uma janela ou um corredor e cheguei no avião e havia alguém no meu lugar, dando uma de distraído, pra ver se eu não ficava sem graça de falar alguma coisa e sentava no assento do meio. Nesses casos eu, educadamente, mostro meu ticket da passagem com o número do meu assento e a pessoa vai pro seu devido lugar. E SEMPRE é o assento do meio.


Vamos jantar?

1 de fevereiro de 2006, 23:03

1 - Salada “Vitória”, do Granville, meu restaurante-delivery predileto. Composta de alface, ricota (aquela massa branca à esquerda), presunto, palmito (no canto superior direito) e uva passa (escondida debaixo de tudo isso que tá aí).

Pedi também um quiche de espinafre (aquele troço parecendo uma engrenagem no meio do prato) pra acompanhar – e para a minha refeição ter pelo menos um pouco de carboidrato. Senão eu acordo no meio da noite varado de fome.

2 - Guaraná Antarctica Diet. Faz um tempo que eu, de forma homossexual, só tomo refrigerante diet. Minha língua já nem reclama mais do aspartame.

Na verdade eu só ando pedindo o guaraná por hábito mesmo, porque, por incrível que pareça, a Coca Light nova é muito melhor.

3 - Chave do quarto. Não cai bem com salada, mas é bem útil na hora de entrar e sair.


Episódios de taxista

1 de fevereiro de 2006, 22:41

Episódio um

Segunda-feira, cinco e meia da manhã. O táxi pára exatamente em frente ao portão do meu prédio. João, o taxista, me ajuda com as malas e zarpamos para o terminal do ônibus que me leva ao aeroporto (*)

São cinco e quarenta e o táxi chega no terminal. É horário de verão, então ainda está tudo escuro. Peço ao João que faça um recibo pra mim e vou pegando as malas.

Quando percebo, João está fora do táxi, recibo na mão, caneta na outra, todo curvado, debruçando-se sobre o capô do carro, num ponto mais iluminado pelo poste.

Aí ele me vê olhando e resolve se explicar:

- Putz, minha vista num tá boa, mal consigo enxergar esse recibo aqui…

E foi esse mesmo cara que tinha acabado de me trazer até ali.

Episódio dois

Sexta-feira, cinco e meia da tarde, acabo de chegar de São Paulo e estou no Aeroporto da Pampulha, entrando no táxi.

Alguns minutos depois, Tadeu, o taxista pergunta:

- E aí chefe, quer ouvir alguma coisa?
- Ah, sei lá, pode colocar qualquer coisa aí.

Tadeu abre o porta-luvas e o pára-sol, todo orgulhoso, mostrando dezenas de CDs (piratas e/ou gravados)

- Pode escolher, chefia, tem de tudo aqui…
- Ah, qualquer coisa serve… tá bom, o que você tem aí?
- Tem de tudo, rock, música romântica, funk, techno, sertanejo, Emerson Nogueira…

E no exato momento em que ele disse “Emerson Nogueira” eu entrei em pânico e, num ato reflexo, disse:

- TECHNO! Er… bota o techno aí então.

Obviamente não era techno de verdade. O CD abriu com “Satisfaction”, o sucesso de… Benni Benassi.

Episódio três

Segunda-feira, cinco e meia da manhã. O táxi pára exatamente em frente ao portão do meu prédio. Raul, o taxista, me ajuda com as malas e, no exato momento que eu entro no táxi, cerveja.

O táxi INTEIRO fedia a cerveja.

Rezei baixinho para que aquele cheiro não fosse do motorista, fosse apenas de algum passageiro bebum que tenha derramado sua latinha de Skol.

Olhei em volta para ver se achava alguma mancha molhada. E aí me arrependi, porque percebi o quanto o táxi estava sujo: as capas protetoras dos bancos estavam no estágio mais avançado de encardimento que eu já vi. E eu lá, de terno, tentando me manter o mais imóvel possível.

(*) É que o Aeroporto de Confins, lá em Belo Horizonte, não fica em Belo Horizonte, e sim em Confins. E como Confins fica depois de uma cidade depois de uma cidade depois de Belo Horizonte, o táxi pra lá fica muito caro, e portanto sou obrigado a pegar o ônibus executivo.