Sobre sentimentos profundos (e rasos)

Neste blog aqui, neste post aqui:

Eu não tenho fé na humanidade. Acho que a maioria das pessoas se emocionam demais, no sentido hiperbólico da coisa, e sentem muitíssimo pouco, no sentido sentir de verdade. Tudo é um grande circo de emoções e expressões, mas não há profundidade nenhuma. Todos morrem durante um tempo por alguma coisa ou por alguém, e isso dura meses, anos ou nano segundos, mas depois, a maioria muda de canal e segue em frente sem sequer lembrar do acontecido. Logo encontram outra coisa para morrer ou culpar – principalmente culpar – pelos fracassos.

Genial. A única diferença disso com o que eu penso da vida é que eu ainda tenho um restinho de fé na humanidade. Que fica renovada quando eu leio coisas assim, que só fazem lembrar que ainda existe gente que com sensibilidade o suficiente pra perceber o problema.

Um email

Para: “Fale Conosco” da Tok&Stok (info@tokstok.com.br)

Prezados,

Acho que vocês sabem como é realizar sonhos. Fazer planos, ter idéias, se preparar, criar coragem e perseguir seu objetivo. Sonhos tornam a existência de qualquer pessoa um pouco mais mágica.

Já pararam pra pensar quantos sonhos a Tok&Stok viabiliza? Vocês não vendem simplesmente uma mesa, uma cama ou uma cadeira: muitas vezes vocês vendem o item que faltava pra construir um quarto ou uma sala dos sonhos de alguém.

Foi assim comigo e com a minha noiva. Meu casamento é daqui a dezesseis dias e estamos nos últimos detalhes de decoração do nosso futuro lar. Decoramos todos os cômodos do jeitinho do nosso sonho, com as cores que desejávamos e os móveis mais bonitos que encontramos. Não sei se quem vai ler este email é casado(a) ou não, mas acredite: construir um sonho deste tamanho junto com alguém que se ama é uma das maiores alegrias deste mundo.

Só faltava uma mesa para o escritório. Curiosamente, um item simples como esse estava dando muito trabalho: perdi a conta de quantas lojas percorremos procurando uma boa mesa. Todas elas eram medonhas. Algumas eram tão feias que pareciam que iriam pular em cima de você e devorar o seu fígado (é sério!).

Até que passamos pela Tok&Stok aqui de Belo Horizonte e encontramos uma mesa modelo Cross (cód. CROSSMCT). Foi um alívio para nossos joelhos cansados de perambular pela cidade. Era a mesa perfeita! Bem, na verdade seria, não fosse por um detalhe: o preço. Não que ela seja cara, mas faltavam duas semanas para o casamento, tudo que podíamos (e não podíamos) ter gasto já tinha sido pago, e a mesa estava um pouco acima das nossas possibilidades. E aí é que começa o problema…

Até então nós havíamos conseguido negociar o preço de TUDO que compramos para nossa nova casa. Absolutamente tudo. Choramos desconto na geladeira, pedimos um precinho melhor no colchão… até quantias minúsculas, como 10 reais a menos no preço de um varal, a gente pechinchou. O preço de TODOS os nossos móveis foi negociado. Era bom pra todo mundo: saíamos das lojas felizes porque compramos a cama ou o sofá dos nossos sonhos a um preço melhor, e a loja ficava contente com um dinheiro extra no caixa. Mas na Tok&Stok, para meu espanto, eu fui informado que mesmo numa compra daquele valor eu não teria como conseguir nenhum tipo de desconto à vista, no máximo um parcelamento dito “sem juros” (sejamos francos: os juros já estão embutidos no preço. Ou isso, ou vocês precisam de um novo gerente comercial)…

Eu insisti muito com a vendedora. Queríamos muito aquela mesa, tanto que eu me ofereci até para levar a que estava no mostruário por um preço menor. Mas não teve jeito.

Foi um balde de água fria no sonho do nosso escritório. Era um contrasenso: a melhor loja de móveis que visitamos era a que tinha a pior condição comercial. Mas não tinha jeito: a mesa dos nossos sonhos não podia ser outra. Era a que estava lá no showroom de vocês.

Assim, foi com um sentimento de derrota que voltei à Tok&Stok para comprar a mesa. Não foi com aquela alegria gostosa de estar realizando um sonho. Pra piorar, precisávamos comprar também um gaveteiro para acompanhar a mesa. Pelo menos achamos um daqueles “últimos itens” cujo preço já tinha baixado, porque o gaveteiro sugerido para acompanhar a mesa custava quase o mesmo que ela. O vendedor nos instruiu (muito bem, por sinal) a pagar o “preço casa” (incluindo montagem e entrega) para o gaveteiro, pois a montagem era complexa e podia estragá-lo.

Quando eu estava quase me conformando com a situação, o vendedor nos mostrou as opções de puxadores para o gaveteiro. Após escolhermos, ele disse a coisa mais ultrajante que já ouvi:

– A taxa de entrega para cada puxador é de um real.

Em todos os meus vinte e sete anos de vida eu nunca havia ouvido um absurdo como aquele. Reflita comigo: eu queria realizar um sonho de ter um móvel legal no escritório, e até agora estava pagando o dobro do que queria, numa condição comercial que poderia ser resumida como “do nosso jeito ou de jeito nenhum”, e ainda teria que pagar um real de taxa de entrega para os puxadores do móvel.

Na semana anterior, em outra loja, nós tínhamos comprado uma cômoda para o quarto, com 10% de desconto à vista e com várias modificações personalizadas no acabamento (incluindo seis puxadores!) que graças à boa vontade da vendedora foram feitas sem custo. Mas na Tok&Stok, infelizmente, era diferente.

Acabei aprendendo, do pior jeito possível, a nunca mais comprar nada na Tok&Stok.

Este email é só pra contar como foi que o sonho de uma mesa legal no nosso lar tornou-se uma história que contarei a meus amigos com uma expressão desanimada no rosto. Ah, antes que me esqueça: tomei a liberdade de reproduzir uma cópia desta carta em meu blog.

Atenciosamente,

José Carlos

Veggie-Fu

E ontem eu e Bethania fomos almoçar num restaurante grego em que um dos pratos tinha o seguinte ingrediente: brócolis ninja.

Eu juro. Olha aí a foto.


O cardápio (à esq.) pra não me deixar mentir, e (à dir.) o brócole prestes a atacar…

Apesar disso, em nenhum momento ele saiu dando voadora ou desapareceu numa nuvem de fumaça. Que decepção.

Bom dia, São Paulo!

Alguns meses atrás eu tive uns problemas de agenda e fui obrigado a voar de São Paulo pra BH às seis e meia da manhã de uma quinta-feira, que era feriado, inclusive.

O avião foi pra cabeceira da pista e eu fiquei panguando em frente a janela, sonolento. Aí, conforme ele subia, notei que São Paulo inteira estava coberta por uma neblina bem baixa, e só o topo de alguns prédios ficava acima da névoa. Some isso com o sol baixo no horizonte, fazendo o topo dos prédios projetar sombras sobre a neblina, e lá estava uma das vistas aéreas mais bonitas que já vi em todos esses meses de viagem de avião…

Este seria um típico momento “cadê minha câmera quando eu preciso dela”… só que, dessa vez, eu estava devidamente preparado.

E ainda assim eu quase não consigo bater a foto, porque no instante que liguei a máquina a bateria deu seus últimos suspiros. Entenda “últimos suspiros” como dez segundos de bipes altos e longos, num avião lotado e durante a decolagem (quando é proibido o uso de aparelhos eletrônicos). Pelo menos deu tempo de sacar as minhas fiéis baterias-backup e tirar a foto.

Deu vírus

Bethania diz que eu sou paranóico com segurança digital, só porque eu uso senhas compridas, mudo-as com frequência e desconfio de tudo e todos.

Ontem essa paranóia salvou minha pele.

Fui usar o computador daqui de casa, o mesmo que meu pai e minha irmã usam, pra acessar minha conta do Banco do Brasil. Tava com pressa e resolvendo um monte de outras coisas ao mesmo tempo, então abri o Firefox, digitei rapidinho a agência, conta, senha e na hora do OK, o susto: “Dados não conferem”. Aí eu parei e todas as luzinhas de alerta do meu cérebro acenderam. Eu sabia que havia digitado certo. Tanto que digitei tudo de novo e funcionou.

Ainda assim eu SABIA que tinha algo errado, então mudei imediatamente a senha e saí. Quando fechei o Firefox, notei que tinha uma janelinha de login/senha boiando, solitária, na tela…


Objeto voador não-identificado…

Pra confirmar minhas suspeitas, abri o Gerenciador de Tarefas e cliquei em “Processos”. Nessas horas a paranóia, casada com o instinto aguçado obtido após anos trabalhando com computadores, compensou: não precisei de mais de um décimo de segundo pra ver, na lista de dezenas de processos ativos, um que chamava-se “microsoft.exe”. É o típico lobo em pele de cordeiro, ou nesse caso, vírus segurando uma plaquinha escrito Microsoft pra dizer “eu sou do bem”. Afinal de contas, se fosse um processo genuinamente Microsoftiano, ele teria um nome mais charmoso, como “mssftlyr.exe”…

Uma rápida pesquisa no Google confirmou minha suspeita: o tal “microsoft.exe” era o vírus Gaobot, usado para roubar senhas de home banking. Por isso que, da primeira vez que digitei minha senha, deu erro de “dados não conferem” – na verdade eu havia digitado é no Gaobot, e ele inventou esse erro aí e me jogou de volta pra página original do Banco do Brasil pra que eu não desconfiasse de nada, enquanto ele envia a minha senha pra algum estelionatário digital por aí. E, às vésperas do casamento, este problema seria especialmente grave…

Casório Countdown

Faltam só 19 dias…

Sexta passada eu tava no Rio, bem mal de sinusite, e fui mais cedo pro aeroporto, tentar remarcar meu vôo pra voltar antes do previsto. Não deu certo e, de quebra, consegui um novo personal chá-de-aeroporto record: cinco horas atoa no Galeão, vendo a Rede Globo gravar entrevista com o pessoal que ficou sem vôo por causa dos cancelamentos da Varig.

No fim de semana eu já estava um pouco melhor e deu pra reiniciar a maratona de entrega de convites do casamento e de arrumação de casa. A máquina de lavar, presente de um casal de padrinhos (valeu padrinhos!) chegou no sábado. Bethania passou no apartamento mais tarde e aproveitei pra mostrar a máquina pra ela. A reação dela foi hilária:

– Ooohh, a nossa máq…. TA ARRANHADA!!!
– Quê?
– Aqui, ó!! Tá arranhada!!

E apontou para a emenda da peça de plástico da tampa. Ela só sossegou quando eu mostrei que tinha um “arranhão” igualzinho, simétrico, do outro lado da tampa.

Acho que nós dois estamos ficando meio doidos com a correria. Eu, por exemplo, sonhei um dia desses que Luiz, meu primo, tinha sido dado como morto na Internet e as pessoas começaram a fazer piada com as fotos dele e espalhar por tudo que é lado. Mais ou menos como se espalhou aquela história do sanduíche-iche. Isso não é coisa de gente normal.

Coisas pequenas demais para virar post mas grandes demais pra não irem pro blog

Esqueci de contar que estarei de férias toda segunda e terça até o dia do casamento.

O lado bom? Putz, é férias, e vai dar pra resolver um tanto de coisa do casório.

O lado ruim? Eu recebo por dia trabalhado, portanto…

Fiquei feliz ontem: fiz meu cooper quarta-feira, em Copacabana, e nenhum velhinho me ultrapassou como da última vez. Culpa do Rather Ripped, disco novo do Sonic Youth que ouvi durante os exercícios. Ainda acho que Incinerate vai ser a música do ano de 2006…

Aí quinta minha garganta ficou ruim e na sexta veio outra crise de sinusite.

Eu sempre curti aquela mensagem de erro do Flickr que dizia que o “Flickr is having a massage”

Aí vi no Cool Hunting que eles inventaram uma ainda melhor: aparecem dois círculos grandes na tela e uma mensagem dizendo: “Arrrgh! Nossa tubulação entupiu toda!”. E mais abaixo instruções sobre o que fazer enquanto o Flickr não volta: imprimir aquela página, colorir os círculos como quiser, tirar uma foto, mandar pra lá e concorrer a uma conta Pro por um ano. Genial…

Luiz tinha razão, DJ Shadow é bom mesmo.

Sou só eu que acha ou a Cow Parade de Belo Horizonte realmente tá um lixo?

Tente dizer a seguinte frase em três segundos:

“Serviço de relacionamento com o cliente Gol informo que esta ligação está sendo gravada Solange bom dia um momento”…

Foi o que a mulherzinha do 0800 da Gol acabou de fazer aqui.

Eye Candy

Vídeo do novo jogo da Valve, chamado Portal. O conceito é simplesmente genial…

Três meninas, um bote inflável, um gato e alta velocidade = Momento Kodak!

Quando eu vi que este vídeo chamava-se Quick Change eu achei que era algo sobre “troco rápido”. Mas na verdade é um número de mágica estilo “se vira nos trinta” onde um casal troca de roupa no palco dezenas de vezes em centésimos de segundo. Impressionante.

(Tudo via Kottke ou Fazed)