O Incrível Método de Classificação Musical d’O Primo

Pois é, o iPod tem um recurso que eu só soube que tinha depois que o comprei: o de dar uma classificação para as músicas, que pode ser de zero a cinco estrelas. Isso é útil para fazer playlists automáticas e outras coisinhas.

Obviamente o nerd aqui inventou um método para classificar as músicas da melhor forma possível, garantindo bons playlists automáticos no futuro e facilitando o gerenciamento de gigas e mais gigas de música. Este meu incrível método de classificação musical é assim:

Uma estrela ()

Uma estrela é a “nota de partida” de todas as músicas que entram no iPod. São músicas que ainda não ouvi (e portanto não dei nota melhor) ou simplesmente músicas comuns, sem nada de mais. Isso não significa que elas sejam ruins, pois música ruim fica com zero estrelas (vou falar disso mais à frente).

Exemplos (de músicas já ouvidas mas ainda com uma estrela):
Classic Noodlanding, do Do Make Say Think
Clepsidra, do Fellini
Kill Robok, do Squarepusher

Duas estrelas ()

Essas são as músicas “legais”, ou seja, as que não são simplesmente “normais” nem “ótimas”. São músicas acima da média, mas apenas isso.

Exemplos:
Bezzi, do Cansei de Ser Sexy*. Tem pra baixar na página da Trama.
Nobody’s Perfect, do Dios.
The Big Ol’ Bug is the New Baby Now, do excelente Zaireeka, disco “quádruplo” do The Flaming Lips. Hmm, talvez essa merecesse uma estrela extra…

* – Enquanto eu escrevia este post, um amigo viu que eu estava ouvindo Bezzi (meu MSN mostrou) e me mandou dezenas de mensagens nada amistosas: “Não! Não faz isso comigo! Pqp, coisa cagada…”

Três estrelas ()

Essas são boas! São aquelas que eu jamais pularia se elas aparecessem no random do iPod, ou que me fazem perder a noção do ridículo e balançar a cabeça no ritmo da música ou cantarolar igual um idiota no meio da rua. Mas, ainda assim, não são as melhores coisas que eu tenho na minha coleção.

Exemplos:
Maddening Cloud, do Blonde Redhead
Fermium, do Autechre
Carboforce, do Trans AM

Quatro estrelas ()

Essas são músicas… especiais. Para ter quatro estrelas, uma música precisa ser superior, genial, surpreendente… em suma, algum adjetivo bem superlativo tem que se encaixar nela.

Bottle Rocket, do viciante The Go! Team
NYC, maravilhosa faixa do Interpol
The Transgenic Banjo Player, maluquice catártica do capeta, obra de Large Number

Cinco estrelas ()

Das 2828 músicas do meu iPod, apenas 23 delas são espetaculares o suficiente para terem cinco estrelas.

O critério para uma música ganhar cinco estrelas é muito simples: ela tem que ser boa o suficiente para provocar alguma reação física involuntária.

Sim, tem que ser física. Pode ser um arrepio de trinta segundos que corre da base da espinha até o topo da cabeça. Ou pode ser que ela te force a fechar os olhos e viajar tanto a ponto de só acordar de volta pra vida quando o carro atrás do seu enfia a mão na buzina, lembrando que o sinal de trânsito já abriu.

Exemplos:
La Cancion de Gurb, do Migala. Na minha opinião é a melhor do iPod. Me lembro de ouví-la em 2005, no Canadá, enquanto viajava à noite, sozinho, num trem de Toronto para Pickering. Foi um dos momentos mais felizes da minha vida, em grande parte por causa da música.
Capumcap, do Nightmares on Wax (Deus do céu, eu arrepio só de lembrar dessa)
Tonite let’s Dance, do Elefant
Hoppipola, do Sigur Rós
Crest, do Tortoise

ZERO estrelas

Zero estrelas numa música significa “o que diabos essa porcaria está fazendo no meu iPod??”. De duas, uma: Ou a música é ruim ou tem algum problema técnico (glitches causados durante a compressão do MP3, por exemplo). Como eu coloco uma estrela em todas as músicas novas que entram no iPod, eu uso esta classificação de “zero estrelas” para marcar as porcarias e deletar depois.

Exemplos: Recentemente eu cansei de tentar ouvir The Secret Migration, disco do Mercury Rev, e taquei zero estrelas nele (foi mal, Luiz, eu tentei). Aconteceu o mesmo com Cassette Memories, disco de improvisação eletroacústica (leia-se “viagem errada”) de uma artista japonesa chamada Aki Onda.

Enfim, a distribuição de estrelas no meu iPod está mais ou menos conforme o gráfico abaixo:


Tá assim a coisa. Note que o gráfico considera apenas as músicas já tocadas por inteiro no iPod, que dá apenas 34% de tudo que tem nele

Trabalhando em casa com O Primo

“Step into my office, baby”
Belle and Sebastian

Esses dias de trabalho em casa estão sendo muito bons.

No início eu estava preocupado em conseguir me concentrar no trabalho estando dentro de casa, com tentações diversas (como a minha cama, a geladeira ou a tevê) perigosamente acessíveis. Pra conseguir trabalhar eu teria que agir muito disciplinadamente, acordando cedo no mesmo horário, me vestindo decentemente – ou seja botando alguma coisa por cima da cueca – antes de sentar em frente ao notebook, mantendo o MSN e o Google Talk no “Ocupado” o tempo todo…

O resultado foi muito bom. Bom até demais: no final do primeiro dia (ontem) eu trabalhei mais de 12 horas sem parar e acabei com dor de cabeça de tanto olhar pra tela do micro. Hoje estou pegando mais leve e fazendo umas pausas pra cafezinho de vez em quando. A diferença é que o “cafezinho” é um copão de Cappuccino Três Corações, feito com leite em vez de água quente, para cremosidade extra.

Falando nisso, meus últimos dias em casa me forçaram a usar a minha própria cozinha em vez de comer fora. Até bolei duas receitas suuuuuper saudáveis, saca só:

Yakisoba de pobre

Ingredientes: Um Miojo, molho shoyu, legumes sortidos (tomate, pimentão, cenoura, etc), nuggets de frango.

Preparo: Bote os nuggets no forno e a água do Miojo pra ferver. Faça o Miojo normalmente mas sem usar aquele molhinho dele. Retire o miojo da panela e escorra em separado.

Na mesma panela do Miojo (pra não sujar muita vasilha), coloque um pouquinho de óleo e de molho Shoyu, e os legumes. “Doure” os legumes no óleo com shoyu, depois jogue o Miojo escorrido dentro da panela, bote mais um pouquinho de shoyu e misture a gororoba. Tire os nuggets do forno, corte-os em pedaços pequenos e jogue-os na panela também. E voilá, macarrão chinês sem taxa de entrega…

Salada de Frutas do Demônio

Ingredientes: Frutas sortidas (banana e maçã são as melhores. Morango, pêra, melão também são bons. Frutas cítricas, tipo laranja, não servem), leite em pó, Neston e leite condensado

Preparo: Pique as frutas e bote num prato. Depois, por cima desta saudável refeição, salpique o leite em pó, o Neston e depois taque leite condensado para acabar de avacalhar com tudo. Coma com um garfo e bastante culpa.

Notícias do Primo

Hoje é quarta-feira e eu estou em Belo Horizonte, mais especificamente na mesa do escritório da minha própria casa. Acreditem ou não, eu consegui arrumar um esquema para trabalhar o resto desta semana no conforto do meu lar.

Até agora a primeira coisa que fiz foi escrever este post… 🙂

Disso eu não sabia. Scott Adams, meu guru de gestão empresarial e autor do Dilbert, havia perdido a voz por causa de uma doença chamada disfonia espasmódica. É uma doença rara da qual ninguém havia sido curado até hoje.

Agora, além de guru de gestão e autor de tiras de quadrinhos, Scott Adams é também… o primeiro caso de cura de disfonia espasmódica do mundo.

A eleição presidencial se aproxima em alta velocidade. Enquanto isso, no Orkut, descobriram uma falha grave do nosso atual presidente

Mondo Bizarro – Bonus Track

Na terça eu voei de volta pra Belo Horizonte, via Varginha. O (mini) aeroporto tinha duas coisas estranhas. A primeira era um ET na sala de recuperação de bagagens. Seria normal por estarmos em Varginha, a capital dos Extraterrestres, mas era estranho porque o ET não tinha a mão esquerda. Afinal, como diabos ele ia ajudar as pessoas com as bagagens?

A outra coisa estranha era Marcos Frota. Sim, o ator Marcos Frota, que por alguma razão estava no mesmo vôo que eu. Se fosse em São Paulo até seria normal ter uma ou outra celebridade no aeroporto, mas… Varginha?


O “ET Maneta” da sala de bagagens (esq.) e Marcos Frota esperando o avião (dir.)

Mondo Bizarro

Eu nunca achei que fosse dizer essa frase, mas vamos lá: Michael Jackson toca cavaquinho!!


Michael Jackson, pagodeiro? Só aqui em Borderline City

E como se isso já não fosse esquisito o suficiente, eu acabo de tomar um banho num banheiro que tinha um interruptor de energia DENTRO do box.


Não, não é Photoshop. Bem que eu queria.

Táxis e Músicas

O melhor momento da semana é o avião de volta pra casa na sexta-feira. Só eu e dois fones de ouvido brancos.

Hoje tava tão bom que eu optei por viajar os 40km que separam o aeroporto da minha casa de ônibus, pra aumentar o tempo da viagem e minimizar o trecho de táxi (sacumé, eles sempre puxam conversa). Tudo pra poder ouvir música por mais tempo.

Aí eu chego em BH e entro num táxi pra um trecho curto, do centro da cidade (aonde o ônibus pára) até minha casa. Depois dos cumprimentos usuais, falei pro taxista que queria ir ao bairro “xis” passando pelo bairro “ipsilon”. O táxi começou a andar e eu, por curiosidade – e nada mais – , perguntei.

– Você vai virar aonde pra pegar o bairro ipsilon?
– Ali na frente na rua tal, por quê?
– Nada, só pra saber mesmo.
– Hmf… é que algumas pessoas ficam duvidando do profissional e…
– Peraí, eu estou duvidando de você?
– É, você perguntou aí e…
– Não não, peraí, eu só perguntei qual caminho você ia fazer, isso agora é duvidar?
– Ué, você tá com dúvida aí…

Estava muito bom pra ser verdade. Eu tinha acabado de passar uma hora na estrada, completamente inebriado pelas guitarras, ora doces ora vigorosas, de Explosions In The Sky – a trilha sonora perfeita para um final de sexta-feira – e estava me sentindo o cara mais feliz do mundo. Aí vem um taxista mau humorado e, por causa de uma simples pergunta, inventa que eu tou desconfiando dele.

Parece bobagem, mas arruinou meu fim de dia. Não aguentei.

– Assim não dá, eu ando de táxi a semana toda em um monte de lugares diferentes e mesmo nos que eu conheço eu nunca fico duvidando de taxista! Pô, eu só queria saber o caminho que você ia fazer, que por sinal é melhor do que o que eu tinha imaginado, e cê fica aí falando que eu tou desconfiando de você! Que saco! Eu só fiz uma pergunta, só isso!…
– Tá… mas que você desconfiou, desconfiou.

Aí o sangue ferveu.

– Encosta esse táxi AGORA.

Não tínhamos andado nem 10 quarteirões (a corrida deu R$ 5). Peguei minhas coisas e desci.

– Pronto, agora você não vai mais ficar chateado comigo.

Fechei a porta e o engraçadinho saiu, nervoso, cantando pneu. Afinal, deve ter ficado horas na fila do ponto e acabou fazendo uma corrida de R$ 5. Não me arrependo nem um pouco do que fiz…

Orações, calendários em Excel, pirataria e cachorros

O Primo: 2209 posts e contando…

O táxi de ontem, trecho rodoviária-hotel, teve a seguinte trilha sonora:

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte, amém.

Ave Maria, cheia de graça…

Repetiu isso, e apenas isso, até eu chegar no hotel. Era a rádio do Santuário de Aparecida, e estava na hora do terço.

Domingo eu almocei num restaurante chamado “Ao pé do jatobá”, em algum lugar obscuro perto da Serra da Moeda. Comemos um frango ao molho pardo que estava uma beleza. E o cardápio foi feito em Microsoft Excel, e alguém se esqueceu de aumentar o tamanho das colunas antes de imprimir.

Todo final de semana eu e Bethania assistimos o episódio novo da terceira temporada de Lost. Na nossa TV mesmo, no conforto do nosso sofá, com legendas em português e tudo mais.

Detalhe: a terceira temporada só estréia no Brasil no ano que vem.

É que o episódio vai ao ar na quarta à noite, nos EUA, e aparece na internet minutos depois de terminar. A legenda em português aparece na internet poucas horas depois. Aí eu baixo tudo durante a semana, gravo num CD e assisto no meu DVD Player, um Samsung P366, barato e com a maior cara de vagabundo, mas que toca DivX surpreendentemente bem.

Pavlov vem aí. Aguardem.