Posts de novembro de 2006


Tony da Gatorra

14 de novembro de 2006, 22:47

Este é o cara.

O release do site da Trama diz:

Caralho, tô passando mal! Tony da Gatorra: a melhor descoberta dos últimos tempos. Só dá pra ter idéia ouvindo o som do cara. Um técnico em eletrônica gaúcho, um hippie cabeludo coberto de medalhas com o símbolo da paz, que INVENTOU um instrumento que chamou de Gatorra, mais ou menos uma bateria eletrônica aditivada, em forma de guitarra. O som é tipo Wesley Willis e Objeto Amarelo, pós-punk outsider! E ainda com letras de protesto!

Obviamente, tem comunidade no Orkut. Lico Dedo de Ouro finalmente arrumou um concorrente à altura…


Ainda sobre iPods em aviões

14 de novembro de 2006, 17:16

Putz, vou mandar este link pra menina do meu vôo de sexta-feira passada


Musique non stop

13 de novembro de 2006, 22:22

Eu já li, nuns dois lugares, matérias sobre a criação dos efeitos sonoros do Windows Vista, o próximo lançamento Microsoftiano.

Aí você pensa: que falta de assunto, matéria sobre os barulhinhos do futuro Windows. Alto lá, cara pálida, pois este é o design sonoro mais importante do mundo.

Imagine quantas vezes você vai ouvir os sons do seu Windows. Eles tem que ser legais da primeira vez que você ouve, da segunda, da terceira… eles tem que soar bem às dez da noite de uma sexta-feira, quando o Excel travar e você perder as últimas quatro horas de trabalho…

Pra piorar, lembre-se que pouquíssima gente muda os sons padrão do Windows. Ou seja, você ainda vai ouvir versões incidentais do sonzinho de startup do Windows toda vez que for numa lan house ou que seu colega abrir o notebook no aeroporto. Sabe aquela história de fumante passivo? Pois é. Eu já enjoei tanto que acabei fazendo uns sons novos pro meu PC.

Mas aí hoje eu achei um vídeo comparando os sons do XP com os do Vista. A maior parte dos barulhinhos novos é só um remix mais sutil dos velhos. Acho que o toque de sutileza deve ser pra você não enjoar tão rapidamente…

Ultimamente eu ando musicalmente experimental. Hoje no cooper, por exemplo, eu cismei de ouvir Circassian, música do Fennesz, que tem cinco estrelas no meu iPod.

Circassian não é uma música para principiantes. Se você acha que eu estou apenas sendo esnobe, ouça você mesmo. Faixa cinco. Pra quem tiver sem saco ou sem som, vai uma breve descrição de Circassian.

Trata-se de quase 6 minutos de uma “parede sonora” composta unicamente de barulho. O “barulho” é uma guitarra ligada num sem-número de efeitos que a tornam praticamente irreconhecível. Esta “parede sonora” desloca-se harmonicamente ao longo do tempo, e isso é que forma a música: uma massa enorme de ruído que vai se transformando devagar. Isso a torna genial e linda ao mesmo tempo.

Aí eu estava na esteira, taquei o dedo no play e veio aquela onda de barulho nos fones de ouvido. E aí eu não entendi nada: foi como se o som estivesse vedando a minha cabeça. Começou pelos ouvidos, depois foi entrando no crânio e de repente o cansaço sumiu, a dor nas pernas sumiu, a sensação de estar correndo e pisando no chão duro sumiu. Eu juro que foi exatamente assim: de repente eu quase não podia sentir que estava correndo. Em algum canto obscuro da minha cabeça eu ainda registrava o movimento das pernas e dos braços, mas os outros 99% do meu cérebro tinham se diluído no meio daquela barulhada toda.

Seis deliciosos minutos depois, eu voltei ao normal.

Deus abençoe as endorfinas e a música experimental…


Pop-pipola

13 de novembro de 2006, 14:35

Aparentemente, o mundo descobriu Hoppipola, música magnífica dos caras do Sigur Rós, que está no excelente disco intitulado Takk, lançado em 2005.

Já ouvi a música numa chamada do Discovery Channel e no trailer de “Os Filhos do Homem”. Agora só falta tocar no Fantástico…


O iPod que assusta menininhas

12 de novembro de 2006, 10:56

O desfecho do meu chá-de-aeroporto de sexta foi previsível. Fui dormir só às três da manhã.

Mas o melhor da história toda foi quando eu finalmente embarquei, lá pelas 23:30.

O avião estava meio vazio: afinal, só os idiotas como eu voltam pra casa nesse horário. Tava assim: eu sentado no corredor, uma cadeira vazia e uma mulher sentada na janela. Ela e sua revista Cláudia, eu e meu iPod.

Acontece que não é permitido usar nenhum aparelho eletrônico durante o pouso e a decolagem. Assim sendo, as aeromoças sempre me cutucam e me mandam desligar o iPod quando o avião começa a taxiar. Aí eu espero elas se sentarem e ligo o iPod de novo, em flagrante desrespeito às leis do meu país (hehe).

Aí eu fechei os olhos e botei um discreto sorriso no cantinho da boca. Eu estava finalmente indo pra casa, e ainda curtindo meu novo disco do Nobukazu Takemura. Então alguém me cutucou. Era a moça da revista Cláudia:

- Ei, você não vai desligar isso não?
- Uhh… não.
- Mas a aeromoça vai te chamar a atenção de novo!..
- Não vai não, ela só vai levantar dali depois da decolagem, eu sei como é.
- Moço, mas tem que desligar, moço…

Aí eu respirei fundo, desliguei o iPod, e ia começar a explicar pra mocinha que eu vôo toda semana, que eu sempre faço isso, que o avião nunca caiu, que o iPod não emite radiofrequência, radiação, eletromagnetismo ou nada similar, que o pessoal sempre me manda desligá-lo só porque a norma de segurança diz que eu tenho que estar atento caso haja uma emergência (duvida? leia aqui, post 22). Mas nem deu tempo e a mulher começou a falar como louca:

- Olha, eu tenho medo dessas coisas, já tou assustada aqui, olha, eu não vou aguentar ficar aqui eu preciso sair, vou trocar de lugar, dá licença…
- Ei, mas não pode ficar de pé agora, o avião vai decolar…
- Licença, licença!…

E a diaba da mulher, em flagrante desrespeito às leis do meu país, me fez levantar para dar passagem a ela e sentou-se na poltrona de trás. Aí eu voltei a me sentar e fiquei uns cinco segundos sem acreditar naquilo. Então decidi o que eu ia fazer:

- Moça… – disse eu, virando para a poltrona de trás – vamos fazer o seguinte. Toma.

Estendi a mão e mostrei o iPod.

- Você fica com ele até a gente pousar. Pela sua paz de espírito. Pode ser?

Meio ressabiada, ela pegou o iPod. A sorte foi que ela ficou em Uberlândia, e eu felizmente ainda pude ouvir alguma música na segunda hora do vôo…


MMS

10 de novembro de 2006, 21:49

E aconteceu o que temia: Os controladores de voo voltaram a sequenciar as decolagens. Meu voo ja esta mais de uma hora e meia atrasado.

O aeroporto, no entanto, esta bem calmo. Enquanto tiver revistinhas de sudoku pra vender, acho que nao teremos tumulto…


Diversão de aeroporto

10 de novembro de 2006, 19:14

Ver uns vídeos no YouTube e, ocasionalmente, olhar pra trás pra surpreender os curiosos que ficam olhando pro meu notebook.

Sim, estou ilhado em Congonhas. Tá tudo atrasando, meu avião sai só às 22h, passa por Uberlândia (ugh!) e me deixa em Belo Horizonte lá pra uma da manhã.

Enquanto isso, dá-lhe boga.


A melhor piada da semana…

10 de novembro de 2006, 18:46

… vem do Lúcio Ribeiro:

“A piada é boa. Rolou forte nesta semana a história de que a Britney Spears, agora em versão magrinha, se livrou daquele marido funkeiro carioca dela, o farofa Kevin Federline, também conhecido como K-Fed. E, agora, como Fed-Ex. Poim!”


Manhãs em quartos de hotel

10 de novembro de 2006, 18:44

Pontualmente às cinco e vinte e três da manhã de hoje o telefone do hotel ligou o viva-voz, sozinho, e me matou de susto.

Quase duas horas depois eu consegui me arrastar pra fora da cama e fui me preparar pra trabalhar.

Eu ando deixando a TV ligada na MTV enquanto faço a barba. É que eu morro de preguiça do Bom Dia Brasil e prefiro acordar com música.

Hoje eu me arrependi de ter feito isso: o desastre começou com o clipe da música “Odeio”, do disco “Cê”, novo trabalho do Caetano Veloso. Guitarrinhas pop e o Caê mandando ver numa letra esquisita… “veio um golfinho do meio do mar roxo” e outras coisas estranhas. Tudo fora do lugar: o vocal, a letra, a música, não encaixava nada com nada. Parecia que ele não queria ser ele mesmo, que ele queria virar punk. Mas com aquela voz?

Aí na sequência veio um clipe do Justin Timberlake (que meu cérebro rapidamente deletou) e depois, Ryan Adams tocando So Alive. Era legal, mas a voz do cara me fazia pensar: “Smiths… Smiths…”. O tempo todo.

Enquanto eu meditava no quanto a música desta primeira década do século 21 está virando só uma reciclagem boba de coisas antigas, veio o clipe de Wolfmother, tocando “Dimension”. E, na hora que o refrão entrou, eu só conseguia pensar: “Black Sabbath!!”. Se eu fechasse os olhos dava até pra ver o Ozzy cantando.


As compras do mês do Primo

9 de novembro de 2006, 11:55

É, agora eu sou um cara honesto e compro MP3 online. É mais barato do que você imagina.

Mês passado tinha o seguinte na minha sacolinha:

Kid Koala – Some of my best friends are DJ’s

Eu tinha que comprar um disco do Kid Koala depois de ouvir “Like Irregular Chickens” no Pandora. Afinal, um cara que faz uma música usando scratches de um cara imitando uma galinha merece todo o meu respeito (?!).

Some of my best friends… acabou não preenchendo completamente a minha necessidade porque eu esperava um disco mais chutadinho, mais corrido, virtuoso, sei lá. Talvez eu quisesse que Kid Koala fosse mais um Mixmaster Mike do que um DJ Shadow. No entanto isso não desmerece o disco, que continua sendo muito bom justamente por ser inovador e muito bem-humorado. Destaque para “Skanky Panky” e “Flu Season”: esta última é deliciosa, foi feita com scratches de um cara espirrando (?!??).

Belle and Sebastian – The Life Pursuit

Os caras do B&S tinham um problema sério: fazer um disco melhor que o Dear Catastrophe Waitress

Bethania tem um tio que toca oboé na orquestra sinfônica, é músico profissional, toca meia dúzia de instrumentos com um pé nas costas. Um dia desses ele foi lá em casa pra assistir os Lost’s que eu baixei da internet e acabou ouvindo o Medulla, da Bjork, que estava estrategicamente colocado no som da sala. Ele pediu uma cópia do CD pra ouvir melhor. Como sobrou espaço no disco, eu copiei também o Dear Catastrophe Waitress.

Acertei na mosca: ele adorou… parece bobagem mas eu fiquei orgulhoso de mim com isso. Foi como que um teste da grandeza do Dear Catastrophe..

Mas voltando ao assunto: No Life Pursuit, os caras do B&S desviaram do tom mais “baladinha” do disco anterior e fizeram faixas com muito mais prato batendo, vocal aberto, guitarra comendo. O resultado foi um disco que não “bate” de cara como o Dear Catastrophe.., mas que vai crescendo a cada audição. Está cada vez mais provado que o B&S é mais uma daquelas bandas “constantes”, que sempre lançam discos, no mínimo, muito bons.

Architecture in Helsinki – In Case We Die

Taí uma banda estranha. Muito estranha. Os arranjos das músicas são, no mínimo, incomuns. As letras tem uma psicodelia engraçada. Os vocais são feitos num estilo “criança pequena que tomou um LSD do pai hippie por engano”. O conjunto do disco tem um caráter meio “felicidade de menino pequeno filho de artista plástico”.

Na verdade, eu não faço a menor idéia do que escrevi no parágrafo anterior. É porque eu não sei o que pensar do In Case We Die. Ou ele é uma viagem errada, ou uma peça artística genial, ou uma mistureba de sonoridades que não gostam uma da outra. Ou tudo isso, ou nada. E vice-versa. Sacou? Pois é.


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