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Fiquei com muito medo de usar o serviço de quarto do hotel aqui do Rio. Foi só olhar as ilustrações do menu…


Note que o garçon chega simpático, com uma flor numa mão… e um FACÃO na outra!

O isolamento acústico dos fones de ouvido que ganhei de natal é meio absurdo. Outro dia, no hotel, eu apertei pause no iTunes e, para meu espanto, ouvi meu próprio coração batendo.

Infelizmente, vem aí uma nova saga do Primo, envolvendo o Mercado Livre e alguns salafrários de Curitiba. Aguardem…

As compras do mês d’O Primo

(Tudo comprado no eMusic. Barato, sem DRM, sem olho de vidro e sem perna de pau)

Quando eu penso no futuro do meu gosto musical, às vezes eu fico com medo. A cada dia que passa eu me distancio mais e mais do vocal, da guitarra, da música de estrutura “comum”, e exploro cada vez mais uma terra estranha, sem ritmo, coberta de barulho, chiados e blips desconexos… e acho tudo maravilhoso.

Radian – Juxtaposition

Tudo começou com o Tortoise. Aí eu passei pelo The Sea and Cake, pelo Trans Am, pelo Oval, pelo Microstoria… e aí ficou bem claro que a Thrill Jockey tinha muito a ver com meu gosto musical esquisito.

Em termos de sonoridade, Radian, portanto, tem “a cara” da Thrill Jockey. Juxtaposition soa incomum, jazzístico, inovador. Camadas de ruído, guitarras profundamente processadas e glitches eletrônicos são colados sobre linhas de percussão, e o resultado final são faixas onde a expressão não está nos sons produzidos, e sim na forma em que eles soam depois de produzidos, no efeito que eles causam, na forma como eles interagem um com o outro. Isso tem um efeito curioso: o resultado sonoro é tão vivo que é difícil perceber que às vezes, sim, tem uma banda, com instrumentos, tocando ali. A criatura acaba se tornando muito mais poderosa que seus criadores…

Bons fones de ouvido e bastante atenção são absolutamente necessários para ouvir este disco.

Belong – October Language

“Soa como enrolar-se em um cobertor quentinho feito de barulho”, dizia um dos reviews do eMusic. Eu li isso e comprei o disco na mesma hora, porque sabia exatamente o que ele queria dizer – e é isso que me assusta às vezes.

Belong trilha os caminhos de Fennesz e Kevin Shields, que experimentam com “paredes” sonoras construídas com o som de guitarras ligadas a uma penca de distorções, reverbs e por aí vai. O efeito é uma magnífica onda de ruído, que se contorce e se transforma a cada acorde diferente. Só que no meio daquela quantidade absurda de barulho existe uma melodia, suave, e é como se, no meio do desespero provocado pelo barulho, surgisse um lugar seguro, confortável. Exatamente como o “cobertor quentinho” que o cara falou.

A genialidade deste disco é justamente essa: a capacidade de construir beleza magnífica através do caos sonoro, da agressividade, do ruido. October Language ainda acrescenta uma gama diferente de elementos sonoros e timbres para as músicas, como que para garantir que o disco vai ficar interessante por todos os seus 45 minutos. Nem precisava.

Você já deve ter desconfiado mas não custa lembrar: October Language é pra ser ouvido bem alto, ou com bons fones de ouvido.

Of Montreal – The Sunlandic Twins

 

The Sunlandic Twins estava há muito tempo na minha listinha de “discos para comprar depois”, no eMusic. Toda vez que eu revisava a listinha, aquela capa com os gêmeos de mãos dadas no jardim psicodélico parecia cada vez mais convidativa.

The Sunlandic Twins é um pop-rock construído com precisão. As faixas são “pra cima”, agradáveis e tem uma solidez melódica a la Beatles, mas atualizada para o século 21 com uma ou outra pitada de eletrônicos. Na verdade, o som da banda (principalmente os vocais) soa muito parecido com os Beatles.

E precisamente por causa disso tudo é que eu tive problemas sérios pra ouvir este disco.

Não que ele seja ruim, muito pelo contrário. Ele é excelente. Acho até que a maioria dos leitores deste blog iria gostar muito de The Sunlandic Twins e detestaria o October Language e o Juxtaposition. Bethania, por exemplo, vai adorar esse disco. O problema, pra mim, é que ele representa exatamente o “convencional reinventado” do qual eu tenho desesperadamente tentado fugir. Além do mais, eu detesto Beatles, então tem uma barreira psicológica que eu preciso vencer primeiro antes de conseguir apreciar o disco…

Pavlov – Um artista de vanguarda

Bem que eu achei que estava ganhando apenas uma bola de pêlo saltitante quando concordei com a história toda de ter cachorro em casa.

Mal sabia eu. Pavlov, apesar do nome de cientista, na verdade é um artista plástico. Até escrevi um release pra ele…


Pavlov – O ego feroz por trás de uma arte instigante


Pavlov em casa, manipulando tecidos para um projeto

Uma arte movida por um desejo primal. Talvez esta seja uma das formas de descrever o trabalho do jovem Pavlov. Sua produção é o produto de um pensamento não-contínuo, algo bestial, que se traduz num desejo incontido recalcado na oralidade da infância e que produz obras cheias de símbolos expressivos, violentos, destrutivos.

 
“Óculos”
Metal, plástico e resina – 2007
Acervo do artista

Pavlov usa como meio de expressão os readymades da vida moderna: objetos comuns do cotidiano. Em seu processo criativo estes objetos são destruídos pelo artista, numa catarse irracional, usando sua própria boca (Pavlov chega a “mastigá-los” por horas a fio) E é neste ponto que começa a beleza de sua obra, que constrói partindo do caminho inverso: o da aniquilação.

A complexidade da arte de Pavlov pode ser percebida em vários outros níveis, ao se considerar, por exemplo, a forma com a qual as peças são trabalhadas. Em “Óculos” percebe-se a “quebra”, a “divisão” da “visão” interior do artista. Teria ele, distorcendo este símbolo de filtro da visão, obtido uma percepção ainda maior da realidade que nos cerca? Teria a sua obra uma mensagem implícita, convidando-nos a jogar fora nosso antigo método de observar o mundo?

 
“Sapato”
Couro e borracha – 2007
Acervo do artista

Em “Sapato”, esta abordagem é ainda mais evidente. Com sua boca, Pavlov trabalha a “língua” do sapato e constrói nele uma nova boca, distorcida e sem voz – como a boca do próprio artista (que não costuma falar muito). A escolha dos objetos também demonstra uma clara afronta a tudo que é rotineiro, corporativo, ligado a escritórios e a trabalho, e ao mundo humano comum. Nada parece escapar ao seu ímpeto criador-destruidor.

A manipulação de objetos representa uma nova fase da carreira de Pavlov, que anteriormente trabalhava de forma ainda inocente, mas agressiva, usando seus excrementos como forma de expressão. O material de produção de suas obras evoluiu, mas sua criação ainda conserva a mesma determinação em chocar seu público e despertar confusão e raiva. Pois é nisto que está o cerne da obra de Pavlov e sua consequente genialidade: em sua obstinação de ser infantil e irracional, ele nos mostra o quão animalizada a criatura humana pode ser quando os objetos-ícones de sua rotina são brutalmente (e oralmente) reestruturados.

Windturn City – O Filme

Na hospedaria de Windturn City a gente não tem telefone no quarto. Como fica muito caro ligar o tempo todo via celular, eu tenho usado os telefones públicos da cidade (quando eles estão funcionando, é claro).

Ontem a coisa foi feia e eu tive que andar meio quilômetro – ou seja, ir a pé até o centro da cidade – para achar um telefone que funcionasse. E, na volta, ainda choveu…

Mas como eu estava de bom humor resolvi documentar o caminho com fotos do celular. Depois montei com elas esse ultra-curta-metragem aí embaixo, só pra mostrar o caminho para vocês, fiéis leitores, que adoram se deliciar com meus suplícios…

Parabéns pro Opera Mini!

Um ano de vida e 10 milhões de usuários ativos (incluindo eu).

Pra quem não sabe, o Opera Mini é um navegador de internet, em Java, pra usar no celular. Ele é revolucionário porque roda até nos telefones mais toscos que existem, e automaticamente formata QUALQUER site para caber na tela do telefone.

Ele e meu Gmail Mobile são uma mão na roda quando eu estou viajando – ou seja, o tempo todo.

O dia em que a internet derrubou a Globo

Aqui em Windturn City até dá pra improvisar uma internet wireless no quarto. É só ligar o celular no notebook e acessar via GPRS. É lento, caro e nem sempre funciona.

Ontem funcionou, e teve um efeito colateral no mínimo curioso…

Estou dormindo na hospedaria da fábrica de Windturn City, e aqui só tem uma tevê “comunitária”, que fica numa sala logo ao lado do meu quarto. Assim que eu me conectei, a tevê saiu do ar e começou a emitir um zumbido horroroso.

Enquanto termino este post, além do zumbido, dá pra ouvir o pessoal reclamando, mexendo na antena e, finalmente, desistindo e voltando para os quartos…

Uma imagem vale mais do que mil piadas

Muita gente usa camiseta para exibir sua posição social. Sabe, aquelas onde está escrito “competidor”, “piloto de fuga” ou “diretoria” nas costas.

Agora, “isca viva” eu nunca tinha visto…


Tem que ser muito cabra hômi pra bancar a isca viva, rapá…

Essa aí embaixo eu vi numa feirinha, lá perto de casa. Hmm… será que ali também tem produtos endotéricos?


Produtos “exotéricos”? Talvez porque te curam de dentro pra fora?

Uma atração turística não-oficial de Belo Horizonte é a Desentupidora Rola Bosta.

Tem gente que não acredita, então eu tentei fotografar o carro da desentupidora. Mas parece que uma das letras caiu. Ou isso, ou talvez eles estejam testando uma nova abordagem mais educada com o cocô…


Olá, bosta!

Na rodoviária de Windturn City tem um quadro com uma foto aérea da cidade. Fotografei com o celular e botei aí embaixo.

Antes que você fique em dúvida, eu respondo: não, a cidade não se estende pra trás da montanha. É só isso aí mesmo.


Se você olhar bem de perto, no canto inferior direito dá pra ver uma das botas de Judas.