A pobreza online do Brasil

Toda vida eu só acompanhei a movimentação da internet “internacional”. Pra mim, acompanhar a internet brasileira era perda de tempo, pois em termos de conteúdo novo ela era, simplesmente, patética.

Recentemente resolvi adicionar alguns sites brasileiros nos meus bookmarks de leitura diária, pra ver se alguma coisa tinha melhorado. Aí hoje eu entro no Rec6 (um dos muitos clones brasileiros do Digg) e dou uma olhada nos 10 headlines

Três são de conteúdo original. Uma notícia nacional, útil e inédita (pra mim) – e que, ironicamente, saiu do ar, um anúncio do Google Docs & Spreadsheets em português e um “comentário do editor” sobre uso de internet.

Vários outros são replicação de notícia do resto da internet. Nada contra isso: afinal, sites do tipo do Digg existem exatamente para replicar esse tipo de coisa. Acontece que apenas em um deles a notícia replicada vêm mesmo do Brasil. Ou melhor, quase, já que ele repete uma notícia que eu tinha visto na Folha de São Paulo sobre o blog da Wired. O resto dos “repasses de notícia” relatam um novo serviço de hosting da gringolândia, ataques nos DNSs da gringolândia (que eu já tinha visto no Slashdot) ou traduzem artigos dos sites de notícia americanos… Tem também este aqui, que é só uma reedição de um artigo em inglês (que é citado apropriadamente, com todos os créditos, etc).

Digo isso porque outros dois artigos (em destaque, lembre-se bem) são cópia descarada. Este aqui é plágio de um artigo em inglês que estava ontem entre os populares do del.icio.us. O autor simplesmente traduziu o texto e adicionou um parágrafo no fim. O post está como se fosse de autoria dele. Ele não botou nada entre aspas, não falou que está citando outro artigo, e por muito pouco ele não deixa de dar o link para o original. O outro é um artigo (hoje fora do ar) sobre a página inicial da Apple ao longo dos anos. O autor nem se preocupou em avisar que pegou as imagens de um cara do Flickr

Resumo: de dez links, três eram originais, quatro eram notícias do exterior, um era notícia “quase” brasileira e dois eram plágio. Acho que com isso dá pra vocês tirarem suas próprias conclusões…

5 thoughts on “A pobreza online do Brasil”

  1. É por isso que sou fiel ao “O PRIMO”… :p

    OK.. agora pode depositar aquela quantia q combinamos na minha conta corrente!! rsrsrs

    Um abraço

  2. Meio Bit tem cada artigo imbecil… mas ainda é um dos meus sites que frequento diariamente.
    E “O Primo” tá faltando aquele feed RSS hein? Cadê? 😉

  3. A questão do plágio é um câncer no Brasil. Se pegarmos trabalhos escolares e tascarmos no Google, pouca coisa sobrará. O povo simplesmente acha que não tem nada de mais amealhar a glória alheia.

  4. Fala José Carlos!

    Parabéns pelo post. Você disse o que todos pensam mas não tem coragem de dizer.

    Existem muitos blogs brasileiros famosos, com cerca de 20.000 visitantes diários com um conteúdo “prostituído”, plagiado e o pior, que não citam as fontes. Poderia aqui dizer uma dúzia de sites que fazem isso. Inclusive, grandes portais.

    Sou a favor de utilizar fontes nacionais e internacionais, mas sempre citando quando algo for utilizado da fonte. É questão de ética.

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