Uma noite inesquecível em Windturn City


Rodoviária do Rio: O quadro de horários, inalterado desde 1940 (esq.) e uma mulher jogando paciência “analógica” pra passar o tempo (dir.)

Quatro horas de ônibus depois e eu finalmente cheguei em Windturn City, para dormir na hospedaria da fábrica. Michael Jackson, meu fiel trainee, estava de pijaminha, sentado na beirada da cama, digitando freneticamente no seu notebook. Estava fazendo um resumo de um livro de trabalho, para estudar. Sugestão do chefe dele – no caso, eu. Bom garoto…

Normalmente eu não reclamo da falta de conforto aqui em Windturn City, mas a coisa está ficando abaixo da crítica. Ontem, Michael só conseguiu toalhas pra gente tomar banho porque outros hóspedes pularam a janela da sala da governança e pegaram algumas. E a roupa de cama que estão nos dando é áspera feito uma lixa.

Além disso fazia um calor infernal, o ventilador do quarto parecia a turbina de um Boeing, e pra completar eu tive uma crise horrenda de insônia e fiquei horas rolando em cima do lençol-lixa. E pra piorar comecei a sentir umas coceiras estranhas pelo corpo. “Pronto, só falta ter pulga nesse colchão velho”, pensei.

Às três da manhã eu, finalmente, peguei no sono. Quatro horas depois o celular de Michael me acordou ao som do tema de Star Wars. Ao levantar, descobri a razão da minha coceira noturna: tinham formigas mortas no meu lençol. “Ah, era isso”, pensei. “Mas de onde vieram essas formig…”

O pensamento ficou suspenso quando olhei para a cama extra ao lado da minha, que estava coberta por CENTENAS de formigas. E pra piorar, o destino delas era uma sobra de doces que comprei na viagem e deixei no bolso da minha mochila.


Tive que tirar uma foto.
Porque senão nem eu acreditaria.

As formigas desciam pela janela (aberta por causa do calor), atravessavam o quarto inteiro e se esbaldavam por cima da cama. Eu entrei em pânico quando imaginei aqueles pontinhos pretos, condutores de eletricidade, entrando pelo buraco de ventilação do meu notebook, se escondendo no conector do cabo do meu iPod…

Alguns minutos de “mata-mata” depois e a situação ficou sob controle. Eu ainda não voltei para a hospedaria e não sei como ficou a situação do quarto, mas a idéia de milhões de formigas se esfregando em mim durante a noite passou o dia todo pelo meu cérebro lesado de pouco sono…

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