Posts de março de 2007


Windturn City Countdown – 3 dias…

13 de março de 2007, 16:01

Pois é, eu fico zoando mas ontem eu me surpreendi ao descobrir que a cidade tem até uma auto escola.

Não é fácil trabalhar numa auto escola em Windturn City. Felizmente, os “windturncityenses” são criativos. Por exemplo: para ensinar a fazer baliza, o instrutor usa dois cavaletes feitos com tubos de PVC, já que não dá pra treinar em vagas normais, compostas de carros de verdade. Afinal, a probabilidade de se encontrar dois carros estacionados na mesma rua por aqui é praticamente nula. Na verdade, a probabilidade de se encontrar carros por aqui já é baixa o suficiente…


A noite de ontem foi especialmente ruim.

Éramos eu, Michael Jackson e o consultor-líder do projeto, no mesmo quarto, dormindo em três camas paralelas. “Igual os Três Porquinhos”, como bem observou Michael.

Acontece que estava um calor do cão e o ventilador que tinha no quarto, misteriosamente, sumiu.

Lembro-me de acordar várias vezes durante a noite. Foram estas vezes aqui, ó:

1) O calor estava insuportável. Retirei a lixa colcha de cima de mim e voltei a dormir.

2) O consultor-líder começou a falar dormindo. Pelo teor da conversa, ele deveria estar sonhando com alguma reunião de trabalho.

3) Michael Jackson começou a roncar um ronco todo especial: uma mistura do “ronc” padrão com aquelas engasgadas típicas de apnéia. Dava algo mais ou menos assim: “Rooonc… rooon *gasp* *gasp*… roonc…”.

4) Michael abriu a porta do quarto pra amenizar o calor. Confesso que fiquei meio vexado, porque qualquer pessoa que fosse até a cozinha da hospedaria pra beber uma água passaria pela nossa porta e veria toda a intimidade dos “três porquinhos” dormindo.

5) Michael fechou a porta. Não tinha melhorado o calor em nada, e já estava amanhecendo mesmo…


Além de ventilador, outra coisa que não temos na hospedaria é acesso a internet. Parece óbvio, mas a história da internet é interessante…

Há seis meses atrás, logo na nossa primeira semana em Windturn City, conversamos com o cliente e dissemos que, do jeito que estava, não ia dar pra ficar na hospedaria. Nós até entendíamos que a empresa precisa reduzir custos, mas tem algumas coisas que são importantes para o desenvolvimento do trabalho e que gostaríamos de ter no nosso quarto da hospedaria. Estas coisas eram simples: uma mesa, duas cadeiras e acesso à internet. Veja bem: apesar do quarto velho e quente, nós nos preocupamos foi em pedir condições para trabalhar fora do horário. O cliente, obviamente, concordou, disse que ia providenciar e tal.

Dois meses depois, a surpresa: eles, finalmente, fizeram melhorias no quarto. Bem, na verdade colocaram uma televisão e um frigobar… e nada da mesa e da internet.

Quatro meses depois tivemos uma reunião importante com o presidente da empresa. Ele, em público, deu a seguinte ordem aos funcionários.

- Vocês devem acomodar os consultores com todo o conforto que eles merecem. E com internet!

Por muito pouco eu não dei um pulo de alegria da cadeira. “Agora vai!”, pensei.

Mas aí as semanas foram passando, passando e, obviamente, nada aconteceu. O problema da mesa nós resolvemos sozinhos: era só descer até o refeitório (sim, a gente dorme em cima do refeitório) e pegar emprestadas duas cadeiras e uma daquelas mesas brancas de plástico. E naquela altura já tínhamos desistido da internet.

Até que, faltando duas semanas para o fim do projeto, qual não foi a minha surpresa ao ver o pessoal instalando canaletas na parede, e passando por elas aquele lindo cabinho Ethernet azul. Mas faltavam duas semanas para o fim do projeto, então eles estavam, basicamente, jogando dinheiro fora. E matando a gente de raiva.

Na semana passada eu notei que, além do cabo, instalaram um computador num canto da hospedaria. O computador estava ligado num modem ADSL, e pelo visto deveria estar configurado como servidor. Será que, faltando alguns dias para o final do projeto, eu finalmente teria internet?

Resolvi testar o cabo: ainda não estava funcionando. No dia seguinte consultei as meninas do setor de informática, que disseram que o Speedy estava com problemas e que tudo deveria ser resolvido – adivinhe! – na semana seguinte.

Bem, a “semana seguinte” é esta semana. E faltam três dias para o fim do projeto…


The Windturn City Logistics Saga

12 de março de 2007, 17:10

12:29 – Sexta-feira. Eu e Michael Jackson almoçávamos, felizes, no refeitório da fábrica de Windturn City.

A felicidade não era porque estávamos em WTCity, e sim porque, em alguns instantes, um motorista da empresa-cliente estaria nos levando até o Aeroporto de Guarulhos, para embarcar às 16:30. Com sorte, antes das 19h eu estaria no conforto do meu lar…

12:30 – No momento em que eu dava a última garfada, aparece a secretária:

- Gente… já avisaram pra vocês do motorista?
- Uhhh… não, o que ouve?
- É que não tem nenhum motorista pra levar vocês em Guarulhos.

A comida se embolou toda no meu estômago.

- Mas nosso vôo é 16:30… o que a gente faz então?
- Não sei…
- Mas quais são nossas opções?
- Bem, a gente pode deixar a chave do hotel com vocês…
- Não dá, temos que ir embora hoje!
- Pois é, mas eu não posso fazer nada… vocês podem tentar conversar com um dos diretores…

12:45 – Eu e Michael entramos na diretoria, que estava completamente deserta por causa do horário do almoço. Aí fudeu tudo.

Basicamente, estávamos entregues à própria sorte. Nossa única saída era um ônibus para São Paulo que saía às 13:30 de Buraco City, a cidade vizinha. Só precisávamos arrumar algum jeito de chegar em Buraco City. Mas como? Os motoristas estavam todos ocupados, não tem táxi em Windturn City e o ônibus intermunicipal que faz a linha “Windturn-Buraco” não seria rápido o suficiente.

Enquanto pensava nisso, vi o carro do Capitão parado na rua. O Capitão é um dos funcionários da empresa-cliente. Pela posição do carro, ele deveria morar na mesma rua onde estávamos. Ele poderia nos levar até Buraco City a tempo. Só faltava descobrir em qual daquelas casas ele morava…

12:48 – “Ô de casa!! Por favor, o Capitão mora aqui? Não? Tá bom, desculpe…”

Corridinha rápida até o portão do lado:

- Ô de casa!!

12:51 – E finalmente, numa casa cheia de crianças brincando no quintal, apareceu o Capitão. Explicamos o problema e ele rapidamente se prontificou a nos ajudar.

A esposa dele gritou lá da cozinha:

- Benhê, tem que levar os meninos na escola antes!

12:55 – Ficou assim: O Capitão foi dirigindo. No banco do passageiro estava eu, com uma pilha de mochilas coloridas no colo.

No banco de trás, Michael carregava outra pilha de mochilas. E do lado dele estavam esses anjinhos aí embaixo:

Sim, eu sei que foi imprudente deixar Michael Jackson perto de crianças, mas não tínhamos outra opção.

13:02 – Algumas centenas de metros depois (sim, Windturn City é muito pequena) e chegamos na escola. Uma rápida distribuição de mochilas e beijos na testa e a meninada já estava correndo pra sala de aula. Só faltava o Capitão nos levar até a rodoviária de Buraco City.

13:18 – Lá estávamos nós, com o coração na mão, entrando em Buraco City. Mas o Capitão resolveu fazer um caminho alternativo. Era para “tangenciar o centro da cidade” e chegar mais rápido, segundo ele.

Do lado de fora, as placas indicando a rodoviária iam ficando pra trás…

13:27 – Depois de vários “tangenciamentos” a rodoviária, finalmente, apareceu. Mas teríamos que ser rápidos.

Enquanto eu pensava nisso, o Capitão entrou no estacionamento da rodoviária e parou o carro… a uns 100 metros do ônibus.

- Não, Capitão!! Pare mais perto, senão a gente não consegue carregar todas as malas e chegar a tempo!
- Ah, sim! Pode deixar…

Aí o Capitão deu partida e começou a dar meia-volta, pra pegar a rua novamente…

- Não, Capitão!! Vai por dentro do estacionamento mesmo!!

13:31 – Deu tempo. Eu e Michael conseguimos embarcar.

O vôo de Guarulhos sairia às 16:30, mas ele não era mais uma opção. Nesse horário nosso ônibus deveria estar chegando no Terminal Rodoviário Tietê, dentro de São Paulo. De lá, teríamos que ir até o Aeroporto de Congonhas e procurar algum outro vôo para Belo Horizonte.

16:22 – Chegamos na rodoviária e fomos direto para o táxi. Michael perguntou ao taxista:

- Quanto tempo pra chegarmos em Congonhas?
- Uns vinte minutos, se o trânsito estiver bom.

É claro que eu não acreditei. A minha estimativa era passar uma hora, no mínimo, enfiado nos engarrafamentos paulistas. Mas Michael estava esperançoso:

- Cara! Acho que vai dar tempo de entrarmos naquele vôo da Pampulha!

“Aquele vôo da Pampulha” é o famoso e desejado TAM das 17:57, que tem este apelido porque pousa no Aeroporto da Pampulha. Pra quem não sabe, vôos para a Pampulha são raridade: a maioria deles pousa em Confins. A imagem abaixo mostra o quanto isto faz diferença…

16:37 – Eu mal podia acreditar: o tráfego estava fluindo tão bem que já estávamos pertinho do Ibirapuera, a uns 2 ou 3 quilômetros do aeroporto. Aí eu me animei: liguei para a secretária da empresa-cliente e pedi pra ela mudar nosso bilhete para “aquele vôo da Pampulha”.

16:39 – O trânsito inteiro parou.

17:02 – Depois de passar os últimos vinte minutos andando a 10km/h, avistamos o aeroporto. O nosso tão sonhado vôo provavelmente encerraria o check-in às 17:10.

Era hora de medidas extremas.

- Michael, vamos ter que descer aqui e atravessar aquela passarela a pé. Vai ser mais rápido do que fazer o retorno e entrar com o táxi no aeroporto.

Por alguma estranha razão, todo mundo estava motivado a conseguir. Até o taxista entrou no clima de desespero:

- Faz sinal de braço aí que eu vou encostar então, vamulá!!

17:04 – O táxi encostou a alguns metros da passarela. Olhei o taxímetro: 36 reais. Catei rapidamente o dinheiro da carteira, joguei em cima do painel e fui descendo para pegar a mala.

O taxista se assustou:

- Peraí que a tarifa aumentou, deixa eu ver a tabelinh…

Joguei mais cinco reais e saí correndo. Desci do carro, fui até o porta-malas, catei minha mala, virei para o lado para chamar o Michael e… ele estava abraçado com uma mulher.

Eu juro por Deus que não era ilusão. O vôo iria fechar em cinco minutos e Michael Jackson estava abraçado com uma desconhecida no meio da rua.

Depois do abraço a mulher olhou bem para o Michael e disse:

- Uhh… desculpe, te confundi com outra pessoa…

17:06 – Eu e Michael largamos a mulher e começamos a subir as escadas da passarela… correndo e segurando as malas sobre as cabeças.

Já que eu sou o chefe da equipe, tomei a iniciativa de gritar algumas palavras de motivação:

- Vambora Michael! Faz valer essa academia que você frequenta todo dia! CORRE!!

Acontece que, graças à visita do Bush, a passarela estava cheia de militares armados. Um deles se assustou e já ia levantando o fuzil pra atirar em nós. Felizmente ele percebeu a tempo que não éramos terroristas malucos.

17:08 – Finalmente chegamos ao saguão do aeroporto, ainda correndo. As minhas costas estavam suadas, a mochila ia saltitando e se esfregando no suor, e as rodinhas da mala giravam loucamente pelo chão, eventualmente acertando um ou outro pé desavisado pelo caminho. E eu ia pensando: “odeio chegar em cima da hora… odeio chegar em cima da hora… odeio…”

Pulei no primeiro guichê da TAM que estava vazio e perguntei, ofegante:

- O vôo da Pampulha já fechou??
- Não, senhor…

Respirei aliviado. A mocinha continuou a resposta, num tom sarcástico:

- Os vôos estão todos atrasados mesmo…

Nestas horas Murphy e suas leis sempre se fazem presentes. Naquele momento valia aquela que diz: “O atraso do seu vôo é diretamente proporcional ao esforço que você faz para chegar no horário”. A mocinha fez nossos check-ins e fomos embora, suados, cansados, mas embarcados. Então Michael disse:

- Acho que você nem notou né?
- O quê?
- Você furou a fila de deficiente físico pra fazer o check-in…

19:40 – Depois de fazer um lanche, trabalhar um pouco, conversar fiado, ver o Lima Duarte e a Feiticeira, o embarque do nosso vôo finalmente começou. Decolamos lá pelas 20h e às 21h eu, finalmente, pousei em Belo Horizonte…


Agora eu entendi tudo. Comprar CDs ou MP3s online…

8 de março de 2007, 17:33

Agora eu entendi tudo.

Comprar CDs ou MP3s online depois de muito tempo sem ouvir música é exatamente igual a ir ao supermercado de barriga vazia.


Rápidas

7 de março de 2007, 18:49

Começou o “Windturn City Countdown” – 6 dias para o término do projeto.

Eu precisei me lembrar bastante disso para conseguir suportar a noite de ontem: botaram a gente num quarto da hospedaria que fica exatamente em cima do boteco.

Devo acrescentar que o boteco, em meio à barulhada usual, toca como música ambiente um DVD do Roupa Nova. No repeat. Todo dia. E de madrugada tinha algum bêbado tocando New york, new york no piano do bar.

Sim, tem um piano no bar de Windturn City, mas no meu quarto não tem sequer um telefone. Ou um ventilador…

Baralhinho do momento. Bela sacada.


As compras do mês d’O Primo

6 de março de 2007, 1:41

Tortoise – A Lazarus Taxon

Esse CD eu não comprei em MP3: acabei importando do jeito “analógico” mesmo, já que A Lazarus Taxon não é exatamente um CD novo do Tortoise, e sim um “box” com 3 CDs e 1 DVD cheios de remixes, versões ao vivo, faixas bônus, etc. Coisa de colecionador.

Musicalmente falando, A Lazarus Taxon é ótimo. Os remixes são formas de revisitar tudo de bom que o Tortoise já produziu. As faixas bônus são uma dose extra daquela sonoridade de jazz moderno, característica marcante da banda. E encerram em si algumas surpresas experimentais, como “Sexual for Elizabeth” que parece Tortoise tocando na Jovem Pan FM (!?) ou “A Grape Dope”, que reinventa o tema usados em “The Taut and Tame” (do Millions now living…). Já o DVD eu ainda não tive tempo de ver direito.

Daedelus – Daedelus denies the day’s demise

Todo dia de manhã eu rezo pra Deus e agradeço assim: “Senhor, obrigado por me fazer assinar o podcast da revista XLR8R“. Pois é deste podcast que tenho tirado algumas coisas simplesmente geniais (como, por exemplo, J Dilla).

Daedelus apareceu num desses podcasts tocando “Remix for Nothing”, uma faixa eletrônica-experimental feita de tudo misturado com tudo, com um objetivo muito bem definido: nenhum. Só pra ver no que dá. O resultado, despretensioso, divertido, ficou muito interessante. A letra do refrão é o máximo:

This… is it.
Yes it is, I say.
The remix, this is.
This is it, the remix.

Para aprofundar meu conhecimento de Daedelus, comprei o seu disco mais recente, chamado Daedelus denies the day’s demise. E aí, surpresa: É nele que Daedelus descobriu o Brasil. Mais especificamente, o samba.

As faixas, batizadas de “Samba legrand”, “Petite Samba”, “Viva Vida”, deixam bem claro que Daedelus anda curtindo bastante o repique do pandeiro e a miada da cuíca. Praticamente todas as faixas tem algum samba sampleado, ou usam a mesma estrutura rítmica do nosso velho e bom “paticumbum”. “Bahia”, então, dava pra tocar fácil neste carnaval. E ainda sobra espaço nas faixas para Daedelus esbanjar genialidade, usando ao contrário tudo que normalmente se usa em música eletrônica: os sintetizadores sóbrios tocam linhas melódicas animadas; os samples de músicas de antigamente não soam nostálgicos, e sim se empilham uns sobre os outros, tocando “chutadinhos”, bem século 21. Tocando tudo errado, Daedelus acerta em cheio.

Em resumo, Daedelus denies the day’s demise é imperdível. Taí um gringo que samba muito bem…

Set Fire to Flames – Telegraphs in negative

Set Fire to Flames é uma banda “irmã” do Godspeed You! Black Emperor. Ambas compartilham integrantes, soam similares, e tem uma atração forte pelo apocalíptico, pelo obscuro e pelo depressivo.

No site da gravadora Alien8, a história de Telegraphs in Negative é contada. Basicamente, os 13 integrantes da banda acharam um grande celeiro abandonado na área rural de Ontario, no Canadá, levaram o equipamento e se trancaram lá. “O álbum foi formado numa situação de isolamento auto-imposto, com a banda funcionando tanto individualmente quanto comunitariamente, em estágios de pouco ou nenhum sono, níveis variados de intoxicação, e confinados fisicamente”, diz o site.

Telegraphs in negative NÃO é um disco divertido. NÃO é um disco fácil. NÃO é um passeio no parque. É uma jornada difícil por consciências atormentadas, por demônios escondidos atrás de cada pilha de feno e de madeira velha. É um disco que vai incomodar e vai lhe deixar deprimido.

No entanto, Telegraphs in negative é intenso, e por isso mesmo profundamente expressivo, atingindo extremos onde, por exemplo, uma faixa contendo apenas trechos gravados de telefonemas (“Mouths trapped in static”) fica linda e é mais emocional do que quaisquer 20 minutos de guitarra urrando no último volume.

É preciso uma certa dose de coragem para ouvir telegraphs in negative. Coragem para se trancar com a banda naquele celeiro, no escuro, e ficar ouvindo os próprios fantasmas.

Laura – Radio Swan is Down

Este disco começa bem logo na bela pintura da capa. Já a música é rica, intensa. As guitarras cantam, guiando e construindo o som das cordas, do baixo e da bateria rumo a “paredes sonoras” espetaculares.

Quem conhece Explosions in the Sky vai achar esta fórmula bem familiar. Mas há diferenças. A intensidade rasgada de Radio swan is down é mais constante, e o que evolui nas músicas não é a melodia, e sim variações do timbre da banda inteira, que giram em torno de acordes mais sérios, solenes. Como se fosse um “Explosions in the Earth”. Há também uma ou outra pitada eletrônica aqui e ali, como que para garantir o interesse ao longo do disco. Nem precisava: Radio swan is down soa maduro e seguro como poucas bandas conseguem.

Múm – Yesterday was dramatic, today is OK

Eu não entendi nada.

Na minha listinha de “saved for later” do emusic.com, este disco tinha a seguinte observação, feita por mim: “Baixar assim que der refresh nos downloads”. Aí baixei, e até agora estou me perguntando por quê.

O disco é todo certinho: Ele soa quase como se não quisesse incomodar. Nenhum timbre é agressivo, todos ficam exatamente em seus lugares: a bateria sustenta, o baixo apóia, a linha melódica dá a… bem, a linha da música, e assim vai. É como um time que joga certo, faz o gol, ganha o jogo, mas só. Falta a ânsia de ganhar, de fazer coisas novas, de dar uma de Maradona e fazer gol com a mão.

Dizendo assim o disco parece uma porcaria, mas não. Yesterday was dramatic, today is OK tem seus méritos: as músicas tem um clima bom e tranquilo, evoluem sem pressa e levam o ouvinte a uma viagem de paisagens bem bonitas. Mas fica a impressão de que podia ter sido muito mais e não foi, parando apenas no “bom”. E, como dizem, o bom é inimigo do ótimo – apesar de continuar sendo bom.


A saga do notebook novo

6 de março de 2007, 0:03

Eu estava devendo este post já faz um tempo. É uma história loooonga e triste, mas que acabou (razoavelmente) bem.

É o seguinte: no começo do ano eu resolvi comprar um notebook novo pra mim. Afinal, meu fiel Toshiba Satellite já apresentava as bicheiras normais da idade avançada (relatadas aqui), e desde antes do casamento eu já estava com vontade de ter uma máquina mais poderosa, pra poder jogar Doom 3 no aeroporto abrir mais facilmente aqueles arquivos Excel de trabalho que tem 10 MB :)

Muita pesquisa depois, optei por um HP Pavilion dv6045nr. Só faltava decidir onde comprar. E é neste ponto que eu tive a idéia mais imbecil de toda a minha vida: comprar pelo Mercado Livre.

Sim, eu sei, podem me xingar porque eu mereço. Não sei que espírito maligno tomou conta de mim e me fez ter essa idéia de jirico, porque toda vida eu sempre achei o ML um covil de caloteiros. Mas aí Bethania comprou meus (deliciosos) fones Shure E3C usando o ML, e eles vieram do Japão até a porta da minha casa sem problemas, e aí o jumento aqui começou a achar que o ML podia ser uma boa opção por causa dos preços. Acabou que, com todo o gasto extra que tive, dava pra comprar o mesmo computador na Americanas.com. Parcelado, direitinho, com garantia…

Enfim: na segunda quinzena de janeiro dei o lance fatídico numa oferta do usuário ARPALONE, de Curitiba, que até parecia honesto com 96% de avaliações positivas no ML, medalhinha e tudo. Até site pra vender online o cara tem. No dia seguinte ao lance, todo gentil, ele respondeu meus emails, combinamos pagamento e envio via Sedex a cobrar – por segurança (aff…), pra eu pagar só ao retirar nos Correios – e, alguns dias depois, tinha uma caixa grandona lá em casa.

Eu nem bem comecei a abrir a caixa e me bateu um péssimo pressentimento, confirmado instantes depois. O computador estava lá, mas:

1) O modelo era diferente do que eu encomendei, e…
2) O notebook era USADO, e tinha sido até aberto/desmontado!!

Fisicamente, o modelo que encomendei (dv6045) é idêntico ao o cara enviou (dv6058). A única (e sutil) diferença é o processador mais lento: 1,6 GHz, em vez de 1,8 GHz. E os indicativos de que o notebook tinha sido mexido eram bem discretos: tampa mal encaixada, arranhões nas costas do LCD, marcas de chave de fenda nas laterais… um cara mais trouxa cairia fácil no golpe. Mas um cara realmente inteligente JAMAIS compraria notebook no Mercado Livre, então digamos que ele estava pegando o “semi-trouxa” que aqui vos fala.

Bem, no dia seguinte (um sábado) liguei pro cara. Atendeu um tal Marcelo. Educadamente, expliquei que me mandaram o modelo errado e que o micro era usado. Marcelo disse que foi um engano, que foi o sobrinho dele (chamado Neto) que errou na hora de enviar e que ele ia falar com ele pra fazer a troca. Cortei na hora dizendo que queria é meu dinheiro de volta. E as canelas cabeludas das pernas curtas das mentiras dele começaram a aparecer:

- Então tá, te devolvo seu dinheiro na sexta que vem.
- Sexta não, quero esse dinheiro na segunda-feira.
- Num dá, eu não tenho o dinheiro, tenho que esperar o tempo de compensação do Sedex a cobrar, que é de cinco dias, aí eu recebo seu dinheiro e te devolvo.
- Ok, e você não tem mais NENHUM dinheiro em caixa pra devolver pra mim?
- Não tenho não.
- E você quer que eu acredite nisso?? Vocês tem uma penca de anúncios no ML, vendem computadores o tempo todo, e não sobra NENHUM dinheiro no caixa?

A discussão foi esquentando até que eu disse que iria ter que “negativá-lo”, ou seja, tacar uma avaliação negativa no ML indicando problemas na negociação (e melando um bocado a reputação dele). Nessa hora ele encrespou e disse:

- Se você me negativar, nunca mais vai ver a cor do seu dinheiro.

Pois é. Se arrependimento matasse eu tinha morrido e reencarnado umas três vezes, logo depois daquela frase. Naquele ponto ficou óbvio que a coisa toda era golpe. Mas continuei discutindo: Marcelo, irritado, não arredava pé e só devolveria meu dinheiro sexta-feira. Aí, na hora que ele ia desligar o telefone, eu percebi um detalhe:

- Marcelo, peraí.
- O quê?
- Como é que você vai me devolver o dinheiro sendo que nem pegou o número da minha conta-corrente?

“Owned”, diriam os gringos. Ele ficou possesso:

- Ué! Eu não desliguei ainda!! Tá vendo? Ainda tou falando com você!!
- Mas se eu não dissesse nada nós dois sabemos o que ia acontecer, não é?

O resto da discussão não deu em nada, ele continuou com o papo de que “entrava em contato” até sexta-feira, desligou e passou a não atender mais o telefone. Provavelmente marcou o meu número no identificador de chamadas dele.

Na segunda-feira seguinte eu estava no Rio e liguei de novo. Só assim, usando outro número de telefone fixo, consegui que alguém atendesse o telefone. Dessa vez era o tal “Neto”. Ele disse que ficou sabendo do problema e já estava providenciando a troca. Repeti que não aceitava troca e queria o dinheiro de volta, e o Neto disse que isso era “impossível”. E tome briga telefônica, tudo de novo. Irritado, ele veio com um papo de que ia conversar com o Marcelo e depois me retornava.

Deixei que ele quase desligasse o telefone e…

- Peraí Neto.
- O que foi?
- Como é que você vai me ligar se já está desligando e nem pediu meu número de telefone?
- Er… peraí só um instante…

E desligou. E adivinhe só? Também passou a não atender mais o telefone…

À noite liguei para o Léo, um amigo que é advogado e que me deu um atendimento totalmente VIP sobre como eu devia proceder judicialmente (valeu demais, Léo!). No entanto a recomendação dele era a de que eu esgotasse, primeiro, a negociação normal. Então resolvi me “armar” pra ela, e fui direto pedir ajuda ao Tio Google.

Algumas horas de pesquisa e eu tinha o Orkut dele, sabia que ele fez Engenharia Elétrica (um professor deixou as notas na web. Ele tomou pau em “introdução à programação”, coitado), e o mais importante: achei o endereço e telefone vinculados ao website deles (usando o registro.br e a lista telefônica online de Curitiba)…

No dia seguinte, usando este novo telefone, consegui que ele me atendesse. A desculpa de que o outro telefone não atende é que a loja (fantasma) dele não abre antes das 10:30. Sem cerimônias, avisei que havia ligado para meu advogado e que eles seriam notificados judicialmente porque estavam agindo de má fé. Ele veio com um “deixa disso”, dizendo que era só mandar o computador que ele trocava. Respondi:

- Cê tá brincando né? E que garantia eu tenho de que vocês não vão sumir com o computador e nunca mais me dar retorno?
- Manda só o micro e fica com a nota fiscal, como garantia – disse ele.
- Mas a nota fiscal que você me mandou não tem validade nenhuma!!
- Claro que tem! Pergunta esse seu advogado aí, eu também sou advogado, eu entendo disso!

Viu só a outra perna curta da mentira aparecendo? Não perdi a chance:

- Advogado? Pensei que você estudava engenharia elétrica…

Gaguejando, o Neto respondeu:

- E-eu sou advogado mas também fez engenharia. E como você sabe disso??
- Tenho meus meios… – respondi, com um sorrisinho no canto da boca.
- E-eu também tenho os meus, viu! – Disse ele de volta, tentando segurar os cacos da mentira.

Mesmo assim a negociação, de novo, não deu em nada.

A essa altura a maioria dos meus amigos e colegas de trabalho já sabia do que estava acontecendo, e todos estavam sendo bastante solidários comigo. Pelo MSN, Luiz deu uma boa sugestão: mandar o computador para alguém em Curitiba, que poderia levá-lo até o Neto e trocá-lo em pessoa. Papo vai, papo vem, descobri que tinha um consultor, conhecido do meu chefe (mas que eu não conhecia), chamado Theóphilo, alocado num projeto justamente em Curitiba. Liguei pra ele na cara dura, contei a história e fiquei surpreso com a boa-vontade dele, que se prontificou na hora a me ajudar.

No dia seguinte eu fui para Windturn City. Como meu DDD e telefone fixo mudaram, consegui que o Neto me atendesse mais uma vez. Expliquei que iria mandar o computador para um amigo, que o trocaria pessoalmente. E ainda sobrou espaço para mais uma mentirinha do Neto, que disse:

- Tá certo. Eu só preciso de uns dois dias pra minha importadora em São Paulo me enviar o computador.
- São Paulo?
- É, São Paulo…
- Pô, sexta-feira eu vou passar por São Paulo, me fala o endereço da importadora que eu passo lá!
- Num dá…
- Que porra é essa de “não dá”??
- É que não tem equipe de vendas lá, é só um funcionário…
- Porra, liga pro tal funcionário e fala que eu vou lá ué!
- Errr, não dá, tem que mandar pra cá mesmo…

Obviamente não existia importadora em São Paulo. O porquê desta mentira adicional eu só entendi no final da história toda.

Mandei o computador para o Theóphilo trocar. Por email, o Neto pediu mais dois dias para “receber os computadores da importadora”. Mas a enrolação toda acabou quando recebi um telefonema, na noite de quarta-feira, 07 de fevereiro: era o Theóphilo avisando que tinha acabado de trocar os notebooks. Segundo ele, dessa vez o Neto entregou o micro certo – e novo.

E, pela primeira vez em mais de três semanas, eu consegui dormir tranquilo.

Neste ponto algumas mentiras já tinham caído por terra: Como eu esperava, não havia loja nenhuma, o tal Neto era um playboy bombadinho que atendeu o Theóphilo em seu apartamento de classe média-alta. Segundo ele, o quarto do tal Neto era cheio de gadgets e eletrônicos caros: TV de plasma, home theater, o escambau.

Com o notebook em mãos, só faltava entrar no Mercado Livre e, enfim, “negativar” o salafrário. Qual não foi a minha surpresa ao ver que o prazo para negativá-lo tinha vencido, e que ELE tinha avaliado a negociação como “neutra” dizendo que a venda não foi concretizada. Só então o burro aqui entendeu por que ele estava demorando pra fazer a troca do computador: é que assim ele evita ser negativado, já que se eu o negativasse antes de trocar o notebook, “jamais veria a cor do dinheiro”… lembram?

E foi assim que acabou. Apesar de estar digitando este post no notebook novo, continuo me sentindo enganado. E, enquanto isso, ele continua aplicando seus golpes naqueles cuja burrice é igual ou maior à minha.

Se quiserem usar os comentários pra me xingar, estejam à vontade. Eu mereço…

Update: Esqueci de mencionar que durante esta saga encontrei o site veja.org, que é um ponto de encontro onde os lesados pelo Mercado Livre podem contar suas histórias. É bom para pesquisar nomes de usuários do ML que já lesaram alguém. Infelizmente o ARPALONE que me vendeu o notebook não está citado lá, mas já estou tomando providências quanto a isso…


Esperando pra voar

5 de março de 2007, 11:23

É dureza: acordei às cinco da manhã, cheguei no aeroporto às 6:15 e vou embarcar só agora, 11:30.

Deve ser culpa dos controladores de vôo. Sempre é culpa deles. Aposto que foram eles que me fizeram esquecer minha carteira em casa. Só pode ter sido isso…


Momentos

2 de março de 2007, 15:25

Momento “ugh”: Ontem no almoço serviram “dobradinha” no bandeijão de Windturn City…

Momento LOL: O motorista que me trouxe ao aeroporto é chegado numa música sertaneja. Aí, na estrada, em um certo momento, uma voz feminina no rádio cantou assim:

“Meu amor… eu te amo mas a três não rola não…”

Momento l33t: Plena sexta feira, quatro da tarde, e eu estou jogando Doom 3 na sala VIP da Tam do Aeroporto de Guarulhos…


Êêê, meu amigo Murphy…

2 de março de 2007, 8:19

Lembram que outro dia eu postei uma foto do quarto onde eu estava dormindo aqui em Windturn City? Aquele, que ficava nos fundos da cozinha, que por sua vez ficava nos fundos do restaurante, que ficava nos fundos da pousada?

Pois é. Acontece que do lado deste quarto tem uma escada, que desce até ainda mais pro fundo, num depósito de entulho e coisas velhas. Lá também tem um quarto… adivinha onde eu dormi ontem?

Eu bem que podia ter tirado uma foto com o celular, pra mostrar o quão no fundo fica este quarto. Acontece que meu celular deu um defeitinho. Coisa simples, foi só uma tecla que parou de funcionar: a de ligar/desligar…

Quando a tecla bichou de vez o celular ainda estava ligado. Fiquei tranquilo: “É só não deixar a bateria descarregar totalmente que eu ainda consigo usar o aparelho”, pensei.

Instantes depois ele tocou. Assim que eu abri o telefone para atender, ele travou e apagou…

O celular já estava meio bichado mesmo. Além destas travadas, que começaram a ficar bem frequentes, um dia desses o relógio dele atrasou 1:30h sozinho e quase me fez perder a hora. Isso fora a bateria, que durava no máximo dois dias. Pelo visto não foi atoa que a divisão de celulares da Siemens acabou vendida para a Benq…

Já o trabalho vai bem. E a minha saga de Windturn City está quase no fim, já que o contrato encerra daqui a três semanas.

O problema é que fizemos um serviço tão bom que o cliente quer que fiquemos com ele por mais alguns meses. Tento não pensar muito que isto significa a continuação da minha rotina de ônibus, cama de pensão e comida de bandeijão, e até consigo ficar meio feliz.

Para minha surpresa, ao sair do trabalho, notei que há um novo trêiler de sanduíches na praça central daqui de Windturn City. Isto significa um crescimento de 20% no mercado de lanches da cidade, mas também levanta preocupações: afinal, com três trêileres de sanduíche, o mercado Windturncityense já estava mais do que saturado…