Levando o cachorro pra passear

É tudo muito simples, não dá trabalho.

O primeiro passo é botar a coleira no cachorro. Basta seguir as instruções abaixo:

1) Leve a coleira até o cachorro.
2) Espere-o parar de pular e correr desesperadamente. É que ele viu a coleira e percebeu que você vai levá-lo pra fazer alguma coisa mais emocionante do que roer os móveis.
3) Deixe o cachorro relativamente imóvel para colocar a coleira.
4) O cachorro correu de novo. Pegue-o.
5) Sim, ele correu mais uma vez. Pegue-o.
6) Quando sua paciência terminar, é hora de uma manobra de “vale-tudo”: imobilize o cachorro no chão, de barriga para cima, para colocar a coleira.
7) Coloque a coleira no pescoço do cachorro.
8) Quando o cachorro morder a coleira, retire-a da boca dele.
9) Quando o cachorro morder a sua mão enquanto você tira a coleira da boca dele, diga “ai” e continue.
10) Corra atrás do cachorro (já que ele fugiu), reposicione-o no chão e segure-o.
11) Repita a partir do passo 7 por uma meia hora (ou seja, até você conseguir prender a coleira corretamente).

Uma vez na rua, é hora de começar o passeio. Para tornar a situação psicologicamente mais fácil, imagine aquele arranca-pára típico de um engarrafamento: é o que vai acontecer com você, já que o cachorro é curioso e vai parar de 2 em 2 metros para cheirar tudo o que ver. Tem cocô no chão? Ele cheira. Tem água de esgoto empoçada no meio-fio? Ele cheira. Por isso é importante levar um relógio, para impedir que o tédio lhe dê a impressão de que o passeio já dura mais de uma hora quando, na verdade, não passaram nem cinco minutos.

Outra coisa que você deve esperar é socialização. Seu cachorro ficará extremamente interessado em qualquer outro quadrúpede que esteja pela rua. Ele vai olhar sem parar, ele vai querer ir, cheirar, etc. É como se você estivesse num restaurante e sua mulher visse o Chico Buarque na mesa ao lado.

De forma similar, mulheres e crianças que vêem seu cachorro também vão querer socializar. Com o cachorro, e não com você. Nestas horas, imagine-se como a assessoria de imprensa de algum pop-star: ele ganha todas as atenções e elogios, e você só responde perguntas-padrão, do tipo “qual o nome” ou “qual a raça”. Eu confesso que, neste ponto, sinto inveja do meu cachorro – afinal de contas, ninguém nunca me parou na rua e disse: “Ooooohhh, que lindo”. Muito menos diariamente

Mas tudo que é bom dura pouco, e a hora de voltar pra casa vai chegar. Você saberá a hora de voltar quando o tédio for equivalente ao de alguém que assistiu três episódios seguidos de Zorra Total. Para o cão, o passeio nunca será suficiente, então espere algum trabalho para colocá-lo de volta para dentro do apartamento. Depois, tire a coleira (tirar é tão mais simples!) e pronto, dever cumprido! Seu cão (e a mobília) agradece.

Nada!

É irônico. Agora que me sobra tempo para postar eu quase não tenho conteúdo.

Pra quem já desconfiava, sim, eu estou de “férias forçadas”, esperando aparecer projeto. Enquanto isso, fico bancando o “dono de casa” e ocupando o dia com tarefas emocionantes, como lavar a louça ou levar o Pavlov pra passear.

Trabalho mesmo, só em sonho, já que ultimamente eu tenho sonhado bastante com minha saudosa vida de consultoria. Ontem, por exemplo, tive um pesadelo onde fui alocado num projeto em Brasília. Foi pesadelo porque, aparentemente, meu subconsciente casou as notícias usuais da política brasileira com minha rotina de viagens, e o sonho ficou muito bizarro. Pra começar, a mania de roubar passou dos deputados para a população, e no sonho, todos os brasilienses eram cleptomaníacos: eu andava pelo lobby do hotel e, de repente, tinha alguém puxando a minha mochila, e eu tinha que sair no pau com as pessoas para não ser assaltado. Além disso, o hotel não funcionava às segundas-feiras (igual o Congresso) e tínhamos que ir para um outro hotel estranho que, apesar de não ter nenhum funcionário, ficava aberto mesmo assim. Mas a pior parte do sonho foi quando percebi que iria dividir o quarto com mais três consultores…

Mas tudo tem seu lado bom. Estes dias em casa estão sendo ótimos para dar andamento na minha meta anual de crescimento profissional, que é: tirar meu PMP (Project Management Professional, a famosa certificação do PMI). Entre uma e outra lavada de louça, eu enfio a cabeça no PMP Exam Prep, também conhecido como “Livro da Rita”. A Rita escreve bem, tão bem que ela percebe os momentos em que o assunto fica muito chato e, no texto, manda você acordar e ler o parágrafo anterior de novo.


Note o “wake up!” (acorde!) bem no meio do parágrafo…

Cidade Maravilhosa

Ranking das 100 melhores cidades para se viver, da Business Week.

Zurique, na Suíça, ganhou. Toronto, minha “melhor cidade” favorita, está em décimo quinto lugar – é a segunda melhor cidade canadense no ranking, perde apenas para Vancouver. Essa lista me deu saudades de Toronto…

Nossos “hermanos” vão bem também. Buenos Aires e Santiago estão na lista, respectivamente nas posições 79 e 83. Já as cidades brasileiras… não aparecem. Fora da lista das 100 melhores, a melhor colocação é de Brasília na posição 108. São Paulo e Rio são, respectivamente, 114 e 115, e perdem até pra Tel Aviv.

Minha cidade, Belo Horizonte, nem foi considerada neste ranking. Obviamente.

A Igreja do Trance Divino

Não, não é piada. Na verdade, eu bem que queria que fosse.

O troço existe mesmo, fica em Alto Paraíso (Goiás), tem até site, e foi mostrada numa matéria do Jornal Globo (texto e vídeo aqui).

Palavras da “ministra da fé” Anirit Kuyana (??), só pra vocês verem o nível:

“Nossa religião é basicamente musical. Então não existe muita coisa escrita. Existe coisa tocada. Ela te leva em um ritmo enorme e te solta lá em cima sozinho. E aí a mente esvazia, você fica no nirvana, sem o pensamento”.

Gauthana (?!), o missionário, explica melhor como é a igreja:

“Tem missionário, o profeta, a bispa, o monge. E tem os santos. A única santa viva é a Rita Lee”.

É por isso, crianças, que papai fala pra vocês não usarem drogas. Pra não acabar desse jeito.

(Via Boteco HardMOB)

Semana Santa d’O Primo

Semana santa? Foi numa pousada boa, bonita e barata.


À noite tudo fica mais bonito

Este feriadão foi bastante iluminativo para mim. Abaixo segue uma lista das coisas que descobri nos três dias de folga:

1) A pousada tinha uma cama elástica;

2) Eu ainda me lembro como dar um backflip na cama elástica (GIF animado aqui. Tente não rir muito.);

3) Eu estou velho demais para uma cama elástica: pulei por uma meia hora e, nos dois dias seguintes, o único músculo do meu corpo que não doía era o de piscar os olhos;

4) Nunca mais coloco música pros outros ouvirem. Nunca mais.

É que teve uma hora em que um dos CDs que tocavam na beira da piscina começou a pular sem parar. Uma menina viu meu incômodo e perguntou:

– Ei, você tem algum CD no seu carro?
– Não, mas eu trouxe meu iPod…
– O que você tem nele?
– Uhhh… bastante rock alternativo, música eletrônica…
– Música eletrônica é legal!

Olhei pra menina de novo. 16 anos. Óculos enorme, com as letras D&G na haste. Pensei um pouquinho e…

– Trance é uma boa escolha pra você?
– Ótimo!!

Peguei o iPod e botei um set do DJ Armin Van Buuren. Cinco minutos depois a menina aparece de novo:

– Aqui… troca a música lá que o pessoal não gostou.

Eu jamais vou me esquecer dos olhares de reprovação que recebi enquanto voltava pra piscina. O grupinho dos hóspedes “pagodeiros” (gente finíssima, apesar do gosto musical) queria me matar. A dona da pousada estava do lado do som com uma cara desesperada, como se eu tivesse colocado alguma coisa neonazista pra tocar.

Por sorte, Bethania também trouxe o iPod dela. Foi só plugá-lo, botar um CD do Alceu Valença, e todos ficaram sossegados novamente.

5) Junte uma boa quantidade de informação desconexa e você tem tudo que precisa para convencer qualquer um de qualquer coisa e criar uma crença maluca qualquer.

Descobri isso quando um dos hóspedes se sentou pra jantar conosco e fez um convite inusitado:

– Mais tarde nós vamos subir o morro e tentar contato, querem ir?
– Uhh… tentar contato com quem?
– Com extraterrestres…

E aí ele passou a próxima meia hora contando, com a maior seriedade, que é especialista em ufologia. Explicou como emitir “ondas cerebrais” que a “nave-mãe” – aquela que vai resgatar todos depois dos holocaustos previstos para 2047 – consegue captar. Contou que esta data saiu do calendário maia. Contou que os seres humanos nascidos a partir de 1970 não tem DNA, e sim um GNA, com doze hélices em vez de duas, que vai sendo ativado a cada visita dos ETs.

6) Não assistir TV é, sem dúvida, um dos melhores hábitos que eu já adquiri.

Ao longo das horas que gastamos torrando a pele na beirada da piscina, notei que a filha do dono da pousada estava acompanhada de uma turma grande de amigos. A diversão predileta para os rapazes era brincar de Big Brother: imitar o que eles faziam quando estavam na piscina, definir com quais BBBs os seus amigos se pareciam mais, etc.

Toques de celular d’O Primo

Antigamente, o toque de celular servia apenas para avisar que alguém estava te ligando. Hoje em dia ele serve para várias outras coisas: mostrar ao mundo seu gosto (ou desgosto) musical, agradar, irritar, fazer os outros rirem com você, fazer os outros rirem de você…

Foi assim, pensando no seu bem-estar social, que O Primo preparou alguns toques de celular especiais. Únicos. Diferentões mesmo. São estes:


Eeeeelectricity!

O que é: Música antiga, educacional, que fala sobre eletricidade. A letra é fantástica.
Use para: Dar uma de “nerd chique retrô”
Origem: Pinçada de um dos ótimos DJ sets de ambient do DF Tram.


Don’t you touch me tomato!

O que é: Música antiga em cuja letra a cantora diz para não pegarem no “tomate” dela. Cheia de eufemismos, hã, “vegetais”…
Use para: Dar uma de “engraçadinho chique retrô”
Origem: Pinçada de um dos ótimos DJ sets de ambient do DF Tram.


Música do bar gay do filme “Loucademia de Polícia”

O que é: Sabe aquele bar gay do filme Loucademia de Polícia? Sabe a música que sempre toca quando eles entram lá? Pois é.
Use para: Atrair olhares bastante confusos durante uma reunião de trabalho
Origem: YouTube!


Half-Life 2: Overwatch Radio

O que é: Sons de bate-papo via rádio dos Combine no Half-Life 2.
Use para: Ótimo para tocar quando você receber mensagens SMS.
Origem: Eu que fiz, fuçando os arquivos do jogo e montando tudo depois.


Smells Like Teen Spirit “na boca”

O que é: Smells Like Teen Spirit, do Nirvana, tocada todinha com a boca!
Use para: Provocar risadas em quem estiver perto e fazer Kurt Cobain se remexer no túmulo.
Origem: É obra do mesmo cara que faz os arranjos vocais dos discos da Bjork.