Posts de abril de 2007


A sapiência norte-americana

2 de abril de 2007, 17:07

A parte mais legal é a que o repórter pede pra eles marcarem no mapa-múndi onde fica o país que eles querem invadir. Pobre Austrália… :(

(Via Boteco HardMOB)


As criaturas da noite

2 de abril de 2007, 9:32

Ontem eu e Bethania levamos o Pavlov pra passear na Praça da Liberdade. Pavlov adora estes passeios, principalmente pela possibilidade de se “socializar” com os outros cachorros: rosnar pra outros machos, cheirar o traseiro das fêmeas e aquela coisa toda de cachorro adolescente.

Só que, desta vez, nós humanos também tivemos nosso momento de socialização, bastante estranho por sinal. Primeiro, fomos abordados por um moço sorridente e três amigos:

- Desculpe a inconveniência, mas posso fazer uma pergunta pra vocês?
- Uhh… claro…
- Vocês são espíritas?

Aí eu já saquei tudo. Provavelmente era um grupo de evangélicos disfarçados.

- Sim, nós dois somos…
- Pois é, é que eu estava conversando aqui com o pessoal…

E eis que o moço sorridente é interrompido por uma bicha roqueira. Sim, era um jovem magrelo, tatuado, de uns 18 anos, que cheirava mal, usava uma camiseta surrada do Led Zeppelin e falava como mulherzinha. E chegou pedindo um cigarro.

- Gente, dá licença, vocês tem aí alguma nicotina?
- Hein?
- É… um papelzinho enrolado, com alcatrão, nicotina e mais de quatro mil substâncias tóxicas…
- Puxa, e você sabe disso mas continua nessa de fumar?
- Ué gente, livre arbítrio né…

O moço alegre sacou um maço do bolso. E, enquanto a bicha fumava, ele tentava emendar alguma conversa:

- E essa tatuagem?

Era uma estrela, bem no meio da testa da bicha.

- Ah, é que eu sou iluminada… fui eu que brilhei lá na hora dos três reis magos, em Belém…
- Você também arrumou uma tatuagem nova aí na boca né?

Era uma cicatriz, bem recente. A bicha se empolgou e começou a contar a história:

- Isso? É que eu resolvi criar caso com um boyzinho na Savassi… eu estou lá, na boa, e o bofe começa com uns papos de “olha a bicha, olha o viado de merda”… eu cheguei pra ele e perguntei: Olha aqui… quem é viado de merda? Aí levantei a barra da minha calça Yuzix – porque eu sou chique né – e dei nele um “karatê”… IÁ!!! Aí voou tudo da mesa… voou Smirnoff Ice, voou Red Bull, voou tudo! E ele veio e me bateu com uma garrafa…

Nessa altura todo mundo já estava rindo. A bicha se empolgou.

- Mas sabe o que me irritou? O bofe estava com a blusa do Axé (Axé Brasil, carnaval temporão belorizontino)! Vê se eu vou aguentar desaforo de um cara com camiseta do “Axé Bosta”! Mas eu já sei de tudo, ele tá de camarote, vou lá, comprar um cutelo e picotar ele todinho, depois congelar e comer aos pouquinhos… estilo “canibalismo”…

O moço feliz toda hora tentava entrar no papo com algum argumento religioso. E falhava miseravelmente:

- Sabe onde está o espírito que te fez brigar com esse cara?
- Onde?
- Aqui, ó.

E apontou pra sola do pé. Ninguém entendeu nada, a bicha ignorou o comentário e continuou a tagarelar. Ela falou por um bom tempo, mencionou até uma suposta frase de Baudellaire (“é preciso manter-se bêbado”)… Mas a melhor parte do discurso do cara foi o “vamos brincar de Radiohead”:

- Aí eu fui com um amigo meu no Extra [o hipermercado] pra dar a Elza…
- Elza?
- É, dar a elza… roubar, pô! O segurança já ficou assustado logo que a gente entrou. Mas aí eu peguei um carrinho e falei com meu amigo: “Vamos brincar de Radiohead?”

E eu, sozinho, caí na gargalhada, porque aparentemente fui o único que entendi do que ele estava falando.

Assim que o cigarro acabou, a bicha se foi. O moço feliz resolveu continuar o assunto comigo. Assumiu um ar de profeta e começou:

- Mas como eu ia lhe dizendo… uma vez, um senhor de 80 anos saiu à noite… e ele foi se encontrar com Jesus…
- Era Nicodemos, né?

Eu não resisti. Saquei que ele estava falando de um trecho do capítulo 3 do Evangelho de João, onde Jesus conversa com um senhor chamado Nicodemos. É um trecho polêmico porque dá margem à muita interpretação, mas ainda assim famoso entre os espíritas quando o assunto é reencarnação, portanto o CDF aqui conhecia-o de cor e salteado. O moço ainda tentou continuar:

- Sim, você sabe o que Jesus diss…
- Falou que é preciso nascer de novo.
- Mas Nicodemos ficou com dúvidas se…
- Se Jesus estava dizendo que era pra voltar pra barriga da mãe e renascer.
- Pois é, e Jesus respondeu que…
- Que era pra renascer “da carne e do espírito”…

E então ele viu que a Bíblia não era novidade pra mim, se despediu com um rápido aperto de mão e saiu, sem graça. Acabei ficando com a consciência pesada: não tinha a menor necessidade de eu ficar me exibindo daquele jeito. Bem, pelo menos ficou a lição pra que, da próxima vez, eu não saia por aí dando uma de teólogo.


O Primo NÃO recomenda – Ó Paí, Ó

2 de abril de 2007, 7:59

O meu rol de piores filmes de todos os tempos inclui algumas pérolas, como Pecado Original, Anaconda, Diário de uma louca e outras maravilhas.

Ontem eu adicionei a esta lista Ó Paí, Ó, produção brasileira de Monique Gardenberg que é adaptação de uma peça de teatro de mesmo nome.

Pra ir direto ao ponto: o filme simplesmente NÃO tem roteiro e é apenas um amontoado de cenas com personagens caricatos da Bahia: o travesti, a morena sensual, a baiana do acarajé, o trambiqueiro, a “crente do rabo quente”, etc. Todas as cenas do filme consistem, basicamente, destes personagens interagindo uns com os outros de um jeito que devia soar “espontâneo e brasileiro”, mas que ficou parecendo apenas gritaria e bate-boca sem sentido. É como se aquelas cenas de favela das novelas da Globo tivessem sido filmadas com lentes melhores e com os atores falando palavrão.

Pra piorar a falta de noção do roteiro, o filme ainda acrescenta, sem razão aparente, algumas cenas de musical. Imagine só: de repente, todo mundo no boteco pára o que está fazendo e começa a dançar. Por “todo mundo” entenda-se: o travesti, a morena sensual, o trambiqueiro, a “sapatão”, a baiana, etc, etc. Era pra ser uma cena bem “brasileira”, acabou parecendo a cena dos monstros dançando com Michael Jackson no videoclipe de “Thriller”. Algumas músicas da parte “musical”, inclusive, são cantadas pelo próprio Lázaro Ramos. Nada contra o cara, ele é um dos melhores atores da atualidade, mas a voz dele…

E então, no final do filme, depois de bastante música, dança e bate-boca, inventaram um “clímax” narrativo TÃO desnecessário, TÃO desencaixado do resto da história, que acabou sendo apropriado. Afinal, um filme ruim daqueles precisava de um final à altura (ou seja, horrível).

Por alguma estranha razão o Omelete falou bem. E o Vilaça ainda não se manifestou.


E depois falam que EU é que pego no pé do Santoro

2 de abril de 2007, 7:40

Taí uma amostra da incrível competência dos repórteres do GuiaBH… pegaram uma foto de um dos monstros do filme e disseram que é o Rodrigo Santoro.