Posts de maio de 2007


"Eu vim entregar o pedido"…

16 de maio de 2007, 22:07

Eu ri até as lágrimas…

(Via Boteco HardMOB)


As loucas promoções de Seleções

16 de maio de 2007, 10:19

Outro dia eu estava almoçando com meu pai quando me lembrei de uma coisa:

- Recebi uma carta da revista Seleções… daquelas de concurso milionário…

Na mesma hora ele começou a rir.

- Ah é? Daquelas estilo “concurso super-especial somente para participantes selecionados” que tem 400 etapas diferentes só para você se inscrever?
– Exatamente… e com aquelas instruções malucas de sempre…
– Hehehe… “é fácil, você só tem que enviar um cupom-bônus com os doze selos da vitória colados no verso do envelope-âmbar do participante especial”…

Sim, era piada. Mas o mais engraçado dela é que o que a gente dizia não era exagero. Pra provar, olha só como é o tal envelope…


Note no detalhe (dir.) o código de barras fajuto, as anotações “a tinta” e os avisos espalhafatosos de “documento verificado” e “correspondência restrita”…

Os caras realmente forçam a barra. Até o verso do envelope é cheio de texto falso para dar a entender que o conteúdo é importantíssimo e que você deve se inscrever imediatamente.

 

Dentro dele vem a enxurrada de documentos contendo os cupons-bônus, envelopes de resposta, certificados, selos de participação e o escambau. Dá só uma olhada no “certificado de participação final”: parece mais uma carta de crédito bancário do ano de 1850…

O texto é fantástico: “Menos de 3 em cada 100 moradores de Minas gerais foram selecionados para receber a chance de ganhar o Grande Prêmio no valor de R$ 300.000,00″. E o texto ainda fala de um Prêmio de Antecipação por Resposta Rápida de R$ 30 mil se eu responder em até 7 dias. E ainda tem mais, respondendo rápido eu ainda concorro a mais 1.005 prêmios que valem mais de 700 mil reais. Sim, são mil e cinco prêmios. Afinal, cinco prêmios a mais fazem toda a diferença num concurso destes, não acha?

Um detalhe: se eu preencher e enviar o rodapé do certificado, na verdade estarei é adquirindo uma assinatura da revista Seleções. Mas quase não dá pra ler o texto que explica isso porque ele está perdido no meio de outros textos inúteis, dizendo “reserva para depósito confirmada”, “habilitação confirmada para todos os prêmios”, etc…

Mas este “certificadão” é só o começo do conteúdo do envelope. Ainda tem um “cartão estrela dos presentes grátis”. Mas quais presentes? São aqueles 1.005 prêmios do certificado? Ou seriam outros? E ainda tem uma “chave numerada” para eu concorrer a um carro. Um carro? Mas no super-certificado ninguém disse nada sobre carro…

 


Meu Deus!! Mais prêmios!! MAIS PRÊMIOS!!!!

 

E quanto mais você tira coisas do envelope, pior fica: tem uma carta do presidente de honra do (respire fundo) Comitê de Distribuição de Prêmios da Seleções do Reader’s Digest, que é ninguém menos que Edson Celulari (eek!), avisando que é ele quem vai entregar o carro ao ganhador e que, ora bolas, você deve responder rapidamente, seu lerdo! Tem também um selo de participante na etapa final do concurso. O texto do papel onde vem o selo explica, mais uma vez, que seu nome foi selecionado a partir de “um minucioso e exigente processo de seleção”. “Minucioso” porque nenhum nome do banco de dados deles deve ter sido deixado de fora. E “exigente” porque ninguém que não estivesse no banco de dados poderia concorrer. Sem exceções!

 


A carta do presidente (esq.) e o super-selo ninja (dir.)

 

De acordo com as instruções, eu devo colar o tal selo no envelope de resposta. Acontece que tem DOIS envelopes, o “envelope SIM” e o “envelope NÃO”. Deixa eu ver se entendi: se eu quiser participar, devo escrever pra eles. Se eu NÃO quiser participar, eu… devo escrever pra eles? Hmmm, talvez tenha faltado um envelope “Hein?”…

Depois de uma extensa leitura da papelada toda eu descobri que o “envelope SIM” é só para, se você quiser, além de partipar do concurso, assinar a revista. Ou seja, a coisa mais fácil que pode acontecer é você, na sangria desatada que o Edson Celulari te colocou para responder rápido, acabar se confundindo e assinar a revista por engano. O “envelope NÃO” só permite que você participe do grande concurso (o do certificadão) e de um tal “Prêmio Clique da Sorte”. Clique da sorte? Ninguém me disse que tinha Clique da Sorte!

Foi preciso vasculhar o envelope um pouco mais para achar o tal “Clique da Sorte”: é o sorteio de um computador. E tem surpresa: o cupom vem com um incrível “Bônus-Relâmpago” onde eu ganho… (prepare-se porque essa é demais…) um incrível scanner! OOOOHH!!!!

 


Taí o cupom do bônus relâmpago. Note o “privilégio adicional”: me senti tão importante lendo aquilo…

 

Os prêmios – e os nomes clichezentos – nunca acabam: ainda tem outro papel mostrando o super-brinde que eu posso ganhar se assinar a revista: um rádio FM com lanterna.

Veja bem: ele tem lanterna. Se fosse um rádio FM normal eu não assinaria a revista. Mas este aí tem lanterna, então a coisa toda muda de figura. É como os cinco prêmios a mais, dos 1.005 prêmios do certificadão. Fazem toda a diferença, principalmente quando você já está completamente desorientado com as regras malucas e só consegue pensar em Edson Celulari dizendo: “Envie! Envie tudo! DEPRESSA!”.

Mas o “gran finale” do envelope é o último papelzinho, intitulado “como participar dos nossos sorteios”. Sim, são as instruções!!! Mas não se anime, pois são as instruções descritas de um jeito bem “Seleções”. O texto é simplesmente surreal, exatamente como eu e meu pai dissemos no almoço:

“Devolva seu Certificado de Participação Final, com a Ordem de Compra devidamente preenchida, o Cupom do Prêmio Extraordinário, o cupom de participação no prêmio Clique da Sorte e seu “Cartão Estrela” no envelope de resposta SIM, com a etiqueta amarela “Resposta dentro do prazo confirmada” colada, dentro do prazo indicado”.

E aí, entendeu?

Pra não dizerem que eu estou de sacanagem, clique aqui e veja o texto inteiro com seus próprios olhos…


Update: No dia 08/10/08 o pessoal da revista Seleções me mandou o seguinte email:

De: atendimento@selecoes.com.br

Boa tarde José Carlos,

Vimos em seu site “O Primo” alguns comentários sobre nossa empresa. Gostaríamos de saber como
poderíamos postar algumas informações para esclarecer sobre as nossas promoções.

Agradecemos seu retorno,
Atendimento ao Cliente da Revista Seleções

Respondi dizendo: “Terei prazer em ajudá-los. Mandem as informações que quiserem postar e eu posso anexá-las ao meu post”. Só que o remetente do email deles é o email geral de atendimento, então parece que minha resposta foi lida por alguém do atendimento “geralzão” da revista, e olha só o que aconteceu (clique para ampliar)…

 

 

O mais legal é que do lado direito do email tem uma propaganda… de mais uma promoção maluca!

Mas no dia 27/10 eles acertaram a mão e mandaram o email certo, que reproduzo, na íntegra, aí embaixo:

A Revista Seleções é a publicação mais lida do mundo, com cerca de 100 milhões de leitores em todo o planeta. No Brasil, é uma das maiores publicações mensais em circulação, e está no mercado há mais de 66 anos porque tem como princípio garantir a seus clientes a qualidade de seus produtos e serviços, o respeito ao consumidor e a total consonância com as normas do Código de Direito do Consumidor Brasileiro.

A primeira revista “Reader´s Digest” foi impressa nos Estados Unidos em fevereiro de 1922.  No Brasil ela chegou 20 anos depois com o nome de “Seleções”.  Há que se reconhecer que uma empresa tem que ser muito integra, sólida e competente para manter uma trajetória de sucesso durante tanto tempo – atravessando guerras, crises econômicas, mudanças de tecnologia e de comportamento do consumidor. Nossos leitores, se insatisfeitos, já nos teriam tirado do mercado – destino comum a muitas empresas que falharam em respeitar e atender seus clientes com excelência.

O Reader´s Digest é uma empresa conhecida no mundo todo e seu desempenho é fruto de um contínuo trabalho que envolve a produção e distribuição de livros educacionais, CDs musicais, vídeos, e muitos outros produtos. Oferece, ainda, aos que desejarem, a oportunidade de participar de seus sorteios de prêmios, que são sempre oferecidos/informados por mala-direta (marketing direto) -  seja por correio ou pela Internet.

Seleções é uma empresa comprometida com o país que a hospeda. Temos diversos programas de ação social conduzidos durante todo o ano. Por exemplo, como  parte da interatividade dos sorteios, Seleções desenvolveu um programa chamado “Seleções Premiando a Educação”, que apóia e realiza ações dirigidas às áreas de educação e cultura – e já beneficiou mais de 15 mil alunos e professores em todo o Brasil com a doação de material educacional,  com o objetivo de ajudar na formação, educação e cultura dos jovens deste país. As instituições (escolas ou bibliotecas públicas) que recebem as doações são as indicadas pelos ganhadores dos Grandes Prêmios. A cada ano, novas instituições – sempre indicadas pelo ganhador do concurso daquele ano – são beneficiadas pelo programa.

Conheça algumas instituições que receberam essas doações nos últimos anos (a lista completa contém mais de 50 instituições).

E.M. de Ensino Fundamental Pe. Nilo Peçanha – Novo Hamburgo/RS
Colégio Estadual Prof. Jose Guimarães – Curitiba/PR
Escola Municipal Padre Antão – SP/SP
Biblioteca Pública Municipal Dr. Mario Correa Lousada – Valinhos/SP
Escola Frei Orestes Girardi – Campos do Jordão/SP
Prefeitura Municipal da Instância de Campos do Jordão (doação para 14 escolas municipais) – Campos do Jordão/SP
Colégio Municipal Pelotense – Pelotas/RS
Secretaria Municipal de Educação – Pelotas/RS

DOS CONCURSOS. Seleções divulga seus produtos através de promoções que incluem a oportunidade de participar de sorteio de prêmios porque tem como base de sua atuação o “marketing direto”. Assim, os sorteios que promovemos são como vitrines chamativas de lojas:  têm o objetivo de chamar sua atenção para as ofertas excepcionais que estão dentro da loja – em nosso caso, dentro do envelope – dando-lhe a chance de concorrer a prêmios valiosos.

Em nossos concursos, já distribuímos no Brasil mais de 17.200 prêmios, passando de 8,8 MILHÕES DE REAIS. Esses sorteios são apurados pela Loteria Federal, registrados e operados em total concordância com as normas da Caixa Econômica Federal – que é o órgão responsável pelo registro e execução de sorteios e loterias no Brasil.

Cada vez que você recebe uma de nossas promoções e responde, você conquista uma chance de ganhar. E quanto mais vezes você responder, mais chances vai acumular. E não existe outra empresa que conceda a oportunidade de participar e ganhar prêmios sem comprar nada. Quando você participa dos concursos respondendo NÃO (envelope NÃO) você nos autoriza a continuar enviando novas ofertas de produtos. E sabemos que temos produtos tão bons, de tantas variedades,  que se você não gostou daquela oferta,  vai gostar de alguma outra que enviaremos. Conhecemos a qualidade de nossos produtos!

O concurso é anual – conforme explicado nas peças promocionais. A cada ano um  novo concurso acontece e surge um  novo ganhador do prêmio principal (Grande Prêmio) e mais de 1.000 outros ganhadores de diversos outros prêmios. Todo ano isso acontece. As datas de apuração dos sorteios encontram-se no extrato do regulamento (está em todas as promoções enviadas) e no site de Seleções . A lista dos ganhadores de todos os prêmios também.

http://www.selecoes.com.br/concursos_sobre.asp

Destacamos que Seleções só trabalha com empresas que tenham listas de clientes cadastradas na ABEMD – Associação Brasileira de Marketing Direto,  que possui um código de conduta para a atuação nesse mercado, justamente para garantir a seriedade do trabalho das listas e do marketing direto. Nós fazemos parcerias com estas empresas para oferecer nossos produtos a seus clientes.

Como proceder se você recebeu uma oferta de Seleções e não deseja responder ou participar
dos concursos?

Se você recebeu uma oferta de Seleções e, sabendo que poderia ganhar em torno de 300 mil reais sem comprar nada, ainda prefere arriscar sua sorte basta jogar o envelope fora. Não enviaremos outra oferta a não ser que você nos responda – com o envelope SIM ou NÃO.

Se a oferta foi por email, basta clicar no link que segue ao final da primeira pagina da oferta, indicando que não quer receber promoções de Seleções.

Se desejar falar com nossa Central de Relacionamento:

Ligue para 4004-2124 ou envie um email através de nossa página de atendimento:
http://www.selecoes.com.br/atendimento.asp

Estamos absolutamente à disposição.

Seleções do Reader´s Digest


O Primo recomenda: F.E.A.R.

15 de maio de 2007, 18:36


Não se iluda: nesta cena, o vilão de verdade é a terrível caixa de documentos voadora!!

F.E.A.R. foi meu ovo de páscoa, já que eu e Bethania fizemos um trato: em vez de ovos calóricos de presente, nós trocaríamos cultura. Livros, filmes, etc. E ninguém pode dizer que balas atravessando corpos virtuais não sejam cultura, não é verdade?

Os editores do Gamespot saíram falando que F.E.A.R. era “a melhor experiência single-player desde Half Life”, o que é um baita de um elogio, considerando-se que Half Life segue imbatível como a minha melhor experiência single-player desde 2001. Assim, eu tinha que jogar o concorrente e conferir.

F.E.A.R. é, na verdade, uma sigla para “First Encounter Assault Recon”, o avançado grupo tático de resposta a eventos paranormais (hein?) de que você, o jogador, faz parte. Seu personagem também é meio paranormal e, de acordo com a história, tem “reflexos fora do comum”, ou seja, quando você aperta CTRL, tudo fica em câmera lenta por alguns segundos, mas você consegue mirar e atirar normalmente: é o tal “Slo-Mo”, um recurso que contribui para a boyzação geral do jogo.

A história é assim: você está numa missão cujo objetivo é capturar Paxton Fettel, um doido psiônico que comanda um exército inteiro via telepatia. Enquanto você procura Fettel, acaba descobrindo uma trama paralela envolvendo experimentos secretos e… uma simpática garotinha chamada Alma.

Alma é, bem, a “alma” da história. Ela aparece de surpresa, toda hora, durante as fases, com apenas um único objetivo: lhe matar de susto. Imagine que você passou os últimos 10 minutos andando sozinho pela fase e, de repente, ao se virar de costas para descer uma escada, dá de cara com isso?


E bem nessa hora eu chamei Bethania: “Tou com medo!”

E como se não bastasse, de vez em quando, sem aviso, seu personagem pira o cabeção e tem alucinações aterradoras. Nestes momentos, meu caro, você vai cortar prego: tudo vai ficar borrado e você vai se ver perdido em corredores infinitos cheios de sangue, gritos e, ao fundo, a amigável risadinha de Alma, em momentos que deixariam as piores cenas de horror de Silent Hill no chinelo.

Mas falando da jogabilidade: F.E.A.R. deve ter, no máximo, uns cinco tipos de inimigos diferentes. E as fases são meio repetitivas. Mas tudo isso é compensado pela extraordinária inteligência artificial dos oponentes. Extraordinaria MESMO. Os combates ficam divertidíssimos porque os caras se escondem, tentam dar a volta e te emboscar pelos flancos, usam granadas pra te fazer sair de onde você estiver se escondendo, e por aí vai. É tão divertido quanto jogar com oponentes humanos pela Internet.

A despeito dos momentos de susto, eu fui homem e joguei tudinho até o final. Foi bem legal e F.E.A.R. é altamente recomendado. Mas jogue de dia, e com alguém do seu lado para segurar sua mãozinha nas horas do terror, ok?

Update: Perguntaram nos comentários sobre os minimal system requirements: Pentium4 1.7 GHz, 1 GB de RAM, placa de vídeo 3D com 128MB e compatível com DirectX 9, 3 GB livres no HD. No meu notebook rodou sem problemas com tudo ligado, exceto “shadows”. Achei bem estranho isso, era só ligar as shadows e o jogo ficava lindo… e lento.


O vídeo mais "WTF" da internet é este aqui, com ce…

15 de maio de 2007, 17:13

O vídeo mais “WTF” da internet é este aqui, com certeza. Concorre seriamente para o vídeo mais gay, também.

As paródias, obviamente, já começaram.


"Você não pode vê-lo?"

11 de maio de 2007, 14:36

Se você já tiver assistido o episódio 20 da terceira temporada de Lost, que passou anteontem nos EUA, clique aqui e veja algo que, provavelmente, você nem notou na cena da cabana


Quanto pior, melhor

11 de maio de 2007, 9:20

Eu bem que queria entender essa vertente da nova música independente do “quanto pior melhor”, que anda lançando aberrações como Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê.

Digo isso porque ontem liguei a TV e, naquele programa da Trama, tinha uma banda chamada Montage cantando.

A vocalista loira, de camiseta branca e calça de lycra roxa, ficava passeando inquieta pelo palco com o microfone. O guitarrista tocava apenas uns dois acordes enquanto outro membro da banda, atrás de um notebook (Apple por sinal), balançava a cabeça para frente e para trás enquanto o computador cuspia uma batida do mais puro… funk carioca.

E aí veio a letra:

M-O-N-T-A-G-E
Montage!! Electro gang bang
Beginning the bocket Show
Leco is Dj
Dani sing and shake
In Fortaleza beach
Teen prostitution paradise…

“Mas que bosta é essa???”, pensei.

Trinta segundos de música depois e eu percebi que a vocalista era homem. Ou melhor, homem só no sentido biológico do termo. Depois, o câmera cortou para atrás do notebook, onde o tal “Leco” fazia uma cara de mau, estilo “putamerda isso é rockenrou pracaraio”, emquanto mexia freneticamente no touchpad do computador. Não acontecia nada de novo com o som, então eu suponho que ele estava apenas balançando o cursor do mouse pela tela, pra fingir que estava fazendo alguma coisa além de apertar “play” e “stop”. A impressão que eu tinha daquilo é que ele queria, desesperadamente, ir ao banheiro.

No rodapé da tela iam passando umas notas explicativas sobre a banda, contando que ela é de Fortaleza e que o guitarrista é convidado. Sorte dele. E “Dani” rebolava até o chão no melhor estilo “travesti funkeiro de Amsterdam” enquanto continuava cantando coisas que, mesmo cantadas de brincadeira pelo Sérgio Mallandro, ainda assim seriam patéticas.

Floor floor floor
Go Straight to the Floor
A hand in the head
Another in the ass
Shake shake shake
Your Ass

Aquilo era um novo patamar da música ruim. Era funk piorado. Era igual um acidente de trânsito: catastrófico, mas eu não conseguia parar de olhar.

No entanto eu lia no rodapé da tela que o Montage estava gravando disco, preparando turnê na Europa e que já tinha tocado com o Gang Of Four, The Cardigans e mais um tanto de gente. Cuméquié?

Eat rapadura
Fuck rapariga
Go straight to the floor
Dance like a whore
Just whore on the floor

Sim, você leu certo, “eat rapadura, fuck rapariga”. Aparentemente isso aí é música brasileira boa pra exportação.

Se quiser ver o desastre todo, aqui tem outra matéria do mesmo programa sobre a “banda”, tocando no Campari Rock.


O produto de uma mente ociosa há 25 dias

8 de maio de 2007, 22:43

Adicionei mais uma coisa para o ranking das coisas que realmente me irritam: DVDs de locadora que te obrigam a assistir os traileres.

Já alugou um destes? Você taca o DVD pra tocar e ele passa 10, 15 minutos de trailers. “Next” não funciona. “FF” não funciona. “Menu” não funciona.

É incrível como o pensamento da indústria do entretenimento parece ser: “Você vai se divertir com nossos produtos. Mas tem que ser do jeito que a gente quer.”

Falando em indústria do entretenimento, eu vi o Homem-Aranha novo. Engraçado como a primeira metade de um filme pode ser excelente e a segunda metade ser um lixo total.

Vou dar um exemplo (não é spoiler, pode ler): numa das cenas da segunda parte, o Aranha chega para salvar o dia. A tomada mostra o aracnídeo pulando de sua teia e correndo por um telhado… com a bandeira dos US and A como pano de fundo. A música “gloriosa” aumenta e as pessoas na rua aplaudem.

Outro dia, na cadeira do engraxate do Aeroporto de Ribeirão Preto (?!), eu li uma matéria na Folhinha, da Folha de São Paulo, sobre os jovens que rejeitam tudo que é estrangeiro. Não entram no McDonalds, só escutam música brasileira, só se vestem com grifes nacionais e tal.

Pra mim estes jovens são uns idiotas.

Antes que as pedras que vocês, mentalmente, jogaram sobre mim me acertem, eu me justifico: No mundo de hoje, principalmente sob o ponto de vista cultural, não faz o menor sentido você classificar as coisas por causa do país de onde elas vêm. Se você pensar em termos de Internet e globalização, não existem países do ponto de vista cultural. Não dá pra separar músicos, atores ou escritores em prateleirinhas com os nomes dos lugares de onde eles vieram: é como se, no universo cultural, Tom Zé, Thom Yorke e Thomas Bangalter estivessem lado a lado. Segmentar o mundo cultural em países, e restringir seu consumo a apenas um deles é, para mim, um contrasenso enorme, é jogar fora o que de melhor o mundo moderno nos oferece: cultura de todos os tipos, jeitos, países, raças e cores. E o que é pior: só pra pagar uma de patriota.

Sim, a cultura brasileira é rica e digna de apreciação. A dos outros países também, inclusive a dos US and A, que todo mundo adora odiar ultimamente. Em termos culturais, a única comparação que vale é a de mentes, não de lugares de nascimento.

Falando em “US and A”, alguém mais já reparou que, no Street Fighter 2, quando o narrador fala o nome dos países, a narração para a extinta União Soviética é a que ele faz com menos empolgação?

Para os outros países é como se ele botasse uma exclamação no final: Japan! Brazil! Spain! USA! Mas na hora de falar da terra do Zangief, ele desanima: U.S.S.R…


Compras do mês d’O Primo

8 de maio de 2007, 22:04

Atrasado quase dois meses. Mas.. vamulá:

Blonde Redhead – 23

Esta era uma compra imperdível após “Misery is a butterfly”, o último lançamento da banda e que, pra mim, foi o melhor disco de 2004.

Até os videoclipes da banda denunciam que o Blonde Redhead está cada vez mais atraído para uma sonoridade cada vez menos “rock sujo” e cada vez mais bem-produzida, melódica, esteticamente bonita. Portanto, “23″ nasce como um disco-irmão de “Misery is a butterfly”, igualmente agradável, igualmente classudo. Faz sentido, se considerarmos que dois membros da banda são irmãos gêmeos…

As faixas alternam momentos de sonhos tristes, nas faixas onde Kazu Makino canta, com momentos mais “reality” na voz de Simone (ou Amedeo, sei lá, um dos gêmeos). O vocal não é convencional e quem nunca ouviu a banda acaba estranhando a voz aveludada e assustadora de Kazu e os agudos miados de Simone (ou Amedeo). Mas após umas duas ou três ouvidas, o disco desce igual uma Skol.

Destaque para “Silently”, com uma letra melosa, vergonhosa e clichezenta e que, ainda assim, consegue ser a melhor faixa do disco.

Daedelus – Rethinking the weather

Daedelus basicamente copia e reorganiza samples e trechos de música dos outros, o que, teoricamente, nem poderia classificá-lo como um “criador”. No entanto, Daedelus é um dos maiores gênios criativos que já vi na música eletrônica. Afinal, é preciso ser muito foda pra misturar coisas diametralmente opostas, como folclore japonês e batidas de hip-hop, e deixar tudo soando como se tivesse nascido um para o outro.

O interessante é que cada faixa se desenvolve em volta de um sample específico, que puxa variações do tema, que puxam improvisos diversos e assim em diante. Mais ou menos como quando você pensa alguma coisa e um pensamento puxa outro, que por sua vez puxa outro, e quando você vê já está viajando em uma idéia muito diversa da original. Pois é: a música de Daedelus é mais ou menos assim.

Destaque para “Dark days”, que junta um coral de menininhas dos anos 60 com uma batida jungle e cujo efeito colateral é fazer você sair ricocheteando pelas paredes.

N.LN – Astronomy for Children

É engraçado: as músicas do The Sea and Cake são muito mais gays, e os discos deles não tem capas com pinturas de viadinhos…

Bem, mas falando do que realmente importa, N.LN praticamente implora para ser comparado ao Boards of Canada. As premissas musicais são as mesmas: sonoridade bem “amiga”, ampla e suave, casada com melodias e batidas simples que se repetem por longos períodos. Mas ao contrário das “pranchas canadenses”, o espectro por onde o N.LN passeia é mais variado, onde são usados elementos “glitch”, arranjos mais sombrios – ou com menos climão de “sonho” -, batidas mais complexas e tal. Apesar disso, no fundo, o DNA da música é o mesmo do Boards of Canada. Taí, comparei de novo.

Destaque para a faixa “That spun my head”, que significa “aquilo fez minha cabeça rodar” e é perfeita para ouvir quando você está na janela do avião, à noite, e a paisagem passa beeeeeeem lentamente debaixo de você.

Taylor Deupree – Nodal Points

Eu não sei por que compro essas coisas. Na verdade só eu devo comprar essas coisas. O próprio Taylor Deupree deve acessar o eMusic de vez em quando e falar: “que bosta, só uma pessoa comprou meu disco”. E essa pessoa sou eu.

O desabafo é porque “Nodal Points” é um disco de música eletrônica experimental. Ou “eletroacústica”, como chamam alguns. Essas coisas, quando não soam como CD riscado, soam como computadores dando erro ou como ruído elétrico do seu amplificador velho. Mas na verdade não é isso, é o compositor, supostamente um gênio musical de vanguarda, que está compondo de uma forma muito fora do comum: trabalhando timbres ultra-agudos, usando fórmulas matemáticas para gerar ondas sonoras (ou adulterá-las), explorando a expressividade que pode nascer de pedaçículos ínfimos de som repetidos muito rapidamente, e por aí vai.

Escrevendo assim parece que eu odiei o disco. Na verdade não, porque uma parte de mim entende o que ele está fazendo e aprecia com avidez cada blip ou tóing da maluquice toda.

Destaque para “Cell_H. 65.69.87″, um ótimo exemplo de que, quando muita pouca coisa acontece, muita coisa está acontecendo. Entendeu? Meu Deus, comecei a escrever como aqueles críticos de arte…

Panda Bear – Person pitch

Vocais, reverb, mais vocais, muito reverb… hmm… aposto que substâncias ilegais foram usadas na concepção deste disco.

“Person pitch” vai pro lado da psicodelia estilão “anos 60″. Guitarrinha, vocais, tudo embebido em quantidades absurdas de reverb. É basicamente isso, e… eu já disse que tem reverb o tempo todo?

Panda Bear, ao que parece, está em todas atualmente. Está entre os mais baixados do eMusic, se deu bem no Pitchfork (9.4), surgiu no (maravilhoso) podcast da XLR8R, e tal. O disco é bem bonzinho mesmo, apesar de ser um pouco “mesmice” demais. Sacumé, muito reverb.


Semiocupado

4 de maio de 2007, 10:20

Eu já ia completar um mês de “férias forçadas” quando, semana passada, pintou uma visita promocional – ou seja, ir ao cliente para fazer um diagnóstico e tentar vender um projeto.

A coisa toda seriam dois dias de trabalho, no interior de São Paulo. Um destes dois dias caiu exatamente no dia do aniversário de Bethania, que não gostou nadinha da história. Além disso, eu faria o trabalho – que nunca havia feito antes – sozinho, e meu desempenho ainda tinha que ser fora de série para deixar o cliente inspirado a nos contratar. Em resumo: nada diferente da rotina de sempre.

Pelo menos o trabalho seria em Ribeirão Preto. Apesar de estar no interior, Ribeirão Preto (ao contrário de Windturn City) tem aeroporto, táxi, essas coisas de lugar civilizado. O hotel era bem legal, confortável, e até tinha internet. Numa das noites, quando voltei do trabalho, perguntei pra mocinha da recepção quanto custava o acesso:

- É cinquenta reais, senhor – disse ela, sorridente.
- Hehehe, tá certo… agora deixa de brincadeira e fala quanto é de verdade.
- Uhh… é cinquenta reais mesmo.

Eu juro que queria entender porque diabos os hotéis metem a mão ao cobrar acesso à internet. Se eles fossem realmente inteligentes, davam o acesso de graça para atrair mais hóspedes.

Felizmente, após uma maratona de reuniões, planilhas, cafezinhos (muitos) e perguntas capciosas do cliente durante os horários de almoço, a coisa toda correu bem. Na próxima segunda estarei de volta para apresentar o diagnóstico aos chefões da empresa. Agora é torcer pra dar tudo certo.