Vendo a música passar

Essa semana o Resident Advisor tem um podcast com um mix de um tal Samim. O cara tocou um techno meio minimal com pitadas de jazz e coisas latinas que ficou uma delícia.

Mas o melhor é ver que no blog dele tem o tracklist do mix, com links para todas as faixas, incluindo vídeos do YouTube para algumas delas. E a forma gráfica de mostrar as faixas tocadas é muito interessante:

Isso aí é um timeline do mix. Tipo, da esquerda pra direita, o mix começa com a faixa 1 tocando junto com a 2, depois entra a faixa 3, a 2 sai, e assim por diante…

In the studio, it’s the place to be…

Eu já fiz muita coisa inusitada desde que virei consultor. Hoje eu adicionei mais uma à minha lista: gravar um programa de rádio.

É que nosso cliente atual produz um programa de rádio para divulgar seus trabalhos pelo estado, e eles queriam divulgar os resultados da nossa consultoria entrevistando um dos consultores. Obviamente, sobrou pra mim.

O programa é gravado num mini-estúdio que fica no setor de comunicação da empresa. A bizarrice começou aí: a porta do estúdio é de metal, enorme, com travas nas laterais e uma janelinha redonda no meio. É que ela devia ser a prova de som, mas com aquele visual parecia uma escotilha de submarino. E dentro dela tinha um carinha com cabelo “black power”, formando uma “aura” capilar que se estendia a uns 30cm do couro cabeludo: era o operador de gravação.

Do lado dele estavam os equipamentos do estúdio: computador, mesa de som, microfones e um toca-discos. Eu passei uns bons 30 segundos olhando para o toca-discos: aquilo era uma relíquia de começo de século, era tipo o modelo 2.0 do gramofone. A cabeça onde fica a agulha era enorme, a carcaça do aparelho era toda coberta de feltro e tinha até uma alavanquinha para selecionar entre 33, 45 e 78 rotações. Mas nem bem tive muito tempo de admirar o equipamento e entramos, eu e a jornalista da área, na cabine à prova de som.

Nessas horas eu agradeço a Deus por ter uma esposa que, além de tudo, é jornalista: durante os muitos anos de namoro eu convivi bem de perto com a vida acadêmica dela, então acabei aprendendo algumas coisas sobre mídia impressa, TV, rádio, etc. Por isso já sou meio vacinado para esse tipo de situação: ninguém avisou mas eu sabia como devia ser minha dicção, sabia como ajustar o microfone, etc. Já a jornalista que ia me entrevistar estava meio sem jeito: um dos lados do headphone dela estava virado pra fora e ela nem percebeu.

Depois de tudo pronto, o operador Black Power pronunciou o clássico “um dois três gravando” e mandamos ver. A entrevista foi curtinha, uns sete minutos, e correu sem maiores problemas.

Fique cansado você também

O www.cansei.com.br (fora do ar atualmente) é iniciativa da OAB de São Paulo e mais um punhado de organizações. Eles estão promovendo um protesto no dia 17 de agosto às 13h (treze… hmmm, número sugestivo…).

A idéia é fazer um minuto de silêncio, com ampla cobertura pela mídia e tal.

Eu fico feliz com essas coisas. Parece que, finalmente, após chegar no fundo do poço, a sociedade percebeu que ficar só assistindo Jornal Nacional e dizendo “esse país é uma droga” entre uma e outra fala do William Bonner não vai resolver nada.

Divulgue aí então.

(Vi no Saber é bom demais)

O "relaxa e goza" já chegou no exterior

O site Travel Wire soltou um artigo alertando turistas internacionais sobre o caos aéreo brasileiro. O último parágrafo é uma recomendação aos viajantes que pretendem passar férias pela América Latina:

Lembre-se que o transporte aéreo da América do Sul frequentemente não apresenta os mesmos níveis de serviço e satisfação do usuário encontrados em outras partes do mundo. É melhor ter uma atitude amistosa e flexível antes de viajar.

“Atitude amistosa e flexível”… assim, tipo um “relaxa e goza”?

Pavlov – Um artista de vanguarda (parte 3)

(Leia a parte 1 aqui e a parte 2 aqui – e um “bonus track” aqui)

A vida moderna nos liberta ou nos escraviza? A tecnologia expande horizontes ou constrange as mentes? Viver num mundo sem fio significa viver acorrentado?

Todas estas questões são levantadas no novo, simples e genial trabalho do artista plástico Pavlov, intitulado Controle.

Controle remoto semidestruido por mordidas
Controle
(plástico, circuito impresso e borracha)
2007 – Acervo do artista

Este trabalho simples tem muito mais do que os olhos vêem. O que parece ser apenas o controle remoto do meu DVD semi-devorado pelo meu cachorro é uma obra-prima de múltiplos significados, em múltiplas instâncias de meta-realidades que convergem tanto para o agora quanto para futuros apocalípticos distantes. A começar pelo título: o controle perde sua função ao ser devorado, pois passa de controlador a controlado. Não é ele quem diz o que vamos ver: agora ele só serve para ser visto.

A evisceração do controle remoto foi feita por Pavlov usando a sua famosa técnica de manipulação oral: mordidas e dentadas, uma catarse aonde o instinto mais animalesco faz nascer a arte mais sublime. A violência do trabalho serve a um fim nobre: mostrar o vazio que realmente há por dentro de toda esta modernidade eletro-eletrônica que nos cerca, revelando o que há por trás da casca destes monolitos bebedores de sangue elétrico que usamos para praticamente tudo (inclusive para ler este post).

Pavlov
Pavlov, com um ar meio blasé

Ticketmaster dá uma aula de como não atender seus clientes

A foto aí embaixo é de um cartaz que está pregado na fila para compra de ingressos para o Cirque du Soleil, que virá pra Belo Horizonte.

Isso não é simplesmente um cartaz. É uma ofensa aos clientes e um atestado de incompetência do Ticketmaster. É como se ele dissesse: “nosso atendimento é uma droga e a culpa é toda sua”.

No ano passado eu já tive meus maus bocados com o atendimento do Ticketmaster, também com ingressos pro Cirque du Soleil. Se naquela época eu já achava que eles não tinham nenhum comprometimento com qualidade e bom atendimento, depois de ver o cartaz aí em cima eu tive certeza.

Eles dizem que a espera pode chegar a 5 horas, e que a culpa disso é dos clientes indecisos. Acontece que esse problema tem uma solução muito simples: basta colocar um funcionário na fila para fazer uma pré-venda, mostrar o mapa de assentos, dizer que datas estão esgotadas ou não, etc. Qualquer McDonalds da vida faz isso. Mas, como o Ticketmaster tem o monopólio da venda de ingressos pro Cirque du Soleil, eles não precisam se preocupar…

Vou mandar a foto do cartaz junto com um email para a matriz do Ticketmaster… ah, se vou…

Cachorrada

Caninus é uma banda cujo vocalista é um pit-bull.

Não é força de expressão. O vocalista é, realmente, um cachorro.

Ok, pra não deixar dúvida: o vocalista não é um Homo sapiens, e sim um Canis familiaris*. Na verdade dois, chamados Budgie e Basil…

(Vi no 17 dots)

(*) – Agradecimentos ao leitor Roberto pela correção (e pela aula de taxonomia)!

Momento Ctrl+C

No último fim-de-semana este blog recebeu a maior honra de todas, o maior dos elogios: um plágio. O primeiro plágio de sua história.

O blog de um tal Anselmo (hoje fora do ar, mas na época composto só de posts plagiados) copiou meu post sobre fones de ouvido. Inteirinho. Até as imagens. O post plagiado só foi removido depois que achei o Orkut do salafrário e mandei um scrap pedindo a remoção. O post já saiu do ar, mas guardei um print screen de recordação deste momento lindo…

Print screen do blog com o plágio do post