Tudo que poderia ter sido e que não foi

25 de setembro de 2007, 0:00

Sabe, eu estava bastante empolgado com essa viagem pra Aracaju.

Há meses eu não andava de avião. Eu iria na segunda à noite e voltaria na quarta. O trabalho ia ser legal, eu iria como especialista em projetos para fazer um diagnóstico num cliente importante. Coisa fina.

Como Bethania está viajando, o apartamento (e o cachorro) ficariam sozinhos. Assim, pra que nada desse errado, eu me planejei bastante: no sábado mesmo eu já havia reservado um hotelzinho para deixar Pavlov. No domingo eu ajeitei a casa para a faxineira, que viria na terça. Me lembrei até de passar no banco e sacar dinheiro num caixa com notas pequenas pra poder deixar o dinheiro do ônibus dela, trocado, em cima da mesa.

Na segunda eu marquei, pela internet, os lugares onde queria me sentar no avião – janelas, pra que eu pudesse dormir sossegado. Voltei mais cedo do trabalho, para poder fazer as malas com calma. Conferi e reconferi tudo que estava levando. Usei uma sacola para não precisar despachar bagagem e não correr o risco de perder a mala e ficar sem roupas para as reuniões do dia seguinte. Lembrei-me de comer alguma coisa em casa, pois só ia chegar em Sergipe depois de uma da manhã. Lembrei de fazer backup de arquivos cruciais das reuniões no meu pen drive (para o caso do notebook resolver pifar de vez). Lembrei também de carregar a bateria do celular e do iPod. Lembrei até de baixar um disco duplo do Stars of the Lid que estava querendo, só pra poder ouvir no avião.

Marquei horário com o táxi pra bem cedo e cheguei no aeroporto mais de uma hora antes do horário previsto de decolagem. A fila do check-in sem bagagem estava vazia, então foi só chegar e entregar minha carteira de motorista para o atendente.

Eu estava tranquilo, pensando em que revista poderia comprar pra ler no vôo, quando o atendente me disse:

- O senhor teria um outro documento dentro do prazo de validade?
- Como assim?
- A sua carteira de motorista está vencida, senhor.

Olhei a validade e estava lá: 27/05/2007. Vinte e sete de maio. A maldita carteira estava vencida há quase quatro meses. E eu não ando com outros documentos justamente pelo fato da carteira de motorista também valer como identidade e CPF. Como o maldito aeroporto de Confins fica a 40 minutos da minha casa, não dava tempo de voltar e buscar. E não tinha jeito de ninguém trazer outro documento porque o apartamento estava vazio e trancado, e a única chave estava comigo. Não havia saída. Eu implorei, pedi "pelamordedeus" mas o cara, obviamente, não fez meu check-in.

Desesperado, até peguei um daqueles selinhos do Subway, coloquei na frente da data de validade e entrei na fila do check-in com bagagem, para cair em uma outra atendente. Na hora que ela pegou minha carteira eu tentei distraí-la conversando fiado, mas não colou: ela conferiu a data e não me deixou embarcar. Até no posto da ANAC eu fui implorar, mas não teve jeito.

Pra piorar, o consultor-sênior do projeto estava no aeroporto do Rio, embarcando pra se encontrar comigo. Ele estava indo à Aracaju só por minha causa, então vocês imaginam como ele reagiu quando contei o ocorrido.

Agora estou de novo em casa, frustrado, escrevendo este post e me sentindo o ser humano mais idiota de todos os tempos. E se eu fosse você, eu parava de rir da minha cara e conferia a validade da sua carteira de motorista. AGORA.

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7 comentários em “Tudo que poderia ter sido e que não foi”

  1. bressane -

    cara, que história palha. fiquei triste por você. eu tenho pesadelos recorrentes com essas paradas de aeroporto. a cada 15 dias eu sonho que tô perdendo o vôo pra algum lugar.

  2. pipelette -

    Achei um absurdo, a validade da carteira não importa, porque os outros dados são “fixos”, e no mais, se você tivesse levado o CPF e Identidade nenhum desses documentos possui “data de validade” mesmo, você só não poderia dirigir, o que não era o caso.
    De qualquer maneira aquele aeroporto é fora de mão total. Dá pra ficar muito puto com essa história, tomara que você consiga contornar as coisas no trabalho.

  3. Adler -

    Zé, como sempre mais uma historia surreal…
    tenho que confessar.. sempre que imagino que eu to “Cagado” eu entro no blog e vejo que tem sempre alguem na mesma situacao! Abs

  4. Juliana -

    Isto aconteceu ontem, 31/10/2007, comigo! Não conseguimos embarcar pq a carteira de motorista do meu marido está vencida desde setembro. Detalhe: estávamos indo renovar a carteira dele…rsrsrsrsrs
    tb acho um absurdo!

  5. Tonho da Lua -

    Se sua carteira deixou de valer porque tinha um prazo de validade, quem você é agora, então? Você não é mais o cara da carteira de motorista, lógico, senão eles te deixavam entrar no avião (a não ser que você quisesse dirigir o bicho pelas estradas), já que seu CPF, sua foto, RG, assinatura e seja mais o que quer que tenha lá deve ter sido mudado depois que o prazo de validade acabou. Seja lá quem você seja agora, caso não tenha renovado sua vida, faça logo antes que o Eduardo Azeredo comece a pedir seus documentos para você entrar no blog.

  6. SARDO -

    Sim, eu também tenho a carteira fora do prazo.

    Aqui em Portugal quase todos os documentos foram integrados no Cartão do Cidadão. Acontece que é quase impossível arranjar vaga para renovar. A fila é enorme e a arogância dos funcionários públicos que vivem esperando se reformarem e mesmo assim nos atendem, é algo que nos supera.

  7. Ivan -

    a Resolução 52 de 4/9/2008 diz que é possivel o uso de documentos com foto mesmo vencidos, original ou fotocopia autenticada.

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