Posts de April de 2008


Here comes a new challenger!

30 de April de 2008, 10:18

Ontem de manhã, eu atoa em casa, toca o telefone. Era o pessoal da empresa onde trabalho:

- Estamos ligando pra saber se você tem interesse em substituir um consultor num projeto… doze meses de trabalho a partir de julho… na Espanha.

20080430

Pelo visto a treta é séria mesmo. Hoje de manhã já fizeram um teste de inglês comigo via telefone (é a língua que o cliente espanhol usa, segundo me disseram) e estou negociando para levar Bethania comigo - condição sine qua non para minha ida, afinal as prioridades mudam depois que se casa. Vamos ver no que vai dar…


Razões para ser lacônico

28 de April de 2008, 19:12

“Uma frase curta contém muita sabedoria” - Sófocles

“Lacônico” é aquela pessoa que fala pouco. É o oposto do prolixo, aquele que fala pelos cotovelos (e, eventualmente, por alguns orifícios corporais pouco dignos).

A origem do termo é a Lacônia, região da Grécia antiga cuja capital era - veja você! - Esparta.

20080424
Leônidas era um cara lacônico: pouco papo, muita ação.

Reza a lenda que Felipe II da Macedônia escreveu a seguinte mensagem aos espartanos: “Vocês devem se render sem demora, pois se eu trouxer meu exército às suas terras, destruirei suas fazendas, escravizarei seu povo e dizimarei sua cidade”. A resposta dos espartanos foi, simplesmente: “Se”.

Em tempos de overdose de informação, ser lacônico é muito importante. Todo mundo tem muito pra falar mas pouco tempo pra ouvir, o que gera conceitos curiosos como o do “discurso do elevador“: aquela situação hipotética onde você tem apenas o tempo de uma viagem de elevador (tipo 30 segundos) pra passar a sua idéia fantástica de negócio para um potencial investidor.

Ser lacônico só traz vantagens. Uma delas é que suas idéias sempre caberão nos 140 caracteres do Twitter. E cabe muita coisa em 140 caracteres…

“O diabo é Deus de férias” - @exucaveiracover

Na música os bons artistas sempre dizem mais com menos. Exemplo: “Definitions”, música do Minutemen, tem apenas 1:13 minutos. A letra tem apenas sete frases. Não precisava de mais nenhuma.

They say I got a gun in my hand.
Six slugs, six points of view.
Materialism.

They say I have a book in my hand.
Fifty thousand words, fifty thousand translations.
Idealism.

Ooh, I got a dictionary!

Até mesmo os artistas ruins se beneficiam quando são lacônicos. Pouca gente sabe a letra inteira dos nove minutos de “Faroeste Caboclo”, mas todo mundo se lembra da infame frase: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.


É tudo uma grande mentira

25 de April de 2008, 9:50

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Terremoto em São Paulo - um "timeline" bizarro

22 de April de 2008, 23:04

Aprox. 21:00 - Na sala aqui de casa eu e uma amiga de Bethania estávamos vendo TV. Aí minha cadeira balança bem de leve por uns 10 segundos. Enfiei a mão debaixo dela para ver se não era Pavlov (meu cachorro) se coçando, até que a amiga pergunta se eu senti a terra tremer.

Me levantei, fui até o computador e levei um susto: no Twitter, dezenas de relatos da terra tremendo em várias partes da cidade de São Paulo. A primeira twittada, supostamente, foi do @viniciuscosta: “Terremoto em SP?”

21:13 - O tremor começa a aparecer na mídia. Segundo o 8 Bits e Meio:

O Corpo de Bombeiros confirmaria as informações alguns minutos depois. Os portais entraram às 21h16 (com o G1). A FOL foi mais tarde, com um urgente na capa. Às 21h18, a Bandnews levou a história para o ar. Às 21h23, entrou a Globo News.

21:36 - @geomorcelli avisa: no Orkut surge a comunidade “Terremoto 22/4/08 - Sobrevivi!”

21:41 - No Twitter começam as piadas, como esta, de @marcsheep: “Esse terremoto é uma ação viral da motorola para o novo cellphone! TERREMOTO!”

21:43 - @cellozero avisa que o terremoto foi de 5.2 graus na escala Richter. Informações do portal de terremotos (?) do Governo Norte-americano confirmam, inclusive dando a localização do epicentro: no Oceano Atlântico, a 270 km de São Paulo - a estrelinha da figura aí embaixo.

20080422

21:51 - O número de piadinhas com o terremoto segue crescendo exponencialmente. Segundo @pedro_blognatv, “Terremoto nada! A terra só quis comemorar o seu dia e dançou o créu na velocidade 5″

21:58 - Surge a melhor (e mais nerd) piadinha do terremoto, via @felds: “São Paulo, agora com RUMBLE PACK!”

22:00 - Começa a monetização: Camiseta do terremoto é lançada por Ian Black no Twitter.

22:03 - @herkeios especula sobre a causa do terremoto: “O desmond esquecereu (sic) de digitar 4, 8, 15, 16, 23, 42, DE NOVO”

22:09 - A comunidade do terremoto no Orkut já tem mais de 200 membros.

22:19 - Meu pai aparece no Google Talk. Isso é, de longe, MUITO MAIS BIZARRO que o terremoto. Achei que ele tinha ficado sabendo do tremor e estava preocupado comigo, mas as primeiras frases dele são: “Uai, tou conseguindo tc contigo? Foi sem querer que entrei aqui”.

22:27 - @opiumseed avisa: “Na comunidade de São Paulo no Orkut, o tópico do terremoto teve mais de 500 comentários em uma hora”. Já a comunidade do terremoto está com 360 membros e segue aumentando.

22:29 - Bethania chega na sala rindo porque viu no Twitter: “Brasileiro não sabe nem se portar em evento de primeiro mundo” (Update: o autor foi o @marcdoni)

22:34 - Encontro Bethania ainda rindo, mas por causa de um comentário do @cacaucalazans: “Droga, eu filmei o terremoto, mas o meu celular tem sistema antishaking! hahahahahahaha”

22:36 - Talvez o primeiro relato de danos causados pelo terremoto, via @cellozero: rachadura em hospital da zona leste de SP.

22:43 - Bethania me avisa de um comentário de @luti (cujo Twitter foi criado há apenas 3 horas): “Gente, foi terremoto mesmo? Não reparei, aquei que tinha esquecido o vibrador ligado…”

22:47 - Na comunidade do Orkut também tem piadinhas, como o tópico “Ao vivo - Está tremendo em Manaus (-2 hs fuso)”.

23:05 - Parei de acompanhar o aftermath do terremoto e fui dormir. É estranho dizer isso mas foi… divertido.

P.s.: Pra quem quiser ler mais, o Inagaki também coletou um monte de citações do Twitter.


A conquista do Sudoku

17 de April de 2008, 21:27

Terça-feira. Depois de duas horas preso no Aeroporto Santos Dumont por causa do mau tempo, finalmente entrei num avião rumo à São Paulo. Aí cismei de pegar uma daquelas revistinhas de passatempos da Tam para fazer umas palavras cruzadas e foi então que me deparei com alguns exemplares do jogo da moda, aquele que é a sensação nos aeroportos brasileiros: o Sudoku.

20080417_4 Você sabe, Sudoku (”único número” em japonês), esse joguinho aí do lado, dos quadradinhos. Tem que preencher com números de 1 a 9 sem repetir os números nas linhas, colunas e nos quadrados grandes de 3×3. Moleza né? NOT!

Sabe, eu tenho uma certa resistência à Sudoku porque ele é com números, e números expoem o lado imbecil do meu cérebro - o que mexe com números. Matemática nunca foi o meu forte: foi nela que tirei meu único (e traumático) zero numa prova, na quinta série. Eu sei lá como sobrevivi às aulas de cálculo na faculdade, sempre passava raspando, enquanto nas outras matérias eu mandava bem sem muito estudo. Meu ápice de genialidade acadêmica foi quando tirei total na temida prova final de Compiladores, a matéria mais difícil do curso de Ciência da Computação (que frequentemente reprovava metade da turma). Mas me dê um punhado de números e eu me enrolo todo. Erro as coisas mais idiotas - idiotas MESMO, tipo somar os 10% de gorjeta num restaurante.

Aí uma vez eu vi um casal de amigos meus - que são dois geniozinhos da matemática, diga-se de passagem (sim, vocês mesmos, André e Ju) - esmigalhando páginas de Sudoku na maior facilidade. Aí peguei um pra fazer e, dez minutos depois, meu cérebro deu tela azul.

20080417

Desde então fiquei com essa antipatia de Sudoku. “Não é atoa que tem Ku no nome”, pensava eu. Mas naquela hora, no avião, eu senti que aquele Sudokuzinho poderia ser meu. E mandei ver.

Dez minutos depois, ao invés de tela azul, meu cérebro estava TOTALMENTE ALUCINADO de um jeito tipo John Nash: eu tava “enxergando” tudo, as possibilidades do jogo, as estratégias e tal. Fui sapecando os numerozinhos nos quadradinhos, feliz, achando que finalmente tinha espantado o fantasma do Sudoku, até que…

- Peraí, nesse quadradinho aqui não dá pra colocar nenhum número.

20080417_2Chequei, rechequei e era verdade: eu havia cometido um erro em algum lugar. Aí a empolgação virou pânico: eu tentei fazer um backtracking, descobrir onde eu tinha feito caquinha, rabisquei uma ou duas casinhas e quando vi o avião havia pousado. Conclusão: depois de mais de uma hora debruçado sobre o Sudoku, tudo que eu tinha era isso aí do lado.

Cheguei em casa e fui chorar as mágoas com Bethania. Ela disse “ah, esse aí tá facinho” e completou um outro jogo da mesma página. Só pra humilhar.

Fui dormir me sentindo tão inteligente quanto Márcia Goldschmidt.

No dia seguinte o Sudoku continuava lá, em cima da mesa. Copiei o jogo numa planilha do Excel (coisa de nerd, não pergunte) e, para marcar a hora de início, twittei:

- OK, Sudoku. Você e eu. Agora.

Meu cérebro entrou em modo “(se achando) John Nash” de novo, mas eu redobrei a atenção pra não errar nada. Muita insistência e exatos 65 minutos depois… a vitória:

20080417_3

Finalmente o fantasma do Sudoku foi exterminado da minha vida. E confesso que foi até divertido.

Agora posso alçar vôos matemáticos mais altos. Dividir uma conta no restaurante, talvez?


Bolei.

14 de April de 2008, 20:56

Leia de baixo pra cima:

20080414

Siga esses doidos no Twitter: opiumseed, ligelena e markun


Momento "Engenharia Social"

11 de April de 2008, 14:47

20080410 A internet do meu hotel aqui em Brasília é simplesmente impraticável de lenta. Já reclamei inúmeras vezes com a gerente e nada aconteceu.

Mas ontem à noite eu me irritei. Era hora de medidas drásticas. Peguei o telefone e disquei.

- Hotel Aaron, boa noite.
- Boa noite. Eu tou aqui no bar tentando acessar a internet sem fio, qual é mesmo a chave da rede?
- É “ponto”, senhor. Tudo em minúsculas.
- Obrigado.

Não, eu não estava no bar do Hotel Aaron. Eu sequer estava hospedado no Hotel Aaron: estou no concorrente, logo ao lado. O telefone eu achei no catálogo.

Ah, como é bom ter internet sem fio na cama…


Por que Deus nunca te ajuda nos seus problemas com computadores?

9 de April de 2008, 22:45

Sabe, às vezes o CD com o trabalho de faculdade dá erro de leitura. Ou a senha do email não funciona. Ou então o pen drive (do seu chefe) com o trabalho de três semanas (do seu chefe) desaparece.

Ou então você liga o computador e dá de cara com isto:

20080409

…e, obviamente, não tem backup de nada.

Aí o cidadão, desesperado, apela para a divindade:

- Ai meu Deus me ajuda!! Se eu perder isso aqui eu tou ferrado!!

Tem gente que fecha os olhos e reza mesmo. Alguns prometem ir à missa todo domingo, ficar um ano sem beber, doar o salário todo pra caridade, se o computador voltar a funcionar.

Mas o que você não sabe é que, no instante em que você faz seu apelo, sua prece é automaticamente encaminhada para Deus através de um framework ultra-rápido, com 100% de disponibilidade (ser onipotente tem lá suas vantagens), que carrrega seu pedido diretamente para a “prayer queue” do desktop do computador da Inteligência Suprema. São milhões de pedidos por segundo, mas Ele analisa um por um no instante em que chegam (ser onipoten… ah, você já sabe).

E então Ele diz assim: “Vejamos. Problema de computador… urgente… ah, é Windows?”.

E pressiona DELETE.

DCF 1.0
“Aff… esses meus filhos, nunca aprendem”

Moral da história: Se Steve Jobs é Deus e você está pedindo a Deus que te ajude, é bom que você tenha um Mac…


Bookmarks esquecidos na gaveta

8 de April de 2008, 0:28

E nesse meu processo de testar o Firefox 3 beta 5 para ver se ele, finalmente, chegou no nível do Opera (hehe), inventei de importar meus bookmarks do Opera no Firefox.

Só que, há ANOS, eu nem mexia nos meus bookmarks do Opera.

Acabei revendo muitos sites interessantes, alguns arquivados anos atrás, em eras onde não existia RSS ou delicious. Saca só:

  • The Scene - Uma minissérie, feita para a web, sobre um “release group” - hackers responsáveis por pegar filmes e botar na internet antes que eles saiam no cinema. O mais legal é que ela é 100% fiel do ponto de vista de tecnologia: o vídeo mostra o que acontece na tela do computador dos caras e é tudo baseado em pesquisas reais sobre como os grupos atuam, que ferramentas usam, etc. Eu acho até que a série foi produzida por um release group real.
  • Ishkur’s Guide to Electronic Music - Um guia ultracompleto de tudo que rolou nos 40 últimos anos da música eletrônica, com samples de cada gênero e comentários (bem humorados).
  • Trendalicious - Ranking em tempo real das 100 páginas mais populares de acordo com o del.icio.us, digg, e reddit. Hoje uso o Popurls para esse tipo de coisa.
  • Transcrições dos diálogos de TODOS os episódios de Friends. Para quando você precisar saber em qual episódio Chandler fez *aquela* piada engraçadíssima.
  • Cooking by numbers - Tem um listão de comidas na página. Você clica indicando o que tem disponível na sua casa e o site te dá opções de possíveis receitas.
  • Versão do clássico “Campo minado”… em 3D.
  • Coleção ENORME - não, você não entendeu, ENORME MESMO - de GIFs animados de videogames. Excelente para achar papel de parede pro celular.
  • Todos os DJ sets tocados no Chillits, um festival anual de música ambient - 2007, 2006, 2005, 2004, 2003, 2002, 2001 e 2000 (os dos outros anos não foram gravados). Foi aí que eu descobri DF Tram, um dos maiores gênios do gênero.
  • Blentwell - De longe o melhor lugar para DJ sets na internet.
  • Pop Experiment - Ilustrações lindas de morrer. Na época era um site estático, hoje descobri que virou um blog e continua atualizado.
  • Tabela com a programação da TV norte-americana - Essa eu ainda uso, você se cadastra e filtra só os seriados que acompanha pelo, er, “torresmo”…
  • Camisa Online - Você manda a estampa e eles imprimem. Meio que um Camiseteria de pobre :)
  • Vídeo do Gato Fedorento (grupo de humoristas portugueses) intitulado “Primo Zé Carlos“. Como é o meu nome é ainda mais engraçado.
  • Webcam em Belo Horizonte, no topo da CEMIG. Para matar a saudade. Note que ela ainda funciona positiva e operante num domínio GEOCITIES!
  • Bash.org - Repositório de citações de IRC. Para nerds das antigas e para quando a largura de banda tá faltando (o site é megarápido, só texto e HTML simplão).
  • Let them sing it for you - Digite qualquer coisa (em inglês) e o site “canta” pra você usando palavras sampleadas de músicas reais.

Já que música é impopular por aqui…

4 de April de 2008, 0:15

Então eu tenho um comunicado a fazer. Na verdade, dois:

1) A partir de hoje eu NÃO vou mais falar de música neste blog…

2) …porque a partir de hoje eu escrevo sobre música no Impop, junto com Tiagón Casagrande!

20080403

Já tem até um post inaugural meu lá, batizado de “Do que é preciso para fazer 10 minutos de música“. Em tempo: o que eu já postei sobre música por aqui, aqui ficará, arquivado na categoria “música”.

Agora, prosseguindo com nossa programação normal…


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