Here comes a new challenger!

Ontem de manhã, eu atoa em casa, toca o telefone. Era o pessoal da empresa onde trabalho:

– Estamos ligando pra saber se você tem interesse em substituir um consultor num projeto… doze meses de trabalho a partir de julho… na Espanha.

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Pelo visto a treta é séria mesmo. Hoje de manhã já fizeram um teste de inglês comigo via telefone (é a língua que o cliente espanhol usa, segundo me disseram) e estou negociando para levar Bethania comigo – condição sine qua non para minha ida, afinal as prioridades mudam depois que se casa. Vamos ver no que vai dar…

Meus discos do mês

Comprei na eMusic. Sim, babo ovo mesmo.

20080428.jpgFennesz & Sakamoto – Sala Santa Cecilia

As paredes de barulho sonoro que o austríaco Christian Fennesz constrói com sua guitarra e seu Mac não são exatamente “acessíveis”. Tanto que a comunidade dele no Orkut, por exemplo, tem minguados 37 membros.

“Sala Santa Cecília” é uma parceria de Fennesz e Ryuichi Sakamoto, gravada ao vivo na Itália para o festival Romaeuropa. Sakamoto contribuiu com pitadas eletrônicas, Fennesz entrou com sua sempre competente guitarra “ambient”, e o resultado são 19 minutos* de uma sintonia ímpar – e olha que não é exatamente simples “sintonizar” barulho de guitarra hiperprocessado com pops/clicks/glitches aparentemente aleatórios. (Myspace – Site oficial)

* – DICA QUENTE: Músicas longas são o melhor custo benefício da eMusic, já que você paga por faixa. Neste disco você leva 19 minutos de música por US$ 0,26 (sim, vinte e seis CENTAVOS de dólar).

20080428_2.jpgOOIOO – Kila Kila Kila

É meu terceiro disco do OOIOO. Nesse ritmo eu vou completar minha coleção rapidinho…

“Kila Kila Kila” segue a receita básica do OOIOO, ou seja, loucura psicodélica total, guitarras e batidas semi-tribais se repetindo por longas faixas, vocais meio “mantra” meio “coisas que o xamã da sua tribo cantaria”. E é por isso que eu aprecio esse pessoal, pois há uma linha muito, muuuuito tênue entre o nonsense puro e simples e a música extraída do meio do nonsense – habilidade esta que eles esbanjam e que me fascina. (MyspaceSite oficial)

 

20080428_3.jpgTape – Opera

Opera é uma espécie de joguinho entre texturas “analógicas” e “digitais”: acordeons misturados com glitches, violões e gaitas mesclados com ruído rosa e por aí vai.

A abordagem do trio de multi-instrumentistas suecos responsáveis por este disco é bem evidente logo na primeira audição. Os instrumentos não são usados do jeito convencional – ao invés de tocar músicas (sequências de notas) eles emprestam texturas, timbres e cores para as faixas. A “moral da história” de cada faixa não está na sequência das notas que são tocadas, e sim em como estas texturas se misturam e se alternam. Se bobear, o título do disco (Opera) deve até ser uma piadinha com este jeito convencional de compor… (Myspace – Site oficial)

Razões para ser lacônico

“Uma frase curta contém muita sabedoria” – Sófocles

“Lacônico” é aquela pessoa que fala pouco. É o oposto do prolixo, aquele que fala pelos cotovelos (e, eventualmente, por alguns orifícios corporais pouco dignos).

A origem do termo é a Lacônia, região da Grécia antiga cuja capital era – veja você! – Esparta.

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Leônidas era um cara lacônico: pouco papo, muita ação.

Reza a lenda que Felipe II da Macedônia escreveu a seguinte mensagem aos espartanos: “Vocês devem se render sem demora, pois se eu trouxer meu exército às suas terras, destruirei suas fazendas, escravizarei seu povo e dizimarei sua cidade”. A resposta dos espartanos foi, simplesmente: “Se”.

Em tempos de overdose de informação, ser lacônico é muito importante. Todo mundo tem muito pra falar mas pouco tempo pra ouvir, o que gera conceitos curiosos como o do “discurso do elevador“: aquela situação hipotética onde você tem apenas o tempo de uma viagem de elevador (tipo 30 segundos) pra passar a sua idéia fantástica de negócio para um potencial investidor.

Ser lacônico só traz vantagens. Uma delas é que suas idéias sempre caberão nos 140 caracteres do Twitter. E cabe muita coisa em 140 caracteres…

“O diabo é Deus de férias” – @exucaveiracover

Na música os bons artistas sempre dizem mais com menos. Exemplo: “Definitions”, música do Minutemen, tem apenas 1:13 minutos. A letra tem apenas sete frases. Não precisava de mais nenhuma.

They say I got a gun in my hand.
Six slugs, six points of view.
Materialism.

They say I have a book in my hand.
Fifty thousand words, fifty thousand translations.
Idealism.

Ooh, I got a dictionary!

Até mesmo os artistas ruins se beneficiam quando são lacônicos. Pouca gente sabe a letra inteira dos nove minutos de “Faroeste Caboclo”, mas todo mundo se lembra da infame frase: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.

Terremoto em São Paulo – um "timeline" bizarro

Aprox. 21:00 – Na sala aqui de casa eu e uma amiga de Bethania estávamos vendo TV. Aí minha cadeira balança bem de leve por uns 10 segundos. Enfiei a mão debaixo dela para ver se não era Pavlov (meu cachorro) se coçando, até que a amiga pergunta se eu senti a terra tremer.

Me levantei, fui até o computador e levei um susto: no Twitter, dezenas de relatos da terra tremendo em várias partes da cidade de São Paulo. A primeira twittada, supostamente, foi do @viniciuscosta: “Terremoto em SP?”

21:13 – O tremor começa a aparecer na mídia. Segundo o 8 Bits e Meio:

O Corpo de Bombeiros confirmaria as informações alguns minutos depois. Os portais entraram às 21h16 (com o G1). A FOL foi mais tarde, com um urgente na capa. Às 21h18, a Bandnews levou a história para o ar. Às 21h23, entrou a Globo News.

21:36 – @geomorcelli avisa: no Orkut surge a comunidade “Terremoto 22/4/08 – Sobrevivi!”

21:41 – No Twitter começam as piadas, como esta, de @marcsheep: “Esse terremoto é uma ação viral da motorola para o novo cellphone! TERREMOTO!”

21:43 – @cellozero avisa que o terremoto foi de 5.2 graus na escala Richter. Informações do portal de terremotos (?) do Governo Norte-americano confirmam, inclusive dando a localização do epicentro: no Oceano Atlântico, a 270 km de São Paulo – a estrelinha da figura aí embaixo.

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21:51 – O número de piadinhas com o terremoto segue crescendo exponencialmente. Segundo @pedro_blognatv, “Terremoto nada! A terra só quis comemorar o seu dia e dançou o créu na velocidade 5”

21:58 – Surge a melhor (e mais nerd) piadinha do terremoto, via @felds: “São Paulo, agora com RUMBLE PACK!”

22:00 – Começa a monetização: Camiseta do terremoto é lançada por Ian Black no Twitter.

22:03 – @herkeios especula sobre a causa do terremoto: “O desmond esquecereu (sic) de digitar 4, 8, 15, 16, 23, 42, DE NOVO”

22:09 – A comunidade do terremoto no Orkut já tem mais de 200 membros.

22:19 – Meu pai aparece no Google Talk. Isso é, de longe, MUITO MAIS BIZARRO que o terremoto. Achei que ele tinha ficado sabendo do tremor e estava preocupado comigo, mas as primeiras frases dele são: “Uai, tou conseguindo tc contigo? Foi sem querer que entrei aqui”.

22:27 – @opiumseed avisa: “Na comunidade de São Paulo no Orkut, o tópico do terremoto teve mais de 500 comentários em uma hora”. Já a comunidade do terremoto está com 360 membros e segue aumentando.

22:29 – Bethania chega na sala rindo porque viu no Twitter: “Brasileiro não sabe nem se portar em evento de primeiro mundo” (Update: o autor foi o @marcdoni)

22:34 – Encontro Bethania ainda rindo, mas por causa de um comentário do @cacaucalazans: “Droga, eu filmei o terremoto, mas o meu celular tem sistema antishaking! hahahahahahaha”

22:36 – Talvez o primeiro relato de danos causados pelo terremoto, via @cellozero: rachadura em hospital da zona leste de SP.

22:43 – Bethania me avisa de um comentário de @luti (cujo Twitter foi criado há apenas 3 horas): “Gente, foi terremoto mesmo? Não reparei, aquei que tinha esquecido o vibrador ligado…”

22:47 – Na comunidade do Orkut também tem piadinhas, como o tópico “Ao vivo – Está tremendo em Manaus (-2 hs fuso)”.

23:05 – Parei de acompanhar o aftermath do terremoto e fui dormir. É estranho dizer isso mas foi… divertido.

P.s.: Pra quem quiser ler mais, o Inagaki também coletou um monte de citações do Twitter.

A música mais desagradável do mundo

Komar e Melamid, dois artistas, fizeram uma pesquisa online para descobrir quais são as características mais indesejáveis em uma música.

O resultado? “A música mais indesejada tem 25 minutos aproximadamente, varia entre partes calmas e barulhentas, tempos rápidos e lentos, timbres extremamente altos ou baixos, e essa dicotomia deve ser apresentada de forma abrupta” – ou seja, como qualquer faixa do Godspeed You! Black Emperor, uma das minhas bandas prediletas.

Mas o melhor é que os caras resolveram montar uma música com estas características, compondo o que seria uma música cientificamente desagradável (que pra mim é perfeitamente audível). Tem também o oposto, uma música construída apenas com características desejáveis, que – previsivelmente – soa como uma mistura de Kenny G com qualquer faixa que toque na Jovem Pan.

No ramo da música “desagradável” (note as aspas), minha melhor recomendação é uma banda “irmã” do Godspeed, chamada Set Fire To Flames, e seu disco duplo intitulado “Telegraphs in Negative”. Citando eu mesmo:

No site da gravadora Alien8, a história de Telegraphs in Negative é contada. Basicamente, os 13 integrantes da banda acharam um grande celeiro abandonado na área rural de Ontario, no Canadá, levaram o equipamento e se trancaram lá. “O álbum foi formado numa situação de isolamento auto-imposto, com a banda funcionando tanto individualmente quanto comunitariamente, em estágios de pouco ou nenhum sono, níveis variados de intoxicação, e confinados fisicamente”, diz o site.

Telegraphs in negative NÃO é um disco divertido. NÃO é um disco fácil. NÃO é um passeio no parque. É uma jornada difícil por consciências atormentadas, por demônios escondidos atrás de cada pilha de feno e de madeira velha. É um disco que vai incomodar e vai lhe deixar deprimido.

No entanto, Telegraphs in negative é intenso, e por isso mesmo profundamente expressivo, atingindo extremos onde, por exemplo, uma faixa contendo apenas trechos gravados de telefonemas (“Mouths trapped in static”) fica linda e é mais emocional do que quaisquer 20 minutos de guitarra urrando no último volume.

 

(Links da música desagradável/agradável via MeioBit)

A conquista do Sudoku

Terça-feira. Depois de duas horas preso no Aeroporto Santos Dumont por causa do mau tempo, finalmente entrei num avião rumo à São Paulo. Aí cismei de pegar uma daquelas revistinhas de passatempos da Tam para fazer umas palavras cruzadas e foi então que me deparei com alguns exemplares do jogo da moda, aquele que é a sensação nos aeroportos brasileiros: o Sudoku.

20080417_4 Você sabe, Sudoku (“único número” em japonês), esse joguinho aí do lado, dos quadradinhos. Tem que preencher com números de 1 a 9 sem repetir os números nas linhas, colunas e nos quadrados grandes de 3×3. Moleza né? NOT!

Sabe, eu tenho uma certa resistência à Sudoku porque ele é com números, e números expoem o lado imbecil do meu cérebro – o que mexe com números. Matemática nunca foi o meu forte: foi nela que tirei meu único (e traumático) zero numa prova, na quinta série. Eu sei lá como sobrevivi às aulas de cálculo na faculdade, sempre passava raspando, enquanto nas outras matérias eu mandava bem sem muito estudo. Meu ápice de genialidade acadêmica foi quando tirei total na temida prova final de Compiladores, a matéria mais difícil do curso de Ciência da Computação (que frequentemente reprovava metade da turma). Mas me dê um punhado de números e eu me enrolo todo. Erro as coisas mais idiotas – idiotas MESMO, tipo somar os 10% de gorjeta num restaurante.

Aí uma vez eu vi um casal de amigos meus – que são dois geniozinhos da matemática, diga-se de passagem (sim, vocês mesmos, André e Ju) – esmigalhando páginas de Sudoku na maior facilidade. Aí peguei um pra fazer e, dez minutos depois, meu cérebro deu tela azul.

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Desde então fiquei com essa antipatia de Sudoku. “Não é atoa que tem Ku no nome”, pensava eu. Mas naquela hora, no avião, eu senti que aquele Sudokuzinho poderia ser meu. E mandei ver.

Dez minutos depois, ao invés de tela azul, meu cérebro estava TOTALMENTE ALUCINADO de um jeito tipo John Nash: eu tava “enxergando” tudo, as possibilidades do jogo, as estratégias e tal. Fui sapecando os numerozinhos nos quadradinhos, feliz, achando que finalmente tinha espantado o fantasma do Sudoku, até que…

– Peraí, nesse quadradinho aqui não dá pra colocar nenhum número.

20080417_2Chequei, rechequei e era verdade: eu havia cometido um erro em algum lugar. Aí a empolgação virou pânico: eu tentei fazer um backtracking, descobrir onde eu tinha feito caquinha, rabisquei uma ou duas casinhas e quando vi o avião havia pousado. Conclusão: depois de mais de uma hora debruçado sobre o Sudoku, tudo que eu tinha era isso aí do lado.

Cheguei em casa e fui chorar as mágoas com Bethania. Ela disse “ah, esse aí tá facinho” e completou um outro jogo da mesma página. Só pra humilhar.

Fui dormir me sentindo tão inteligente quanto Márcia Goldschmidt.

No dia seguinte o Sudoku continuava lá, em cima da mesa. Copiei o jogo numa planilha do Excel (coisa de nerd, não pergunte) e, para marcar a hora de início, twittei:

– OK, Sudoku. Você e eu. Agora.

Meu cérebro entrou em modo “(se achando) John Nash” de novo, mas eu redobrei a atenção pra não errar nada. Muita insistência e exatos 65 minutos depois… a vitória:

20080417_3

Finalmente o fantasma do Sudoku foi exterminado da minha vida. E confesso que foi até divertido.

Agora posso alçar vôos matemáticos mais altos. Dividir uma conta no restaurante, talvez?

Momento "Engenharia Social"

20080410 A internet do meu hotel aqui em Brasília é simplesmente impraticável de lenta. Já reclamei inúmeras vezes com a gerente e nada aconteceu.

Mas ontem à noite eu me irritei. Era hora de medidas drásticas. Peguei o telefone e disquei.

– Hotel Aaron, boa noite.
– Boa noite. Eu tou aqui no bar tentando acessar a internet sem fio, qual é mesmo a chave da rede?
– É “ponto”, senhor. Tudo em minúsculas.
– Obrigado.

Não, eu não estava no bar do Hotel Aaron. Eu sequer estava hospedado no Hotel Aaron: estou no concorrente, logo ao lado. O telefone eu achei no catálogo.

Ah, como é bom ter internet sem fio na cama…

Por que Deus nunca te ajuda nos seus problemas com computadores?

Sabe, às vezes o CD com o trabalho de faculdade dá erro de leitura. Ou a senha do email não funciona. Ou então o pen drive (do seu chefe) com o trabalho de três semanas (do seu chefe) desaparece.

Ou então você liga o computador e dá de cara com isto:

20080409

…e, obviamente, não tem backup de nada.

Aí o cidadão, desesperado, apela para a divindade:

– Ai meu Deus me ajuda!! Se eu perder isso aqui eu tou ferrado!!

Tem gente que fecha os olhos e reza mesmo. Alguns prometem ir à missa todo domingo, ficar um ano sem beber, doar o salário todo pra caridade, se o computador voltar a funcionar.

Mas o que você não sabe é que, no instante em que você faz seu apelo, sua prece é automaticamente encaminhada para Deus através de um framework ultra-rápido, com 100% de disponibilidade (ser onipotente tem lá suas vantagens), que carrrega seu pedido diretamente para a “prayer queue” do desktop do computador da Inteligência Suprema. São milhões de pedidos por segundo, mas Ele analisa um por um no instante em que chegam (ser onipoten… ah, você já sabe).

E então Ele diz assim: “Vejamos. Problema de computador… urgente… ah, é Windows?”.

E pressiona DELETE.

DCF 1.0
“Aff… esses meus filhos, nunca aprendem”

Moral da história: Se Steve Jobs é Deus e você está pedindo a Deus que te ajude, é bom que você tenha um Mac…