Da série “bugs espetaculares” (ou: TI não é uma ciência exata)

O post aí debaixo ficou pronto ontem, lá pelas onze da noite. Aí eu cliquei “Publish” e nada do WordPress postar.

Aí passei as últimas DUAS HORAS tentando descobrir por que o WordPress parou de querer postar coisas no blog. Reinstalei o WordPress duas vezes, chequei todas as configurações, testei com dois browsers diferentes, limpei o cache dos dois umas 10 vezes, fiz uns 15 posts de teste e… nada.

Aí comecei a tentar as alternativas menos óbvias e consegui resolver o problema. Era simples:

  • Com o computador conectado via wireless: NÃO funcionava.
  • Com o computador conectado via cabo de rede: Funcionou.

Agora me explica o que isso tem a ver com o problema…

TI: A loira gostosa mas limitada

Quatro e meia da tarde e eu estava no meio de uma reunião que começou às dez da manhã. Mentalmente exausto e absurdamente entediado, abri meu editor de texto (Notepad++) para fazer umas anotações. O programa automaticamente reabriu os últimos arquivos abertos: no caso, era um arquivo deste blog chamado .htaccess (arquivo de configuração usado em servidores web para configurar umas coisinhas).

Aí estava lá o .htaccess cheio de código e, num impulso, o primeiro pensamento que me veio à cabeça foi:

“Eu queria trabalhar é com isso”

Voltei pro hotel no fim do dia e, no táxi, não conseguia parar de pensar nisso. Eu tenho um amor platônico com essa mulher ingrata que é a TI. Ela é atraente, eu sou louco por ela e nos demos muito bem no nosso período juntos (uns 8 anos, contando empregos, estágios, faculdade e curso técnico). Já a minha “parceira” atual (a consultoria de gestão) é aquela mulher difícil, que dá trabalho e que te enche o saco o tempo todo. Ao contrário da TI, a convivência com a consultoria nunca é fácil – e é justamente por isso que você evolui. Eu levei muita porrada nos meus cinco anos de consultor – e devo continuar apanhando por muito tempo. Mas o que aprendi com toda essa ralação é incomensurável.

Foi por isso que o .htaccess me deixou com saudades da TI: antes éramos só eu e um computador, então tava tudo dominado, fácil, divertido e gostoso; hoje em dia tudo são reuniões infindáveis, clientes difíceis, colegas picaretas…

Entretanto, aprofundar minha relação com a TI seria um beco sem saída. Para nerds (como eu), TI é uma área sexy, interessantíssima, mas vai sempre ser “área meio”, sempre será ferramenta. E o “como usar” da ferramenta está na gestão. TI é meio que uma loira maravilhosa, mas limitada e sem muita chance de progredir na vida. E a gestão é a mulher feia e tosca, mas forte e decidida: é quem faz as coisas acontecerem.

Por isso, apesar do sofrimento, meu “casamento” com a consultoria foi a melhor escolha profissional que já fiz.

E mais: na época em que mudei de área eu nem fazia idéia, mas conhecimento gerencial faz toda a diferença quando se trabalha em TI. Pra provar isso, basta uma olhada nas faixas salariais da turma da tecnologia:

  • Analista de sistemas/programador – $57,500 a $96,750
  • Desenvolvedor web sênior – $76,250 a $108,250
  • Gerente de projetos – $76,500 a $111,500
  • Administrador de Banco de Dados – $88,750 a $122,750
  • Gerente de TI (CTO – Chief Technology Officer) – $107,250 a $165,250

(dados dos EUA, retirados do 2008 IT Salary Guide, em dólares, por ano e em ordem crescente)

Note que as palavras “Gerente” e “Administrador” vão aparecendo conforme o salário aumenta. Há uma tendência clara em TI onde você passa a valer mais conforme vai ficando bom em gestão, e não conforme vai ficando bom em TI. Não é como economia ou medicina, onde quanto mais você sabe da sua própria área, melhor.

Então é assim. Hoje eu sofro na mão da consultoria e fico com dor de cotovelo pela TI que abandonei. Mas sigo em frente porque, no futuro, quem sabe eu não arrumo uma “Gerência de TI” – um mulherão sagaz e inteligente, mas sexy como uma… er… “garota de programa”.

P.s.: Eu falo mais sobre as complicações de TI ser “área meio” neste outro post: A TI e o eterno foco em si mesma.

Safári na selva de pedra

Nos quatro dias do último feriadão tivemos quatro amigos belorizontinos hospedados em casa. Foi excelente, quatro dias explorando São Paulo e sua quantidade absurda de opções de lazer (todas cheias, é claro).

Uma delas foi bem interessante: o MAM está com uma exposição excelente de trabalhos de artistas japoneses, por conta do centenário da imigração. E japonês é tudo doido mesmo: as obras envolviam desde motion capture até vômito rosa. Mas a mais divertida era uma sala espelhada com som surround e projeções nas paredes…

 

Usualmente, depois de alimentar o espírito, a gente matava a fome do corpo. Comemos de tudo, desde o clássico sanduíche de mortadela do mercadão até os petiscos fashion do restaurante Skye – que tem a melhor vista da cidade.

Mas não dá pra falar de São Paulo sem falar do trânsito – que gerou o episódio mais engraçado do feriado…

Bethania estava dirigindo pelo Itaim quando dois carros pararam em frente a dois restaurantes para os ocupantes descerem e os manobristas estacionarem. Só que os dois carros estavam bloqueando a rua inteira sem a menor cerimônia. Bethania ficou furiosa, começou a buzinar… e aí um dos manobristas teve a audácia de gritar pra ela:

– Tá com pressa, moça? Compra um helicóptero!

Aí Bethania abaixou o vidro e respondeu, aos berros, com a frase mais marcante do feriado:

– O RLY??? Folgado! Fechando a rua!

Ééé, amigos… ela realmente gritou “O RLY” para o manobrista…

Como funciona um maestro

20080526 A figura do maestro é um tanto quanto “mitológica”. Tanto que, recentemente, a Folha deu a notícia que um robô regeu a orquestra sinfônica de Detroit e todo mundo se encheu de “oohs” e “aahs”. Mas você sabe o que o maestro realmente faz na hora de reger uma orquestra?

Da próxima vez que você for a um concerto, repare nos músicos: eles raramente olham para o maestro. Eu sempre achei isso muito estranho, até que um dia, conversando com o tio da minha esposa (que toca oboé numa orquestra), o mistério começou a se dissipar. Segundo ele:

Nas apresentações a orquestra toca praticamente sozinha. O maestro poderia apenas dar a primeira nota e sair do palco que não faria diferença.

De fato, o maestro até parece ser o responsável por tudo que está acontecendo – e portanto é quem leva o crédito pela apresentação (e os aplausos) no final. Mas na verdade ele é responsável pela função mais ridícula de todas: a de metrônomo.

Tudo que o maestro faz é marcar, com o movimento dos braços e da batuta, o tempo (andamento) da música – ou seja, se é pra ir mais rápido ou devagar. Ele também pode indicar as “entradas” (a hora de um instrumento começar a tocar) e também a dinâmica da música (se é pra tocar mais forte, mais fraco, etc.), mas isso já vem anotado na partitura. É um trabalho tão simples que um violinista pode tocar e reger seus colegas ao mesmo tempo – usando o arco do violino ou mexendo a própria cabeça. Isso acontece mesmo, tá lá no verbete da Wikipédia sobre regência, pode olhar se quiser.

Falando assim o maestro parece ser o maior de todos os picaretas. Mas seu mérito é merecido. Segundo o mesmo tio oboísta da minha esposa…

O maestro é realmente importante para preparar a orquestra.

Essa sim, meus caros, é a grande função do maestro: os melhores são os que, nos ensaios, conseguem tirar o melhor som possível de seus músicos – habilidade esta que tornou famoso o regente austríaco Herbert von Karajan: ele era tão bom nisso que seu jeito de moldar a orquestra resultava no chamado “som Karajan”

…um som multifacetado, altamente refinado, laqueado, calculadamente voluptuoso que podia ser aplicado, com as modificações de estilo que ele julgasse apropriadas, à Bach e Puccini, Mozart e Mahler, Beethoven e Wagner…

Confesso que eu não me importaria se chamassem o meu trabalho de “calculadamente voluptuoso”…

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Karajan, possivelmente fingindo que está trabalhando

Além de talentoso, Karajan (que, dizem, já foi do partido nazista) parecia também ser um ótimo businessman: ele foi um dos maiores apoiadores do CD na época do seu lançamento. Dizem até que foi por insistência dele que os CDs tem 72 minutos: era para, segundo ele, caber a nona sinfonia de Beethoven num único disco. Karajan também é tido como responsável por inflacionar os preços das apresentações, pagando salários exorbitantes para músicos convidados e fazendo subir o preço das apresentações. No fim, ele, como maestro, recebia mais.

De fato, os bons maestros são verdadeiros gênios – mas não necessariamente na hora em que pegam na batuta…

Dicas para o correto uso do toque de celular

Hoje em dia qualquer celular possui o prático recurso de personalização do toque. É uma ótima funcionalidade, deixa as pessoas felizes e com a impressão de que o celular que elas têm é único e exclusivo (a despeito do fato de ser fabricado em série e de existirem milhões de unidades iguaizinhas no mercado).

Mas o toque personalizado é como a cerveja: quando corretamente utilizado é uma fonte de alegria e diversão, mas que, se não for usado com moderação, provoca catástrofes irreversíveis – até mesmo guerras. Diz a lenda que Saddam Hussein foi facilmente encontrado em seu esconderijo iraquiano por causa do seu celular, que começou a tocar: tudo que os soldados americanos tiveram que fazer foi descobrir de onde vinha aquela musiquinha da “macarena”.

Assim, para que você não tenha o mesmo infortúnio do ex-ditador bigodudo, é bom seguir as dicas abaixo:

1) Não utilize, em hipótese alguma:

  • Toques de suspense/terror (“Psicose”, “Família Adams”) quando a esposa liga.
  • Funk carioca. Este é especialmente des-recomendado, pois dizem que este tipo de música faz com que os celulares tentem se suicidar pulando dentro da privada.
  • Campainha de telefone antigo.
  • Dublagem da baratinha (ou da bicha) gritando “atende, atende!”
  • Ruídos relacionados à excrementos corporais (peido, arroto, etc.)
  • Jingle de propaganda de cerveja
  • “Nokia tune” (sim, aquele mesmo)
  • “Hellooo, Moto!”
  • Hino de time de futebol

2) Para usar uma música como toque, faça as seguintes perguntas a si mesmo:

  • O nome do cantor da música poderia ser facilmente usado como um apelido pejorativo? (exemplos: “Nelson Ned”, “Serginho Mallandro”, “Mara Maravilha”)
  • Meus amigos passaram a andar menos de carro comigo depois que botei essa música pra tocar?
  • Eu poderia ser demitido por justa causa por botar essa música pro chefe ouvir?
  • Os japoneses (criadores do sexo com tentáculos e do bukkake) consideram minha música sexualmente ofensiva?
  • Esta música ofende alguma etnia/classe social/raça/opção sexual que, eventualmente, poderá estar próxima de mim o suficiente para me atingir com um soco ou pontapé quando ele tocar?

Se você responder NÃO a qualquer uma das perguntas acima, é melhor escolher outra música.

3) Cientistas norte-americanos publicaram um estudo indicando que 90% dos profissionais bem-sucedidos nas empresas tem, em seu sistema nervoso, o chamado “vibra-reflex” (pronuncia-se “váibraurríflecs”): é um impulso instintivo que faz com que eles coloquem o celular em modo silencioso no exato instante em que pisam numa sala de reunião, cinema ou teatro. Felizmente, dizem os cientistas, este reflexo pode ser assimilado por pessoas normais, basta um pouco de treino.

Coisas do fim de semana

A minha rotina de final da sexta-feira usualmente inclui aeroportos, táxis e, ao chegar em casa, ser recebido por um cachorro alucinado pulando na minha perna.

Só que desta vez eram dois cachorros…

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O outro é Banzé, autêntico vira-lata, pertencente à uma amiga de Bethania, que estava “hospedado” lá em casa enquanto ela viajava. A estadia foi relativamente tranquila e me fez aprender duas coisas sobre cachorros:

  • Cães sentem ciúme. Muito ciúme. Pavlov quase morria de ódio quando eu brincava com Banzé.
  • Cães machos começam a “marcar território” desenfreadamente quando colocados no mesmo ambiente. Isso eu descobri ao ver uma mancha amarelada enorme no edredom que cobria a minha cama.

Aí, quase meia-noite, e lá fui eu fui ao supermercado comprar outro edredom para poder sobreviver à esse frio paulistano. Passando pelo estacionamento, vejo três caras em volta de um carro, portas abertas, som ligado. Um deles se levanta e, completamente de repente, começa a fazer a dancinha do Soulja Boy. Foi épico!

Ainda no ramo das dancinhas: sábado fomos levar os caninos no Ibirapuera e vi uma rodinha de adolescentes com trance “bate-estaca” tocando na maior altura e todo mundo dançando uma mistura psicodélica de Soulja Boy + “moonwalk” do Michael Jackson + Dance Dance Revolution. Perguntei um dos moleques e ele me disse que aquilo era um tal “Hardstyle”.

Pelo que a Wikipedia me disse, existe toda uma cena dessas dancinhas “Hard-qualquer coisa” (esse vídeo mostra algumas variantes). A origem parece ser um tal “Melbourne Shuffle”, que nasceu nos anos 80/90 e ganhou um impulso todo novo por conta do YouTube.

Anoiteceu, e a noite paulistana é famosa no Brasil inteiro pela sua diversidade: tem de tudo, pra todos os gostos, o tempo todo. Fato comprovado, já que no sábado à noite eu e Bethania fomos parar em… um evento beneficente do 1o Grupo Escoteiro São Paulo. Mas foi ótimo, tinha pizza à vontade e aprendemos com os escoteiros que dá pra cozinhar um ovo no espeto. Sim, nós também duvidamos. Sim, nós também fomos procurar vídeos disso no YouTube.

O domingo foi um dia preguiçoso, composto basicamente pelo edredom novo, eu, Bethania e o Discovery Channel. No final do dia fomos ao cinema pra ver “Quebrando a banca”, baseado em livro homônimo (que, me disseram, é melhor que o filme) sobre moleques superdotados que vão à Las Vegas, contam cartas de blackjack e… bem, quebram a banca. Uma das cenas não me saiu da cabeça e não consegui dormir enquanto não entendi o assunto: era uma onde professor e aluno discutiam o chamado “Problema de Monty Hall”, cujo enunciado é mais ou menos o seguinte:

Suponha que você está num programa de auditório e tem 3 portas para escolher. Em uma delas tem um carro; nas outras duas, cabras. Você escolhe uma porta – a número 1, por exemplo – e o apresentador, que sabe o que há atrás das portas, abre outra porta – a número 3, por exemplo – aonde há uma cabra. Daí ele lhe dá uma chance de trocar sua escolha para a porta número 2. É mais vantajoso trocar sua escolha de porta?

A resposta correta é totalmente contra-intuitiva: trocar de porta faz com que suas chances de ganhar aumentem para 66,6%. Eu levei um tempão para entender esta resposta, já que pra mim (e para 10.000 leitores de uma revista americana onde este problema foi publicado) as chances de ganhar trocando ou não de porta eram de 50%. É um bom quebra-cuca.

Where I belong

E então que, pra mais de 10:30 da noite, meu vôo estava pousando em São Paulo – cidade que eu não via há 12 dias por conta do trabalho semanal em Brasília e do fim-de-semana do dia das mães em Belo Horizonte.

Então olho pela janela do avião e a vista é mais ou menos assim:

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Foto por SlapBcn

Adivinha qual foi a primeira coisa que me veio à cabeça:

“Coruscant… o planeta inteiro é uma cidade”

Foi o que Ric Olié disse à Anakin Skywalker, em Guerra nas Estrelas, Ep. 1, quando Qui Gon Jin leva o garoto para ser avaliado pelo conselho Jedi. Bati meu personal nerdice record de novo…

Outro dia o Inagaki disse que São Paulo “desperta sentimentos ambivalentes”. Já eu não sei dizer se sinto amor ou ódio pela cidade. Mas uma coisa é certa: me sinto integrado a ela de uma forma que nunca senti antes – nem com Belo Horizonte, minha terra natal. Tanto que, míseros sete meses depois da mudança, já me sinto em casa quando o avião toca na pista, e nem me estresso com a fila do táxi no ponto do aeroporto – que hoje, sem brincadeira, tinha umas 200 pessoas fácil, fácil.

Foram duas longas semanas. Voltar ao meu lar paulistano dá uma sensação boa de pertencimento – o tal “where I belong” das músicas em inglês…

Murphy aprendeu a dar combos

Ontem, 18:35, fim do expediente. Meu nariz começa a escorrer e eu concluo que estou prestes a gripar, enquanto a temperatura do planalto central cai vertiginosamente. Tudo que eu queria era voltar pro hotel…

…mas não tinha nenhum táxi no ponto.

O táxi só apareceu uns 20 minutos depois. Aí ele se enfiou nos engarrafamentos, chegou até a rodoviária (metade do caminho) e parou no sinal que dá acesso ao Eixo Monumental, movimentadíssimo àquela hora.

E aí Murphy entra no ringue: Round one, FIGHT!

O sinal abre e NINGUÉM anda. Alguns carros buzinam, só que a fila continua parada, parada… até que o sinal volta a fechar.

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FIRST ATTACK!

Vários minutos depois o sinal abre novamente. 2-hit combo: NENHUM carro se mexe. O taxista desce pra dar uma olhada e avisa que tem um guarda fechando o trânsito. “Maldito, deve estar escoando o tráfego pesado do Eixo”, pensei.

20080515_3 Daí o sinal abre de novo, nenhum carro anda, e o Eixo, de repente, esvazia. “Agora vai!”, pensei. Mas ninguém se mexia. 3-hit combo!

Depois de mais duas rodadas do sinal abrindo e fechando, apelei e desci do táxi. Só então, a pé, percebi que quem estava parando o tráfego era um daqueles motoqueiros de escolta presidencial.

“Tá me zoando que esses filhos da puta fecharam a avenida toda só pro Lula passar”, pensei. No mesmo instante os carros pretos da Presidência da República passaram, zunindo, e na sequência o guarda liberou o trânsito.

Meu “ex-táxi” passou por mim enquanto uma voz gritava no subconsciente:

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M-m-m-multiple hit combo!

Furioso, comecei a andar em direção ao hotel. Só que Brasília não é uma cidade feita para pedestres: depois de andar por uns cinco minutos eu percebi que fui parar num lugar de onde não tinha como atravessar para lugar nenhum: o passeio acabava e não havia sinal ou faixa de pedestre, o que me obrigou a voltar exatamente para o lugar de onde desci do táxi. Tech hit!

E assim, depois de uma loooooooonga caminhada (de terno e mochila nas costas, vale lembrar), cansado e suado, dei um longo suspiro quando, finalmente, me vi diante da porta do quarto do hotel. Era o fim do meu calvário. Aí coloquei o cartão na maçaneta e… a porta não abriu. Tentei uma, duas, dez vezes mas não tinha jeito: o cartão-chave havia desmagnetizado.

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MURPHY WINS…FATALITY!

O dia em que comi caviar

É que o cliente chamou a gente pra almoçar, meu chefe se empolgou e deu a fatídica sugestão:

– Vamos no restaurante do Ulisses Guimarães?

Na mesma hora o sismógrafo instalado na minha conta bancária registrou um abalo sísmico considerável: “restaurante do Ulisses Guimarães” é o apelido do Piantella, um dos lugares mais caros de Brasília, frequentado por deputados, senadores e o escambau.

Aí nos sentamos e, enquanto eu me preocupava com o rombo financeiro iminente, meus colegas se empolgavam: comeram o couvert, depois umas bolinhas de mussarela de búfala, depois o cliente quis tomar uma taça de vinho… e na hora dos pedidos, prevendo que a conta ia ser dividida por igual e eu ia me lascar, resolvi que pelo menos iria à falência comendo bem e pedi um tal “steak moskovite”.

Algum tempo depois, eis que chega meu “steak”: um bife grande com um molho rosado e aquelas batatas fritas em formato de bolinha, dignas de um Giraffas da vida. “Então ISSO AÍ é meu mega-prato?” – pensava eu, decepcionado, até que o garçom pegou um pote que parecia de geléia e jogou duas colheradas do conteúdo em cima do meu bife. Olhei pro rótulo do vidro e meu mundo ruiu:

“Aimeudeus, isso é… caviar!”

É isso aí, meus amigos. Caviar, a famosa iguaria, composta de ovas de um peixe chamado esturjão. O mais legal é a Wikipedia contando como fazem o caviar:

A produção comercial de caviar normalmente ocorre pela extração dos ovários do peixe desacordado (normalmente com uma paulada)

Sim, você dá porrada no peixe e arranca os ovários com ele ainda vivo. Nojeiras de produção à parte, o gosto do caviar é… estranho. É um sabor forte, um misto de salgado com azedo e, bem “no meio”, vem o gosto de peixe. Não curti.

Do jeito que falam eu achei que caviar seria algo de outro mundo, o que me levou à inevitável conclusão: caviar é hype.

A outra conclusão do dia veio na hora da conta, quando concluí que esse negócio de “ir à falência comendo bem” não é uma boa idéia. Pra vocês terem uma idéia do preço: minha empresa reembolsa despesas com comida até um certo limite diário, suficiente para cobrir um almoço e jantar de preço razoável. E só nesse almoço eu gastei o equivalente ao reembolso de nada menos do que DOIS DIAS INTEIROS.