Posts de maio de 2008


A bela dublagem do Team Fortress 2

13 de maio de 2008, 19:35

Todos os outros first-person shooters focam muito mais em gráficos hiperrealistas, jogabilidade equilibrada e coisas similares; já a Valve pegou a contramão da tendência e, no Team Fortress 2, parece ter se esmerado muito mais no lado artístico do jogo – coisa bem incomum em jogos de computador.

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Além do visual cartunesco dos personagens, o que eu mais curto no TF2 é o cuidado com as dublagens. Pra começar, todos os personagens tem sotaque próprio. O demoman tem sotaque escocês, o heavy tem sotaque russo, o pyro tem… bem, não tem sotaque porque não dá pra entender nada do que ele fala por causa da máscara – uma divertida sacada da Valve.

Até os announcements foram cuidadosamente dublados: ao invés de uns “you win” e “time has been added” pronunciados por uma voz sem sal, a dublagem é feita por uma belo talento vocal feminino que inclui no tom de voz a emoção correspondente ao tipo do announcement sendo feito: o “You Fail!” é dito num tom acusatório, quase decepcionado; o tom do “your control point is being contested!” deixa evidente a urgência do problema, etc.


A ignorância que te faz dormir à noite

8 de maio de 2008, 23:41

No Kottke, numa nota sobre Eric Haseltine, um cara que foi da Disney para a NSA (a agência de inteligência mais bam-bam-bam da onda anti-terrorismo norte-americana), o último parágrafo é digno de tradução e postagem aqui:

No fim da sessão, a entrevistadora Jane Mayer perguntou a Haseltine se, porventura, o governo Bush não estava tendo uma reação exagerada ao terrorismo… se essa idéia de que o perigo está em toda parte é apropriada, realista. Ele respondeu dizendo que, desde que se envolveu com inteligência, ele não dorme bem à noite. “Eu sei muito”.


Sutileza

8 de maio de 2008, 23:00

Ser enérgico ou autoritário é fácil. Agora, ser sutil – especialmente nas palavras – é uma arte.

Socialmente falando, a sutileza requer uma habilidade mais ou menos parecida com o dos lacônicos – o de colocar conteudo, digamos, intenso em frases ou gestos amistosos. Como meu chefe hoje, ao telefone, explicando que a demora em confirmar se vinha ou não à Brasília semana que vem era por causa da incompetência da agência de viagens:

- É que o cara que marca as passagens de avião está doente, tem uma menina substituindo ele, e ela não é assim muito… versátil.

Sutileza é o que faz música ambient ser boa: outro dia eu comentei no Impop que ambient, normalmente, significa longas faixas de coisa nenhuma acontecendo. Só que no meio da aparente “coisa nenhuma” a música vai, discretamente, se desenvolvendo: novos sons que entram ou saem, notas diferentes, mudanças de cor ou textura do som, etc. A mente tem que se esforçar pra perceber que, sim, existe alguma coisa sendo dita – bem sutilmente.

Ser sutil é roubar a cena de dentro das coxias. Sutileza é daquelas virtudes que eu quero ter quando mais velho…


E hoje eu assisti Homem de Ferro!

7 de maio de 2008, 0:16

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Um filme patrocinado por:

  • Dell
  • Burger King
  • Rolling Stone
  • Wired
  • Caesars Palace
  • Audi
  • Hummer

…e mais um monte de marcas que precisam ser um pouquinho mais discretas ao fazer product placement.

(Update: Foi o Davi que avisou que o nome certo é “product placement”. Valeu!)


Acselerêitor

5 de maio de 2008, 23:26

Eu adoro o podcast da revista XLR8R – Não tem locução nem conversa fiada: ou é um apanhado de música nova ou umDJ set de gente muito fina.

Hoje fui almoçar tirando o atraso dos podcasts e ouvi muita música interessante vinda de lá. Clique nos links pra ouvir a faixa que eu comento:

MC Gringo – Alemão – Isso é globalização, meu amigo! MC Gringo é realmente alemão – um jornalista que mora no Rio e canta funk carioca em português com um sotaque hilário. Note que a base da música é emprestada do Kraftwerk…

Christopher Bissonnette – Jour et Nuit – Ah, o ambient. Aquele gênero musical onde cada faixa tem 10 minutos deporra nenhuma acontecendo. Por isso que, quando o ambient é bom, ele é realmente bom: afinal, é complicado fazer uma música boa usando apenas harmonias, texturas e reverb.

Otic Angst – Need That Love – Tem só 23 anos o tal Otic Angst, mas o moleque produz seu “electro-soul” com esmero: cuida da batida, escolhe bem seus samples, inclui uma ou outra variação inusitada para manter o interesse e depois mistura tudo na medida certa. O resultado? “Need That Love” faz você levantar as duas sobrancelhas e sentir vontade de mexer a bunda.

Débruit – Pointy – Soa quebrada, como se o cérebro estivesse doidão de alguma coisa e só conseguisse pensar pelas metades. Pra quem não usa drogas (meu caso) esse tipo de coisa é sempre interessante, é o jeito “limpo” de conseguir uma experiência mental parecida.

Don Cavalli – New Hollywood Babylon – Imagine Wesley Wilis compondo folk rock para filmes de Bollywood. Coisa linda! E o tal Don Cavalli é, surpreendentemente, francês.

Bonus: Synth Tax, DJ set de Kid Kameleon (que escreve para a revista), contém funk carioca e Bonde do Rolê, mas AINDA ASSIM é a coisa mais divertida do universo e é absolutamente IMPERDÍVEL. Baixe djá e ouça sem preconceitos.


Momentos belorizontinos

5 de maio de 2008, 12:28

Ir à BH significa encontrar conhecidos na rua sempre que você sair pra rua. Aparentemente isso inclui a estrada, porque encontrei uma antiga conhecida no meio da BR-381, perto de Três Corações, na viagem da ida.

Já em Beagá, fomos a um concerto no Palácio das Artes e vi logo três conhecidos de uma vez. No dia seguinte fomos ao shopping e, voilá, encontramos um colega leitor deste blog. Mais tarde, em outro shopping, comentei com Bethania:

- E aí, será que vamos encontrar mais um aqui?

30 segundos depois, adivinha…


Numa visita à uma tia de Bethania, eis que acho em cima da mesa uma cópia autografada de “Fresta por onde olhar”, livro da esposa do Exu Caveira Cover, lançado recentemente. Mundo realmente pequeno, este.


A razão da ida pra Beagá foi o aniversário de Bethania que, por sinal, bateu o personal festas de aniversário record: três comemorações em BH e tem mais alguma coisa prevista aqui pra São Paulo.

Numa delas (a comemoração “família”) meu irmãozinho foi comer um cajuzinho depois dos parabéns e, sem a menor cerimônia, solta um grito memorável:

- ESSE DOCE TÁ UMA PORCARIA!!!


A outra frase memorável do feriado foi do meu cunhado. Dizia ele que estava num ônibus e um gay se sentou atrás dele e começou a sussurrar: “Gostoso…”

A resposta dele foi hilária:

- Escuta aqui, você me respeita, porque eu até respeito essa PORRA DE OPÇÃO SEXUAL sua!!


…e, antes de voltar pra São Paulo, passamos no supermercado e gastamos R$ 25 em queijo. Só pra cumprir com o estereótipo.