O Primo’s Spanish Project Saga

Resumindo bastante, a história foi assim:

No fim de maio eu recebi um telefonema da minha empresa de consultoria, me perguntando se eu tinha interesse em participar de um projeto de 12 meses, na Espanha.

Aquilo parecia um presente divino: o projeto era tudo que eu sempre quis do ponto de vista de experiência profissional. Além disso, Bethania (minha esposa) sempre teve vontade de morar no exterior, e o país dos sonhos dela – ora, vejam! – era a Espanha.

A oportunidade era, portanto, irrecusável.

Algumas semanas depois, numa quinta-feira, minha empresa ligou e disse que o meu nome havia sido aprovado pelos líderes do projeto e que só faltava a minha confirmação de que eu queria mesmo ir. Era uma mudança e tanto: Bethania teria que largar o emprego atual e nós teríamos que procurar hospedagem por conta própria, já que, apesar dos meus pedidos, nem o cliente espanhol nem minha empresa iriam me ajudar nesse aspecto.

Sim, iria custar caro, mas a oportunidade era mesmo irrecusável.

Então, no sábado à noite, enquanto jantávamos (convenientemente num restaurante de comida espanhola), eu e Bethania tomamos nossa decisão final. Na segunda-feira seguinte eu liguei para minha empresa, respirei fundo e dei o “sim” definitivo.

“Ótimo!”, disseram eles. Disseram também que minha ida estava confirmada e que ao longo da semana iriam resolver os trâmites burocráticos. E eles tinham pressa: o projeto iria começar em julho e, portanto, começamos a nos preparar: As famílias e amigos foram avisados, Bethania entrou de aviso prévio para poder sair sem prejudicar a empresa, combinamos de deixar o apartamento em São Paulo “emprestado” com uma amiga que estava procurando onde morar, etc. Eu queria deixar tudo pronto para que a ida pra Espanha acontecesse sem impedimentos, o quanto antes. Queria ser responsável com eles. “Os caras estão precisando de mim pra ontem”, pensava eu.

Aqui pro blog eu preparei um belo post intitulado “O Primo vai pra Espanha”, mas… alguma coisa me dizia para colocá-lo no ar só depois de alguma confirmação “física”, como as passagens compradas ou a liberação contratual dos dias de trabalho.

Parecia que eu estava adivinhando. Na sexta-feira seguinte minha empresa me liga e diz assim:

– Olha, eu recebi um email dos líderes do projeto dizendo que eles não poderiam alocar você por causa da exigência que você fez de poder levar sua esposa. Não estou entendendo.

Eu também não estava entendendo. Aquilo devia ser algum mal-entendido porque eu não havia exigido nada: era eu quem iria me virar com hospedagem por conta própria – e ainda fiz questão de confirmar com o líder do projeto que poderia ser assim.

E os dias foram passando e ninguém me dava retorno do que tinha realmente acontecido. O líder do projeto sequer respondia meus emails. Me cansei de esperar e liguei pro cara, lá na Espanha. O que ele me disse foi:

– Olha, é que nós também estamos considerando outros nomes para o projeto…
– Mas o pessoal da formação de equipes me disse que eu já estava confirmado no projeto…
– Hmm, acho que eles entenderam errado…

Muitos telefonemas e várias noites mal dormidas de preocupação depois, a explicação que me deram foi a seguinte: no contrato haviam sido vendidos 14 meses de projeto, mas o preço cobrado foi de 12. Depois que eu fui “confirmado” no projeto, o pessoal concluiu que o custo da minha alocação iria ser muito alto e então começaram a procurar outra pessoa, com menos tempo de empresa (e menor salário) do que eu.

Sabe, é difícil descrever o que eu senti quando me disseram isso. Foi uma decepção profunda misturada com a mais amarga das tristezas: aquela de quem agiu por bem, de quem confiou na confirmação que recebeu e que acabou ridicularizado, injustiçado e enganado.

Se esse amargor fosse só meu ainda seria menos pior, mas ele também afetou a minha família: lembram que Bethania estava de aviso prévio? Lembram que tínhamos amigos despreocupados, contando com nosso apartamento para morar? Pois é.

Mas não vou ficar chorando as mágoas, clamando por justiça ou sentindo pena de mim mesmo. Não há tempo pra isso, afinal, nessa vida, enquanto os bem-intencionados ficam reclamando de terem sido injustiçados, os filhos da puta aproveitam e vão tomando a dianteira. Então o negócio é catar os cacos e tocar a bola pra frente…

11 thoughts on “O Primo’s Spanish Project Saga”

  1. poxa. eu leio o seu blog há um bom tempo jah. gosto bastante do conteúdo, da forma como vc escreve e tudo mais.
    ficou triste com isso. torço para as coisas se ajeitarem com aviso previo da sua esposa…

    []s de um leitor seu.

  2. Felizmente conseguiu, Guilherme. Ainda não tinham achado uma substituta pra ela, então acabou dando pra continuar. Mas, convenhamos, isso pegou mal pra caramba, profissionalmente falando…

  3. Essa foi de amargar cara. Eu crente que ia ver uma odisséia espanhola no teu blog. Assim como a sua esposa, também tenho sérias intenções de fazer prevalecer a máxima de que o Brasil só tem uma saída: O Aeroporto.

  4. Oi JC!

    Aqui é o Thomas, ex-autista. Saiba que nesse exato momento estou em um trinamento sobre música eletrônica para programadores do SESCSP promovido pelo Carlos Palombini e o capítulo trance foi ilustrado pelo maravlihoso tutorial do Bit Cousins. Genial!

    Gde abraço

  5. fiquei feliz quando soube da boa, e triste e indignado quando li a má. é uma merda, bicho. mas não há de ser nada. bons ventos pra família toda aí.

  6. Sabe,
    Aconteceu algo parecido comigo…
    Estava em um emprego estável como gerente de uma loja de celulares e meu patrao muito satisfeito com meus resultados.
    Em março deste ano, tive uma proposta de trabalho para ir a angola trabalhar em um projeto de educacao com minha irma.
    Resumo da ópera, depois de tudo confirmado, os diretores acharam melhor procederem de uma forma diferente de selecao e descartou parentes, porque entre os dias que pedi demissao e programei minha viagem, aconteceram muitos percalsos com parentes na empresa…..
    heheheh
    Bem, com o dinheiro da RCT mais uma grana que minha irma `me emprestou, resolvi botar um sonho antigo em pratica, sem pensar muito.
    E em 12 de junho acabei vindo para Portugal paraconhecer e agora estou na espanha…..por enquanto conhecendo, porque é complicado para pessoas formais como eu virem para cá e sair aceitando qualquer situacao.
    De qualquer forma, vale a experiencia.
    Agora uma coisa eu te digo, como vc mesmo mencionou.
    A pior parte nao é a nossa decepcao….e sim olharmos para as pessoas com um sorrisode uma boa noticia de depois ter que juntar os cacos de nossa decepcao e da delas tambem.
    Nestes momentos temos que egoístas e nos preocupar com o nosso equilibrio….
    Um abraço
    Maristela

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