Dias de cão

E eu estava aqui contente, me divertindo entre blogs, IM, YouTube e a multitude de coisas (e pessoas) divertidas online quando estiquei as pernas debaixo da mesa e esbarrei em alguma coisa.

O meu primeiro impulso foi o de dizer “Opa, desculpa Pavlov”, já que meu cachorro tem o hábito de se acomodar debaixo da mesa e tirar uns cochilos enquanto fico no computador.

E, tão rápido quanto veio o primeiro impulso, veio a constatação da realidade: não, eu não estou em casa. Estou é sozinho, num quarto de hotel, numa cidade distante. E o que eu chutei debaixo da mesa foi um sapato.

Já se vão aí uns seis anos de consultoria, viagens, hotéis e aeroportos, e o bode da distância e da solidão está batendo cada vez mais forte.

O Primo não recomenda – Era uma vez…

Antes de ver o filme eu só sabia de duas coisas:

  • “Era uma vez” era o “filme dos sonhos” de seu diretor (Breno Silveira, o mesmo de Dois Filhos de Francisco). Sabe aquele filme que o cara sempre quis filmar? Pois é.
  • O filme era sobre uma menina rica e um cara da favela que se apaixonam. E a história era ambientada no Rio de Janeiro.

Era Uma Vez 

Filmes sobre “amores difíceis”, por si só, já são manjados. Este é um terreno difícil pra qualquer diretor, e os que se dão bem são os que conseguem dar uma roupagem diferente ao assunto – como em Dolls ou Amores Brutos ou Closer (de longe o melhor filme de amor que já vi). Mas eu estava esperançoso, afinal o diretor já tinha conseguido me fazer gostar de um filme sobre Zezé di Camargo e Luciano 🙂

A esperança não durou muito além dos primeiros instantes do filme, que abre com a voz do personagem principal dizendo:

– Da minha casa eu tenho a vista mais linda do Rio…

E aí vem a imagem da favela do Cantagalo. “Não, Breno, não vai por aí não!”, pensei eu.

Mas dali em diante ficou parecendo que o diretor pegou uma lista enorme de “clichês para filmes de amor” e se empenhou em cumprí-la INTEIRINHA. Foi como disse a crítica de Ronaldo Pelli, no G1:

Após o início movimentado, (o filme) diminui o ritmo, quase estacionando. Na segunda metade, pouco ou quase nada acontece. O roteiro apresenta uma “barriga” imensa e tem diálogos bobos, além de se encaminhar para uma conclusão óbvia.

O pior é que o filme tem elementos simplesmente excelentes, como a fotografia (muito, MUITO boa) e a atuação dos dois protagonistas (muito, MUITO carismáticos, mas capados pelo roteiro a partir da segunda metade do longa). Mas mesmo sem os clichês e personagens capados, nada, absolutamente NADA seguraria o final do filme, que era não apenas óbvio como também ridículo – tanto que arrancou risadas de muita gente durante a sessão de cinema onde assisti o filme.

É por isto que o título deste post está “des-recomendando” o filme. E foi com muita surpresa que, lendo alguns blogs e conversando com algumas pessoas, percebi que muita gente adorou o filme, o final do filme e a mensagem clichezenta que ele passa. Sei lá, parece que o público brasileiro está acostumado com isso: emoções “de novela”, roteiros conhecidos, estradas já trilhadas. Já até comentei meu incômodo com isto aqui no blog.

Bem, como tudo na vida, é questão de gosto…

Novo projeto, bois morrendo e pseudônimos indefinidos

A história é mais ou menos assim:

1) Há algumas semanas, desiludido da vida (e atoa em casa) eu vou lá e escrevo um longo post sobre o fiasco que foi a minha tentativa de alocação no projeto da Espanha.

2) Alguns colegas consultores (e leitores deste blog) tomam conhecimento da história ao ler o post e ficam indignados com a situação.

3) Um destes colegas, subitamente, recebe uma proposta de trabalho irrecusável e decide pedir demissão. Sabendo da minha situação, ele me indica para substituí-lo.

E então, graças a este blog, aqui estou eu devidamente alocado num novo projeto. Quem diria!

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O projeto é numa indústria do ramo de alimentos. O complexo industrial aqui é conhecido como “frigorífico” – que é um eufemismo para “grande abatedouro”, onde bois morrem aos milhares todos os dias.

Sempre que passo na parte externa do frigorífico meus olhos automaticamente vão em direção a um longo corredor que entra pela lateral do complexo, por onde os bois passam para entrar na fábrica… e então morrer. O sol da tarde se põe bem em cima desse “corredor da morte”, o que gera uma paisagem poética e macabra ao mesmo tempo. E isso sem falar no cheiro onipresente de carne cozida (de dia) e de esterco (à noite).

Meu trabalho aqui será cuidar dos projetos de investimento. O legal são as reuniões, que às vezes viram conversas dignas de Jack, o Estripador, com comentários do tipo:

– Aonde vai ser a evisceração?
– Aqui, do lado da desossa. Ou então perto de onde eles fazem a remoção de cérebros…

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E mais uma coisa: o projeto é numa cidadezinha interiorana de uns 70 mil habitantes, que fica a 400km de São Paulo – o que, invariavelmente, vai dar muito problema de logística (e posts com longas sagas aqui no blog).

Isto posto, eu preciso arrumar um pseudônimo pra cidade, assim como fiz com Windturn City. Por enquanto estou considerando seriamente “Dead Cow City”, mas se tiver alguma sugestão, deixe aí nos comentários…

Olhando pro teto

Hoje foi um longo dia e bastante coisas poderiam ser postadas, mas estou bem cansado. Ao chegar no hotel, tudo que consegui fazer foi cair na cama e olhar pro teto.

E então eu vi isto…

20080724

Em tempos de indefinição, a solução é comprar um teclado

Aquela história de ir pra Espanha me ensinou uma lição: na minha empresa, você só está realmente alocado em um novo projeto no instante em que coloca, fisicamente, os pés no ambiente de trabalho. Digo isso porque ontem eu fui formalmente alocado, desalocado e alocado de novo num projeto, no interior de São Paulo…

No meio dessa confusão toda eu desencanei, peguei o carro e resolvi que ia passear na rua Teodoro Sampaio, o lugar das lojas de instrumentos musicais em São Paulo. A idéia era só bater perna, mas acabei voltando de lá com um teclado MIDI de segunda mão (e preço justo) debaixo do braço.

O tecladinho é um Miditech i2-Control 25, com duas oitavas, 8 knobs e a escolha de cores mais terrível que já vi: a carcaça é da cor “cinza que queria ser prateado mas falhou” e as teclas/botões são azul-calcinha!

20080724

Feiúra por feiúra, combinou direitinho com meu Dell Vostro com cara de colostro.

Tacos, burritos, Batman, Imagem & Ação, hotéis, mar e peixes.

O último fim de semana foi o “muito bom” em sua mais completa tradução.

No sábado recebemos amigos em casa, fomos todos para a cozinha e saímos de lá com um jantar mexicano absolutamente delicioso. Comemos, comemos, e aí quando nossos corpos já estavam saciados, fomos ao cinema saciar a alma com um bom filme: “Batman – O Cavaleiro das Trevas”.

Só que o filme do Batman não era um bom filme…

Na verdade, “Batman – O Cavaleiro das Trevas” é um EXCELENTE filme. E um marco histórico pois, finalmente, os super-heróis foram usados no cinema com a nobreza que realmente merecem (lembra do fiasco do último Homem-Aranha? Pois é). Saí do cinema com a impressão de que eu não havia assistido um filme de super-herói, e sim um drama psicológico da melhor qualidade construído sobre os mitos das figuras do Batman e do Coringa. Tanto que ele não é um filme fácil, do tipo “vá ver para se divertir e esquecer da vida”, pois, como bem disse o Vilaça

…como os personagens soam humanos, distanciando-se das figuras unidimensionais presentes em projetos similares, nosso investimento emocional na história cresce exponencialmente, já que passamos a temer por seus destinos.

Só não é o melhor de 2008 por causa de Wall-E.

Destaque para Maggie Gyllenhaal – que, diferentemente da Katie Holmes “Cruise”, tem cara de ser humano normal – e para a trilha sonora, muito mais presente ao longo do filme do que o “normal” e que me deixou satisfeitíssimo ao apostar em texturas diferentes das de “orquestras padrão de filme” para indicar os momentos de suspense. Tanto que, em vários momentos, a música me lembrava as faixas mais assustadoras do “Telegraphs in Negative”, do Set Fire to Flames (que fui obrigado a ouvir novamente, enquanto escrevo estas mal traçadas linhas).

E no domingo casa cheia de novo, dessa vez para macarronada e partidinhas amistosas de Imagem & Ação. Impagável ver amigos de longa data fazendo mímica da “Britney Spears”.

O problema foi que os serviços do Prof. Primo haviam sido evocados para a próxima segunda e terça-feira, então o fim-de-semana perfeito acabou pontualmente às 18:30, quando tive que deixar amigos, esposa e cachorro pra trás, me enfiar num táxi, depois num avião, depois em mais outro para, às duas da manhã, chegar à Fortaleza.

O sono era tanto que não me lembro exatamente como fui parar debaixo das cobertas. Mas me lembro que acordei, abri a janela e dei de cara com ISTO…

Fortaleza (de dia)

…e que, à noite, voltei pro hotel e dei de cara com ISTO…

Fortaleza (de noite)

…e que estou escrevendo este post levemente amolecido após jantar uma moqueca de peixe.

Ah, e durante o treinamento eu fui ajudar um dos grupos a fazer um exercício. Olhei as caras femininas em frente ao computador e quis ser simpático:

– E aí, como está indo o grupo das meninas?

Olhei novamente para o grupo e completei, gaguejando?

– Erm… e do menino também?

O Primo’s Guided Musical Tour

Eu vinha mastigando essa idéia há tempos… aí resolvi executar.

A idéia é usar o YouTube pra “mini-podcasts legendados”: uma mistura de texto e som, tornando-o uma mídia bastante apropriada para, por exemplo, falar sobre música. Você pode ler os comentários no vídeo e, ao mesmo tempo, ouvir a música que estou comentando.

Fiz uma primeira experiência aí embaixo, falando sobre como a música que eu ouço costuma ser feita sobre paradigmas muito diferentes do normal e tentando explicar alguns aspectos deles que acho interessantes. Veja aí então, diga o que achou depois nos comentários…

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=tddAVwWVG4c[/youtube]