Posts de julho de 2008


Como "funciona" este blog?

16 de julho de 2008, 16:42

Ontem eu esbarrei com uns posts interessantes: “Você compartilha conhecimento?”, perguntava um deles. “Produzir e distribuir conteúdo, uma opção que expande conceitos”, dizia outro. Foi a deixa que eu precisava pra falar de uma coisa que há muito queria explicar aqui: de como este blog foi desenhado para otimizar o compartilhamento de conhecimento. Pretensioso, não? Bem, era o que eu queria. Continue lendo e veja você mesmo se eu consegui…

Este blog tenta cumprir três propósitos:

1) Entregar ao leitor (e à rede como um todo) conteúdo novo. É isso que, em função da minha crescente insatisfação e desânimo com a internet brasileira, têm norteado todas as postagens que faço aqui, particularmente de julho de 2007 em diante. A idéia sempre é “acrescentar alguma coisa”, seja divulgando alguma idéia boa que possa ser útil pra outras pessoas (como por exemplo minha gambiarra para ligar o iPod no som do carro), dando dicas para o dia-a-dia (como as dicas de segurança online ou macetes para melhorar slides de PowerPoint), etc.

Como é difícil ser inédito o tempo todo, às vezes eu pesquiso e aprofundo algum assunto já pre-existente ou traduzo textos em inglês para que os leitores “monolinguísticos” também possam ter contato com algum conteúdo legal.

2) Disseminar sites e links legais que eu encontro – porque, afinal, não dá pra ignorar o aspecto “viral” da internet – talvez um dos mais importantes. A diferença é que eu parei de fazer, por exemplo, um post inteiro só pra comentar ou divulgar um link legal. Afinal, o leitor não ganha nada lendo comentários meus do tipo “Putz cara, eu rachei de rir desse vídeo do YouTube aqui, saca só”, entende? Não acrescenta, então tirei fora.

Então agora é assim: links legais vão quase todos pro meu del.icio.us, ali do lado, com um breve comentário só pra explicar do que se trata. Quando vou citar mais de um link ou quando o assunto é legal demais e quero comentar com mais destaque, aí sim eu faço um post e coloco na categoria “links”.

Nota: Os links do del.icio.us vão, juntamente com os posts que faço, para o feed RSS deste blog.

3) Servir como um “diário virtual” onde eu possa contar o que ando fazendo ou opinar sobre alguma coisa. Afinal eu não sou problogger e foi pra isso que este site nasceu, em 2001. Mas ainda assim a idéia de “acrescentar algo novo” continua valendo, então eu tento ser o mais interessante possível para dar minha opinião ou falar da minha própria vida. Contar, por exemplo, que “o cachorro comeu meus sapatos” não é nada interessante. Mas contar que ele comeu meus sapatos num texto que fala dele como se fosse um artista plástico construindo “obras de arte” deixa o assunto bem mais divertido e interessante de ler. E com a chegada do Twitter, que funciona como um “Big Brother reverso”, dá pra comentar todo tipo de pequenezas do meu cotidiano sem precisar cansar o leitor com posts desnecessários.

Além do conteúdo, o próprio layout do blog reflete estes três propósitos:

20080716 

O conteúdo novo (A), caseiro e inédito, é o que tem mais destaque. As coisas interessantes mas “não-inéditas”, que sinto vontade de divulgar, vão à parte, no Delicious (B), para não deixar de estimular o lado “viral” da internet. E as pequenezas do cotidiano, quando não viram posts, vão pro Twitter (C), também em separado.

É assim que tento fazer a minha parte para uma internet melhor. Não é muito, mas é de coração :)


Qual o instrumento musical mais difícil de tocar?

14 de julho de 2008, 18:57

Taí uma pergunta onde o que é mais interessante não é a resposta, e sim o raciocínio para chegar nela…

Temos muitas coisas pra considerar: pra começar, pense na facilidade (ou não) de fazer o instrumento tocar uma única nota corretamente. Em alguns casos, como num piano, é moleza: você aperta a tecla e o som sai, certinho e sempre afinado. Instrumentos “pré-programados” para tocar sempre as mesmas notas numa afinação fixa são chamados “temperados” e incluem, por exemplo, o violão, a guitarra, a flauta e o saxofone. Richard Clayderman e Kenny G, estão, portanto, fora do nosso páreo.

Tirar o “tempero” dos instrumentos aumenta a dificuldade, já que a afinação passa a depender diretamente do seu bom ouvido e/ou da técnica de tocar: se você achava difícil aprender violão pra poder tocar Legião Urbana nas festinhas e impressionar as garotas, compare-o com o violino

20080714

Note que no “braço” do violão existe um monte de “travas” metálicas (chamadas trastes) que, quando cruzam com as cordas, formam “casas” que indicam o lugar exato onde você deve segurar a corda para tocar uma nota musical. Já o violino não tem isso, então é seu dedo que segura a corda – e se ele estiver um milímetro fora do lugar, a nota sai desafinada.

Ao contrário do piano, que é “tocou, levou”, alguns instrumentos de sopro requerem muito esforço do aprendiz para produzir algum som sequer. Quem estuda flauta, por exemplo, sofre para conseguir acertar a chamada “embocadura” – a posição certa dos lábios e da língua para soprar no instrumento. Normalmente são dias e dias frustrantes soprando assim…

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=i1cyrWlJpzY[/youtube]

…até que, depois de MUUUUITA prática, você fica ninja como o cara aí embaixo, que toca a música do Mario e, ao mesmo tempo, faz as batidas com a boca:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=gZww6urHGL0[/youtube]

E alguns instrumentos de sopro ainda tem as tais palhetas, uma espécie de bocal aonde o músico sopra. Quem toca oboé, por exemplo, além de aprender o instrumento e a embocadura, tem também que saber como construir suas próprias palhetas, já que a anatomia da boca de cada um é diferente e, por isso, não dá pra fabricar palhetas em série numa fábrica. Além de músico o cara tem que ter, também, um certo talento para o artesanato…

Agora imagine um instrumento que, além de precisar da embocadura certa, não é “temperado” e requer um cuidado extra com a afinação: eis aí os trombones, trumpetes e a tuba, famosa nos desenhos animados do Pernalonga. E ainda tem os instrumentos aonde o que complica é a coordenação motora para tocá-los, como a bateria. Às vezes o baterista está tocando um ritmo com o pé direito, outro ritmo na mão esquerda, mais um terceiro ritmo com a outra mão e, em alguns casos, cantando num andamento totalmente diferente de todo o resto. É de fundir o cérebro. Não é atoa que os bateristas são conhecidos por fazer aquela cara de “estou prestes a ter um derrame” enquanto tocam…

20080714_2Outro instrumento que parece ter sido construído pra complicar é o bandoneón – essa “sanfona” aí do lado, que os tocadores de tango usam. Sabia que cada botãozinho do bandoneon dá uma nota diferente quando você está abrindo o fole… e outra diferente quando você está fechando o fole?

Moral da história: não dá pra definir um ou outro instrumento como “o mais difícil de todos os tempos”. Cada um é complicado à sua própria maneira, cada um tem um problema diferente. E é bom que seja difícil; a variedade de desafios para ser produzida ajuda a deixar a música ainda mais interessante.


P.s.

10 de julho de 2008, 20:29

Em tempo: se você está lendo este blog pelo feed RSS, dê uma visitadinha no site, tem layout novo no ar. Aproveite e diga o que achou nos comentários.


Pra perder a esperança na humanidade

10 de julho de 2008, 20:24

O vídeo abaixo mostra Janderval sendo entrevistado por um repórter da RedeTV após ser preso em Ji-Paraná, Rondônia, porque tentou assaltar uma padaria (que só tinha R$ 14 no caixa, por sinal).

Sim, esse é mais um daqueles vídeos estilo Jeremias. Mas esse aí me deixou muito chateado.

A tristeza começou quando reparei na atitude do repórter que, com uma naturalidade de quem estava num boteco com um amigo, ia se divertindo com a situação toda. No vídeo do Jeremias o repórter até tentava manter o formalismo de jornalista, mas agora nem isso: o juiz era citado como “homem da capa preta”, as perguntas eram feitas informalmente e sobre temas informais, como as chances de Janderval ir se sentar ou não no colo do capeta depois de morrer, e por aí vai.

Pra completar meu desalento, Janderval, que não parecia estar bêbado, drogado ou sequer preocupado com sua prisão, ainda deu respostas muito assertivas sobre seus atos. “Sou ladrão, não trabalho mais não. É minha profissão, há 10 anos”, diz ele.

E mais: roubar é a contribuição de Janderval para a sociedade. “Se eu não roubar, ninguém de vocês tem trabalho. (…) Eu gero emprego pra todo mundo: pro repórter, pro escrivão, pro delegado, pro juiz e pro promotor. Então tou aí, contribuindo para o bem de todos”.

Quando questionado sobre as pessoas que prejudica com seus roubos, Janderval, habilmente, recorre à religião: “Se Deus permitiu que eu roubasse deles é porque eles são pecadores. Ele sabe da minha necessidade. (…) Meu relacionamento não é com o Cão, é com o Senhor Jesus (…) depois ele vai lá e passa os pano, véio”.

E eu que, inocentemente, achava que esse povo estava perdido na vida e errava por ignorância ou necessidade…

(O vídeo eu vi no Boteco HardMOB)


Wall-E: no meio da discussão sobre fascismo, uma história fascinante

9 de julho de 2008, 12:32

Apesar da avalanche de avaliações positivas para o filme Wall-E, as críticas negativas tocavam em pontos bem contundentes, como esquerdismo radical, fascismo, etc. O pessoal deste tópico do Metacritic estava discutindo exatamente estas coisas quando o usuário AstroZombie entrou no meio do papo político para contar a fantástica história de sua namorada, que resumo a seguir:

Courtney assistiu o primeiro trailer de Wall-E assim que foi lançado – e chorou copiosamente quando o robozinho pronunciou o próprio nome. De fato ela chorava todas as vezes que via o trailer, exatamente no mesmo momento. A coisa era tão curiosa que ela até gravou um vídeo com seu choro e postou no seu blog.

Acontece que o pessoal da Pixar achou o vídeo. Primeiro ela recebeu emails de programadores da Pixar, se sentindo agradecidos pelo “elogio”. Depois chegaram emails dos produtores. Depois, no natal, ela recebeu uma jaqueta da produção de presente, junto com um cartão de agradecimento. E então, em junho, a Pixar convidou Courtney para a mega-festa de encerramento da produção do filme (com passagens aéreas, hospedagem, tour pelos estúdios da Pixar, tudo incluído), aonde foi aplaudida pelas milhares de pessoas que trabalharam no filme após um discurso emocionado do diretor, que disse que soube que “estava no caminho certo” quando viu o choro de Courtney no YouTube.

Segundo o tal AstroZombie, a Pixar não tentou usar essa história com fins promocionais. Foi, de fato, um agradecimento da produção para alguém que ajudou a manter a equipe otimista até o fim.

Fiquei pensando… será que a Globo já fez isso com alguma senhora que chorou durante a novela? :)


Quem não é blogueiro de aluguel é…?

7 de julho de 2008, 20:10

Sim, este é mais um post sobre a blogosfera. Mas serei breve, são só umas coisas que fiquei pensando ontem à noite, antes de dormir.

A história foi assim: sexta-feira passada o Blue Bus mencionou uma campanha da Coca Cola dizendo que “está saindo em blogs-de-aluguel na internet uma açao de lançamento de um novo produto…” e tal. E muita gente ficou ofendida com essa história de ser chamado de “blog de aluguel”. MUITO ofendida. Tanto que inventaram um tal manifesto chamado “eu não sou blogueiro de aluguel” falando de transparência, reclamando de censura, dizendo que só quem “rouba no jogo” é que é de aluguel e por aí vai.

Até aí, nada de errado. Mas teve uma pergunta que não me saiu da cabeça ontem: se eles estão reclamando de não serem blogueiros de aluguel, é porque eles são alguma outra coisa. Mas o que diabos eles são? Se vocês não são blogueiros de aluguel, o que diabos vocês SÃO?

image

O que eu vi foi a blogosfera sentindo-se lesada em sua reputação… reputação essa que, na minha opinião, sequer existe. Os “destaques” da blogosfera só são destaques entre a própria blogosfera, e não entre o público em geral. Ou você já viu a massa, o grande público – aquele, o brasileiro médio, o “Homer Simpson”, como diz o William Bonner – comentar, elogiar, encaminhar posts por email ou dar algum destaque a algum blog que não fosse, sei lá, o Kibe Loco?

Ou sou eu que ando lendo os blogs errados? Pedradas nos comentários, por favor.

Update: André Dahmer (Malvados) acaba de ganhar todo o meu respeito após publicar um texto chamado “código de conduta para escrever um post pago”. Se der preguiça de ler tudo, leia apenas a última frase.


Projeto de Lei pode fazer downloads virarem crime na internet brasileira

7 de julho de 2008, 15:20

image Eu já falei disso no blog em novembro de 2006 e julho de 2007, mas como o assunto voltou a movimentar os blogs, vou ajudar a divulgar mais uma vez.

Resumindo bastante: O Senador Eduardo Azeredo está com um projeto de lei para tipificar “crimes cibernéticos ou de informática”. Até aí tudo bem, mas do jeito que ele está sendo proposto, na prática o que acontece é:

  • O simples acesso à qualquer coisa, sem autorização expressa, vira crime. Você, leitor deste blog, poderia ser preso porque eu não te autorizei formalmente a acessar meu site. Desbloquear um celular também passa a ser crime. Usar redes Wi-Fi abertas, então, nem se fala.
  • Os provedores vão ser obrigados a arquivar, por três anos, um registro com todo e qualquer acesso que você fizer na internet, além de terem que informar às autoridades – e sem te avisar – indícios de prática de crime de que tenham tomado conhecimento. Isso mata sua privacidade, pode forçar um aumento de preços dos provedores ou até o cancelamento de coisas como trocas de arquivos via P2P (bye bye, torrents).

Mais informações aqui, aqui ou aqui. Você também pode assinar a petição online contra o projeto, mas o melhor mesmo é enviar um email pro Azeredo e para o senador do seu estado (use esta lista de nomes e emails dos senadores aqui).


Pacotes turísticos que a CVC nunca vai vender

7 de julho de 2008, 14:47

Afinal, graças à tecnologia, existem lugares fantásticos, construídos com muito esmero e muito bonitos de se explorar – apesar do fato de não existirem fisicamente. Eu, particularmente, adoro esse tipo de turismo virtual. Normalmente ele é muito mais emocionante e surpreendente do que qualquer city-tour desmaiado por algum conjunto de praça-igreja-monumento de alguma cidade manjada que você já se cansou de ver em fotos.

Veja só alguns roteiros turísticos, impossíveis no mundo real, mas bem divertidos de se fazer no virtual:

1) San Andreas

20080406 

Visitar San Andreas é sinônimo de “liberdade”: tudo, absolutamente TUDO é explorável em seus 36 km² de área. As opções de lazer são incontáveis e incluem:

  • Atrações turísticas: Visite a Ponte de Gant (modelada como a famosa ponte Golden Gate de São Francisco), a Represa Sherman, a base militar ultra-secreta chamada “Area 69″, as simpáticas comunidades rurais de Bone County, etc. As opções de transporte para visitar todas essas atrações são enormes: você pode ir de carro, barco, avião, helicóptero ou até mesmo usando um jetpack.
  • Esportes: corridas de triathlon, descidas emocionantes de mountain bike pelo monte Chiliad (de 800 metros de altura) ou mesmo opções ainda mais radicais, como base jumping dos arranha-céus do centro de San Fierro. Além disso, todos os estádios das grandes cidades oferecem emocionantes competições automotivas sobre quatro ou duas rodas – e com prêmios em dinheiro.
  • Diversão: Há uma variedade enorme de cassinos em Las Venturas com todo tipo de caça-níqueis, roletas, video poker e blackjack. E, para relaxar, aproveite os inúmeros strip clubs (e garotas de programa) espalhados pelo estado.
  • E, se faltar dinheiro para aproveitar tudo que San Andreas oferece, use alguma das muitas opções de trabalho: ganhe a vida como entregador de pizza, manobrista, caminhoneiro, taxista, cafetão, bombeiro…
  • Mas o melhor são as opções ilegais: torne-se mercenário, provoque guerras de gangues, ou simplesmente roube o carro de alguém e saia por aí atropelando quem quiser. Relaxa mais do que ir ao Club Med.

2) Roteiro “Half Life 2″ – City 17, Ravenholm, Nova Prospekt

20080706_2

Acompanhe de perto o desenrolar da revolução em City 17, uma simpática cidade em ruínas, com arquitetura estilo leste europeu e com um enorme arranha-céu (a “cidadela”) bem no meio. Visite também Ravenholm, um vilarejo que parece ter saído diretamente de filmes de terror, ou Nova Prospekt, uma enorme prisão (quase) abandonada. Tudo é como se fosse um “safári pós-moderno”, onde é possivel ter contato com toda uma nova fauna de animais exóticos chamada “combine”. Seguro de vida não incluído.