Meus melhores de 2008 (so far)

É uma lista altamente parcial (no sentido de “incompleta”, não de “tendenciosa”), já que eu não fico caçando lançamentos do ano pra ouvir. Tanto que meu vício mais recente tem sido “Heaven or Las Vegas”, disco do Cocteau Twins lançado em 1990. Além do mais faltam links e imagens das capas dos discos porque a maldita internet desse maldito hotel dessa maldita cidade está, mais uma vez, me deixando na mão.

Mas chega de disclaimer, vamulá:

Girl Talk – Feed The Animals

É o último trabalho de Greg Gillis, o mestre do mashup pop/rock/rap/Billboard top 100. Infelizmente, “Feed The Animals” repete EXATAMENTE a mesma fórmula do disco anterior, o “Night Ripper”, validando a afirmativa de que Girl Talk é um mágico de um truque só.

Só que o truque dele é MUITO divertido!

Vampire Weekend

É a melhor coisa que ouvi em 2008. O som dos caras – que por alguma estranha razão anda sendo chamado de afro-pop – é muito amistoso, as letras são espertas e a dinâmica das músicas passeia num espaço agradável entre o vigoroso e o tranquilo. Mexidas no andamento, nos instrumentos (um órgão retrô ali, uma flauta acolá, um bongô mais adiante) e até na “estética” do som (às vezes puxando pro punk, pro caribenho ou pro kitsch) mantém o interesse firme e forte ao longo do disco. E ainda tem os competentes vocais de Ezra Koenig – que é homem, apesar do nome.

É uma obra-prima cujo único problema é ter apenas 34 minutos.

E, sim, tem muito hype em cima dos caras, mas não se deixe levar por isso.

Portishead – Third

Yeah, yeah, terceiro e antecipadíssimo disco dos papas do trip-hop e tal. Normalmente expectativas elevadas geram uma decepção proporcional, que, felizmente, não aconteceu. Mesmo depois de um hiato de 10 anos, o Portishead entrega o que todos esperavam – e com muita classe.

O disco é denso e construído sob os velhos (e funcionais) pilares do trip-hop: arranjos espartanos, tocados lentamente e em performances fortemente emocionais. Puxa pra baixo o mesmo tanto que o Vampire Weekend puxa pra cima – o que, portanto, o torna des-recomendável pra quem não curte navegar em emoções tristes.

Fly Pan Am – Ceux Qui Inventent N’Ont Jamis Vecu (?)

Olha, apesar deste disco fazer parte desta lista eu confesso que não entendo direito o rock experimental dos franco-canadenses do Fly Pan Am.

As músicas não parecem ir à lugar algum: os caras constróem uma “cena sonora” repetindo acordes nas guitarras por longos minutos, depois misturam live recordings com ruído e vocais perdidos, depois passam longos minutos em hiatos semi-silenciosos, depois “estragam” de propósito trechos das músicas, fazendo-as soar como se fossem glitches de um CD riscado ou um MP3 mal “encodado”, e assim por diante. Só que existe uma “moral da história” no meio dessa bagunça: uma construção abstrata mas palpável e, num nível muito estranho da mente, perfeitamente compreensível.

E é isso que, de alguma forma, os torna geniais.

Bonus Tracks: Comentários rápidos sobre outros lançamentos 2008itenses que ouvi.

Daedelus – Love To Make Music To é delicioso como todos os outros discos de Daedelus. Mas, diferentemente do “Daedelus Denies the Day’s Demise”, esse investe numa atmosfera mais neutra ao invés daquela “animação toda” de sempre e, portanto, demora um pouco mais pra “bater”

“Með suð í eyrum við spilum endalaust” (também conhecido como “disco do Sigur Rós com os caras pelados na capa”)… bem, esse aí é uma grande incógnita. Comprei, ouvi e ele ficou lá, encostado na prateleira virtual do meu iTunes. Não que o disco seja ruim, mas, sei lá, parece que foi apagado pela sombra do disco anterior (o absurdamente maravilhoso “Takk”).

A faixa 4 de “The Midnight Organ Fight”, do Frightened Rabbit, é tão boa que, sozinha, me fez comprar o disco na hora. Agora pergunta se eu tive tempo de ouvir o resto das músicas… :/

A eMusic inventou uma tal selo chamado “eMusic Selects” para promover bandas. Sim, é jabá, então fiquei olhando torto até que, de repente, apareceu “Keeper’s”, do Deastro

E o Tape lançou “Luminarium” em 2008, disco atmosférico e rico de texturas que, infelizmente, não tive tempo de ouvir direito até agora.

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