Providência

Eu tinha algo entre 15 e 20 anos, nunca vou me lembrar corretamente e, de fato, datas não importam muito. Mas graças à boa-vontade de Luiz, meu primo, eu ouvia o Daydream Nation do Sonic Youth, numa fita cassete. É, uma fita cassete, cara.

E o Sonic Youth ia entregando obra-prima atrás de obra-prima. “Teenage riot” abria o disco como o hino nacional abre um jogo de copa do mundo, depois vinha “Silver Rocket” se fazendo de punk-rock, depois emendava com “The Sprawl” e “Cross the breeze” e as guitarras seguiam resolutas, naquele timbre lindo que só o Sonic youth sabe fazer e que ninguém mais fará igual.

Até que chega “Providence”, a oitava faixa. Tudo muda. O vigor das guitarras dá lugar a uma atmosfera escura e solene, pontuada pelo zumbido grave de um amplificador estourado e pelo lamento triste de um piano mal gravado.

E então, a letra. Falada e entregue por ninguém menos do que duas gravações de secretária eletrônica:

Watt here, I’m downstairs in this window.. yr uh, punk phone booth..

*beep*

Thurston, Watt.. Thurston.. I think it’s 10:30.. we’re callin’ from Providence, Rhode Island. Did you find your shit? You gotta watch the mota, Thurston.. Yr fuckin memory just goes out the window. We couldn’t find it in the van at all, we were wondering if you looked in that trash can.. when we threw out that trash, man.. with the bag in yr hand, did you dump it? Call later, bye.

Por alguma razão a faixa 8 caiu exatamente no finalzinho do lado A, então depois de “Providence” a fita parou e eu fui entregue a um silêncio levemente desconfortável. E no meio desse silêncio e em algum nível muito obscuro da minha cabeça, eu entendi a coisa toda, como que numa epifania.

Até hoje “Providence” continua sendo uma das melhores músicas que já ouvi.

Felizmente hoje temos Wikipedia pra enriquecer meu entendimento “formal” sobre a música:

Distante da maioria das sensibilidades roqueiras do álbum está a peça de musique concrete “Providence”, mostrando algumas das tendências mais experimentais da banda. A música consiste de um solo de piano tocado por Thurston Moore e gravado com um walkman na casa de sua mãe, o som de um amplificador superaquecido e duas mensagens telefônicas mixadas, deixadas por Mike Watt, que ligou para Moore de um telefone público em Providence, Rhode Island. A música foi inusitadamente lançada como single e recebeu até um vídeoclipe de uma tomada só.

O clipe é esse aqui, meio tosquinho e com os palavrões censurados, mas vá lá. Fuçando mais os tubos da internet ainda descobri que a “letra” da música é por conta de uma sacola com cabos de guitarra e fitas cassete que Thurston havia comprado na noite anterior, quando a banda tocou em NY, e que havia sumido. Mike Watt estava ligando de Providence por conta de um show do Firehose que seria feito lá. A “Mota” que ele se refere é o apelido deles para maconha, que aparentemente andava lesando com a memória de Thurston.

Acústico Zeca Pagodinho – Uma obra prima

Ontem eu saí da minha rotina noturna padrão (ficar na internet até dormir) e fui à um churrasco. Carne vai, cerveja vem, então alguém bota um CD do Zeca Pagodinho pra tocar. Acho que é o “Acústico MTV”, o da capinha aí embaixo. Eu já tinha ouvido, incidentalmente (e acidentalmente), vários trechos do CD por aí, mas nunca havia sido exposto à coisa toda de cabo a rabo. E percebi, horrorizado, que o CD é feito de uma genialidade torpe, uma premeditação comercial assustadora e executada com uma perfeição que eu nunca havia visto antes.

20080925 A coisa começa nos arranjos. Na minha cabeça o pagode original era pra ser um ritmo informal, pra tocar batendo na mesa do boteco e chacoalhando a caixinha de fósforo, mas o CD do Zeca Pagodinho tem o oposto disso: arranjos orquestrados, cordas e flautas e o escambau numa produção impecável. Até aí tudo bem, isso é coisa que qualquer Emmerson Nogueira da vida faria, mas o problema é que no CD do Zeca Pagodinho os instrumentos não são tocados, e sim executados – pois há uma diferença entre “fazer música” e “reproduzir o que está numa partitura”. O pagode do Sr. Pagodinho é milimetricamente quadrado, minuciosamente pasteurizado, e soa como um hambúrger do McDonalds. Mas isso tudo é parte do plano.

Outra coisa que me assustou foi o esmero dos músicos em cobrir expectativas. Se existem “clichês musicais”, eles fizeram todos. Sem exceção. Não há absolutamente NADA de surpreendente, nada fora do usual. Pelo contrário: se existe um procedimento padrão para produzir pagode(*), eles seguiram tudo à risca. No lugar aonde a letra pede aquela frase solta cantada mais aguda, típica de pagode, ele ia lá e cantava. Quando o refrão dá um espaço para você pensar “putz, aqui é exatamente o lugar aonde deveria entrar aquele backing vocal cantando lá-laiá”, pronto, lá estava o backing vocal cantando lá-laiá.

Isso, somado com a execução milimétrica dos instrumentos, gera um ambiente musical que, para meu horror, carregava uma semelhança absurda com a identidade sonora da Rede Globo. É sério, pense naquele som lavado e artificial do jingle de abertura de um Jornal Hoje ou de um Jornal da Globo. Temas musicais como esses tem que ser “não desafiantes”, afinal o telespectador continua assistindo quando se sente confortável, e a música fácil ajuda a construir esse sentimento de conforto. E o CD do Zeca Pagodinho era planejado para ser exatamente assim, para entregar exatamente o que o ouvinte esperava ouvir, e portanto soar confortável e familiar.

Com as letras das músicas a palavra de ordem era a mesma: manter-se dentro do ordinário, não ser desafiante e investir no que se tornaria facilmente acessível e que, portanto, geraria facilmente uma identificação do ouvinte. Como neste verso:

Se eu quiser fumar eu fumo
Se eu quiser beber eu bebo
Pago tudo que eu consumo
Com o suor do meu emprego

Eu confesso um certo medo ao perceber o poder de um verso desses. De certa forma isso é manipulação em forma de música. 90% dos brasileiros que ouvem isso devem, instantaneamente (e instintivamente), sorrir no canto da boca e pensar: “porra, eu ralo mesmo, eu deveria ter o direito de tomar a minha cervejinha sem encheção de saco”. E aí um Zeca Pagodinho virtual dá uns tapinhas no ombro dessa pessoa e diz: “Viu? Eu te entendo, cara!”. E o elo se forma.

O reforço do elo vem com as outras letras, relatos de histórias fáceis da vida de todo o dia e de todo mundo. Elas não tinham NENHUMA poesia, NENHUM lirismo. O foco era pintar uma imagem mental fácil, um capítulo de novela em forma de música, então algumas eram relatos secos, factuais, quase jornalísticos de coisas como um penetra numa festa de aniversário.

Bebeu demais
Comeu de tudo
Dançou sozinho
Encheu o bolso de salgadinho
Foi pra fila da pipoca
Roubou o pedaço de bolo e o refrigerante
que estava na mão do aniversariante
Fez a criança chorar

E no churrasco meus colegas de trabalho cantavam junto e exclamavam entre si:

– Cara, esse CD é perfeito. É bom pra caralho.

Eles têm razão. O CD é, de fato, perfeito. Como produto, o disco de Zeca Pagodinho é uma das maiores obras-primas que a indústria da música brasileira já produziu.

(*) – Quanto pê, hein? Dá até uma sigla: PPPPP, ou P5, pra ficar muderrrrno.

A lista das coisas que me incomodam no HTC S621

Hoje, após alguns meses de uso, eu posso afirmar com certeza que o HTC S621 foi, de longe, a pior compra que fiz este ano.

Este post tem uma lista (sim, uma LISTA) constantemente atualizada dos inúmeros bugs/chatices desse smartphone. Pra vocês verem que não tou reclamando atoa.

  • Depois de um tempo de uso, a internet do celular pára de funcionar e só volta depois de reiniciar o telefone. A coisa funciona normalmente por uns 4 ou 5 dias e, de repente, você abre o browser e ele pára na telinha de “Conectando ao serviço. Aguarde”, e só regulariza depois de um tedioso soft reset.
  • Do lado do telefone tem um controle deslizante para ser usado com o polegar, bem no estilo daquela rodinha dos Blackberries antigos. Este controle chama-se JOGGR e é marqueteado como revolucionário pela HTC. Acontece que o JOGGR simplesmente não funciona. Às vezes eu tentava usá-lo e ele não respondia, e depois ele endoidava e começava a rolar sozinho, sem eu nem pôr o dedo no telefone. Agora eu o deixo desabilitado – para EU não endoidar.
  • Outro dia deixaram um recado na minha caixa postal, que eu ouvi e apaguei. O problema é que o ícone de mensagem de voz não sumiu. Eu reiniciei o telefone, re-chequei a caixa postal (vazia) umas 20 vezes e o ícone ficava lá. Isso é duplamente chato porque o botão que mostra os contatos (e que obviamente precisa estar sempre à mão) esporadicamente passa a funcionar como “caixa postal”.
    Depois de algumas SEMANAS o ícone, finalmente, sumiu.
  • Eu nunca consegui compartilhar a conexão internet do celular com meu notebook via Bluetooth. O pior é que essa foi uma das razões pelas quais eu comprei um adaptador Bluetooth para o notebook. Via USB funciona direitinho.
  • A única tecla de edição que funciona quando você está discando um número é o BACKSPACE. Se você quiser editar um dígito bem no meio do número discado (por exemplo, pra corrigir o DDD), só apagando e digitando tudo de novo.
  • De vez em quando o despertador do celular toca duas vezes ao mesmo tempo. Sim, ao mesmo tempo, ele bota pra tocar o som do despertador duas vezes, com alguns segundos de defasagem. Não é nada agradável ser acordado de manhã por um “remix involuntário” do toque do seu despertador…
  • …e muito mais, como eu disse no post anterior.

O dia em que visitei um matadouro

20080918
É muito parecido com isso. Sem brincadeira.

Finalmente aconteceu: hoje eu passei a manhã inteira conhecendo a linha de produção do frigorífico – ou, se preferir, um matadouro.

Eu achei que fosse ficar bem mais horrorizado, mas no final da manhã eu estava tão bem quanto entrei no lugar – e ainda bati um pratão de carne no almoço. O que acontece dentro do matadouro é realmente hardcore, mas aparentemente eu estou dessensibilizado pra essas coisas. Talvez por causa da internet e seus goatses, tubgirls e 2girls1cups da vida.

Eu poderia escrever zilhões de linhas sobre o, er, “passeio”, mas vou tentar resumir: O começo do “tour” foi pela parte de abate e desossa, onde matam, esfolam, retiram as tripas e esquartejam o boi, mais ou menos como contei no meu post anterior. Se essa descrição já parece medonha, a primeira visão disso é bastante desconcertante: imagine um galpão de paredes amareladas e pé direito bem alto. Do teto, do meio das incontáveis tubulações que sobem e descem, corre um longo trilho que ziguezagueia pelo local inteirinho, e é nesse trilho que o boi circula, pendurado pela pata traseira direita, enquanto é esfolado e picotado aos poucos. Cada carcaça fica a mais ou menos 1 metro de distância da outra e, no chão, ao redor delas, CENTENAS de pessoas cortam, picam e arrancam pedaços do boi. É muita gente, é mais ou menos como uma agência bancária às quatro da tarde.

“Cuidado que tudo aqui escorrega muito”, disse a gentil engenheira que se ofereceu para fazer o “city tour” comigo. Ficou fácil entender o porquê: uma quantidade imensa de sangue que está por todos os lados, o tempo todo. Some a isso a água que é usada para lavar a carne, as facas e os equipamentos e você tem uma lambança permanente no chão. E o pior é que, para chegar ao começo da linha de produção, você acaba tendo que passar pelo meio das carcaças. Matadouro é assim, bobeou e o boi tromba em você.

Depois de desviar de algumas dezenas de carcaças, finalmente cheguei ao chamado “box de atordoamento” – um compartimento onde o boi entra para levar uma paulada pneumática na cabeça e ficar inconsciente, ou seja, o começo do fim. E eis que um dos engenheiros-chefe estava lá também. Ao saber que eu estava visitando o abate pela primeira vez, despejou logo suas palavras de motivação:

– Ô rapá! Não vai desmaiar aí hein!

Nem foi por nada que ele disse, mas quando vi o capataz abrir a porteira para colocar um dos bois pra dentro, confesso que meu coração disparou: eu estava prestes a ver uma execução.

E o pior: a razão do engenheiro-chefe estar ali era porque eles fariam o abate de novilhos – sim, boizinhos jovens, com a vida inteira pela frente. O primeiro deles entrou no box meio desorientado, e então umas barras metálicas surgiram das laterais e prenderam seu pescoço. Aí o operador pegou um martelo de ar comprimido, mirou bem no meio da cabeça dele e POU!

Até então eu estava tranquilo, porque no meu entendimento o boi saía desmaiado daquele ponto em diante e não sofria mais. Então, de trás do box, surgem de repente dois bois pendurados… um deles chutando e se debatendo como louco.

“É só reflexo”, disse a minha colega engenheira. Mas não é uma cena bonita, especialmente porque logo depois um cara faz uma incisão bem na barbela do bicho (aquela pele que fica pendurada debaixo do pescoço) e, de repente, dá uma estocada no meio do corte. Pega direto na jugular. O sangue não simplesmente começa a sair: ele jorra, em quantidades dignas de filme do Tarantino. E o boi lá, ainda se estrebuchando.

Mas a pior parte do “se estrebuchando” veio depois. Eu estava em frente a uma esteira cheia de bandejas enormes de inox, todas cheias de vísceras: estômagos, pulmões, fígados, tudo lá. O estômago de um boi é uma coisa simplesmente ENORME, é grande feito uma almofada de sofá. E então a coisa começou a se mexer sozinha na bandeja. Era pra ser horripilante, mas eu olhei aquela bolsa esbranquiçada se contraindo e estava até achando engraçado. Aí a engenheira aponta pra trás de mim e diz:

– Isso é porque você não viu como fica a cabeça…

Atrás de mim passavam as cabeças dos bois, sem os chifres, sem os olhos, com o couro removido e a carne toda exposta. E todos os músculos da face do boi se contorciam. Era bizarro… e incrivelmente comum, tanto que, no andar de baixo, onde o pessoal processa os miúdos do boi, eu olhava para as bandejas de carne e ainda via alguns pedaços se mexendo.

Daquele ponto em diante as coisas ficam bem menos nojentas, mas bem mais frias e fedidas. Frias porque as áreas onde processam a carne e os miúdos tem temperatura controlada, e fedidas porque… bem, digamos que você nunca vai querer visitar uma bucharia (onde os intestinos do boi são abertos e lavados) ou uma graxaria (aonde todos os restos de ossos e carne são jogados, moídos e transformados em sebo e farinha).

Já a desossa é outra história: esse é outro hall enorme, cheio de gente, com esteiras enomes e todo mundo armado com facas. É ali que a carne é separada da carcaça e finalmente ganha cara de carne de comer, com os cortes certinhos e tudo o mais. Confesso que naquele ponto, vendo aqueles nacos enormes de carne fresquinha rolando pelas esteiras, eu fiquei… com fome.

Esse não foi o único pensamento idiota que tive ao longo do passeio. Uma coisa que não me saiu da cabeça é o tanto que o abatedouro se parece com a versão clássica do jogo Doom. É sério, a figura que ilustra esse post não foi colocada ali por acaso, é MUITO parecido – bichos com as tripas de fora, sangue pra tudo que é lado, pedaços de corpos dependurados, etc.

E para encerrar numa nota mais filosófica, confesso que eu esperava ansiosamente pela hora de visitar o matadouro. Mas não porque eu queria ver sangue, e sim porque eu queria ver como EU reagiria ao ver aquilo tudo. Viver essas situações extremas de vez em quando é bom, porque nessas horas é que o seu “eu de verdade” aparece. Não tem como se esconder atrás de nada: nenhum estereótipo social, nenhuma saidinha política, nem nada: é você, com o que você é. E minha indiferença com a coisa toda foi um tanto quanto preocupante…

O "making of" da picanha bovina

Já vamos pra mais de dois meses de projeto no frigorífico. Eu já estou entendendo um bocado de como a coisa funciona…

Boi 

Isso aí em cima é o início de uma linha de abate de bovinos (vulgo “matadouro”). Os bois da foto desmaiaram após receber uma paulada pneumática na cabeça. O brilho nos olhos deles é o flash da câmera, que reflete o sangue que corre, pela última vez, nas retinas dos animais.

A posição, er, pouco intuitiva dos bois na foto é porque estão pendurando-os por uma das patas traseiras a um sistema de trilhos que os transporta ao longo da linha de produção. Daí pra frente fotos não são recomendáveis, mas o que acontece é o seguinte: na sequência eles terão as gargantas cortadas e o sangue retirado. A sangria é estimulada com choques elétricos no corpo do boi, já que o coração do bicho não bate mais faz tempo. Depois é a hora da “esfola” (quando arrancam o couro do animal), depois cortam a cabeça, as patas, retiram as vísceras e, mais adiante, um funcionário divide a carcaça do boi em duas… usando uma motoserra.

Falando assim o abate parece a coisa mais desumana da face da terra. O pior é que esse jeito “industrial” de matar um boi é o jeito menos cruel para o animal. Lembram da “paulada pneumática” que eu mencionei? O boi apaga e não sente nada a partir dali. O duro mesmo é o abate kosher: segundo os judeus a Bíblia não diz nada sobre pauladas pneumáticas, então, se a carne vai ser exportada para um Oriente Médio da vida, o boi tem que ser degolado e sangrado ainda consciente. E tudo sob a supervisão de um rabino. Pior que isso só quando o povo da roça inventa de matar boi e faz tudo sem equipamento, tentando nocautear o boi com pauladas “manuais”, cortando com facas nem sempre afiadas e que fazem cortes demorados, etc. Aí sim o boi sofre de verdade, como ouvi dizer.

Em tempo: a foto não é minha, é de uma das meninas da minha equipe. Eu ainda não consegui ver isso tudo ao vivo, mas desconfio que o momento esteja próximo…

Como tirar fotos 3D com seu celular (é sério!)

Sabe aquelas figuras 3D estilo “olho mágico”, onde você cruza o foco dos olhos e enxerga tudo em 3D? É muito fácil obter o mesmo efeito usando uma simples câmera de celular.

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Para ver as fotos em 3D

Não precisa de óculos especiais nem nada. Tudo que você precisa saber é como cruzar os olhos e ficar “vesgo”. Funciona assim:

1) Olhe para a imagem do telefone aí em cima. Mantenha sua cabeça parada.
2) Comece, lentamente, a cruzar os olhos (ficar “vesgo”). Note que a imagem vai borrar e você vai começar a ver duas imagens, uma se deslocando pra esquerda e outra para a direita.
3) Continue a cruzar os olhos até que as duas metades das imagens se encontrem no meio dessa bagunça toda. Quando você conseguir focalizar direito, a imagem do meio (a da setinha vermelha) estará em 3D!

Método para ver em 3D 

Se ficou difícil de entender, este tutorial aqui, apesar de estar em inglês, inclui um GIF animado que mostra o que seus olhos deveriam ver enquanto você está focalizando a imagem.

Se você não souber ficar vesgo, coloque seu dedo indicador entre a imagem do monitor e seu nariz. Bote o dedo bem perto do nariz e olhe fixamente pra ponta dele: seus olhos ficarão vesgos e, ao fundo, a imagem vai aparecer “dobrada”. Vá afastando o dedo do nariz e movendo-o em direção à foto, até que as imagens que você vê atrás do dedo se sobreponham (como eu já mostrei na foto acima).

Vale lembrar que essa foto do telefone eu fiz com a câmera VGA vagabunda do meu antigo Sony Ericsson W200i. Mas qualquer câmera dá o mesmo efeito. Veja algumas fotos feitas com a câmera de 1 megapixel do meu smartphone…

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A cozinha (bagunçada) lá de casa.

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O hall do hotel. Essa eu tirei hoje de manhã. 

Para fazer uma foto em 3D

É ridículo de fácil: basta tirar duas fotos, cada uma na posição onde cada um de seus olhos estaria. Assim:

1) Tire uma foto normalmente.
2) Desloque a câmera uns 20cm na horizontal (sem inclinar para frente nem movê-la para o alto ou para baixo) e bata outra foto, sem ajustar nada na câmera.
3) Depois use qualquer programa de editar imagens e coloque uma foto ao lado da outra.
4) Acabou. Sim, é só isso!

Mais moleza que isso, só sentando no pudim. Se quiser, você pode usar um software especializado em juntar fotos para 3D, como o Stereo Photo Maker (gratuito).

Dicas para boas fotos em 3D

  • O efeito fica mais evidente quando a foto inclui tanto objetos próximos quanto coisas distantes.
  • Algumas câmeras (inclusive de celular) compensam automaticamente a exposição à luz em fotos muito claras ou em fotos noturnas, o que pode estragar sua foto 3D se cada uma das fotos for tirada com um ajuste diferente de exposição. Desligue o “auto exposure” ou similar da sua câmera/celular antes de bater a foto.
  • Eu não testei, mas algo me diz que fotos com flash não dão certo em 3D.
  • Paisagens e coisas muito distantes não costumam ficar muito tridimensionais com este método, a não ser que você desloque MUITO a câmera na horizontal na hora de bater a segunda foto. Eu fiz isso para bater a foto abaixo, da janela do hotel.

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Um punhado de links para quem quiser aprofundar o assunto

Associações mentais completamente inúteis

  • Quando eu me lembro do nome da cidade onde estou (e que não posso contar, contrato de confidencialidade, yadda yadda yadda) me lembro imediatamente do vídeo do Gil Brother dando aula. Fico repetindo mentalmente: “Vocês, criados a leite com pêra! A Ovomaltino!”. Tudo porque o nome da cidade se parece com “Ovomaltino”.
  • Quando estou a caminho do canteiro de obras e vejo emas passeando (yeah, Mato Grosso, baby) eu penso: “Ema ema ema, o meu forte é a rima!”. Depois penso em como seria engraçado tirar uma foto de três emas e colocar essa frase na legenda. Depois penso que sou um idiota.
  • Além disso o simples fato de eu estar num canteiro de obras me lembra frequentemente d’A Obra, em Belo Horizonte.

20080904

  • A obra fica bem no meio do NADA, mas temos internet graças àqueles modenzinhos EDGE da Tim. Ler a marca do modem (Huawei) me lembra, imediatamente, de um dos golpes especiais de Terry Bogard (Fatal Fury). É que o golpe (esse aí do lado) se chama “Power Wave”, mas no jogo ele grita algo parecido com “Uauouêi”. E de “uauouêi” pra Huawei é um pulo… não é?
  • Aí eu vou passear pelo canteiro de obras, vejo dois pés-de-cabra jogados no chão e imediatamente penso em Gordon Freeman. A mesma coisa acontece toda segunda-feira, quando vou fazer check-in: eu chego no guichê, olho pro cartaz de “itens proibidos para bagagem de mão” e lá está o desenho de um pé-de-cabra. “Hmmm, Gordon Freeman não poderia viajar aqui”, eu penso, toda vez. TODA VEZ.
  • Quando mencionam a estação de tratamento de água da fábrica (cuja sigla é ETA) vem a fatídica música de Caetano Veloso:

Êta! Êta, êta, êta!
É a lua, é o sol é a luz de Tiêta-eta-eta!…

  • No jantar, quando vejo entre as batatas fritas do prato alguma que é muito fininha e acaba ficando crocante, eu penso na minha esposa. Obviamente, neste caso, a associação mental não é nem um pouco inútil 🙂

Dia do Blog – TOP 10 blogs mais legais da internet

Ontem foi Dia do Blog e muitos companheiros de blogosfera fizeram listas dos seus blogs e blogueiros(as) preferidos. Muita gente fica melindrada com estas listas, porque são injustas e sempre deixam alguém de fora.

Bem, aqui vai a minha:

1) O seu blog.
2) O seu blog também.
3) O seu blog também.
4) O seu blog também.
5) O seu blog também.
6) Yeah, seu blog também.
7) Seu blog também.
8 ) O seu blog também.
9) Seu blog também, e finalmente…
10) O seu blog também!

Pronto. Agora que a blogosfera inteira está feliz porque apareceu num ranking, vamos parar com essa palhaçada e produzir algum conteúdo útil?