O "making of" da picanha bovina

10 de setembro de 2008, 23:21

Já vamos pra mais de dois meses de projeto no frigorífico. Eu já estou entendendo um bocado de como a coisa funciona…

Boi 

Isso aí em cima é o início de uma linha de abate de bovinos (vulgo “matadouro”). Os bois da foto desmaiaram após receber uma paulada pneumática na cabeça. O brilho nos olhos deles é o flash da câmera, que reflete o sangue que corre, pela última vez, nas retinas dos animais.

A posição, er, pouco intuitiva dos bois na foto é porque estão pendurando-os por uma das patas traseiras a um sistema de trilhos que os transporta ao longo da linha de produção. Daí pra frente fotos não são recomendáveis, mas o que acontece é o seguinte: na sequência eles terão as gargantas cortadas e o sangue retirado. A sangria é estimulada com choques elétricos no corpo do boi, já que o coração do bicho não bate mais faz tempo. Depois é a hora da “esfola” (quando arrancam o couro do animal), depois cortam a cabeça, as patas, retiram as vísceras e, mais adiante, um funcionário divide a carcaça do boi em duas… usando uma motoserra.

Falando assim o abate parece a coisa mais desumana da face da terra. O pior é que esse jeito “industrial” de matar um boi é o jeito menos cruel para o animal. Lembram da “paulada pneumática” que eu mencionei? O boi apaga e não sente nada a partir dali. O duro mesmo é o abate kosher: segundo os judeus a Bíblia não diz nada sobre pauladas pneumáticas, então, se a carne vai ser exportada para um Oriente Médio da vida, o boi tem que ser degolado e sangrado ainda consciente. E tudo sob a supervisão de um rabino. Pior que isso só quando o povo da roça inventa de matar boi e faz tudo sem equipamento, tentando nocautear o boi com pauladas “manuais”, cortando com facas nem sempre afiadas e que fazem cortes demorados, etc. Aí sim o boi sofre de verdade, como ouvi dizer.

Em tempo: a foto não é minha, é de uma das meninas da minha equipe. Eu ainda não consegui ver isso tudo ao vivo, mas desconfio que o momento esteja próximo…

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7 comentários em “O "making of" da picanha bovina”

  1. Esparroman -

    As fotos não são nem 1/10 de emoção do que ver o processo ao vivo. Acredite. Ver o sangue pingando no chão e o cheiro de morte é algo inesquecível (no meu caso, inesquecível porque achei legal).

  2. Mosana -

    eu tb já vi.. papai tem fazenda e já namorei dono de frigorifico.
    confesso que não achei legal como o moço aí de cima.. achei chocante para dizer o mínimo.
    sinceramente nunca quis ver uma segunda vez. 1 vez por encarnação, já me basta.
    kisses
    PS: por 1 momento achei que tivesse aderido ao “lado verde da força” e fosse se tornar um vegan! hehehehehe

  3. Luiz -

    Por isso que não como carne!

    Aliás, num é por isto não…

  4. PG -

    Uma vez, vi um boi morto, vítima de um abate manual na fazenda do meu tio. O bicho tava sem cabeça, cortado ao meio e literalmente virado pelo avesso, mas o coração continuava batendo. Não me esqueço disso.

  5. José Carlos -

    Pois é, e POR QUE você não come carne, Luiz? Até hoje eu não sei!

  6. Pedro -

    Sinceramente, acho que o vegetarianismo é uma grande besteira, o “lado rosa da força”. Sei que depois desse comentário vão me linchar, principalmente os vegans mais fervorosos, mas comer carne faz parte da ordem natural da vida. É simplesmente “normal”.

    PS: José Carlos, me aceita no Last.fm!

  7. Társis Valentim Pinchemel -

    para os animais, todos os humanos são nazistas.

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