Tom Zé, de graça, no interior de São Paulo

Eu estou a 400 quilômetros da capital, nesta cidadezinha carinhosamente apelidada de "Dead Cow City", onde não são só as vacas do frigorífico onde trabalho que levam o "dead" do pseudônimo a sério: aqui, diariamente, quase nada acontece.

Então foi com muita surpresa que recebi a notícia de que Tom Zé estava na cidade – e mais, para fazer um show gratuito na pracinha em frente à rodoviária.

Tom Zé e banda

O show é iniciativa do Sesc de São Paulo (que tem twitter, olha só!), como parte de um tal Circuito das Artes. Circuito este que é surpreendentemente ousado: nada de turminha do colégio local fazendo pecinha de teatro ou coral da igreja cantando. O Sesc bateu forte, fugiu da mesmice e apresentou arte de qualidade, abrindo a noite com um espetáculo de dança profissional e de altíssimo nível chamado “Tudo que se espera”, depois passando o premiado (e excelente) curta metragem "Os Filmes que Não Fiz" e, no fim, entregando Tom Zé e sua música nada convencional.

Tom Zé e o violão entre as pernas O público, definitivamente, não estava preparado. Das muitas vezes em que me virei pra conferir a reação da platéia a expressão geral era de perplexidade. As senhoras tricotadeiras de Dead Cow City não escondiam o espanto de ver Tom Zé rasgar a própria roupa, cantar versos como "vá tomar na virgem/seu filho da cruz" ou, fechando os olhos em êxtase, meter o violão no meio das pernas. Mas isso é ótimo, tira o povo da zona de conforto e mexe naqueles cantinhos da consciência que o povo insiste em esconder quando vai à missa ou assiste novela.

E ninguém melhor que Tom Zé para esta missão. Tanto que sua primeira ação logo após subir ao palco foi DESCER e mandar, pessoalmente, o público vir se sentar perto dele (já que havia um vão de uns 10 metros entre o palco e as primeiras fileiras de cadeiras de plástico onde a platéia estava). Mesmo com boa parte do seu trabalho sendo bem pouco acessível para a platéia, a intenção de Tom Zé de se aproximar do público era clara – entre uma música e outra ele fazia piadinha com o mascote do time de futebol local, contava histórias de quando compunha com Rita Lee ou de quando foi chamado para discursar na ONU e até explicava os porquês do seu trabalho: por exemplo, antes de cantar "Atchim" (do disco "Danc-Êh-Sá"), cuja letra é "atchim" e nada mais, ele explicou que a idéia do disco nasceu quando viu uma pesquisa da MTV onde os jovens declaravam que detestavam músicas com letra muito comprida.

Tom Zé e a backing vocal O show teve várias músicas do seu próximo disco, "Estudando a Bossa". Acho que nunca um nome de disco descreveu tão bem o seu conteúdo, porque todas as canções que ouvi eram exatamente isso: estudos da bossa nova feitos em bossa nova. As letras eram quase "documentarísticas", com versos do tipo "Carnegie Hall foi quem pinçou João Gilberto", mas o divertido eram as performances, todas altamente simbólicas e referenciativas: Tom Zé desmontou e montou várias vezes o violão que tocava – e que era falso, tinha cordas de elástico (gominha, borracha, chame como quiser); botou as "backing vocals" para cantar em banquinhos – vários banquinhos, de todos os tamanhos, numa referência clara ao mesmo João Gilberto da letra da música; cantou em português e, na sequência, botou o guitarrista cantando a mesma música em inglês, e por aí vai. O problema é que o "miolo" do show foi com essa bossa nova do disco novo, que é mais lenta e intimista que todo o resto do repertório, e eu achei que isso acabou quebrando o ritmo da apresentação.

Destaque também para a execução de "Augusta, Angélica e Consolação" – três mulheres cujos nomes são os mesmos de três famosas ruas da capital paulistana. Confesso que perdi a compostura e saí cantando o refrão ("Augusta… queeeee saudaaaaade…") a plenos pulmões, com dor de cotovelo de estar tão longe de São Paulo, essa cidade feia e suja que eu gosto tanto.

O show fechou com o famoso “xique xique” e com a turma dançando forró em frente ao palco enquanto a banda cantava o refrão: “Sacode a cultura, sacode a cultura”. Sacudiu, de fato. E me deu, finalmente, uma lembrança divertida pra guardar de recordação desse fim de mundo…

Tom Zé estilo "messias com pregadores de roupa"

Drill, baby, drill

Engraçado como o mundo dá voltas. Quando eu entrei pra faculdade de Ciência da Computação, em 1998, eu jamais imaginei que, dez anos depois, eu entraria num canteiro de obra no Mato Grosso, olharia para uma perfuratriz e pensaria: “droga, o projeto tá atrasado”…

Falando em Mato Grosso, deixa eu apresentar pra vocês a cidade onde estou trabalhando, a 200km de Cuiabá, e que eu chamo pelo carinhoso pseudônimo de “Ovomaltino”…

Ovomaltino

Pois é. Diz a Wikipedia que aqui tem 18 mil habitantes, só não sei onde eles estão. Mesmo assim Windturn City continua ganhando como o maior fim-de-mundo onde eu já me enfiei a trabalho.

Bem, na verdade eu comecei a falar da perfuratriz porque hoje paguei um belo mico por causa dela: depois de um longo dia cheio de problemas que se multiplicam como coelhinhos no cio, estou eu preparando um relatório quando resolvo olhar pela janela pra ver a obra, a uns 200m de distância. O relatório dizia que a perfuratriz estava trabalhando até as 22h pra compensar uns atrasos do cronograma, mas o que eu vi pela janela foi a perfuratriz parada e do lado de fora do canteiro de obra. Saí da sala e fui direto procurar o engenheiro-chefe, que estava na salinha de café com uma pessoa. Não quis nem saber e cheguei interrompendo:

– Por que diabos a perfuratriz tá parada??
– Não tá não, agora é pra ela estar na área 12, inclusive.
– Acabei de olhar pela janela e ela tá parada e fora do canteiro de obra. Como é que eu vou escrever no relatório que ela tá funcionando até as 22h?
– Sei lá, ela deve ter estragado então. Eu vou ver aqui e te falo…

Voltei pra sala já pensando no pior. Aí olho pra janela de novo e lá estava a perfuratriz… dentro do canteiro de obra e perfurando feito louca. O cansaço e o trauma dos problemas do dia, pelo visto, já estavam me fazendo enxergar coisas. Voltei pra salinha do café com o rabinho entre as pernas e falei com o engenheiro-chefe que eu tinha me enganado.

E o grand-finale foi quando ele voltou pra sala onde eu estava e disse:

– Pô cara, que vergonha hein? Você me puxando a orelha por coisa que não tava errada… e na frente do prefeito de Ovomaltino

A saga do pacote de dados da Tim

Eu costumo dizer que operadora de celular é igual cassino: você acha que está levando vantagem mas, no fim, "a casa sempre ganha". E não adianta: a concorrência aumenta, a Anatel aperta na regulamentação mas o serviço continua péssimo e caro.

Eu coleciono "sagas" épicas de atendimento vagabundo. Quando era cliente da Oi eu ganhei um desconto em aparelho… e precisei de oitenta e um dias e cinquenta e duas ligações para o Oi Atende até conseguir receber o dito cujo em casa. Aí mudei pra Tim – não porque quis, e sim porque os planos são mais baratos pra quem viaja muito – e já precisei recorrer à Anatel duas vezes: uma por um problema de cobrança quando me mudei pra São Paulo e outra porque, por incrível que pareça, um atendente da "central de relacionamento Tim" deu piti e GRITOU comigo no telefone.

Comparativo operadoras de celular

Mas meu episódio mais absurdo com a Tim foi quando tentei, simplesmente, comprar um simples plano de dados pra usar com meu smartphone. Era coisa simples: um pacote de 250MB, pra botar no meu plano (Tim Família) e poder compartilhar a franquia de dados com minha esposa. Só que normalmente estes pacotes são vendidos junto com aqueles modems USB, então o primeiro desafio era explicar para os atendentes que eu NÃO queria um modem USB, só o pacote de dados. Vários não entendiam, então eu tinha que ligar de novo e ver se eu dava sorte de pegar alguém com um pouquinho mais de boa-vontade. Quando finalmente consegui, a atendente me disse que eu só poderia comprar este pacote de dados numa loja Tim. Aí fui numa loja, esperei umas DUAS HORAS para ser atendido… e me disseram que não dava pra comprar meu pacote de dados na loja, só por telefone. "M-mas me mandaram ir à loja!", disse eu. Não adiantou.

Então retomei a maratona de ligações para a Tim. Os atendentes continuavam insistindo que eu devia ir à uma loja, mas eu dizia que tinha acabado de vir de lá. Depois de muita insistência, um dos atendentes disse que tinha um tal "novo contrato" que eu devia assinar pessoalmente. Como eu não tinha o que contra-argumentar para isso, acabei aceitando a explicação.

No último sábado, eu e Bethania estávamos atoa no Shopping Ibirapuera e resolvemos passar na loja da Tim. Mas dessa vez eu não era mais um "garotinho juvenil" inocente e, sabendo da demora, pegamos uma senha, saímos para passear pelo shopping e voltamos mais ou menos 1h depois… bem na hora em que chamaram nosso número.

E aí aconteceu a coisa mais tragicômica que eu já vi. Eu sentei em frente ao atendente, disse que queria um plano de dados e a PRIMEIRA coisa que ele falou foi:

– Plano de dados é só por telefone, com a central.

Eu e Bethania rimos bastante na cara dele e contamos nossa história de pingue-pongue entre loja e central telefônica. Aí ele fuçou no sistema, perguntou alguns colegas e concluiu que, sim, tinha como fazer na loja. Correu tudo bem… até eu mencionar que era para eu e minha esposa compartilharmos a franquia. Aí ele soltou a bomba:

– Olha, aqui no sistema eu só consigo cadastrar o plano em uma das linhas: pra poder compartilhar entre as duas linhas, só ligando para a central…

Era inacreditável. Mas, sem pensar muito, respondi:

– Então liga aí pra nós.

Aí termina a parte "trágica" e começa a parte "cômica". Primeiro o cara pediu o celular da minha esposa emprestado, porque o dele era pré-pago e, segundo ele, ia demorar muito mais para ser atendido. O diálogo dele com a central foi mais ou menos assim:

– Sim, é um plano de dados de 250 MB, compartilhado… não, eles não tem que ir à loja, EU sou o atendente da loja, se eu pudesse já tinha feito, mas só vocês aí podem fazer… não, não tem modem USB junto… tá bom, eu aguardo…

Muitos minutos depois:

– Como é? Seu sistema tá fora do ar?… Ah, é só o SEU sistema, o dos outros atendentes está funcionando??… Então me transfere pra outro atendente…

Instantes depois ele afastou o celular da orelha e disse, frustrado: "Caiu a ligação"…

Imagine a cena: um FUNCIONÁRIO da Tim sendo enrolado pelo atendimento tosco DA PRÓPRIA TIM, ali, na nossa frente. Eu saboreei cada momento de forma sádica e deliciosa. Mas como somos bonzinhos, pegamos o meu celular e ficamos tentando falar na central pra ajudar. E só assim, numa loja Tim, com um funcionário "físico" na nossa frente e DOIS telefones ligando insistentemente para a central da Tim, conseguimos, finalmente, habilitar o plano de dados.

Mas como é difícil dar dinheiro pra essas operadoras, viu…

Twitter – Os favoritos (round 2)

Porque tem twittadas que merecem mesmo uma estrelinha. O primeiro round eu postei faz séculos, então acumulei muita coisa e tive que postar aqui só os favoritos dos favoritos (o resto tá aqui).

Mas vamulá:

“Canela: é a parte do corpo usada para se encontrar móveis no escuro” (biagranja, uma mulher de visão – mas só com a luz acesa)

“Já dizia minha irmã "ficar puta é fácil, difícil é voltar a ser mocinha". Respirando fundo para respirar sempre” (loumartins, que é uma mocinha. Ainda.)

“Alô galera de cowboy, alô galera de peão, quem gosta de rodeio bate forte com a mão! (silêncio)” (ibere. Eu fico imaginando a cena e rindo sozinho sempre que leio esse tweet.)

“Queria fazer uma exposição de fotos de celular tiradas em banheiro de shopping. O nome seria Retratos de Uma Geração Com Retratos Demais” (juliana_cunha, que frequenta mais fotologs do que deveria)

“Para a festa da democracia, sua pior roupa, seu pior penteado, seus piores odores, seu pior humor” (maverickmath, o pior eleitor)

“Quando é que o D2 vai encontrar a batida perfeita?” (by rodrigojames. Tá demorando mesmo, viu?)

“Sempre vem na minha cabeça que a música "No Cars Go" do Arcade Fire é música para atravessar a rua. No cars! Go!” (luizzz, que agora me faz rir toda vez que eu atravesso uma rua ou ouço Arcade Fire)

“WOOOO! peguei um VÍRUS! é 1997 de novo!!!” (bereteando, direto.. do túnel.. do tempo)

“olha, a bolsa tá quase chegando no pré-sal.” (bcardoso, fazedor de “mashups” de notícias)

“’Estou vestida com as roupas e as armas de jorge’ – e zorge tá peladinho” (CrisBartis, desvestindo um santo para vestir nenhum outro)

“Grudei chiclete na cruz, coloquei laxante no pão da Santa Ceia e casei com Murphy em Las vegas. Não é possível.” (loumartins, alguém que acredita fielmente em karma)

“Ping-pong: Meu maior defeito? Facilidade para esquecer. Minha maior qualidade? Facilidade para esquecer” (s1mone, que se dá bem em todas as entrevistas de emprego)

“a maísa dublando em inglês me causou gases e vontade de fazer pátina” (dodavilhena, que deveria ser mais seleto ao procurar coisas no YouTube)

“life’s a dream. and it’s morning for you” (bereteando. E eu nem OUSO traduzir uma frase tão genial como essa)

“Essa vida de rockstar em tournê sem o rock e sem o star é fueda” (lent, alguém bem rodado)

“Stairway to Heaven: overrated. Highway to Hell: overrated. O jeito é ficar por aqui mesmo, então”. “Por isso, um dia farei a música: "Stairway to the highway that goes in a circle back to that stairway that leads to the same highway again"” (duas na sequência do bcardoso)

“esse knut é um urso bipolar” (bressane, que não tomou seu remédio hoje)

Outra dica para boas twittadas é seguir o funeraria, um twitter “colaborativo” só de frases legais. Você manda as sugestões e eles publicam as melhores.

RjDj – A trilha sonora da sua vida

Esse é mais um da série “links legais demais para simplesmente jogar ali no meu delicious”.

Eis a coisa com maior potencial que já vi na história da música… o RjDj.

RjDj logo

Imagine ouvir música. Mas imagine que a música que você ouve toma forma de acordo com o ambiente onde você está ou o jeito que você se movimenta. Imagine ouvir batidas agitadas nos fones de ouvido enquanto você anda pela rua, e então entrar num elevador e perceber a música diminuir o ritmo, ficando mais suave… ou então imagine música sendo construida, em tempo real, com os ruídos que acontecem à sua volta, como o barulho do mar, as buzinas de um engarrafamento ou a conversa animada de uma mesa de bar…

Acontece que isso já está disponível desde o último dia 10 de outubro, através de um applet que funciona em qualquer iPhone. E o melhor: uma das versões (a “single”, com uma música) é gratuita.

Tecnicamente o RjDj funciona assim: cada “música” dele é chamada de “scene” (cena), e na verdade é um software que toca sons sequenciados mas que adapta o que é tocado de acordo com dados recebidos pelo microfone ou pelo acelerômetro do iPhone. Para ouvir um exemplo de cair o queixo, dê uma olhada neste trecho de um vídeo que mostra um dos desenvolvedores brincando com seus filhos. Ele está com os fones de ouvido e o RjDj está ligado, captando os sons ambientes pelo microfone do iPhone e transformando, em tempo real, os gritos e passos da criançada em uma trilha sonora suave e etérea. Ficou tão bonito, mas TÃO bonito, que eu quis comprar um iPhone pra mim NA HORA só pra ter este programa.

Outro vídeo legal é esse aí embaixo, mostrando as reações de algumas pessoas ao ouvir as “scenes” pela primeira vez. É simplesmente lindo. Note como todo mundo entende, intuitivamente, como a coisa funciona e começa a cantar no microfone ou a chacoalhar o aparelho. Eu nunca vi algo proporcionar uma experiência tão envolvente em tão pouco tempo e com uma curva de aprendizado inexistente.

A coisa é muito, muito revolucionária. Conforme apontado pelo pessoal do Create Digital Music, isso pode alterar fundamentalmente o que se considera, atualmente, como “música”:

Isso reflete também um novo modelo de como produzir, possuir e precificar música. As cenas que tocam no RjDj são escritas em Pd (Pure Data), um ambiente open-source para criação multimídia. Os artistas normalmente também abrem o código das músicas. Isso cria um tipo de propriedade completamente novo. A música, na verdade, é o software, de uma forma ainda mais direta do que acontece, por exemplo, com a música eletrônica. O software é lançado mais ou menos com o mesmo preço de uma faixa musical vendida online, com a exceção de que, quando você a compra, ela se torna totalmente sua e vai tocar para você de um jeito totalmente diferente do que para qualquer outra pessoa.

Pois é, só sei que estou embasbacado até agora. Alguém tem um iPhone da primeira geração pra me vender, baratinho? 🙂

Idéias soltas e pensamentos aleatórios

Hoje eu cismei de esconder a barra de links do Firefox porque ela me deixava mentalmente preguiçoso. É que por conta dela eu ficava visitando sempre os mesmos sites. Pô, é internet, se fosse pra ver sempre a mesma coisa eu ligava a tevê.

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20081013 Outro dia eu tive uma idéia para um item mágico de RPG (pen & paper ou para videogame, tanto faz) chamado “Chameleon Sword”: à primeira vista é uma espadinha de brinquedo, daquelas de madeira, bem vagabunda…

Acontece que quando ela é empunhada ela se transforma em vários tipos diferentes de espada, conforme a intenção do seu usuário. Quando o dono quer leveza e cortes rápidos ela se transforma em uma katana. Na mesma luta, se o dono quiser bater forte e precisar de uma lâmina grande e pesada, ela se transforma numa espada medieval (a velha e boa two-handed). Nos duelos mais, er, “requintados” ela pode tornar-se um florete; e se a intenção do dono for a de esfaquear alguém rápida e silenciosamente, ela se transforma numa adaga.

Ou se o usuário quiser cortar uma latinha de refrigerante e a lâmina não perder o fio, ela se transforma numa faca Ginsu 2000…

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Se o Brasil tivesse um The Onion (até tem o “O Alface”, mas é meio ruim) essas são algumas manchetes que eu gostaria de ver sobre a crise financeira mundial:

  • Bovespa abre escondida no final de semana, só de sacanagem, e cai mais 14%
  • Analistas atribuem o caos financeiro a uma tendência retrô das bolsas mundiais em adotar um “look” estilo 1929.
  • Dólar dispara, bolsas despencam: analistas brasileiros nem percebem porque estão ocupados demais mexendo em seus novos iPhones 3G

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Falando em Bovespa, o gráfico abaixo mostra a evolução do IBOVESPA nos últimos 2 anos. As anotações em vermelho são minhas.20081013_2

Trinta anos

Hoje é meu aniversário. Completei 30 anos de idade. Trinta anos, rapá.

Acho que este é o aniversário mais assustador que já fiz. Trinta anos é muito tempo. Ter trinta anos faz com que eu me sinta muito, muito velho. A cabeça ainda fervilha de idéias e vontades e desejos como se eu fosse um menino com a vida inteira pela frente, mas o calendário diz que grande parte dessa “vida pela frente” já passou. A sensação das coisas que já foram e que nunca mais serão fica perigosamente ampla.

Por outro lado eu nunca me senti tão completo, tão sólido. As encrencas com que se lida aos trinta anos são muito piores do que as dos vinte anos, mas eu nunca encarei a vida com uma segurança tão grande quanto agora. Talvez isso soe meio esnobe, mas a fortaleza de caráter e a estrutura emocional que se tem nesta idade é uma coisa absolutamente fabulosa. Trinta anos de experiência nas costas fazem toda a diferença, tanto que isso me deixa ansioso pra saber que tipo de sabedoria eu terei construído daqui a mais 30 anos.

Outra coisa curiosa é o quanto a minha vida virou de cabeça pra baixo nos últimos 10 anos. Comecei estudando computação, terminei dando consultoria em gestão. Comecei morando em Belo Horizonte, terminei morando em São Paulo (e visitando um sem-número de cidades, estados e países no processo). Até o estado civil eu mudei. Acabei fazendo coisas que eu achava que jamais faria quando tinha vinte anos. Talvez essa seja a grande lição, a de que o mundo vai muito mais longe do que a vista alcança.

Pois é… tirando o susto, o upgrade pra 3.0 acaba sendo uma coisa boa. Os trinta anos passados foram muito bons. Que venham os próximos 30, depois mais 30 e, quando eu não puder mais, coloquem o que sobrar do meu corpo de volta na terra. E que minha alma tenha vivido tão nobre e tão bela que mereça um aplauso quando for a hora de sair de cena.

Anorexia ao contrário

Essa é uma daquelas coisas que só se descobre que existe por causa da internet…

Os tempos atuais são de febre de academia de ginástica, de modelos magricelas e de tratamento da obesidade como doença. Mas e se eu te dissesse que existe gente que sente prazer sexual em engordar e fazer outros engordarem?

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Não, isso não é um “antes e depois” invertido. Note que a menina usa a mesma roupa só pra mostrar que o sutiã nem fecha mais. 

Bem-vindo à um dos fetiches mais esquisitos da internet. Feederism (sem tradução para o português), segundo a Wikipedia, é assim:

Feederism refere-se aos rituais de alimentar, encorajar a alimentação ou receber grandes quantidades de comida de forma a se obter prazer sexual do processo de ganhar peso, se tornar mais gordo(a) e modificar seu corpo.

Há vários termos para descrever quem é quem nesta cultura: um feeder (“alimentador”) é aquele que alimenta outra pessoa (um feedee – “alimentado”) em excesso. O feedee, portanto, é aquele que, de forma submissa, engorda com a ajuda do feeder. Os gainers (“engordadores”) são parecidos com os feedees, mas normalmente tentam engordar por conta própria – embora sejam receptivos ao apoio de um encourager (“motivador”). O maintainer (“mantenedor”) é alguém que simpatiza com a comunidade, que engordou intencionalmente ou não e quer se manter como está, ou que está relutante quanto a engordar mais. Um appreciator (“apreciador”) é um admirador de gordura corporal que não tem interesse em engordar ou encorajar a engorda, mas gosta de admirar o progresso de outras pessoas.

E a turma feeder/feedee adora se exibir pela internet. Este fórum francês tem imagens impressionantes do processo de “engorda” de alguns membros – a mocinha aí embaixo eu tirei de lá. O MySpace tem um monte de perfis de feeders/feedees. Mas curiosamente, eu não achei nada no Orkut ou em blogs/sites brasileiros sobre o assunto.

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O nível de envolvimento com esse fetiche varia: há desde as pessoas que apenas fantasiam sobre o assunto (sem comer ou forçar alguém a comer de verdade) até casos de alimentação forçada: o feedee é subjugado pelo seu feeder com amarras ou algemas e é forçado a comer grandes quantidades de comida. O filme “Feed”, do diretor Brett Leonard, é sobre a investigação de um caso desses onde uma mulher é forçada a comer até morrer. Felizmente é tudo uma história de ficção – ou pelo menos eu acho que que é.

O presente perfeito

A notícia boa: Desde julho o trabalho das minhas sextas-feiras é oficialmente encerrado às 15h.

A notícia ruim: Isso só acontece porque este é o horário em que a van que me leva de volta à São Paulo sai de Dead Cow City. São seis horas de estrada pra chegar em casa, toda semana.

A notícia péssima: na última sexta eu tive uma crise de sinusite. As seis horas de tédio na estrada viraram seis horas torturantes, com dor de cabeça, coriza, febre de 38 graus e o escambau. Cheguei em casa e capotei.

No dia seguinte acordei e vi a mesa do café da manhã toda arrumadinha e cheia de mimos pra mim: é que, além de cuidar da minha doença, Bethania queria antecipar meu presente de aniversário, que é só na próxima sexta. Então eu comi, bebi e depois recebi uma caixa vermelha contendo nada menos do que um Playstation Portable!

PSP close-up

Sabedora das minhas nerdices, do meu gosto por jogos (que anda parado por falta de tempo) e das minhas loooongas horas em estradas, táxis e aeroportos, ela encontrou o presente perfeito.

E depois nego ainda diz que “casamento é besteira”… 🙂