“Do not feed the trolls”

5 de novembro de 2008, 21:21

Aconteceu nos comentários deste vídeo de skatistas descendo uma ladeira em alta velocidade. O vídeo é espetacular e todos os comentários postados são de usuários impressionados, elogiosos e maravilhados. Aí chega o usuário Bevan Goldswain e diz:

O início com os dois se vestindo é meio gay… e é muito longo, nos primeiros 30 segundos você já viu todas as manobras deles. Isso não é balé, no balé você tem uma história que te prende por duas horas, mas depois de 30 segundos da mesma manobra no skate…

…e segue-se uma looooonga discussão aonde todos reclamam da atitude de Bevan Goldswain, que começa a rebater as reclamações com ofensas pessoais e comentários sarcásticos e, no fim, a discussão que era para ser sobre o vídeo acaba virando briga e deixando todo mundo irritado.

Este, meus amigos, é um exemplo de “trolagem” dos mais espetaculares que já vi.

Um dos arquétipos mais interessantes criados pela internet é o troll. Talvez você não conheça o termo, mas possivelmente já vivenciou algo parecido com isto em fóruns, blogs, listas de discussão ou no Orkut: gente postando coisas ofensivas, irrelevantes, mentirosas ou polêmicas, só pra avacalhar a discussão e enganar ou irritar os usuários, exatamente como no exemplo acima. Para um outro exemplo, desta vez em português, veja este tópico do Orkut intitulado “Trolls não existem”, criado por um troll, na comunidade “Não alimente o troll” :)

20081105_2 Ao contrário do que muita gente pensa, a origem do termo "troll" NÃO é o gigante monstruoso, e sim uma técnica de pesca chamada "trolling", onde um barco arrasta várias iscas pela água (como na figura ao lado) e vai atraíndo os peixes por onde passa. É exatamente isto que o troll faz na internet: suas mensagens polêmicas e ofensivas são as iscas para atrair os usuários desavisados que, indignados, são "fisgados" e começam a responder sem pensar. Aí vira briga e todo mundo sai chateado – menos o troll, que, atrás do seu teclado, se delicia com o caos que conseguiu provocar.

Aí está a diversão do troll. Seu prazer vem de prejudicar os outros, dando asas a um ódio recalcado que ele talvez jamais materializaria em atitudes da vida real mas que, graças ao anonimato da internet, acaba ganhando um canal pra se expressar. De certa forma isso é até bom, pois impede a pessoa de tornar-se sociopata dando a ela um canal relativamente inofensivo para descarregar sua agressividade. Afinal, é melhor que o cara fique avacalhando discussões no Orkut do que esmurrando gente na rua.

Mas o crescimento da internet e o aumento do número de trolls deu origem ao ditado que dá nome a este post: "Do not feed the trolls", ou seja, "não alimente os trolls". Ao perceber que alguém está deliberadamente tentando provocar polêmica, a melhor atitude é não responder para não "alimentar" a discussão. E assim o troll fica impedido de atuar.

20081105

O que me impressiona é que o "do not feed the trolls" é uma frase simples mas profundamente sábia. A idéia é contra-intuitiva, afinal quando você é agredido os seus próprios instintos te estimulam a bater de volta, mas é justamente por isso que a não-retaliação (não confunda com covardia) é genial, porque te coloca em uma posição completamente invulnerável ao seu agressor simplesmente por não dar a ele o que ele quer. De certa forma o "Do not feed the trolls" é uma versão para a internet do "se te batem numa face, oferece a outra" de Jesus Cristo, ou da filosofia da não-violência de Gandhi: uma reação passiva para uma ação agressiva…

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5 comentários em ““Do not feed the trolls””

  1. PG -

    Essa imagem no meio do post é meio gay… e o post é muito longo, nas primeiras 10 linhas você já entendeu todo o conteúdo. Isso não é vídeo do Youtube, em vídeo do Youtube você tem uma história que te prende por cinco minutos, mas depois de 10 linhas de post…

  2. Danilo Ferreira -

    Os melhores Trolls que conheço são os politicos, especificamente de um partido de trambiqueiros, que nunca querem perder uma discussão. No meu blog, que é de carros, atraio uns trolls – principalmente os defensores da VW.

  3. maure -

    eu gostei muito do post. o texto está perfeito, o assunto é relevante e me prendeu até o fim. não está nem curto, nem longo: tem o tamanho que deve ter. não querendo alimentar o troll acima…
    parabéns!

  4. Gustavo -

    interessante o parágrafo final.

    nunca tinha parado pra pensar no quanto a não agressão na internet funciona.

  5. Patrícia Carvoeiro -

    Adorei o post!
    No meu primeiro blog, criado em 2003, eu já recebia – raramente, mas acontecia – ataque de trolls. Como o número de blogs deve ter mais do que quadruplicado de lá pra cá (fora o advento do Orkut e também o aumento dos fóruns de internet), os trolls se multiplicaram como “preás que caíram num balde cheio de Viagra” (esta frase entre aspas é do Marco Aurélio, do blog Jesus, me chicoteia, e usei aqui porque a acho perfeita pra ilustrar isso!).
    Ano passado eu caí na besteira de levar uma discussão com uma troll que entrou no blog do meu ex-namorado. Nossa, se arrependimento matasse! Onde eu tava com a cabeça, justo eu, que sempre fugi de discussões, sejam elas em que ambiente for? A briguinha descambou prum assunto nada a ver, antes a bronca era com ele e com o teor do texto e depois ela me atacou pessoalmente.
    Bleargh. Mas serviu pra eu aprender, eu não entro nesta nunca mais. Ou respondo em PVT (no caso dela, nem e-mail ela tinha deixado, apenas um link pra umm blog que foi desativado, mas sabemos quem ela é porque acompanhamos o fechamento do tal blog e a criação do outro) ou talvez seja ainda mais radical e não aprove mesmo o comentário. Sei lá, pra mim tudo tem limite. Falta de educação assim, sem o menor propósito, eu não tolero.
    Porque há tantas formas de se discordar de alguém num texto ou numa opinião, mas o troll escolhe sempre a pior. :/

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