Por que Wipeout HD me impede de fazer qualquer outra coisa da vida

Sim, eu continuo devendo a continuação dos posts das férias. Mas aí eu inventei de fazer uma conta na Playstation Store (seguindo esta gambiarra aqui) e tinha o Wipeout HD pra vender, via download, pela bagatela de US$ 20, e eu não resisti.

Mas para vocês entenderem rapidamente a dimensão do meu problema, basta uma olhada na imagem abaixo:

 Wipeout HD

Aí você pensa: “Que ilustração bonita, é da embalagem do jogo?”. Meu amigo, minha amiga, eu lhes digo: Isto é um screenshot do jogo. Sem Photoshop, sem NADA.

Mas não é só isso: agora clique sobre a imagem e veja a versão em tamanho original do screenshot. Repare que a resolução da imagem inteira é de 1920×1080 – o chamado “full HD”. Sim, meu amigo, minha amiga, Wipeout HD é isso aí em cima, rodando em 1920×1080 a 60 FPS.

É sério, gente. Depois de jogar Wipeout HD eu estou tendo problemas pra voltar a jogar GTA IV, porque ele fica FEIO na comparação. Na verdade o Wipeout HD é meio que um “cartão de visita visual da Sony” para o poder de processamento do PS3, mesmo porque essa é a única novidade – a trilha sonora é a mesma do Wipeoute Pulse, do PSP, e as pistas são remakes de pistas do Pulse e do Wipeout Pure, do PS2.

Entendeu o problema? E olha que eu ainda não joguei o multiplayer online, nem dele nem do GTA IV, porque estou prevendo que, no dia em que eu fizer isso, eu nunca mais voltarei a postar aqui…

Por que GTA IV me impede de fazer qualquer outra coisa da vida

Primeiramente: Não, eu não morri, apesar de não atualizar o blog há um tempão.

Sim, eu estou devendo a continuação dos posts das férias. O problema é isso aqui:

gta

Notou que tem uma TV LCD de 40 polegadas ali? E que tem um Playstation 3 em frente à TV? E que o jogo que está na tela é Grand Theft Auto IV, aquele que está prestes a desbancar a série Half-Life no meu ranking dos “melhores jogos de todos os tempos”? Pois é.

Eu estou me segurando pra não ficar falando sem parar de GTA IV, especialmente no Twitter. Além do óbvio (gráficos de cair o queixo, storyline excelente, trilha sonora – no rádio – extensa e bem selecionada, liberdade pra fazer o que quiser na cidade), o cuidado com os detalhes no jogo é TÃO ABSURDAMENTE GRANDE que chega a ser assustador. Por exemplo:

  • Os danos quando você bate o carro são altamente realistas. Tipo, se você anda muito tempo com um pára-choque arranhado, com o tempo a pintura começa a descascar. Passar com o carro na terra ou areia deixa sujeira bastante realista nos paralamas, atropelar pessoas deixa manchas de sangue, etc. Se você acelerar demais um carro com o motor muito danificado, ele superaquece e pega fogo, ou pára de ligar quando você bate de frente com alguma coisa. Nestes casos o Niko fica virando a chave e reclamando: “Come on, you piece of junk, start!”.
  • O GTA tem um avanço na “ragdoll physics” que é muito legal: quando você tromba com alguém na rua (a pé ou de carro), a pessoa não é simplesmente jogada pro ar como um boneco molenga: ela tenta se apoiar em alguma coisa, protege instintivamente a cabeça e até tenta manter o equilíbrio antes de cair. Os atropelamentos ficam MUITO mais realistas. O vídeo abaixo mostra alguns exemplos.
  • Se você seguir alguém na rua que esteja conversando ao celular, dá pra ouvir a conversa inteirinha. E do começo ao fim ela sempre faz sentido. E eu NUNCA, em mais de OITENTA HORAS de jogo, ouvi uma conversa repetida.
  • Tem também as coisas hilárias que se ouve na rua. Outro dia tinha um cara em frente à uma vitrine, dizendo: “Eu vou comprar. Não, não vou. Vou sim, eu quero. Não, não posso!”. Todos os diálogos tem contexto: o pessoal se assusta quando te vê roubando um carro ou empunhando uma arma na rua, e exclama coisas hilárias como “we’re being invaded!” ou até palavrões inusitados como “robot man juice” ou o meu predileto: “cheesy vaginas!!”.
    E por umas duas vezes eu já fui xingado de “filho da puta” no trânsito, em português. Sim, Liberty City tem imigrantes portugueses.
  • Semana passada eu descobri que dá pra assistir a tevê que tem no apartamento de Niko. E fiquei MEIA HORA ASSISTINDO A TELEVISÃO DO JOGO. A programação é ENORME: tem desenho animado, reality show (“America’s Next Top Hooker”), programa de fofoca de celebridades, infomerciais estilo Shoptime e mais uma penca de coisa.
  • A internet do jogo também é interessante. Quando você termina uma missão que teve muito tiroteio (como “Three Leaf Clover”, um assalto a banco que me lembrou “Onze homens e um segredo”), além dos “newsflashs” que tocam no rádio, sempre tem reportagens sobre o ocorrido nos sites de notícias. Tem também sites-paródia do Craigslist (Craplist.net), YouTube, MySpace e mais um monte, todos cheios de conteúdo. Niko até tem email (que entope de spam com o tempo, inclusive), e você pode até arrumar namoradas pela internet.

P.s.: Tem também um outro assunto “do momento” que nem comentei aqui: tá rolando Campus Party esta semana. Eu poderia ir de graça e acampar lá a semana toda, mas com base no que vi ano passado achei melhor não ir nesta edição. E pelo que estou ouvindo no Twitter (cuja tag #cparty virou um grande mural de recados) minha decisão, infelizmente, foi acertada. De ontem pra hoje teve até briga

O fim de Dead Cow City

Interrompemos nossa programação de posts das férias para contar aqui a coisa mais estapafúrdia que já me aconteceu em 15 anos no mercado de trabalho.

Não vou entrar em detalhes mas a coisa foi mais ou menos assim:

  • Meu projeto estava com uns problemas e resolvi conversar com os consultores-líderes para ver se eles me davam uma mãozinha.
  • Na conversa eu tentei explicar o problema mas o pessoal acabou me pedindo pra detalhar OUTRA coisa. Mas vá lá, fiz o que eles pediam e avisei que ainda precisava continuar o assunto. Mas aí veio o natal e o ano-novo e o assunto ficou pausado.
  • No meu primeiro dia de trabalho de 2009 o consultor-líder me liga e fala que meu projeto precisa de uma “virada de mesa” e que eu não tenho o perfil necessário para isto, e que estava contactando nossa empresa de consultoria pra discutir minha substituição. Obviamente eu levei um puta susto, mas como ele afirmou que nada estava resolvido e que conversaríamos na próxima semana, pensei que até lá a gente pudesse esclarecer seja lá o que foi que provocou uma reação tão extrema deles em tão pouco tempo. Problema de comunicação, talvez?
  • No dia seguinte, outro susto: recebo um email oficializando a minha saída do projeto. Mas o consultor-líder continua afirmando que “nada estava definido” e que conversaríamos na próxima semana.
  • Chega a próxima semana e eu me reúno com o consultor-líder. Discutimos longamente os problemas do projeto e os acontecimentos recentes. No fim, ele vira pra mim e diz que meu substituto estava na sala ao lado e que ele ia chamá-lo para eu passar a ele as informações sobre o trabalho.

Não, não. É sério. Vou resumir ainda mais pra fazer ainda menos sentido: Fui discutir os problemas do projeto com meus superiores e eles me expulsaram do projeto.

Aí você pergunta: “Mas por quê?”. É estranho mesmo. O cliente gostava do nosso trabalho,  o chefe da engenharia chegou a dizer que “estaria perdido” se nós não estivéssemos lá. Outro dia me contaram que uma das meninas da minha equipe (que o cliente até tentou contratar, veja você) comentou que eu fui a “salvação” do projeto. As opiniões das pessoas que conversei e que acompanharam a história variam. Umas acham que eu fui usado de bode expiatório para o caso do projeto fracassar. Outras acham que eu posso ter ferido o ego dos líderes e estava pagando o preço. Alguns especularam que eu fui removido para dar lugar a alguém da “panelinha” deles que devia estar em casa, sem trabalho (e sem honorários a receber). Mas eu prefiro a explicação, sucinta e assertiva, de um amigo meu: “É, o mundo corporativo é assim mesmo”.

Pois então. Como diz o mestre Tom Zé, a gente “passa mal, toma Sonrisal, se engana mas vai em frente”. Então, no fim da tarde da última terça-feira, fui embora de Dead Cow City para nunca mais voltar. E digo que fui embora com a cabeça erguida e com a consciência tranquila de que fiz um bom trabalho nos sete meses em que estive por lá.

Mas o mais legal é a sequência da história: coisa de alguns DIAS depois e me liga outro consultor-líder, avisando que nosso antigo cliente de Brasília – um que vive aparecendo no jornal, especialmente nessa época de crise – está mesmo querendo fechar um contratão de consultoria e pergunta se eu não tenho interesse em ficar full time (todos os dias do mês) no projeto.

Sabe o que me impedia de trabalhar full time com eles antes? O projeto do qual fui expulso.

Hoje o consultor-líder me ligou contando que o cliente ficou feliz da vida com minha nova disponibilidade. “Eles gostam mesmo de você”, acrescentou. O projeto deve começar em março, e até lá terei que fazer o grande sacrifício de ficar em casa, jogando GTA IV.

É, o mundo corporativo é assim mesmo 🙂

As Férias do Primo, Parte 1: A viagem

Sim, meus amigos! Minhas mini-férias de uma semana foram tão boas (e cheias de histórias) que serão contadas em pedaços. O primeiro deles é a viagem de ida para o lugar escolhido.

A premissa das férias era viajar para descansar, gastando minhas milhas que estavam vencendo e indo para um lugar sossegado, distante da bagunça de reveillon. Após um bocado de adoração ao Deus Google, Bethania, minha esposa, encontrou um lugar que parecia absolutamente perfeito.

Aí você se pergunta: “mas para onde vocês foram?”. Bem, vamos começar dizendo que nós acordamos às 4:30 da manhã do dia 26/12 e voamos até o meio-dia para pousar… em João Pessoa.

João Pessoa
A simpática capital paraibana (foto by Bethania Duarte)

Mas espere: não satisfeitos por estarmos no meio da Paraíba, saímos do aeroporto, almoçamos e fomos direto para… a rodoviária, porque ainda tínhamos uns 100km nos separando de nosso destino final.

Sabe, rodoviárias são um bom espelho do que as cidades realmente contém. A do Rio é abafada e caótica, a de São Paulo é SEMPRE lotada, a de Beagá parece rodoviária de cidade do interior, a de Brasília serve como um bom lembrete do que existe além do plano piloto… e a de João Pessoa tinha uma espécie de “feirinha do paraguai” no andar de cima. E tocava música de crente o tempo todo.

Então chegou o nosso ônibus. E aí eu, este serzinho que viaja por tudo que é buraco desse Brasilzão sem porteira, temi pela minha vida: o ônibus era velho, mas MUITO velho, o que ficava evidente em especial pelo cheiro de carpete velho misturado com o do revestimento dos bancos, feito num couro vermelho já há muito judiado pelo tempo. No vidro que separava o motorista dos passageiros tinha até um adesivo indicando a última vez que o ônibus havia sido dedetizado – mas o adesivo era tão velho que a data já tinha se apagado. E não tinha ar condicionado. E nós na Paraíba, lembram?

Sente o drama:

onibus1
onibus3

 

E os passageiros iam embarcando: Famílias inteiras com a meninada fazendo bagunça, um deficiente com sua muleta, um tiozinho com boné da Lubrax, calça jeans surrada e camiseta do Treze Futebol Clube e por aí vai. Era um legítimo ônibus cata-jeca. E pra terminar de me matar de susto, bem nesta hora, minha digníssima esposa resolve me dizer o seguinte:

– Sabia que o lugar pra onde a gente vai nem aparece no Google Maps?

E o motorista entrou, bateu a porta sem muita cerimônia e pegou a estrada – com uns cinco passageiros em pé e obviamente com uma parada a cada 10 minutos pra pegar ainda mais gente (a parte “cata-jeca” da viagem). Tanto que Bethania sugeriu que a gente cedesse nossos lugares a duas senhoras com crianças e viajamos boa parte do tempo em pé.

Eu ainda estava estupefato com a coisa toda quando numa destas paradas embarcou nada menos do que um vendedor de salgados, de camisa branca e gravata (naquele calor absurdo, nunca é demais lembrar), com uma bacia branca enorme cheia de coxinhas, empadinhas, “cocretes” e outras coisas cujo cheiro de gordura, somado com o cheiro de velho do ônibus, deixou o ar ainda mais empesteado. E o cara se acotovelando conosco no corredor do ônibus, e os passageiros conversando alto enquanto o vendedor gritava “ÓI A COXINHA! ÓI O SALGADO!”, e eu e Bethania nos entreolhando sem acreditar que aquilo tudo estava acontecendo.

onibus2

Algum tempo depois o ônibus sai da estrada, entra no município de Mamanguape e, numa avenida, pára de repente. O burburinho entre os passageiros começa imediatamente:

– Oxe, o que é que foi?
– Ih, foi batida. Olhe ali o carro.
– Mas o cabra tem que tirar o carro da frente, ué.
– Vixe, vai tirar não, o hôme nem saiu do carro… num deve tá querendo tirar o carro do lugar por causa de perícia, seguro ou sei lá.

Aí um tiozinho mete a cabeça pra fora do ônibus e começa a gritar: “TIRE ESSE CARRO DAÍ SEU JUMENTO!”. O burburinho aumenta. O motorista buzina, depois começa a discutir com o cobrador. Duas senhoras desistem da viagem e descem do ônibus, resmungando. E como se o nonsense não estivesse suficiente, aparentemente o dono do carro resmungou alguma coisa que irritou o tiozinho da janela do ônibus, que logo disse:

– Ah é? Deixe esse folgado aí que ele vai ver só uma coisa!

E, esticando o braço até o meio das costas, saca de lá nada menos do que um facão. “Se ele falar mais alguma coisa eu vou lá e lhe encho de furo”, disse. E enquanto isso o motorista ia dando ré no ônibus pra tentar desviar, com o cobrador do lado de fora ajudando a manobrar e o tiozinho branindo seu facão (mais de exibido do que de corajoso), disparando bravatas tipo “na favela onde eu mora nêgo folgado igual esse aí já tinha morrido”. E eu pensando onde diabos fui me meter…

Muitas manobras depois o motorista consegue se desviar do acidente e o balaio segue viagem. E o tempo passa, a noite vem chegando, os passageiros começam a desembarcar e eu ali, perguntando o trocador (sim, tinha trocador) de 10 em 10 minutos se ainda faltava muito… até que, depois de quase duas horas na estrada nós, finalmente, chegamos.

(Continua…)