Hora do Planeta – FAIL?

Eu tirei uns panoramas da minha janela 10 minutos antes e depois do início da tal “Hora do Planeta” – aquela, onde todo mundo supostamente apagaria as luzes de casa por uma hora para chamar a atenção sobre os problemas do meio ambiente.

Eu diria que ficou parecendo um “jogo dos sete erros”. Quase não dá pra ver janelas apagadas…

horadoplaneta

Bem, é como eu disse no Twitter: hora do planeta é legal, é louvável, mas é o equivalente ambiental ao “atleta de fim de semana”.

P.s.: A Lúcia Malla fala bem melhor do que eu sobre esse assunto.

Update: O Big Picture do Boston.com fez mais ou menos a mesma coisa que eu – só que pelo mundo inteiro e em vários monumentos e locais históricos onde o pessoal realmente apagou as luzes.  Clique nas (belíssimas) fotos para ver as luzes apagadas.

“Era tão jovem e infartou…”

Acabei de voltar do médico. Fiz uns exames e, veja você, meu colesterol baixou!

Isso seria uma ótima notícia… não fosse o fato de que o máximo de colesterol que uma pessoa saudável pode ter é 240 mg/dL. E o meu ainda está em 263 mg/dL. E no ano passado ele estava AINDA MAIS ALTO. Segundo o médico, se continuar assim eu posso acabar virando um daqueles casos que as pessoas ficam comentando que “era tão jovem e infartou”.

Eu te digo que não é nada agradável ouvir isso da boca do seu médico. Especialmente quando você tem só 30 anos de idade.

Como o meu caso já tá meio crônico eu deveria estar tomando remédios. O problema é que eles agridem o fígado, e o meu também não está bem: tem umas enzimas meio altas demais, e em 2008 eu até estava com o tal “fígado gorduroso” (esteartose hepática). Basicamente um foie gras humano.

Aí vou ter que entrar na dieta e começar a fazer exercícios. De antemão o médico me entregou uma folhinha com recomendações alimentares, que pode ser resumida assim: “A partir de agora você come tudo que sua mãe mandar. E sua mãe é NAZISTA”. Ou seja, adeus doces, cerveja, queijos, biscoitos, bacon, carne vermelha, frituras, ovos, amendoim e tudo que ajuda a tornar essa vida dura suportável. Vou ter que arrumar alguma coisa pra compensar, um outro vício, sei lá, começar a fumar maconha ou algo assim*.

O próprio médico ficou fazendo piadinha comigo: “Vou te indicar uma nutricionista. Ela vai te passar uma dieta, mas basicamente ela vai dizer assim: ‘Tá vendo essa alface e esse copo d’água aqui? Bom apetite!’”. E caía na risada.

* – Eu, obviamente, estou brincando.

Tudo grátis na internet: até quando?

Ontem o @pedrobeck mandou um link para uma matéria da The Economist intitulada “O fim do almoço grátis”, dizendo que essa onda de coisas grátis na internet é um modelo de negócio insustentável e que está prestes a ruir.

E é verdade. A idéia de atrair um caminhão de tráfego pro seu site oferecendo algo gratuito e depois tentar ganhar dinheiro “monetizando” a coisa com anúncios já se mostra furada no momento onde você descobre que o percentual do público que clica e/ou compra algo dos anúncios é baixíssimo, menor que 1% em vários casos. É uma conta que não fecha.

No entanto, o que a matéria não comenta é o segredo de quem anda realmente ganhando dinheiro com este modelo de negócios. Porque é possível sim ter lucro desta forma – desde que o empreendimento seja pequeno e os custos de operação, quase nulos.

Na internet é comum achar casos assim. Um lugar cheio de exemplos é a App Store – a lojinha da Apple que distribui programas para o iPhone:

Steve Demeter, o desenvolvedor do Trism, um jogo famoso para o iPhone que custa US$ 5, anunciou que obteve um lucro de US$ 250 mil em apenas dois meses. Sua equipe de trabalho? Basicamente ele mesmo, com ajuda de um amigo e um designer que ele contratou (pagando US$ 500). Se seus lucros continuarem neste ritmo, Demeter vai ganhar quase US$ 2 milhões até julho de 2009.

Quando as pessoas falam que “a internet mudou a economia”, não se trata apenas de globalização ou de velocidade nas transações – é meio que uma mudança em vários fundamentos da economia. A começar pelo ativo mais valioso do século XXI – a informação – que é distribuído livremente e gratuitamente por aí e que pode ser facilmente capturado por alguém com tempo e disposição e transformado em lucro. Capital inicial? Coisa do passado (a banda de Dinho Ouro Preto também, inclusive).

Talvez a bolha realmente estoure como a Economist está prevendo. As empresas grandes que tem serviços gratuitos e que ainda não sabem como gerar dinheiro com elas (cof cof Twitter cof cof), essas possivelmente vão morrer ou acabar compradas pelas megacorporações (cof cof Google cof cof). Mas eu acho que, entre os mortos e feridos, uma classe que vai se beneficiar fortemente disso são os micro-empreendedores: essas empresas de uma pessoa só que mantém serviços gratuitos ou de custo baixo sem fazer muita força. É óbvio que o dinheiro MESMO está em sites e serviços que funcionam no modelo econômico clássico do “eu te vendo algo, você me paga, eu tenho lucro”, mas a graninha pingada de um AdSense ou do jogo vendido na App Store é mais do que suficiente pra manter um desenvolvedor amador ou um “problogger” na classe economicamente ativa da sociedade. E por serem menores e trabalharem mais focados, eles ainda podem nadar de braçada na cauda longa, onde as grandes corporações não conseguem incomodá-los.

Radiohead na rua, na chuva, na fazenda.

Thom Yorke. (Foto by Sérgio Carvalho - "serjaocarvalho" no Flickr)

Show do Radiohead? Fui sim. Não vou discorrer aqui longamente sobre o quão FODA foi o show, mas gostaria de contar uma coisinha que me aconteceu por lá.

Uma das músicas mais bonitas do Radiohead é You And Whose Army. A maior parte dela é apenas Thom Yorke cantando e Johnny Greenwood dedilhando sua guitarra ao fundo, num longo e intenso lamento. Mas o ápice da música vem no final, quando Thom começa a tocar o piano e a banda toda entra enquanto ele canta “we ride tonight / ghost horses”.

E foi este EXATO momento, no meio do show mais esperado da década, que minha mente imbecil escolheu para se dar conta de que a melodia daquela parte é IDÊNTICA ao “tchu tchuru tchu” que tem no finalzinho de Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda, estragando You And Whose Army na minha memória para sempre.

Duvida? Clique nos links aí embaixo e veja você mesmo.

P.s.: Os links levam ao ponto certinho do vídeo, então você não precisa assistir tudo.

P.p.s.: Não posso encerrar este post sem mencionar o show do Kraftwerk. Eu não seria ninguém se aqueles alemães safados não tivessem reinventado a música nos anos 70, então pra mim o show foi também um momento de adoração aos meus deuses musicais particulares. Na multidão, num raio de 100m de onde eu estava eu era, de longe, o mais empolgado, pulando, cantando e gritando enquanto o pessoal à minha volta bocejava e mandava mensagens no celular.

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A hora que o telão escreveu "COMPUTERWORLD" eu quase tive um troço de alegria. (Foto: Wikipedia)

A rua Augusta e a fraternidade universal

Quando o sol se põe e a noite chega é como se Deus removesse do céu o seu olho gigante e incandescente e deixasse o mundo momentaneamente sem supervisão. E então é como se seus habitantes, que passam as horas claras do dia mantendo a compostura e cumprindo seus contratos sociais, percebessem que “o chefe saiu”.

Talvez isto justifique o que se vê à noite na Rua Augusta. Desde que me mudei pra São Paulo eu comecei a criar um fascínio cada vez maior por ela – mais especificamente pela “baixa Augusta” – a parte onde ficam os inferninhos, puteiros, botecos e casas noturnas.

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Andar pela Augusta tarde da noite é surreal. De um lado do passeio tem uma mini-equipe de produção com câmeras e holofotes entrevistando as pessoas que passam. Mais adiante tem uma rodinha de violão, depois um grupo de moleques praticamente uniformizados com seus pretos e piercings na porta de uma boate. Há muitas câmeras, muitos celulares e muita gente gritando “onde você tá?” neles, para encontrar os amigos no meio daquele pandemônio. As paredes são cobertas de pichações e cartazes de artistas urbanos: um deles diz, em letras garrafais: “AMOR É IMPORTANTE, PORRA”. Os seguranças da porta das casas de shows adultos divulgam as atrações: “mulheres bonitas, quantidade e qualidade!”, diz um deles. “Todas apertadinhas”, diz outro. Mesmo se você estiver acompanhado, não tem problema. “Temos mesa pra casal”, dizem eles.

Ontem eu estava lá, com esposa e amigos, na porta do Inferno Club – uma casa de shows com um neon vermelho clássico na fachada, portas acolchoadas e reproduções de quadros de Hieronymus Bosch nas paredes. Um dos amigos que estava conosco não estava acostumado a “sair de balada” e estava visivelmente assustado. Então eu disse a ele alguma coisa mais ou menos assim:

– Não precisa se preocupar. Você olha pras pessoas e parece que elas vão te atacar e te matar, mas na verdade todo mundo está aqui com o mesmo objetivo: se divertir.

E é por isso que eu me sentia tranquilo no meio daquilo tudo. Todo mundo estava ali para, à sua maneira, exorcisar seus próprios demônios; fugir um pouco das vistas do olho incandescente de Deus e dar vazão aos desejos tortos que ficam engavetados de segunda à sexta. E por isso é como se todo mundo estivesse unido pelo desejo comum de se divertir.

A rua Augusta talvez seja um dos poucos lugares aonde o ser humano se comporte de maneira genuinamente fraternal.

O Primo não recomenda: Tim

…e lá vamos nós adicionar mais um episódio para as minhas sagas de problemas com operadora de celular.

Até então a minha lista de problemas com a Tim envolvia:

  • A cobertura horrível no bairro onde moro. Frequentemente dá “congestionamento” na rede celular deles e eu não consigo ligar pra ninguém.
  • Quando me mudei pra SP me cobraram uma multa por cancelamento, coisa que a atendente me garantiu que não seria cobrada. Só resolveu quando botei a Anatel no meio.
  • Daí outro dia um atendente da Tim gritou comigo no telefone e chamei a Anatel de novo. Me ligaram, pediram desculpas, mas ficaram todos escorregadios quando perguntei se ia acontecer alguma coisa com o atendente deles.
  • E então outro dia eu passei um papelão ridículo, sofrendo com informação desencontrada em visitas em lojas e ligações para a central de atendimento, tudo para ativar um simples plano de dados.

Neste momento minha relação com a Tim tava estilo “shotgun wedding” – a gente, no máximo, se aguentava. Mas com a iminência da portabilidade (e com a BABA de dinheiro que eu deixava na Tim todo mês) eu pensei em ligar pra lá e ver se me ofereciam alguma vantagem financeira pra continar aguentando aquele serviço vagabundo.

E aí é que começa o problema.

A atendente do “Serviço de Relacionamento Especial” (vulgo “setor onde a operadora abre as pernas para não deixar cliente cancelar a linha”) me ofereceu nada menos do que um iPhone 3G (de 8GB) a R$ 700 para me “refidelizar” e eu continuar cliente deles por mais 12 meses. Neste exato instante o iPhone brasileiro, um dos mais caros do mundo, apareceu em minha mente como uma realidade plausível e eu instantaneamente fui capturado pelo campo de distorção da realidade de Steve Jobs. Só que, em vez de concordar com a oferta deles, eu preferi ligar depois para ver se conseguia pegar o de 16GB.

E esta foi a idéia MAIS ESTÚPIDA que já tive.

Daquele momento em diante começou um revival da minha saga com a Oi, de quando eu tive que ligar pra lá cinquenta e duas vezes até conseguir receber o celular com desconto que me ofereceram. Só que com a Tim o processo era assim:

  • Eu ligava uma vez, ficava eternamente na espera e não era atendido
  • Eu ligava de novo, caía numa atendente, eu pedia pra me transferir pro SRE (setor de relacionamento especial) e ela dizia que não podia me transferir porque o sistema estava fora do ar.
  • Eu ligava mais umas duas ou três vezes até que algum atendente conseguisse me transferir pro SRE. Aí, de duas uma: ou me falavam que o sistema DELES estava fora do ar e eles não conseguiam checar o estoque, ou eles checavam o estoque e diziam que não tinham o aparelho.

Isso sem contar as mentiras que eu ouvia dos atendentes: alguns diziam que a opção 5 (cancelamento) do menu da Central me transferia direto pro SRE, o que nunca funcionou. Outros diziam que “só alguns atendentes conseguem fazer a transferência para o SRE”, ou seja, que meu atendimento era na base da loteria. E sobre o estoque de aparelhos eu ouvia cada hora uma coisa: um atendente me dizia que ele era renovado “a qualquer momento”. Outro dizia que era “semanalmente”. Outro me disse que era “diariamente”. Um deles chegou a dizer que era “trimestralmente”. “Você sabe que ‘trimestralmente’ é de três em três meses, né?”, perguntei pra esse último.

Não é atoa que o novo slogan da Tim é “mente sem fronteiras”…

Aí eu fui ficando sem paciência de brincar de ligar pra Central e comecei a contar as ligações que fazia e anotar os números de protocolo. Contei TRINTA E SEIS LIGAÇÕES. Afinal, “vida de babaca é atribulada”, diria o Cris Dias. Mas na trigésima sétima eu achei o iPhone de 8GB no estoque e, obviamente, encomendei. Pediram sete dias úteis para entregar.

samara
“Sete dias”, é o que dizia a Samara, ao telefone, antes de matar a pessoa. Coincidência?

Mas aí chegou o sétimo dia e nada de iPhone. Resolvi ligar pra central. Precisei de mais SEIS tentativas até conseguir falar no SRE, e quando consegui, o atendente me disse assim:

– Senhor, o seu telefone foi para a assistência técnica.
– Como é que é?!
– Está aqui no sistema que ele foi pra assistência técnica, ele estava com um problema no… no… no botão de “impressão check”, e aí gerou um erro na sua fidelização…

Sim, meus caros, a Tim não está brincando com aquele papo de “mente sem fronteiras”. Essa foi a mentira mais mentirosa de todos os tempos. Ou a Apple tem o pior controle de qualidade do mundo (e a Tim anda abrindo as embalagens antes de entregar aparelhos novos), ou ela iria me vender algum aparelho de mostruário e/ou usado. Ou então eles só queriam me enrolar pra eu continuar cliente deles por mais algum tempo.

Mas a essa altura eu já estava furioso no telefone e questionando o atendente:

– Mas mesmo se isso fosse verdade por que vocês não pegam outro aparelho no estoque e mandam?? E mais, se eu não tivesse ligado pra vocês ninguém ia me avisar não?
– Errr… senhor, o que eu posso fazer é estar re-fidelizando o senhor e fazendo um novo pedido.
– Sei, e aí são mais sete dias, se é que ainda tem iPhone no seu estoque, né?
– Sim senhor.
– Eu vou perguntar apenas uma vez: Existe alguma coisa que você possa fazer para resolver o meu problema?
– Errr… eu posso refazer sua fidelizaç…
– Você não precisa repetir o que eu já sei. Eu estou te dando uma chance de resolver o meu problema e arrumar um telefone e me entregar no prazo que você combinou comigo antes. Você tem como resolver o meu problema?
– Olha senhor, eu só posso estar te refidelizando.

E então eu desliguei o telefone, peguei minhas contas antigas da Tim e, na mesma hora, fui visitar a concorrência. Conversei, pesquisei, fiz as contas e quatro horas depois eu já estava virando cliente da Vivo – e com um iPhone 3G 8GB novinho em mãos.

iphone

Claro que paguei bem mais caro pelo iPhone, mas é que o campo de distorção da realidade de Steve Jobs é REALMENTE poderoso. Em termos de tarifas e custo mensal a coisa vai ficar “elas por elas”, com a vantagem de ter mais minutos e pagar R$ 1 a menos por Adicional de Deslocamento (uma das coisas que mais me quebra quando viajo). Mas a minha primeira impressão da Vivo foi muito boa: levei coisa de 5 minutos pra ser atendido (contra 1h de espera média em qualquer loja Tim), conversei com dois vendedores e ambos foram excelentes. E ainda me pediram para dar uma nota para o trabalho deles no final, como parte de um esforço da Vivo em medir a eficiência do atendimento. Se estes dados viram informação gerencial no futuro são outros quinhentos, mas pelo menos há uma preocupação de, pelo menos, causar boa impressão.

Imagino que você deva estar pensando que perdi tempo (e dinheiro), que “operadora de celular é tudo ruim” e que “sair da Tim tem tanto efeito quanto boicotar o McDonalds” (como diria o Exu Caveira Cover), mas eu ia me sentir um trouxa se continuasse cliente de uma empresa que me tratou do jeito que tratou. Se fosse só esse episódio da fidelização tudo bem, eles nem tinham obrigação de me dar desconto ou entregar tudo em tempo hábil, mas é que o conjunto de irritações que a Tim já me causou deixou a situação intolerável. E se minha saída não é significativa pra Tim, tem os meus reclames aqui no blog que de vez em quando acabam sendo ouvidos (tipo o da revista Seleções, que o pessoal até mandou email pedindo direito de resposta e tudo).

P.s.: No processo de escrever este post eu acabei entrando na parte corporativa do site da Tim. Descobri que eles tem seis diretorias e apenas três pessoas ocupando os cargos (sendo uma delas o diretor-presidente/presidente do conselho/diretor geral. Praticamente um super-homem). Mas o pior é que eu não vi uma diretoria de operações ou alguma que pareça cuidar do atendimento, ou seja, eu nem sei quem eu devo mandar tomar no cu.

P.p.s.: Pra não dizer que a Tim é pior em tudo, olha um lugar onde ela é campeã: no ranking de reclamações do ReclameAqui.com

reclameaqui

Sim, a Vivo tá lá também… bem como TODAS as grandes operadoras de telefonia móvel. Mas a tim tem o DOBRO de reclamações da Vivo, e com uma base de clientes muito menor.

Update (26/03): Me ligou uma mocinha da Tim pra agendar a entrega do meu aparelho. Tadinha. Expliquei a situação toda pra ela e falei que já tinha pulado fora. Segundo ela, o papo de “botão impressão check estragado” que me passaram foi um erro de interpretação do atendente: segundo ela, o botão estragado era do sistema da Tim, e não do telefone que iam me mandar. Mas ela mesma sacou que era tarde demais para tentar me ganhar de volta e apenas pediu desculpas por todo o ocorrido.

Por sinal a minha portabilidade já está funcionando, mas não imune a problemas. Primeiro foi a Vivo que me ligou dizendo que eu tinha que ligar pra Tim por conta de uma divergência de cadastro. Precisei ligar pra Tim umas SEIS vezes pra conseguir resolver, mas deu certo: meu telefone novo já recebe chamadas do meu número de sempre (inclusive, quem tentar me ligar e não conseguir, avise aí nos comentários). O problema é que o de Bethania, que está vinculado ao meu CPF mas não foi portado ainda. Isso não cheira bem…

E olhaí o Esparroman também se embrenhando com a Tim

Seis coisas que as pessoas normalmente não sabem sobre mim

Permitam-me um momento “hype slowpoke” não solicitado para entrada no velho meme de “seis coisas que as pessoas não sabem sobre você”.

(embora algumas delas já tenham sido mncionadas neste blog, mesmo que en passant)

1) Sexta série. Eu, o cara mais inadequado socialmente do colégio, vivia uma paixão avassaladora (e, obviamente, platônica) por uma menina da minha sala. E eis que a menina faz quinze anos e resolve dar a fatídica festinha de debutante e convida a sala toda. E eis que o convite dizia “Traje: Esporte fino”.

E eu não fazia idéia do que aquilo significava.

Pedi ajuda pra minha mãe: “O que é isso de esporte fino? Não posso errar na roupa nesse dia de jeito nenhum, mãe!”. Obviamente ela já havia sacado as implicações do evento e me tranquilizou, dizendo que eu ia arrasar.

No instante em que eu botei os pés na festa e meus “coleguinhas” de sala me viram, todos gritaram em uníssono:

– Alááá, o Zé veio de smoking!!! – e todo mundo caiu na gargalhada.

Imagine como você se sentiria na festa de 15 anos do “amor da sua vida”… vestido igualzinho aos garçons. E antes que vocês digam “pics or it didn’t hapen…”

 smoking
O traje do dia fatídico, em foto tirada pela minha mãe. O copo (com água) é puramente decorativo.

2) Aí eu fui procurar a foto do item 1 e encontrei uma coisa que nem eu lembrava mais: fotos da época em que eu toquei teclado em casamentos.

 teclado
Tocava a marcha nupcial e tudo.

3) E o estoque de micos não acaba. Aí vai mais um: ginástica olímpica. Foi também no primeiro grau, eu era da equipe do colégio e tudo. Eu era PÉSSIMO, mas como a equipe nunca tinha quórum para poder participar das competições, entrava eu, de “bucha”.

E, sim, esta também tem foto.

 ginastica
Eu tou ali, em frente aquela menina de collant vermelho e branco, do tamanho de um halfling (que por sinal eu vi outro dia no aeroporto, ainda baixinha)

Revendo essas coisas todas, chega a ser surpreendente o fato de eu não ter virado gay.

4) Em raras ocasiões eu mencionei aqui no blog que sou espírita. Em raríssimas vezes eu mencionei que já fiz palestras em diversos centros espíritas de Belo Horizonte. Mas o que nem eu havia percebido é que acumulo um total de exatamente OITENTA E DUAS PALESTRAS.

…o que foi excelente porque me ensinou a falar em público, coisa que se mostrou extremamente útil na minha profissão.

5) Outra coisa que aprendi em centro espírita foi canto coral. Mas não aprendi somente a cantar: sou capacitado também para conduzir os ensaios do coral e até mesmo reger a coisa toda – sim, dar uma de maestro durante uma apresentação.

Tá certo que grande parte disto é consequência de eu ter namorado um tempão com a maestrina do coral, mas isso é outra história…

6) Essa eu já contei aqui, mas como o post é de 2002 muita gente não deve saber do dia em que dancei axé e quase peguei uma mulher em Porto Seguro.

O primo e a farinha láctea

Numa das visitas à casa do meu pai em Belo Horizonte eu reencontrei um clássico da minha infância: a Farinha Láctea Nestlé, um farináceo para crianças cheio de calorias e vitaminas, coisa que eu comia mais ou menos quando estava na idade do meu irmãozinho de 7 anos (que é quem come essa gororoba hoje). Na ocasião, só pra relembrar como era, resolvi experimentar um pouquinho.

Hoje tem uma lata inteira do troço no armário da cozinha aqui de casa.

farinha

O legal de comer farinha láctea nem é o gosto (e muito menos a aparência, como a foto aí em cima atesta), e sim a experiência, um misto de nostalgia e surrealismo. O que mais me espanta é que, apesar de fazer mais de VINTE anos que eu não como isso, o cheiro e o gosto da coisa despertam memórias absurdamente vivas de mim, criança, em pé do lado da pia da cozinha e do seu armário bege, mexendo aquela gosma numa cumbuquinha de aço inox (eu sempre comia nessa mesma cumbuca). Meu cérebro volta tanto no tempo que outro dia reparei, espantado, que a maneira com a qual eu preparo um prato de farinha láctea hoje é exatamente igual eu fazia na época – é um resgate assustadoramente preciso de uma memória muscular que consolidei duas décadas atrás: a sequência do preparo, o jeito de chacoalhar a lata para jogar a farinha no prato e depois de dar um “tapinha” pros restos que ficam na beirada da lata caírem de volta pra dentro dela, até a forma de misturar a farinha no leite (sempre no centro do prato, com a colher na horizontal, com pausas pra jogar o que sobra nos cantos de volta para o centro) é idêntica. Falando assim parece meio idiota, mas é fascinante. Experimente você, comendo alguma coisa que você comia quando criança e que nunca mais provou de novo…

Por sinal eu ando muito nostálgico aqui no blog. Mau sinal.

Dois bons dias

Sim, foram dois bons dias. Ontem e hoje.

Fiquei em São Paulo para dar um treinamento de Gerenciamento de Projetos para uma turma de umas 20 pessoas. O cliente era uma empresa de telefonia.

Um dos meus indicadores se a turma vai ser boa ou não é o tempo entre começar o treinamento e alguém perguntar a que horas vai acabar ou pedir pra sair mais cedo. Dessa vez o pedido veio na PRIMEIRA hora de treinamento: um dos alunos – um loiro de olhos azuis com pinta de vendedor – vinha dizendo que tinha uma reunião. O treinamento estava agendado há mais de UM MÊS, antecedência suficiente para se evitar que qualquer reunião coincida com os dois dias de treinamento. Mas segui meu procedimento padrão nestes casos: sorrir e dizer que sim.

Aí a manhã de treinamento segue e, durante um coffee break, vejo um grupinho conversando. O assunto era a portabilidade numérica e o que a empresa estava fazendo para se adequar às normas da Anatel. Não vou entrar em detalhes, mas digo a vocês que eu teria MUITO MEDO de usar a portabilidade numérica. Deixa passar aí uns seis meses que é melhor.

No fim do coffee-break, outro consultor que estava me ajudando no treinamento pergunta:

– Ei, você viu que um dos alunos saiu logo no começo e não voltou?

Passei os olhos na turma e pensei por um minuto.

– Era aquele alto, japonês, sentado no fundo da sala?
– Ele mesmo.

Saídas à francesa eram coisa inédita no meu histórico de treinamento. Uma pena.

Quase no fim da manhã um dos alunos – um que era meio careca – vem me procurar e pergunta se pode conseguir uma cópia dos slides do treinamento. "Tem tudo impresso junto com o material que vocês receberam", eu disse. Mas ele queria uma cópia do arquivo do PowerPoint com os slides – o que seria um equivalente digital à "mamar na teta da bovina". Neste caso eu não poderia sorrir e dizer que sim, então mencionei que os slides tem copyright (o que é verdade) e que o pessoal é bem restrito quanto à disseminação dessas coisas (também verdade).

Mais tarde almoçamos, eu e os alunos. Conversando sobre o tanto que eu viajo, comentei que moro em São Paulo há quase um ano e meio e que aquele era meu terceiro dia útil de trabalho em São Paulo. Todo mundo fez cara de pena.

Antes de reiniciar os trabalhos da tarde o japonês meio alto reaparece de repente. "Cara, me ligaram do trabalho, tive que voltar de repente. Perdi muita coisa?", ele disse. Segui meu procedimento padrão: sorri e disse "tudo bem".

E o curso continua, até que, lá pelas TRÊS da tarde, uma aluna nova chega de repente. "Tou reformando a minha casa e a faxineira avisou que não veio e eu tive que ficar pra olhar pedreiro". Eu já ia seguindo meu procedimento padrão de sorrir e dizer que sim quando notei que ela carregava um panetone na bolsa. Aí fui ser simpático:

– Trouxe um lanchinho aí?
– Não, na verdade eu trouxe pra você, pra gente comer no coffee break.

E me entregou o diabo do panetone. A mulher me chega seis horas atrasada e me traz um PANETONE. Vou trabalhar cinquenta anos nessa profissão e não vou ver de tudo.

Aí deu 18 horas e eu encerrei as atividades do dia. Enquanto arrumávamos a sala, meu colega consultor veio comentando:

– Cara, descobri que um dos alunos não é da empresa.
– Como assim? – perguntei.
– Na verdade ele é contratado de uma consultoria terceirizada. Uma consultoria de gerenciamento de projetos. O cara ainda ficou me pedindo cópias do material do treinamento, mas eu percebi a tempo e não passei nada pra ele.
– Peraí. Era um cara meio careca?
– Ele mesmo!

Como dizia uma sábia colega consultora, "é golpe em cima de golpe".

Saímos da empresa e, como era meu dia de rodízio, liguei para a Coopertáxi para conseguir condução para casa. Só que enquanto eu esperava que eles retornassem a ligação acabei vendo outro táxi passando vazio na rua e dei sinal. Entramos eu e meu colega consultor, que perguntou:

– E o outro táxi, o que você chamou pelo telefone?
– Vou ligar pra lá pra cancelar.

O taxista deu um pulo e exclamou:

– Eu roubei corrida de cooperativa?? De qual foi??
– Err.. foi da Coopertáxi – respondi.

E aí o taxista perdeu a compostura e deu UMA GARGALHADA e continuou comemorando o ocorrido como se fosse final de copa do mundo, com soquinhos no ar e tudo. E gritava – sim, GRITAVA – repetidas vezes:

– CHUUUUPA COOPERTÁXI!!!

E eu e meu colega consultor olhando um para o outro no banco de trás, sem entender nada. Algum tempo depois o taxista explicou que ele mesmo era da Coopertáxi, mas que havia abandonado a cooperativa até pouco tempo atrás por conta de muita taxa pra pagar e pouca corrida pra fazer. Achei melhor sorrir e dizer que sim, só por precaução.

Coisa de quarenta minutos depois e eu estava em casa. É um troço super simples isso, chegar em casa, mas a coisa ganha um significado todo especial quando você passa as semanas viajando. Eu ficava o tempo todo me lembrando de que era segunda-feira e mal passava das 19h e que eu estava sentado no sofá da minha própria casa com meu cachorro e minha esposa prestes a chegar a qualquer momento – simplesmente porque me dar conta daquilo era MUITO bom.

Então um jantarzinho, alguma TV e depois, cama. E então entro em sonhos perturbadores onde estou no alto de uma montanha e de alguma forma percebendo alguma coisa esquisita subindo as encostas, lentamente e em espiral, e aquilo ia me incomodando cada vez mais até que às quatro da manhã eu acordo com a sempre desesperadora sensação de que se está prestes a vomitar.

Não vomitei, mas passei uma boa hora no banheiro espantado com a capacidade do meu subconsciente em bolar metáforas visuais para sensações corporais. E, obviamente, pensando em como diabos eu ia fazer para trabalhar no dia seguinte, já que aquilo estava com toda a cara de uma infecção alimentar.

Não consegui dormir muito mais depois daquilo e, às sete e vinte da madrugada o despertador tocou. Bethania já havia saído com o carro há mais de uma hora (O HORROR! O HORROR!) pra ir correr no Ibirapuera, então me vesti e fiquei esperando ela voltar. E pensando: "Bem, se ela não chegar até às 8h eu vou ter que ir de táxi".

Às 7:50 eu achei melhor me preparar e fui pegar minhas coisas. E notei que ela havia saído com as DUAS chaves de casa, a minha e a dela. Então estava eu, dormindo em pé, baqueado do estômago/intestino e tendo um paniquinho porque precisava descobrir um jeito de escapar da minha própria casa pra poder ir trabalhar. Mas felizmente não foi preciso: Bethania voltou às 7:55.

Ninguém deveria passar por tanto suspense àquela hora da manhã.

Mas pontualmente às 9:00 lá estava eu em modo "Prof. Primo", com o estômago revirando e caindo pelas tabelas de sono. Não sei como mas sobrevivi até a hora do almoço. Voltamos ao mesmo restaurante do dia anterior e foi então que tive uma revelação, ao ver algumas perninhas se movendo no meio do alface que estava em meu prato: "Bem, acho que já sei de onde peguei a minha infecção alimentar"…

molina A parte da tarde do curso foi particularmente difícil. Meu estômago não sabia se revirava ou se sentia fome, a turma já estava cansada e com sono, o conteúdo da parte final do curso é bem monótono e eu não sabia se me esforçava pra não dormir ou pra não deixar a turma dormir. Pra piorar, enquanto eu ajudava uma das alunas, notei que a cara dela era IGUALZINHA ao Alfred Molina – o Dr. Octopus, do filme do Homem-Aranha. E depois que eu penso nessas coisas, fudeu, o cérebro trava e eu não consigo me desligar daquilo, então eu tinha que ficar me segurando pra não começar a rir ou algo pior.

Mas no fim tudo deu certo. A moça do panetone até falou que aquele era o primeiro treinamento de Gerenciamento de Projetos que ela havia gostado. O resultado das avaliações também não me pareceu nada mau.

Em dias como este, a melhor hora do dia é quando eu entro no carro e percebo que tudo acabou. Pra completar eu me lembrei que aquela era a segunda ou terceira vez (em quase um ano e meio de São Paulo) que eu voltava do trabalho pra casa dirigindo meu próprio carro e ouvindo minhas próprias músicas. E então fiquei rindo sozinho, mesmo com a Av. Sumaré toda engarrafada na minha frente.

Sim, foram bons dois dias.