A sexualidade latente dos comerciais de Colgate

Você está lá, no sofá, cérebro quase desligando enquanto a TV a cabo mostra, pela centésima vez, aquela propaganda manjada daquela série que você não gosta. Mas de repente ela aparece na tela.

A dentista.

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Mas não é qualquer dentista, é A DENTISTA: uma mulher cuja aparência foi cuidadosamente selecionada por transitar na tênue fronteira entre a atriz superbonita e a pessoa comum da vida real e que, assim, apresentada com uma discreta maquiagem e um jaleco branco, enganam o seu cérebro que fica sem saber distinguir se aquilo é coisa falsa de TV ou uma pessoa real. E aí, num dos cantos da tela, eis que surge o número do registro dela no Conselho Regional de Odontologia. Pronto. Sua mente sai imediatamente do dilema e conclui: aquilo ali, meu amigo, é uma dentista de verdade, tão real que se você tivesse o telefone dela poderia até marcar uma consulta só pra ver aquela beldade lhe dizendo, carinhosamente, pra cuspir na pia ao lado da cadeira. Mas não há tempo de pensar nisso, já que ela está apontando o espelhinho pra você e perguntando sobre a última vez que você sentiu seus dentes limpos. Claro que você JAMAIS pensou nisso em toda a sua vida, mas, desorientado, concorda com absolutamente tudo que aquela voz aveludada diz.

Passaram-se apenas quatro ou cinco segundos de comercial, mas os publicitários (ah, os publicitários!) já sabem exatamente como você está se sentindo: confuso e estranhamente excitado. E então o comercial responde à seu estado emocional – ou, melhor dizendo, corresponde ao tesão que aos poucos começa a tomar conta de você:

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Uma vidraça amarela aonde está escrito “PLACA” começa a subir pela tela, lentamente. A idéia é representar a formação de placa bacteriana, mas na verdade aquilo representa sua excitação sexual crescente. É como se o comercial dissesse: “eu te entendo, eu sei o que você está sentindo”.

colgate3Neste instante, Colgate Total 12 tem total controle sobre você. Esta mensagem subliminar é reafirmada no instante seguinte, aonde a dentista interrompe o crescimento da placa com a mão. O comercial está lhe dizendo, claramente, que é a dentista quem detém o controle da situação, seja ela a placa bacteriana ou… bem, você entendeu. O princípio é o mesmo de um jogo de sedução erótica, onde a excitação cresce, cresce, mas nunca é liberada totalmente.

Só então, com você completamente dominado, é que vem a mensagem publicitária de verdade: entra uma locução (em voz masculina, já que agora a coisa é séria) e a embalagem do produto é mostrada pela primeira vez. Daí vem um blablablá sobre partículas limpadoras enquanto a tela mostra uma animação 3D de dentes sendo higienizados. Este instante é breve e preenche apenas nove ou dez segundos do comercial.

colgate4 E então a dentista (ah, a dentista!) aparece de novo, desta vez usando o produto para segurar a placa de vidro amarela. Desta vez ela não está mais com ar sério, lhe enchendo de perguntas, te olhando com as sobrancelhas franzidas e ar dominador: pela primeira vez, no comercial inteiro, ela sorri. Isso, de certa forma, dá fim ao jogo de sedução e à tensão crescente, e vincula a imagem do creme dental a este alívio.

Mas o melhor ainda está por vir…

Toda a volúpia do comercial, os jogos de criar/liberar tensão sexual, os conceitos de saúde bucal erotizados… tudo isso foi mostrado de forma velada. À primeira vista aquilo é apenas um comercial de creme dental, mas qualquer pessoa dotada de instinto reprodutor (ou seja, toda a humanidade) pressentiu que há alguma coisa escondida por trás daquilo tudo, já que o lado sexual do comercial não foi totalmente revelado. Então, subitamente, para demonstrar que dá pra sentir os dentes mais limpos depois de usar Colgate, a dentista, sem a menor cerimônia, passa a língua sobre os dentes.

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Isto, meus caros, é simplesmente genial: um gesto sexual disfarçado de demonstração de limpeza bucal. É a dica que faltava para confirmar toda a fantasia erótica construída em seu inconsciente. Este sim é o clímax da propaganda – e talvez o instante mais erótico de toda a publicidade televisiva.

O vídeo do comercial inteiro é esse aí embaixo – infelizmente, em espanhol. Claro que este post foi idealizado com a versão brasileira em mente, só que ela não existe em nenhum lugar da internet – nem mesmo no site oficial da Colgate. Uma pena.

16 thoughts on “A sexualidade latente dos comerciais de Colgate”

  1. sem dizer q vc nunca vê um dentista baixinha, gordinha, baixinha e gordinha ou fora de forma, só dentista sarada e mto gata!!!!!!

    []s

  2. post genial!!!! realmente a passada de lingua chega ser obscena de tão erótico… em tempo dentista com cara de safadenha.

  3. E claro que até o cabelo dela está diferente no momento da passada de língua, meio jogado no rosto, dando ainda um ar mais.. enfim.

  4. Eu realmente percebia alguma coisa “estranha” nesse comercial, mas você resumiu perfeitamente o jogo todo! Muito bom.

  5. Ok, a parte da linguinha é bem descadara, mesmo. Mas a da placa de acrílico referenciando a excitação… bom, acho que a teoria da conspiração foi demais.

  6. O interessante no CRO é que eles só colocam o número! Não dizem de qual estado é aquele CRO! Pra mim é pura enrolação! Deviam processar por propaganda enganosa!

  7. Hahahahaha! Eu já cheguei ao estágio de separar as coisas: dá pra curtir o visual da moça e odiar Colgate mesmo assim…

  8. Os comerciais da Colgate(como a maioria deles)passa una realidade paralela,pessoas artificiais,sempre com um relacionamento artificial.Péssimos.

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