O Primo NÃO recomenda: Hotel Sonesta Brasília

sonesta Em seis anos de consultoria eu já dormi em tudo que é canto: cama de resort cinco estrelas, hotel de posto de gasolina do interior do Mato Grosso… já pernoitei até em guarita de porteiro de fábrica de armas (é sério!). Mas um hotel que não era pra decepcionar e que me surpreende – no MAU sentido – a cada dia e há muito tempo é o Sonesta de Brasília – “Soneca”, para os íntimos, como eu e o Esparroman (que também já pagou uns pecados por aqui).

Não é brincadeira quando digo que o Sonesta não era pra decepcionar: o prédio do hotel é novinho, deve ter uns 3 ou 4 anos de idade. Os quartos são super bem decorados – alguns tem até varanda. Todas as amenidades de um bom hotel estão aqui: internet, academia, restaurante, sauna, piscina, serviço de quarto 24 horas e tal.

Por fora, bela viola. Por dentro… pão bolorento, como diria o sábio Chaves. Olha a LISTA de coisas que já me aconteceram aqui:

  • Comecemos pela internet, simplesmente inutilizável de tão lenta. Eu já usei internet de algumas DEZENAS de hotéis diferentes Brasil afora, e a do Sonesta é a pior de todas, de longe. É tipo o Rubinho Barrichelo num velocípede. Um absurdo para um hotel que se vende por aí como “hotel de negócios”.
  • Aí você pensa: “Ah, mas é só internet, não é a coisa mais importante de um hotel”. Concordo. Vamos então para algo um pouquinho mais sério: em vários quartos falta água quente no banho, especialmente de manhã.
  • Achou o problema da água quente no banho sério? Então engole essa: o problema da falta de água quente no banho acontece há no mínimo DOIS ANOS e até hoje não foi resolvido.
  • Além de torcer pra não pegar um quarto sem água quente, você precisa também evitar os quartos da lateral do prédio, que são minúsculos, de não sobrar espaço pra passar pro outro lado da cama. E estes são justamente os que tem DUAS camas de solteiro. Isso sem contar os quartos que ficam exatamente atrás do elevador e que são simplesmente inabitáveis por causa do barulho.

    Estes são os problemas “crônicos” – ainda tem os esporádicos, como quarto com porta que não abre ou quarto com problema elétrico onde nenhuma luz ou tomada funciona. Peguei um destes essa semana, por sinal.

  • “Por favor” e “obrigado” não são muito usados pelo pessoal do hotel. A tosquice no atendimento chegou a um extremo na última sexta, quando fui fazer meu checkout: logo após puxar minha reserva no computador o cara da recepção começou a rir quando viu meu sobrenome. Na minha frente. Aí ele viu minha cara de furioso e disse:

    – Desculpe, senhor…

    E quando eu achei que ele ia complementar o pedido de desculpas, ele me manda um:

    – …mas é que tem o Tonico e Tinoco, a dupla sertaneja!

    E continuou rindo, o filho da puta.

  • O restaurante é uma piada, tanto o serviço quanto a comida. Um dos exemplos eu já até postei aqui. Atualmente o máximo que eu peço da cozinha é um prato e talheres pra não precisar usar talher de plástico ao comer comida de um delivery qualquer… e até isso dá errado. Pausa para pequena historinha:

    Semana passada eu liguei pro restaurante do hotel, pedi um prato e talheres. Depois (repare na sequência) liguei pro Grandville e pedi um salmão grelhado com salada e cebolas empanadas pra acompanhar. “Previsão de entrega é 45 minutos, senhor”. Mais ou menos nesse tempo chega o motoboy com o salmão e a salada, mas sem a cebola empanada. Mais uns 10 minutos e ele ligou pro restaurante, confirmando que estava mesmo faltando. Daí ele saiu pra buscá-la e voltou uns 30 minutos depois. Eu comi o salmão, a salada e as cebolas (tudo muito bom, recomendo, tem em São Paulo inclusive) e já estava escornado na cama quando, DUAS HORAS DEPOIS, chega o cara do restaurante com meu prato e os talheres. Sim, DUAS HORAS, não tou brincando.

  • Update: Outro dia achei uma barata no meu quarto (detalhes neste post).

“Pô, você precisa reclamar dessas coisas com o gerente!”, você deve estar pensando. Eu comecei preenchendo os papeizinhos de “Fale Conosco” da recepção e, como não adiantava nada, acabei indo conversar com a Srta. Chananda Tubert, gerente de operações. Sobre a internet, ela disse que o hotel tem um link de 1 MBps (sim, UM MEGA, pro hotel INTEIRO) e que, se fosse pra aumentar, ela teria que começar a cobrar pelo uso. Ou seja, ela me mandou um “foda-se você” bem suave. E sobre a água quente ela ficou de verificar (versão suave do “tou cagando e andando”). Como alguns MESES depois nada mudou, eu fui no site global da rede Sonesta, escarafunchei até achar um email “global corporate” qualquer deles e caprichei no meu inglês em um email CABELUDO reclamando da incompetência da gerente. No dia seguinte ela me abordou no café da manhã e, toda simpatiquinha, me encheu de promessas de melhoria. Nenhuma delas cumprida. E isso foi há mais de um ano.

Então já sabe: ao visitar Brasília, para uma boa soneca, não fique no Sonesta: vá pro Mercure, pro Metropolitan, pro Naoum Express… mesmo que você pague um pouco mais caro.

Twerk – A obra prima do Basement Jaxx

Nas últimas décadas produziu-se muita música eletrônica. Muita MESMO, especialmente a de variedade “dançante”. A esmagadora maioria deste universo foi feita, infelizmente, com o único objetivo de ganhar dinheiro e encher os sets de DJs de qualidade duvidosa por aí – o que resultou na dance music sendo taxada de boba e/ou comercial.

Mas se existe alguém que realmente entendeu a dance music e lhe tratou com o devido respeito, esse alguém é o Basement Jaxx. Suas produções podem até usar os mesmos modelos e estética do dance-farofa-de-rádio-FM, mas são feitos de forma TÃO superior que suas músicas são verdadeiramente geniais. É como se eles fossem o Cirque du Soleil da coisa.

Outro dia estava ouvindo pela primeira vez o “Scars”, seu quinto e mais recente disco, quando esbarrei com “Twerk”, aquela que talvez seja a obra-prima do Basement Jaxx – e talvez de toda a dance music da última década.

Mas estamos num universo taxado de bobo e comercial, então a genialidade de “Twerk” tem que ser melhor explicada para separarmos o joio do trigo. Por isso dê um clique no “play” do vídeo abaixo e continue lendo.

Twerp tem dois começos. A primeira é uma linha de synths, densa, única e tão boa que daria pra montar uma outra música inteira em cima dela – mas que acaba e não reaparece em mais nenhum momento da faixa. Isso são os produtores esfregando na sua cara o quanto eles são fodas: “sim, eu vou jogar fora isso aqui e levar a música pra um outro lado AINDA melhor”, dizem eles. E aí vem o começo de verdade da música: a introdução da batida e o baixo – e apenas deles. O Basement Jaxx sabe que 90% de uma boa música dançante está contido nestes dois elementos – e, de fato, mal se passaram 20 segundos de música e ela já está ESCORRENDO groove e dizendo a que veio: veio para fazer você mexer a sua bunda. Mesmo porque “twerk” significa exatamente isto, segundo o Urban Dictionary:

Twerk: Trabalhar o corpo através da dança, em especial a parte traseira.

E os vocais de Yo Majesty entram para completar a bomba sonora, cantando sobre… sobre absolutamente nada. E é EXATAMENTE isso que o vocal de uma música dançante deve fazer: não é hora de contar histórias, é hora de mexer a bunda. A função dos vocais é puramente estética; servem para, ao mesmo tempo, emprestar um toque humano ao monte de sons sintéticos e – nas mãos de bons produtores como o Basement Jaxx – funcionarem como um segundo instrumento percussivo. Reparem bem como as sílabas e a fonética que Yo Majesty usa soam muito mais como batidas do que como palavras, especialmente no refrão (que parece música indiana mas que eu acho que é em inglês):

Get bangin’ on
Get down, get here, show me l[ow me l]ove

Mas são os inúmeros detalhes sonoros e o esmero na produção que elevam “Twerk” de uma simples faixa 9 ao status de obra prima. Se você ouve sem prestar atenção acha que a faixa é apenas batida, baixo e vocais. Mas repare que tem no mínimo umas TRINTA coisas tocando ao mesmo tempo, e TODAS concordam entre si e somam para o conjunto ficar completo e rico, ao invés de confuso. Quem entende alguma coisa sobre produção musical ou já teve uma banda de garagem e sofreu pra fazer guitarra, baixo e bateria não soarem embolados sabe o quanto isto é difícil de conseguir.

E o mais legal é que estes detalhes contém um monte de referências, algumas mais técnicas – como o trechinho de TB-303 que toca lá pelo 1m15s –, outras mais óbvias, como o finalzinho dos versos onde Yo Majesty canta:

She’s a maniac, maaaniac, on the dance floor (she’s on the dance floor!)
She’s dancing like she’s never danced before

Notou alguma coisa familiar? Sim, porque estes versos são emprestados da trilha sonora do filme Flashdance (relembre clicando aqui). Além da referência estar dentro do contexto da música (menina doidinha “trabalhando o corpo” na pista de dança), ainda tem o detalhe que Yo Majesty “canta” através do manjado efeito de auto-tune (aquele, lembra?) assim, usando o que há de mais moderno na música dançante de hoje para reverenciar a música dançante de ontem.

E ainda sobram mais inúmeros detalhes pra mencionar: a maestria na dinâmica de construir/resolver tensão tonal entre os versos, o high end do espectro sonoro – que é diferente em todos os versos, o toque do phazer nos versos do finalzinho da faixa (“get crazy, get sick / i see you working it”) que deixa o vocal minuciosamente crazy e sick… Dava pra escrever uma tese de mestrado em cima dessa música, mas vou parar por aqui.

Brainstorming

“Igualzinho filme”, pensou. Havia lua e o reflexo dela nos paralelepípedos da rua deserta e úmida do sereno das duas da manhã e aquele silêncio solene que a cidade faz quando sonha e quando todos dormem. Era como se ele estivesse no sonho de todos os que dormiam. “Sim, igualzinho filme”. Mas era a noite real de uma quinta-feira de uma semana que (por uma questão de escala de plantão) não tinha sexta-feira útil e portanto foi bem gasta entre amigos, cervejas e uma ou outra tacada de sinuca. Aí os amigos se foram, as cervejas também e no fim só sobrou aquela cena de filme pintada no caminho de volta pra casa. Feito à pé, sem pressa.

(e após alguns minutos de reflexão temos as seguintes opções para continuar a história):

brainstorm 1. Ele encontra uma moça, sozinha, sentada no meio-fio, chorando. Segue-se uma breve descrição da moça e um longo diálogo que faz um paralelo entre o vazio de ambos os personagens e o vazio da madrugada.

2. Ele chega a um cruzamento e, subitamente, percebe que esqueceu aonde mora. Esqueceu COMPLETAMENTE, e sem razão, e sem aviso. O texto vai ficando mais denso para demonstrar o pânico crescente do personagem. Progressivamente ele vai se esquecendo de cada vez mais coisas, como se suas memórias fossem se esfacelando de repente, até que o texto vai ficando cada vez mais truncado (indicando que ele está se esquecendo de como se fala e como se pensa), até acabar.

3. Ele tropeça num cabo e percebe que o cabo é de um refletor e que o refletor é de um cenário de filme. E, sim, aquilo era mesmo um cenário de filme. A descrição do personagem muda para situá-lo como um ator num set, o texto descreve alguma coisa adicional do cenário do filme (o diretor dando ordens, as figurinistas correndo, etc.) e, quando o leitor está convencido de que na verdade ele é ator, o diretor grita: “alguém avisa pro faxineiro ali que ele está no meio do set”. E o texto passa a descrever o personagem como, de fato, um faxineiro divagando que é ator no meio do set e que após o grito do diretor é forçado a voltar a pensar na sua vida real, no salário ridículo, nos dois ônibus mais metrô que ele vai pegar daqui a pouco pra voltar pra casa, etc. Eu até poderia bolar mais uma mudança para o personagem, mas aí começo a cair nos clichês (ele estava sonhando, ou ele é MESMO um ator num filme representando um faxineiro que pensa que é ator que pensa que é um transeunte na madrugada), o que indica que é hora de parar.

4. Eu reescrevo o primeiro parágrafo pra deixar o personagem ainda mais boêmio, farrista e beberrão. Na sequência ele conclui que quer aproveitar mais a noite e se envolve em mais alguma atividade ilegal/imoral (prostitutas, drogas, etc.) até a manhã chegar. A essa altura ele está totalmente de ressaca e moído pela noite desregrada, então corre para o chuveiro, se ajeita como pode e retoma sua rotina diária, aonde encontra algum colega que vira para ele e diz: “Bom dia, Padre Marcelo. Agendei pra hoje a gravação do programa do terço bizantino do próximo domingo, tá?”. Mas essa ideia eu já usei nesse texto aqui.

5. O personagem se encontra com ninguém menos do que Paulo Coelho, que começa a lhe contar uma história (daquelas com moral zen) completamente sem sentido. Algo tipo: “Um monge plantava sementes de abóbora quando seu mestre vem e lhe diz: ‘sê como a semente, que se parte quando vê a luz do sol, mas se dobra quando sente o calor da mãe-terra’”, etc. Aí a história termina com o discípulo dizendo ao mestre:

– Mas, mestre, isso aqui não é uma plantação de abóboras, é uma sorveteria.
– Sorveteria?
– Sim.
– Ah. Hmm… tem de creme?

E aí um link no final explica que o final do texto é uma homenagem aos vários textos do Dequejeito que terminavam exatamente assim.

Das distâncias

distancia

Primeiramente é bom deixar claro que não me refiro à distância geográfica, pois essa é patética. Sim, patética. Século XXI, globalização, yadda yadda, aperte uns dois ou três botões e você acessa praticamente tudo e todo mundo em qualquer lugar.

Aqui refiro-me à distâncias reais. Distâncias como a que um cego de nascença tem para entender algo como um pôr-do-sol, por exemplo. Por mais que se descreva em texto rimado, em música, em páginas e páginas de braille, sempre haverá uma distância entre o que você e eu vemos e o que ele (não) vê.

Alguns vão achar grosseiro ou preconceituoso esse meu último parágrafo, e aí há também uma distância, essa tão ou mais triste que a cegueira de nascença: a distância de entendimento. Pois, no meu, analogias não constituem ofensas. No de várias pessoas, sim. E assim, colocando-se o seu entendimento no centro de tudo, o dos outros vai ficando cada vez mais equidistante do seu próprio, e criam-se abismos entre irmãos ou cônjuges ou amigos. E alguns passam a vida toda vivendo longe e perto uns dos outros.

Às vezes é a própria conjuntura da vida que lhe envolve – não por mal, mas por circunstância – em um “mini-mundo” cheio de uma diversidade meio hipnótica e com presenças mais constantes que ausências e há a ilusão de proximidade. Mas se você se dispõe a andar um pouco pelo seu mini-mundo invariavelmente acaba chegando à margem dele, vendo um oceano e um horizonte cheio de nada e, concluindo que seu mundo é apenas uma ilha, se descobrindo distante. Senti isto com muita clareza na última sexta-feira, no aeroporto de Brasília, quando conheci uma senhora que nunca havia usado uma escada rolante. Ela vivia no interior do Piauí, estava seguindo para São Paulo para visitar os filhos no mesmo voo que eu e, portanto, passou a me acompanhar pela sala de embarque – até a hora em que eu subi numa escada rolante e ela parou, perplexa. E disse: “Como é isso? Nunca andei nisso”. A pobrezinha quase levou um tombo ao tentar subir nos degraus móveis. E, no meu mundinho, escadas rolantes são tão comuns que a idéia de alguém que nunca havia usado uma delas era inconcebível.

Era eu, olhando para o horizonte e vendo um monte de nada. E entendendo que a ilusão do nada era resultado de uma enorme distância. Todo o meu vasto conhecimento e experiência com escadas rolantes, e no fim eu só sabia que não sabia de nada. Talvez esteja aí a genialidade de Sócrates, que mediu o mundo observando suas distâncias.

Mas a melhor parte é que as distâncias reais – ao contrário das geográficas – são incrivelmente flexíveis, e podem ser encurtadas em instantes. Basta um pouco de boa vontade para que milhares de quilômetros transformem-se em centímetros. Mais um pouco e os centímetros viram milímetros. E aí opera-se no extremo oposto da distância, num lugar singular chamado proximidade.

Aqui refiro-me à proximidades reais. Raras e magníficas, e que devem ser usufruídas ao máximo, pois tendem a ser efêmeres no curto tempo de vida da vida.

Cinco coisas legais que me aconteceram por causa do Twitter

Uma vez disseram ao Evan Williams (um dos fundadores do serviço) que "o Twitter é divertido, mas não é útil”. A resposta dele? “Sorvete também não”.

Mas eu digo que o Twitter não somente me foi útil como também divertido. Exemplos:

image 1) Eu ganhei um livro do Tiago “El Rey” @bereteando quando ele esteve em SP. O livro é o Operação P-2, escrito pela @nyex e inspirado nas histórias da carreira policial do marido dela, o @franchini. E tem dedicatória nerd legal, com “w00t” e tudo.

(P.s.: Review do livro em breve aqui no blog)

2) Quando estive em Belém do Pará o Twitter foi meu guia turístico. Não fosse por ele eu provavelmente ficaria assando no hotel por não ter tido tempo de pesquisar direito onde ir. O @ianblack deu a dica da sorveteria Cairu, com zilhões de sabores exóticos de frutas amazônicas, e o @dodavilhena me lembrou de não ir embora sem comprar bombons de cupuaçu.

3) Graças ao Twitter eu comprei panelas super baratas. É sério: na época o @Ibere estava de saída do Brasil (foi morar no Canadá, o sortudo) e fez um “mercadão persa” pra vender tudo que tinha na casa dele. Fomos lá pra buscar um Xbox que meu primo @luizzz comprou na mão dele e acabamos levando também um jogo de panelas novinho a preço de banana.

Mas o mais surreal foi conhecer o Iberê ao vivo. Tive que segurar o estranhamento na hora de apertar a mão de um cara que twitta coisas como isto.

4) Várias vezes o Twitter já decidiu meu almoço, com o pessoal dando pitacos de o que ou onde eu deveria comer em momentos de (frequente) indecisão. Uma dica ótima que recebi desse jeito veio do @gabrielouback, que me apresentou a Padaria Real, no Sumaré, do lado da MTV: uma ótima opção quando você quer pagar pouco e comer bem.

5) Apesar de odiar cerveja, minha mulher bebeu uma Guiness por causa do Twitter. Foi uma vez onde um bando de “arrobas” marcou de se encontrar numa Starbucks. Papo vai, papo vem, e uma das meninas menciona que nunca havia bebido uma Guiness. Após uma breve deliberação o grupo concluiu que aquele erro precisava ser reparado imediatamente e, instantes depois, todo mundo estava no bar.

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E com tanta movimentação em volta da cerveja, minha esposa também resolveu experimentar. Não gostou – mas desde então parou de torcer o nariz pras cervejas e outro dia até achou uma Baden Baden gostosa… 🙂

A agenda do fim dos tempos drásticos

Eu queria compartilhar com vocês uma das ferramentas do meu dia-a-dia que mais gosto: minha agenda de anotações.

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Sim, eu sei, você deve estar se perguntando que diabos é aquilo de “necrofilia do mundo final”. É que isto não é exatamente uma agenda: é um livreto que foi distribuído ano passado na Bienal, em São Paulo, e que na verdade é parte de uma obra de arte de Javier Peñafiel. A agenda foi apresentada ao público na própria Bienal, em uma performance do artista, e cópias da agenda estavam disponíveis para quem quisesse levar.

O nome da agenda dá título a este post: “Agenda do fim dos tempos drásticos”.

Por dentro ela é cheia de ilustrações, pequenos textos e de um bocado de espaço em branco – aonde passaram a morar minhas anotações de trabalho.

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Pode parecer estranho, mas ter arte na sua frente dá a perspectiva correta aos dias de trabalho cheio de gente engravatada, cafezinhos e reuniões. Mesmo porque os textos de Javier questionam – ainda que de forma bem hermética – o próprio passar dos dias, descritos pela agenda como “impróprios”, “plurais”, “comuns”, “similares” e por aí vai.

O ruim é que a agenda é curtinha e o espaço da minha se esgotou esta semana, então terei que recorrer às agendas convencionais. Mas pra não perder a perspectiva, pelo menos ainda posso resistir às convenções na forma de anotar – como no exemplo abaixo, que é uma observação sobre ausência de função estratégia feita em estilo Cersibon:

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Minha abalizada opinião sobre a polêmica da DM9DDB

Eu não tenho mais tempo de ler toda a minha timeline do Twitter durante o dia: só dou umas lidinhas nos segundos em que estou no elevador ou esperando uma reunião começar. E nessas “lidinhas” vi que o assunto da vez era uma certa polêmica envolvendo um tal anúncio da agência DM9DDB e os atentados de 11 de setembro.

Só agora à noite eu consegui ver o tal anúncio, feito para a WWF: é uma foto do sul da ilha de Manhattan – incluindo as torres gêmeas – e centenas de aviões se aproximando delas. O texto diz que “o tsunami matou 100 vezes mais gente que o 11 de setembro”.

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Eu olhei longamente a foto do anúncio, pensei bastante, e concluí que, realmente, a parte sul da ilha de Liberty City (a cidade do jogo Grand Theft Auto IV) é IGUALZINHA à da ilha de Manhattan.