Eu, insone
Sabe, eu nunca esperava que fosse desaprender a dormir.
Começou há algum tempo, com um dia estressante de trabalho que ficou reverberando na cabeça, incessantemente, madrugada afora. É como se o apagar das luzes e o calar dos sons desse espaço extra no cérebro e ele simplesmente estourasse. Sinapses em fúria, alheias ao avançado da hora. E os pensamentos todos correm atrás do próprio rabo e não levam a conclusão nenhuma – a não ser a de que você não vai pegar no sono tão cedo.
O engraçado é que, revisitando anotações da minha infância feitas pela minha mãe (que, se viva, faria 67 anos ontem), eu supostamente era meio insone quando criança. De fato me lembro perfeitamente do teto e do lustre metálico do meu antigo quarto, que ela deixava à meia-luz quando eu não conseguia dormir, e que de tempos em tempos estalava por causa do calor da lâmpada (ainda incandescente, na época). Mas com o tempo isso parece ter passado de uma tal maneira que eu fui parar no outro extremo: na faculdade meus colegas achavam que eu trabalhava de guarda noturno porque eu dormia em praticamente TODAS as aulas. E hoje ao invés de aulas tenho reuniões, e não pega bem dormir em reunião – por razões óbvias.
A insônia de hoje está evidentemente amarrada ao trabalho. Em casa, com a esposa de um lado e o cachorro do outro, eu durmo o sono dos justos. Mas do domingo em diante a cabeça começa novamente a se ocupar de caraminholas sem sentido assim que eu coloco a cabeça no travesseiro. Esse é o momento crucial da noite: se eu começar a “dormir errado”, já era. Basta começar a pensar em qualquer coisa – nem precisa ser o trabalho, pode ser qualquer coisa MESMO – e o cérebro começa uma reação em cadeia onde um pensamento puxa outro e, minutos depois, eu estou com 457 coisas diferentes na cabeça. E totalmente desperto.
A coisa está tão feia que até desenvolvi uma técnica pra me ajudar a tirar o cérebro desses loops insones: lá pelas três da manhã, quando eu já estou em pânico de tanto fritar no colchão, eu ligo a tevê num canal bem sem graça (como a Globonews) e aciono o sleep timer, deixo tudo num volume bem baixo, fecho os olhos e presto atenção apenas no áudio. De alguma forma o blablablá contínuo do noticiário engana minha mente e “desamarra” o turbilhão de pensamentos, e eu consigo relaxar um pouco. Dali em diante – mas nunca sem mais uma meia hora de insistência – eu normalmente consigo pegar no sono.
Dias de trabalho depois de noites assim são um inferno. Eu tenho que lidar com a equipe, o chefe, o cliente, e eu mal estou aguentando lidar comigo mesmo. O que me consola é só o pensamento que, esgotado daquele jeito, não tem como não conseguir dormir na noite seguinte. Mas ADIVINHE. Às vezes eu chego a uns two ou three-hit-combo de noites maldormidas…






É mesmo muito duro. Estou tendo uma dessas insonias agora mesmo. Boa sorte e principalmente Boa Noite.
Em vez da Globonews experimenta um daqueles canais de documentários, de preferência quando estiver passando algo sobre a vida animal.
Uma coisa que dizem ajudar (nunca tentei) quando vc está com muitas coisas na cabeça é, antes de deitar, escreva e organize tudo que pode te atrapalhar o sono. Geralmente, são coisas que estamos querendo “adiantar” para o dia seguinte, ou são problemas mesmo.
Deixando tudo anotado e meio adiantado, ajuda a relaxar seu cérebro.
Um exemplo bobo, se vc tiver uma conta a pagar que não pode esquecer de jeito nenhum, deixando anotado em um papel que vc vai ao banco às 11h pagar, pode ajudar.
Sabe, eu também tenho esse problema. Com um detalhe que após o almoço tenho um sono muito grande.
Sempre acordo no meio da noite também. A solução é ouvir algum podcast e dormir com o fone no ouvido.
Eu tive uma época da minha adolescência que tb tive problemas pra dormir.
O que me ajudou e muito (e me ajuda até hj) é a prática de exercícios físicos. sei lá, acho que libera uma serotonina e demais endorfinas que auxiliam no relax…
experimente
abs
Cara,acho q o melhor q vc faz eh buscar orientação com um bom profissional, pq por mais competente q vc seja isso pode afetar seriamente não só seu trabalho, mas seu dia a dia, procure alguém (seu chefe ou alguém do RH) e explique o q anda acontecendo, antes q seja tarde…
[]s
Isso é consciência pesada! Quem não deve não teme…
Gabriel, eu pensei exatamente isso. Até trouxe meu tênis e umas roupas de ginástica pra fazer pelo menos uma “caminhadinha de velho” ali no Parque da Cidade.
E, Naked Truth, obrigado. Dei umas boas risadas com o seu comentário, foi relaxante, acho que vai me ajudar a dormir melhor. Ah, e se “quem não deve não teme” o que você acha de assinar os próximos comentários com seu nome/email de verdade?
Sofri demais com insônia.
Se for mesmo fazer exercícios antes de dormir procure não exagerar porque isso só atrapalha ,acelera os batimentos e o corpo demora um tempo para sair desse estado.
Se esse método da TV tá funcionando, não espere até 3 horas para utilizá-lo!
E último e não menos importante: Procure se informar sobre técnicas de respiração e relaxamento, depois de umas aulas de pilates seu sono pode melhorar muito!
Pô, Zé, a primeira chance de fazer uma caminhada no Parque da Cidade vc perdeu hoje, eheheh. Se programa para irmos lá nesta quinta-feira então, ok? Vou te chamar novamente.
Abraços.
Concordo com o Highlander!
Quando eu acordo à noite cheio de preocupações, organizo os pensamentos, coloco num papel em forma de listinha de coisas pra fazer, e então fico mais sossegado e volto a dormir.
Cuidado pra não encontrar o Tyler Durden.
Pois é, “mal-vindo” ao grupo dos insones. Já virei 4 dias sem dormir. Começou na PUC, no projeto final de OC (lembra?).
Com o trabalho piora. E, quanto maior o cargo, pior a minha insônia. Mesmo agora, que tomei outro rumo na carreira e busquei um emprego teoricamente menos estressante, a coisa continua. E o estresse tb.
Exercícios ajudam. Mas, às vezes, não resolvem. Já não conto mais com uma noite de sono de domingo para segunda. A cabeça começa a trabalhar e a sofrer por antecipação. E, agora, ainda tem o bebê, que não nos deixa dormir de jeito nenhum. Com o trabalho, eu queria entrar em um estado mental de “foda-se” quando não estou lá.
A técnica da TV funciona, às vezes. Mas, vez ou outra, tenho que engolir umas drogas lícitas para dormir.
Ufa, comentário desabafo.
Não deixa isso evoluir, não, Tinoco. Uma passadinha em uma clínica do sono, quem sabe.
O negócio é ter uma rotina de exercícios. Óbvio que não vaicorrer desenfreado, as 22hs… É tipo uma coisa sópra acelerar os batimentos e oxigenar o cérebro… Dai ele descansa à noite.
Cara, no meu trabalho eu também estava com os mesmos sintomas que você descreveu sobre não conseguir “desligar” os pensamentos e sofrer antecipadamente, começando aos domingos.
Consegui sair de férias e hoje é meu penúltimo dia. No entanto estou que nem um zumbi, com fone de ouvido, música no talo e nem sinal de sono.
Vamos ver que hora vou conseguir ir dormir e que horas acordo amanhã de manhã (o último dia).
Durante essas minhas férias, pensei muito sobre a causa desse tipo de sensação e incômodo e descobri que ela tem a ver com um de meus diretores (o que “pega mais no pé” e é mais imediatista). Só espero que quando eu voltar das férias na terça ele dê um descanso na pressão que ele faz com todos na empresa, deixando todos malucos.
Gostei muito do seu blog e espero voltar mais vezes pra ler seus posts.
Um abraço, fica com Deus!